21 de outubro de 2009

A mim, ninguém me esmiuça!


Há em Portugal um cidadão que tem de si, e da política portuguesa, uma concepção muito séria.

Como é caso único, devia ser uma espécie particularmente protegida.

Mas não é; é Presidente da República.

Esse cidadão, de sua graça Aníbal António Cavaco Silva, do alto da sua pose majestática, recusou ser o último convidado do programa do Gato Fedorento, "Gato Fedorento Esmiuça os Sufrágios", sem sequer avançar qualquer explicação para a sua atitude (ler notícia aqui http://www.briefing.pt/content/view/1152/10/).

Não é preciso ser-se muito dotado para perceber a razão que leva o Sr. Presidente (o Sr. Silva, como lhe chamava Alberto João Jardim!) a proceder assim.

Cavaco Silva tem uma concepçãp régia do Poder.

E o Rei não desce ao nível dos súbditos.

E pensar que Soares é que era criticado por ser um Rei republicano!

Neste particular, Cavaco Silva é o oposto do soberano imaginado por Mel Brooks.

Na obra de Mel Brooks "it's good to be the King"!

Com Cavaco, é algo de muito aborrecido, um tormento, uma provação.

Claro que Cavaco está disposto a este sacrifício, a prestar mais este serviço à pátria, antes de se entregar definitivamente ao seu repouso real, provavelmente nos aposentos régios nos Algarves.

Não necessitava era de ser tão enfadonho no seu reinado.

E o que é curioso é que, com maior frequência do que aquela que é recomendada pela Organização Mundial de Saúde, Cavaco Silva acha que deve soltar umas tiradas humorísticas.

Em boa verdade, só ele e as suas fiéis figurinhas acham o mínimo de piada às mesmas.

No meio de tanta sensaboria, há algo de agradável para registar - o segundo mandato é, cada vez mais, uma miragem.

Sim, que agora já nem é preciso ninguém gritar para toda a gente perceber que o Rei vai nú!


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