31 de agosto de 2018

Qual a primeira parte do corpo a chegar ao céu?


Na escola, na aula de religião e moral, a professora pergunta:
- Qual é a parte do corpo que chega primeiro ao céu?
Uma menina levanta o braço:
- As mãos, senhora professora!
- E porquê? – pergunta a professora.
Responde a menina:
- Porque quando rezamos elevamos as mãos ao céu.
Ainda nem a professora tinha falado, retorquiu o Joãozinho:
- Não é nada disso, são os pés!
Intrigada pergunta a professora:
- Ah sim, Joãozinho, e porquê?
Explica o menino:
- Bem, esta noite, fui ao quarto dos meus pais, a minha mãe tinha os pés no ar, e estava a gritar:
“Meu Deus, meu Deus, estou a ir pró céu… estou a ir pró céu…“ 
E continuou o menino:
 – E ainda bem que o meu pai estava em cima dela a segurá-la, senão, lá iam os dois…


BOM FIM-DE-SEMANA!

30 de agosto de 2018

Donald Trump é cada vez mais o arquétipo de um bandalho


O Dicionário Priberam define bandalho como “Pessoa sem vergonha, cujo comportamento é desprezível”.
A única vertente positiva do comportamento de Donald Trump, enquanto político e cidadão, é dar-nos a conhecer o arquétipo de um bandalho.
O cidadão Donald Trump, que não respeita as mulheres, que as molesta sexualmente, que as usa pagando-lhes em seguida o silêncio relativamente ao seu comportamento abjecto, que vai ao ponto de insinuar que teria uma aventura sexual com a própria filha se esta não fosse sua filha (mais viscoso e nauseante que isto é difícil imaginar), é um bandalho.
E o cidadão tornado Presidente da mais poderosa potência planetária não deixa de ser o mesmíssimo bandalho.
Um bandalho que procura fazer passar despercebida a morte de um cidadão exemplar do seu país, de um dos mais ilustres políticos do seu Partido, que se refere ao mesmo com desdém em vida e quase o ignora na morte.
John McCain era aquilo que Donald Trump nunca será – uma pessoa decente, inteligente, bem formada, um verdadeiro herói, que se sujeitou a todo o tipo de torturas para não abandonar os seus camaradas, como ele capturados pelo inimigo, e que acabou a perdoar quem o torturou.
Perdão, uma palavra, um sentimento, que o bandalho Donald Trump não conhece.
Tudo o que Donald Trump disse e deixou de dizer acerca de John McCain, em vida e após a morte deste, demonstram essa ausência de valores do Presidente norte-americano.
John McCain, que regeu a sua vida por um código de valores que Donald Trump desconhece, confrontou Donald Trump várias vezes.
E deixou Donald Trump eternamente furioso quando recusou apoiar politicamente alguém vazio de ideias, com um comportamento errático, insensato, narcisista, e, sobretudo, quando impediu com o seu voto, em obediência à sua consciência e aos seus valores, o desmantelamento do célebre Obamacare.
John McCain, um homem íntegro, capaz de gerar consensos, de valores consolidados e universais, não podia fazer parte do grupo dos chamados enablers de Donald Trump, aquele grupo de bajuladores que Trump usa e deita fora como e quando lhe apetece.
E essa é a principal ofensa que se pode dirigir a um bandalho cabotino como Donald Trump – não reconhecer o seu  suposto extraordinário valor, não se colocar cegamente ao serviço desse  suposto extraordinário valor.

Intemporais (130)

29 de agosto de 2018

The Jacksonville Landing - diversão, competição e morticínio


The Jacksonville Landing era um local completamente desconhecido para a grande maioria das pessoas.
Esta área de restaurantes e lojas, localizada à beira rio, na cidade de Jacksonville, Florida, de repente entrou pelas nossas casas, invadiu os nossos computadores, os noticiários radiofónicos.
Tudo porque um jovem mentalmente desequilibrado resolveu vingar-se da derrota num torneio de videojogos matando indiscriminadamente quem estava na linha de fogo da arma que calmamente foi buscar ao seu carro.
Com a maior naturalidade, David Katz, vinte e quatro anos de idade, uma das vítimas de mais um morticínio em solo norte-americano (suicídio??), abandonou o local da competição que acabara de perder, deu alguns passos na direcção do seu carro, e regressou com uma arma automática que utilizou para disparar indiscriminadamente ferindo e assassinando quem por acaso estava na linha de fogo.
Uma das pessoas feridas, que tinha acompanhado o seu namorado à competição de videojogos, agarrada a um par de muletas, afirmava, com um misto de incredulidade e revolta no olhar, que quando alguém se desloca a um local como o complexo Jacksonville Landing, procura diversão, convívio, momentos bem passados.
E nunca imagina que seja possível assistir e ser vítima de um atentado demente como aquele que foi perpetrado por David Katz.
Será assim num qualquer país que tenha controlo sobre a venda e a posse de armas.
Não nos Estados Unidos, sobretudo enquanto essa entidade sinistra que é a NRA (National Rifle Association) continuar a beneficiar de um estatuto que a coloca acima da Lei, acima da consciência, acima do mais elementar bom senso.
Num país onde é tão fácil comprar um pacote de pastilhas elásticas como um arsenal de armas e munições, é bem possível que quem apenas procura diversão, convívio, acabe por se ver envolvido numa tragédia que marca a pessoa, física e mentalmente, para o resto da vida.

Porque todos envelhecemos ...

28 de agosto de 2018

Por qué no te callas?


Juan Carlos, então Rei de Espanha, recorreu à expressão “por qué no te callas” para tentar conter os disparates que teimavam em sair da boca do então Presidente venezuelano Hugo Chávez.
E a expressão depressa se tornou viral nos meios de comunicação social e na Internet.
A mesma expressão que é hoje utilizada nos mais variados países e nas mais variadas situações.
Como ainda ninguém a utilizou em Macau para pôr fim aos disparates que a subdirectora dos Serviços de Educação tem vindo a dizer publicamente, a mesma que nem se cala nem é afastada do cargo que claramente não tem qualidade para ocupar, pergunto eu – por qué no te callas?
As afirmações de alguém que está no topo da hierarquia dos Serviços que têm a competência de zelar pela educação dos nossos filhos em Macau são aberrantes.
Não só revelam uma visão totalmente distorcida do que deve ser a educação sexual nas escolas, confundida com um moralismo perfeitamente ridículo, descabido, serôdio, como revelam um desconhecimento absoluto da lei natural (a homossexualidade encarada como doença e como uma opção que pode ser alterada como se altera a matrícula num curso superior) e da lei positiva (cadeia para os jovens que têm relações sexuais ainda que consentidas).
Como sempre, num primeiro momento, lá veio a desculpa esfarrapada da tradução deficiente, o célebre “mate-se o mensageiro”.
Depois, e confrontada com a gravação do que tinha dito, a estratégia de fuga para a frente, de tentar justificar o injustificável.
Agora em Língua Inglesa para não deixar dúvidas a ninguém.
E, se dúvidas houvesse, todas se teriam dissipado – o que a subdirectora dos Serviços de Educação disse, sem tradução, em Inglês, arrepia o encarregado de educação que a ouve e fica a pensar no que andam a ensinar aos seus filhos em matéria de educação sexual.
O mesmo encarregado de educação que quer que os seus filhos sejam cidadãos de pleno direito e de plena consciência, que sejam educados sem tabus, longe de uma falsa e hipócrita moral.
Na Região Administrativa Especial de Macau, a tal que é suposto ter o maior PIB per capita do Planeta no espaço de dois anos, há muita gente que nos faz pensar que estamos cada vez mais a viver como um pobre menino rico.

O equívoco da fé "na" Igreja (Padre Anselmo Borges)


1. É de A. Loisy um dos ditos que, desde o seu pronunciamento, no início do século XX, mais animaram o debate teológico: "Jesus anunciou a vinda do Reino de Deus, mas o que veio foi a Igreja." E é um dito decisivo também para a compreensão em profundidade da tragédia da pedofilia por parte do clero.
Quando se recita o credo (a síntese da fé cristã), é necessário estar prevenido contra possíveis alçapões. Vejamos. Diz-se: "Creio em Deus Pai, em Jesus Cristo, no Espírito Santo." Em português também se diz "Creio na Igreja una, santa, católica", como se esta estivesse ao mesmo nível de Deus. Realmente, não pode ser nem é assim. Aliás, o latim faz a distinção essencial, pois diz: "Credo in Deum..."; porém, não diz "Credo in Ecclesiam", mas "Credo Ecclesiam". A diferença essencial está naquele "in": Creio "em" Deus, o que significa: entrego-me confiadamente a Deus, mas não creio "na" Igreja; o que lá está é: em Igreja, isto é, fazendo parte da Igreja como comunidade de todos os baptizados, creio em Deus, em Jesus e espero a vida eterna...
Como habitualmente se coloca tudo no mesmo plano, dizendo "creio na Igreja", é fácil interiorizar a ideia de que se acredita na Igreja enquanto instituição, e instituição divina, com todos os enganos e desastres que se sucedem.
Jesus queria a Igreja enquanto povo de Deus, não uma Igreja instituição de poder e clerical, com duas classes: de um lado, a hierarquia, o clero, que ensina e que manda em nome de Deus, e, do outro, os leigos, os que obedecem. Veja-se o significado da palavra leigo no linguajar comum: sou um "leigo", com o sentido de incompetente, ignorante. Ou a expressão referida aos padres, quando lhes é retirado o ministério: "foi reduzido ao estado laical", com o sentido implícito de ter perdido o privilégio de clérigo. Na Igreja, segundo Jesus, há ou deveria haver uma igualdade radical e, consequentemente, nela deve reinar a fraternidade, a igualdade e a liberdade. Evidentemente, uma vez que há muitos cristãos e católicos, terá de haver alguma organização, algo institucional, mas a instituição tem de estar ao serviço da Igreja povo de Deus, e não hipostasiar-se, sacralizar-se, dando a si mesma atributos divinos. Aliás, Jesus disse: "Eu vim não para ser servido mas para servir." Na Igreja, há serviços, ministérios.
O que se passou e passa é que a hierarquia, padres e bispos, sacralizaram-se, atribuindo-se a si mesmos privilégios sacros ao serviço dos quais estaria o próprio celibato. Eles trazem Cristo à terra na Eucaristia, só eles perdoam os pecados, e formam uma espécie de casta à parte, como diz a própria palavra clero, são ministros, mas ministros sagrados... O padre é alter Christus (outro Cristo). Isso foi de tal modo interiorizado pelo comum dos católicos que há constantemente o perigo da deriva para o clericalismo, como diz o padre Stéphane Joulain, psicoterapeuta: "Considerar que, porque se foi ordenado, se tem direito a uma forma de reverência é um erro, de que alguns não hesitam em abusar... A cultura de um país, a sua história, desempenham um papel nisso: nos Estado Unidos, mas também na África, os leigos encontram-se numa grande submissão aos padres. Alguns fiéis, citados no relatório judicial da Pensilvânia, contam que, quando um padre os visitava, era como se o próprio Deus entrasse em casa..."
Mais: neste contexto, também se entende que o perigo máximo consista em defender e proteger a instituição, mesmo à custa daqueles que verdadeiramente deveriam ser defendidos e protegidos: as crianças e os mais frágeis. O encobrimento para defender a Igreja-instituição no seu prestígio!

2. Perante os escândalos que se sucedem - Irlanda, Chile, Austrália, Estados Unidos... -, o arcebispo de Boston e presidente da Pontifícia Comissão para a Protecção de Menores, cardeal Sean O"Malley, manifestou-se "totalmente envergonhado pelos atrozes fracassos" na sua protecção - "há momentos em que nos faltam as palavras" -, esperando que a Igreja abrace finalmente de verdade a "conversão pastoral", a "transparência legal" e a "responsabilidade pastoral".
Neste contexto, o Papa Francisco escreveu uma carta a todo o povo de Deus, co-responsabilizando-o nesta tarefa. Uma carta inédita, sentida, corajosa, leal, na qual condena com "dor e vergonha" as "atrocidades" dos abusos sexuais, denuncia o clericalismo, "peste da Igreja", como uma causa fundamental dos abusos - este "modo desviante de conceber a autoridade na Igreja gera uma cisão no corpo eclesial que encoraja e ajuda a perpetuar muitos dos males que denunciamos" -, afirma que "as feridas nunca prescrevem" e que os abusos são "um pecado" e um "crime", como sublinhou Greg Burke, o porta-voz do Vaticano, acrescentando que "é preciso que os culpados prestem contas urgentemente, não só os que cometeram esses crimes mas também os que os encobriram, o que em muitos casos inclui os bispos". Para lá das sanções previstas pela Igreja e a colaboração com a justiça civil, Francisco sublinha que é "necessário que cada baptizado se sinta comprometido na transformação eclesial e social de que tanto necessitamos".

3. Medidas concretas, pois, como justamente se tem afirmado, "não basta a conversão espiritual".
O secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, admitiu que os abusos tiveram um "impacto devastador na Igreja". Como o Papa Francisco insiste, "o nosso primeiro compromisso é estar com as vítimas e ajudá-las para que possam reconstruir as suas vidas". Ajudá-las nos vários domínios, ouvindo-as, acolhendo-as, dando-lhes protecção real, apoio psicológico, ajudas materiais...
É necessário abrir os arquivos, pois só com a verdade se poderá fazer justiça, justiça para todos, garantindo também a legítima defesa dos acusados.
O que se passa na Cúria, com as suas ocultações?
Terá de haver lucidez e coragem para pôr fim à lei do celibato obrigatório para os padres. E as mulheres têm de encontrar na Igreja o seu lugar em igualdade com os homens, segundo os ensinamentos e prática de Jesus. Rever o actual modelo de padre e caminhar no sentido de um escrutínio psicológico dos candidatos a padres, como já acontecia a seguir ao concílio. Neste sentido, já há muitos anos, o teólogo e psicanalista Eugen Drewermann, num livro célebre, Die Kleriker (Os Clérigos), escreveu: "O problema da psicologia do estado clerical adquire uma relevância de primeira ordem e apresenta-se, cada dia mais, como o verdadeiro ponto débil da Igreja Católica."

4. Perante uma das piores crises da história da Igreja, importa refundá-la, indo ao encontro do Evangelho. Na linha da carta de Francisco, apelando à co-responsabilidade de todo o povo de Deus, penso que se deveria convocar um sínodo, com a representação dos bispos de todo o mundo, mas também da Cúria, dos padres, dos religiosos e das religiosas e dos leigos, eles e elas, proporcionalmente ao seu número, sob a presidência do Papa.
Como escreveu Joana Petiz a propósito destes escândalos que bradam aos céus, "a Igreja Católica não é isto. Mas enquanto não tomar medidas sérias e exemplares contra aqueles que usam Deus como desculpa para submeterem os mais fracos - precisamente o oposto do que defende a religião - será confundida com isto, com o que de pior existe no mundo."

Padre e Professor de filosofia
in DN 25.08.2018

27 de agosto de 2018

Gorduras, vinho e sexo


Sobre as GORDURAS:

No Japão, são consumidas poucas gorduras e o índice de ataques cardíacos, é menor do que na Inglaterra e nos EUA.

Em compensação, na França consomem-se muitas gorduras e, ainda assim, o índice de ataques cardíacos é menor do que na Inglaterra e nos EUA.

Sobre o VINHO: 

Na China, bebe-se pouco vinho tinto e o índice de ataques cardíacos é menor do que na Inglaterra e nos EUA.

Em compensação, na Espanha bebe-se muito vinho tinto e o índice de ataques cardíacos é menor do que na Inglaterra e nos EUA.

Sobre o SEXO:

Na Argélia, f*d*-se muito pouco e o índice de ataques cardíacos é menor do que na Inglaterra e nos EUA.

Em compensação, no Brasil f*d*-se muuuuuito e o índice de ataques cardíacos é menor do que na Inglaterra e nos EUA.

CONCLUSÃO LÓGICA:

Beba, coma e f*d* à vontade pois o que mata é falar inglês!

Eu já não falo mais inglês! 
Tu faz o que quiseres.


BOA SEMANA!

24 de agosto de 2018

Espantoso poder de síntese


Numa aula de filosofia foi proposto o seguinte trabalho: 

"Aborde, da forma mais concisa de que for capaz, os três domínios seguintes : 

1 - Religião 

2 - Sexualidade 

3 – Mistério” 

O texto vencedor foi o seguinte : 

"Meu Deus, estou grávida!... Mas quem é o pai? "

BOM FIM-DE-SEMANA!

23 de agosto de 2018

Um ano depois do maior susto da minha vida


Um ano depois do maior susto da minha vida, da maior devastação urbana que alguma vez presenciei, o que mudou?
Essa a pergunta que frequentemente me coloco, acredito que à semelhança de muitos outros residentes de Macau.
Estará a cidade mais bem preparada para fazer face a uma catástrofe como aquela que a todos afectou há precisamente um ano?
Vamos ouvindo declarações avulsas, fazendo alusão a medidas avulsas, que fazem crer que sim, que Macau está agora mais bem preparada para fazer face a uma catástrofe com as proporções bíblicas do tufão Hato.
Eu, residente permanente da Região Administrativa Especial de Macau, tenho que confessar que não estou plenamente convencido que assim seja.
Pelo contrário, consciente ou inconscientemente, a perspectiva de aproximação de um qualquer tufão deixa-me assustado.
Algo que não acontecia antes do Hato.
O que vivenciei há um ano foi verdadeiramente surreal.
Dentro de casa e nas ruas, a destruição, o caos, a perda de bens materiais, mas sobretudo de vidas, marcaram-me para sempre.
Vivemos todos um conjunto de acontecimentos que julgávamos ser apenas possível em filmes sensacionalistas produzidos por Hollywood.
E não podemos nunca esquecer o que aconteceu, como aconteceu, porque aconteceu.
Para evitar que aconteça novamente, que não haja sequer essa remota possibilidade.
E é bom que se perceba que isso é muito e é algo não se consegue com processos e sanções disciplinares.

Intemporais (129)

22 de agosto de 2018

Fuga à realidade


Nicolás Maduro está a tentar usar mais um trunfo nesta sua batalha louca para evitar o inevitável – o seu afastamento político.
O ditador venezuelano, que vê conspirações em toda a parte, e as tenta impingir ao povo venezuelano e à comunidade internacional, resolveu agora inventar uma nova moeda – o bolívar soberano.
Uma moeda com menos cinco zeros que o bolívar forte, indexada à moeda virtual petro, esta por sua vez indexada ao valor das reservas de petróleo do país, o bolívar forte irá presumivelmente permitir contornar as enormes perdas de divisas decorrentes da venda do dólar no mercado negro e a inflação brutal (o FMI prevê um milhão por cento no final do ano!) no país.
Uma medida olhada com muito cepticismo por economistas, pela população e que tem tudo para ser…nada.
A população venezuelana sofre todo o tipo de privações, tenta fugir a um cenário dantesco, acaba a ser escorraçada dos locais para onde tenta fugir, especialmente junto à fronteira com o Brasil, vê-se prisioneira de um pesadelo convertido em realidade diária.
Tudo isto enquanto Nicolás Maduro vai tentando ganhar tempo e empurrar culpas para terceiros recusando-se a aceitar o óbvio e inevitável – só com o seu afastamento do poder, e dos seus sequazes, a Venezuela poderá recorrer às suas imensas reservas de petróleo e não só sair desta crise interminável mas até prosperar e permitir um bom nível de vida ao seu povo.

Urinóis públicos em Paris causam polémica

21 de agosto de 2018

Macau e a divulgação da Língua Portuguesa em Macau vão ficar mais pobres

Se é verdade que de insubstituíveis está o cemitério cheio e que somos todos iguais, também não deixa de ser verdade que há pessoas que dificilmente se pode substituir e que há mesmo alguns mais iguais que os outros.
Macau e a divulgação da Língua Portuguesa vão sentir isso com a saída da Região Administrativa Especial de quatro pessoas que sinto ter que destacar neste espaço.
Simplesmente porque pelo seu trabalho e personalidade o merecem inteiramente.
Sem qualquer ordem de precedência, começo pelo ainda Presidente do Instituto Politécnico de Macau, o Professor Lei Heong Iok.
Resido em Macau há quase vinte e três anos.
E, neste tempo todo, nunca ninguém trabalhou tanto, tão afincadamente e com tanto gosto, com tanta paixão, na divulgação da Língua Portuguesa em Macau e no interior da China como o Professor Lei Heong Iok.
Um trabalho há muito a merecer devido reconhecimento por parte do Estado Português.
Neste trabalho, e nos anos mais recentes, o Professor Lei Heong Iok, que sempre se soube rodear de excelentes colaboradores, teve no Professor Carlos André um cúmplice precioso.
O crescimento brutal do número de instituições de ensino superior que ensinam a Língua Portuguesa na China, e a Língua Chinesa em Portugal, está intimamente relacionado com o trabalho desenvolvido pelo Professor Carlos André e a sua equipa de colaboradores.
Professor Carlos André que ainda teve tempo para a intervenção cívica quando o julgou pertinente e para nos deliciar com as suas conversas com o jornalista Carlos Picassinos na Rádio Macau.
Neste trabalho de divulgação da Língua Portuguesa em Macau não podia faltar uma referência também ao Director do IPOR, Dr. João Laurentino Neves.
Com a sua dinâmica, a sua capacidade, o seu profissionalismo, o IPOR deu um salto qualitativo unanimemente reconhecido.
Mesmo em tempo de “vacas magras”.
E, por falar em vencer os tempos de “vacas magras”, a inevitável referência a quem revitalizou o Consulado de Portugal em Macau conforme prometeu à sua chegada.
O agora Embaixador Vítor Sereno, meu conterrâneo, amigo de amigos comuns, fez um trabalho notável no Consulado.
Um trabalho que permitiu reconciliar os portugueses de diferentes origens com a representação consular em Macau e que é por todos reconhecido e louvado.
Um trabalho de grande dedicação e profissionalismo que ainda permitiu ao agora Embaixador Vítor Sereno deixar em Macau uma imagem de simpatia, de facilidade de aproximar as pessoas e de se aproximar das pessoas.

Não, não há insubstituíveis.
Mas há gente que faz muita falta quando a vida lhes coloca outros desafios e têm que deixar as funções que tão brilhantemente exerceram.
À semelhança do Embaixador Vítor Sereno, eu também detesto despedidas.
Apenas deixo o meu bem haja a todos os que agora seguem outro rumo nas suas vidas pessoais e profissionais e cito o Embaixador Vítor Sereno para lhes dizer simplesmente “até já”.

Metro no Dubai



















Eléctrico, sem condutor e...de borla.

20 de agosto de 2018

UM ERRO DE ID dez TA


Nós, os "silver surfers" não nos podemos aborrecer...
Nós, os "Silver Surfers"(designação que os jovens usam para as pessoas mais velhas que navegam na Internet), às vezes temos problemas com nossos computadores.
Ontem tive um, chamei o Joãozinho, um garoto de onze anos de idade que mora aqui mesmo na porta ao lado - e cujo quarto se parece com o Mission Control - e pedi-lhe para dar uma olhadela.
Ele clicou num par de teclas e logo resolveu o problema.
Quando ele estava indo embora, chamei-o e perguntei-lhe: "Então, qual era o problema? "
Ele respondeu: 'Foi um erro de ‘ID dez TA’ ".
Eu não queria parecer estúpido, mas ainda assim perguntei:
"Um erro de ‘ID dez TA’ "? O que é isso?
Ele sorriu sarcástico....
- Você nunca ouviu falar de um erro de ‘ID dez TA’?
- Não, respondi.
- Escreva isso numa folha, disse ele,…eu acho que você vai descobrir.
Então, eu escrevi:
ID I0 TA
E eu que gostava tanto do Joãozinho...(f.. da p…!)


BOA SEMANA!

17 de agosto de 2018

A morte da executiva bem sucedida


Foi tudo muito rápido. 
A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no
peito, vacilou, cambaleou. 
Deu um gemido e apagou-se. 
Quando voltou a
abrir os olhos, viu-se diante de um imenso Portal.

Ainda meio tonta, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas. Todas vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas. 
Sem entender bem o que estava a acontecer, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes:

- Enfermeiro, eu preciso voltar com urgência para o meu escritório, porque tenho um meeting importantíssimo.
 Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque o meu seguro de saúde é Platina, e isto aqui está a parecer-me mais a urgência dum Hospital público. Onde é que nós estamos?

- No céu.

- No céu?...

- É.

- O céu, CÉU....?! Aquele com querubins, anjinhos e coisas assim?

- Exacto! Aqui vivemos todos em estado de graça permanente.

Apesar das óbvias evidências, ausência de poluição, toda a gente a sorrir, ninguém a usar telemóvel, a executiva bem-sucedida levou tempo a admitir que havia mesmo batido a bota.

Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das
infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. 
Porque, ponderou, dali a uma semana iria receber o
bónus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa.

E foi aí que o interlocutor sugeriu:

- Talvez seja melhor a senhora conversar com Pedro, o coordenador..

- É?! E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?

- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.

- Assim? (...)

- Quem me chama?

A executiva bem-sucedida quase desabava da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro.

Mas, a executiva tinha feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu logo:

- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e...

- Executiva... Que palavra estranha. De que século veio?

- Do XXI. O distinto vai dizer-me que não conhece o termo 'executiva'?

- Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.

Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. 
Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.

- Sabe, meu caro Pedro. Se me permite, gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para essa gente toda aí, só na palheta e andando à toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistémica.

- É mesmo?

- Pode acreditar, porque tenho PHD em reorganização. Por exemplo, não vejo ninguém usando identificação. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?

- Ah, não sabemos.

- Percebeu? Sem controlo, há dispersão. E dispersão gera desmotivação.
Com o tempo isto aqui vai acabar em anarquia. Mas podemos resolver isso num instante implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.

- Que interessante...

- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização e um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.

- !!!...???...!!!...???...!!!

- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Accionista... 
Ele existe, certo?

- Sobre todas as coisas.

- Óptimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing
progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de
procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. 
O mercado telestérico, por exemplo, parece-me extremamente atractivo.

- Incrível!

- É óbvio que, para conseguir tudo isso, teremos de nomear um board de altíssimo nível. 
Com um pacote de remuneração atraente, é claro. 
Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringe benefits e
mordomias da praxe. 
Porque, agora falando de colega para colega, tenho
a certeza de que vai concordar comigo, Pedro. 
O desafio que temos pela frente vai resultar num Turnaround radical.

- Impressionante!

- Isso significa que podemos partir para a implementação?

- Não. Significa que a senhora terá um futuro brilhante... se for
trabalhar com o nosso concorrente. 
Porque acaba de descrever, exactamente, como funciona o Inferno...

Max Gehringer

(Revista Exame)


BOM FIM-DE-SEMANA!

16 de agosto de 2018

Uma "lição" de democracia


Winston Churchill celebrizou a expressão "A democracia é a pior de todas as formas de governo, exceptuando-se as demais".
No Mundo actual vamos tendo acesso todos os dias a exemplos de bem fundado do pensamento do genial governante inglês.
O mais recente dos quais nos chega do Cambodja.
Conhecidos os resultados das eleições ali realizadas, confirmou-se a fantochada que era fácil prever há já algum tempo.
Hun Sen, o ditador que governa o país desde 1985, conseguiu ser reeleito para mais um mandato de cinco anos.
Popularidade? Carisma? 
Em doses industriais!
Porque só assim se explica que tenha conseguido, ele e o seu partido, conquistar todos(!!) os lugares do parlamento.
Algo que seria espantoso não fosse dar-se a "coincidência" de  os 19(!!) partidos que concorreram supostamente em oposição a Hun Sen não passarem de marionetas que este controla como bem quer.
A oposição, a verdadeira oposição, essa foi convenientemente ilegalizada e silenciada antes da realização das eleições.
Hun Sen, um ditador desprezível, não gosta de surpresas.
E demonstra conhecer bem o cúmulo da lentidão (correr sozinho e chegar em segundo) e não querer que este possa acontecer no Cambodja. 
O Cambodja, que sofreu com o horror da guerra, depois com o horror dos Khmer Rouge, sofre agora às mãos do ditador Hun Sen e dos membros da sua corte que com ele dividem o séquito que empobrece o país à medida que os enriquece cada vez mais.
Tudo perante a total impunidade que a inoperância da comunidade internacional e as suas instituições lhes conferem.

Intemporais (128)

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15 de agosto de 2018

À beira de uma tempestade perfeita?


O que é que se obtém quando se juntam dois loucos desavindos como Recep Tayiip Erdogan e Donald Trump?
Nada de bom com toda a certeza.
De aliados na Nato, até beligerantes num conflito económico e político que poderá assumir proporções épicas, foi um passo.
Um passo que Trump e Erdogan foram capazes de dar e que coloca o Mundo em sobressalto.
A queda vertiginosa da lira turca, com Erdogan a negar o evidente e no mesmo momento a pedir o auxílio da China, da Rússia e do Qatar para um problema que dizia não existir, podem ter um efeito de contágio na economia mundial e arrastar esta para mais uma crise global.
Nada que pareça assustar o tiranete Erdogan e o irresponsável Trump.
O primeiro a afirmar que só se ajoelha perante Deus, o segundo a pensar que é uma espécie de Deus.
Podemos estar à beira de uma tempestade perfeita a nível económico e político.
Que, a verificar-se, a todos afectará.
E obrigará Erdogan e Trump a ajoelharem face a um Deus cada vez mais poderoso – o Deus dinheiro.

Continente no seu melhor









14 de agosto de 2018

Brexit ou Britin?


René Descartes celebrizou o pensamento e a teoria que ficaram conhecidos por dúvida metódica.
Não terá sido para perceber melhor esse pensamento e essa teoria que Theresa May se deslocou ao Sul de França para se reunir com Emmanuel Macron.
O encontro no Forte de Brégançon, residência oficial dos chefes de estado franceses, incluindo o infame Napoleão Bonaparte, teve como pano de fundo as complicadas negociações do Brexit.
Theresa May, que se comprometeu a conduzir o Reino Unido a uma saída honrosa do seio da União Europeia, procurou o apoio de Macron para levar a cabo o acordo de Chequers, o soft Brexit.
Confrontada com uma opinião pública interna cansada das intermináveis negociações que conduzirão (??) à anunciada e prometida separação, pressionada pelas sondagens que fazem crescer constantemente o número de britânicos que têm sérias dúvidas acerca do Brexit (uma dúvida metódica very british), Theresa May tenta apressar o processo negocial sem ter que fazer grandes cedências para conseguir o que pretende.
Theresa May sabe que o tempo, o grande escultor como nos ensinou Yourcenar, joga a favor da União Europeia.
Algo que os líderes da União Europeia também sabem e têm vindo a capitalizar no sentido de criarem ainda mais dúvidas entre os britânicos.
Neste braço de ferro entre a União Europeia e Theresa May e seus aliados, que hoje mesmo recomeça, resta saber se chegaremos realmente a um Brexit ou se teremos no final um Britin.

Quem é do Norte, conhece! Quem não é, aprenda!


1. Adianta um grosso – Não vale a pena;
2. Aguça – Afia;
3. Alapar – Sentar;
4. Andar de cu tremido – Viajar sentado num veículo;
5. Arreganhar a tacha – Rir e mostrar muito os dentes;
6. Banca – Pia de lavar a loiça;
7. Basqueiro – Barulho;
8. Beiçudo/Estar de beiças – Mal-humorado;
9. Bergar a mola – Trabalhar;
10. Bicha – Fila;
11. Biqueiro – Pontapé;
12. Biscate – Serviço temporário pago;
13. Bisga – Cuspidela;
14. Borra-Botas – Zé Ninguém;
15. Breca – Cãibra;
16. Vergalho – Pénis;
17. Briol – Frio;
18. Broeiro – Pessoa rude ou com maus modos;
19. Bufar – Soprar;
20. Cascos de rolha – Local longe (ou cujo nome a pessoa não recorda);
21. Catraio(a)/Canalha/Canalhada – Crianças/Conjunto de crianças;
22. Chaço – Objeto velho (especialmente carro);
23. Chibar – Revelar um segredo ou algo a quem não deveria saber;
24. Choldra – Prisão;
25. Chuço/Guarda-chuva – Chapéu de chuva;
26. Comer o caco – Confundir (no sentido, ‘não entendo, estás a confundir-me’);
27. Cremalheira/Roda cremalheira – Dentes/Dentadura;
28. Cruzeta – Cabide;
29. Cunfias/Não dar cunfias – Confiança/Não dar confiança;
30. Dar um bacalhau – Cumprimentar outra pessoa com um passou-bem;
31. Endrominar – Persuadir alguém (com más intenções ou falsos depoimentos);
32. Esbardalhar – Cair;
33. Esquinar – Olhar de lado;
34. Está um barbeiro – Está muito frio;
35. Estar com a piela – Estar embriagado;
36. Estar com a rebarba – Estar de ressaca;
37. Estar com a telha/com o tau – Estar rabugento;
38. Esteio – Parvo;
39. Esterqueira – Sujidade;
40. Estrilho – Confusão (no sentido de comportamento);
41. Ficar sarapantado – Ficar assustado/muito surpreendido;
42. Foguete na meia-calça – Fio que surge num collant rasgado;
43. Gânfias – Unhas;
44. Grizar – Rir;
45. Jeco – Cão;
46. Lapada – Chapada;
47. Laurear a pevide/Serandar – Passear;
48. Levar um pêro – Levar um soco/murro;
49. Lingrinhas – Pessoa magra;
50. Magnório – Nêspera;
51. Mirolho – Pessoa que vê mal;
52. Molete – Pão papo-seco;
53. Morfar – Comer;
54. Morrinha – Chuvisco;
55. Naifa/Naifada – Faca/Levar uma facada;
56. Não vale um chabeiro / chavo – Não vale nada;
57. Paleio – aquilo a que se chama ‘ter muita garganta’ quando alguém fala demais ou é confiante de mais;
58. Palheiro – Local sujo/confuso;
59. Palheta – Rasteira;
60. Parolo – Que tem maus modos ou não se veste/comporta bem;
61. Persiana – Estore;
62. Peta – Mentira;
63. Picheleiro – Canalizador;
64. Pincho – Salto;
65. Portinhola – Braguilha (referente à abertura das calças);
66. Ráfia – Fome;
67. Regar – Mentir;
68. Repas – Franja;
69. Sabugos – Cutículas das unhas;
70. Saraiva/Saraivada – Granizo;
71. Sebadola – Pessoa suja ou que se suja com facilidade;
72. Ser atabalhoado – Ser trapalhão/desajeitado;
73. Sertã – Frigideira;
74. Sostra – Preguiçoso(a);
75. Surbia – Cerveja;
76. Testo – Tampa do tacho;
77. Traquitana – Objecto velho;
78. Trengo – Trapalhão/desajeitado/totó;
79. Trunfa/Gadelha – Cabelo grande e desajeitado;
80. Vai dar uma volta ao bilhar grande – Mandar alguém sair do caminho (especialmente em situações de zanga);
81. Vai-me à loja / venda – Vai passear (no sentido de ‘não me chateies’).