28 de fevereiro de 2018

Matadouros de seres humanos


Matadouros de seres humanos foi a expressão terrível que Zeit Ra’ad Al Hussein, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos do Homem, utilizou para classificar a situação catastrófica que se vive na Síria, República Democrática do Congo, Burundi, Iémen e Birmânia.
Limpeza étnica, matança indiscriminada, populações que vivem na incerteza dos novos horrores que o dia de amanhã lhes trará.
Crianças, jovens, velhos, homens, mulheres, civis, militarizados, a barbárie não poupa ninguém nem conhece limites.
Pela primeira vez vejo alguém frontalmente assumir a absoluta inoperacionalidade das Nações Unidas.
Uma confissão que tem muito de frustração e de revolta vinda de um titular de um alto cargo dentro da Organização.
Zeit Ra’ad Al Hussein é um homem de coragem.
Já o tinha demonstrado quando activamente defendeu a criação do Tribunal Penal Internacional, acabando por ser eleito para o dirigir.
Demonstrou-o novamente agora ao apontar a dedo os países onde estas atrocidades acontecem e os países mais responsáveis pelas mesmas.
Os regimes que martirizam as suas populações não o poderiam fazer se os titulares do malfadado direito de veto dentro do Conselho de Segurança das Nações Unidas não o permitissem.
Não todos os países porque Zeit Ra’ad Al Hussein identificou claramente quem são os Pilatos dos tempos modernos – Rússia, China, Estados Unidos, os países mais poderosos, os que deveriam ser os maiores garantes do respeito e da protecção dos mais básicos direitos humanos, são os que mais fecham os olhos à realidade e fazem sobrepor os seus interesses estratégicos à protecção dos mais fracos e oprimidos.
A Carta das Nações Unidas é um documento cheio de boas intenções.
Infelizmente cada vez mais só isso mesmo, boas intenções.
E de boas intenções está o inferno cheio, ensina a sabedoria popular.
Mas as boas intenções, podendo encher o inferno, de nada valem em infernos na Terra,  como bem os caracterizou António Guterres.

PORQUE É QUE DIOGO PIÇARRA NÃO PODE IR À FINAL DO FESTIVAL? (Pedro Dias de Almeida, Jornalista)



Chama-se Canção do Fim. Mas seria mais correto passar a falar do fim da canção
 Podemos começar por citar uma regra, bastante clara, do regulamento do Festival da Canção 2018, organizado pela RTP: "As 20 canções terão de ser obrigatoriamente originais e inéditas, não podendo ter sido comercializadas ou apresentadas em público anteriormente." A palavra "plágio", talvez porque configura um crime punível por lei, é muito forte. Eu não me sinto, de todo, autorizado a acusar o músico Diogo Piçarra desse crime, que implica uma dose q.b. de dolo e má-fé, implicando, de certa maneira, um roubo.
 Mas como tenho duas orelhitas, a que vou tentando dar bom uso, sinto-me totalmente autorizado a dizer que a Canção do Fim, vencedora da segunda semifinal do Festival (com votação máxima do júri e do público) é igual a várias músicas que, para mal dos meus pecados, tenho ouvido desde ontem, quase sempre com o título genérico Open Your Eyes. Aparece quase sempre em discos de "orações" e é uma ladainha básica e suave, realmente simples. Mas isso não autoriza Diogo Piçarra a escrever, no início do comunicado com que respondeu a toda a polémica, "a simplicidade tem destas coisas" (ah, se fosse assim tão... simples; como é que Tony Carreira não se lembrou de alegar que "a simplicidade tem destas coisas"?). Para todos os efeitos, A Canção do Fim não é "original" (nos vários sentidos possíveis da palavra). Isso é claríssimo. E isso devia ter sido suficiente para Diogo Piçarra já ter tido a maturidade de se afastar do concurso em vez de declarar "continuarei a defender a minha música por acreditar que foi criada sem segundas intenções". É que o facto de a canção ser, musicalmente, uma cópia (e, logo, poder configurar "plágio") é independente da intenção ou má-fé de Diogo Piçarra. Na verdade, a dita ladainha é tão básica que não é impossível acreditar que estava discretamente alojada, num loop longínquo, no inconsciente do músico (os plágios involuntários, por exemplo na literatura, não são assim tão raros). O argumento de que o músico nasceu em 1990 e a música é bem anterior é tão infantil que nem vale a pena esmiuçá-lo.
E porque é que A Canção do Fim não pode ir à final do próximo domingo? Há uma razão muito pragmática: arriscava-se a ganhar (Diogo tem uma considerável legião de admiradores). E, arriscando-se a ganhar, arriscávamo-nos nós, no ano em que finalmente o festival da Eurovisão acontece em Lisboa, a passar pela humilhação de ver a candidata portuguesa ser desclassificada por não cumprir as regras (algo que nunca aconteceu).
 É tudo isto importante? Talvez não muito...
 Mas há outra razão em que Diogo podia pensar. Ele tem, de facto, milhares de fãs, maioritariamente muito jovens. Passar a ideia de que é normal copiar (e nunca foi, tecnicamente, tão fácil copiar, na escola, em casa...), não ser original, apresentar-se a concurso com algo que já foi feito, pode ter consequências. Escolher o papel da vítima, depois de descoberta a semelhança entre as duas músicas (e atenção, não se trata de um refrão que faz lembrar outro, como acontece tantas vezes na música popular, é toda a estrutura melódica, do princípio ao fim, que está em causa...), tem uma leitura e pode ajudar a fortalecer essa ideia, já tão em voga nas nossas escolas, de que a autoria e a originalidade não são valores assim tão importantes.
 Também podíamos falar das qualidades líricas (ou falta delas) da letra de Diogo Piçarra - que há uns anos andou pelas escolas deste país a promover um inacreditável livro em que se propunha a reescrever os poemas de Fernando Pessoa para chegarem às novas gerações (só a ideia já assusta, mas a concretização ainda era pior do que a ideia) - mas se calhar já não vale a pena. E, na verdade, esta crónica não é sobre uma questão de gosto.

Pedro Dias de Almeida

27 de fevereiro de 2018

Para quando o adeus às armas?


Ernest Hemingway vai-me desculpar a ousadia de misturar o título de um dos seus romances mais célebres com os desvarios de Donald Trump.
É mais forte que eu.
Por muito que tentasse evitar o tema, Donald Trump faz todos os possíveis para nos obrigar ao quase insulto público (ainda não chegarei até esse ponto mas ando perto).
Na sequência de mais um horrendo massacre numa escola americana Donald Trump apressou-se a sugerir algo que só alguém com sérios problemas mentais poderia sugerir - armar os professores.
Além de mentalmente desequilibrado o Presidente dos Estados Unidos é cobarde.
Porque só a cobardia poderá justificar o que Donald Trump, perante a óbvia indignação pública que se seguiu a tão disparatada proposta, veio afirmar através da rede social Twitter - não seriam todos os professores, seriam só aqueles capazes de manejar uma arma.
Completamente tolhido nos seus movimentos pelo poderoso lóbi armamentista, representado pela tenebrosa NRA, Donald Trump recorre ao Twitter para de algum modo procurar recuar nas suas propostas ofensivas.
Propostas que iriam aumentar ainda mais o negócio bilionário dos seus apoiantes dentro da NRA e que, a serem aprovadas, iriam deixar as escolas americanas com um ambiente próximo dos sallon dos westerns.
Donald Trump quer dar competências aos professores para exercerem a sua nobre profissão e simultaneamente dar-lhes treino no uso e porte de arma??
Um treino que curiosamente os muitos americanos que possuem verdadeiros arsenais em casa não precisam de ter para poderem adquirir esses arsenais que possuem.
De massacre em massacre, de choque em choque, depois de tantas vidas perdidas, fica a pergunta e o pedido de desculpas a Ernest Hemingway - para quando o adeus às armas? 

Se não inovar perde o cliente


26 de fevereiro de 2018

As 30 mentiras mais contadas


1. ADVOGADO:
 – Esse processo é rápido.

2. AMBULANTE: 
– Qualquer coisa, volta aqui que a gente troca.

3. ANFITRIÃO:
 – Já vai? Ainda é cedo!

4. ANIVERSARIANTE: 
– Presente? Sua presença é mais importante.

5. BÊBADO: 
– Sei perfeitamente o que estou dizendo.

6. CASAL SEM FILHOS:
– Visite-nos sempre; adoramos suas crianças.

7. CORRETOR DE IMÓVEIS:
 – Em 6 meses colocarão: água, luz e telefone.

8. DELEGADO: 
– Tomaremos providências.

9. DENTISTA:
 – Não vai doer nada.

10. DESILUDIDA: 
– Não quero mais saber de homem.

11. DEVEDOR:
 – Amanhã, sem falta!

12. ENCANADOR:
 – É muita pressão que vem da rua.

13. FILHA DE 17 ANOS:
 – Dormi na casa de uma colega.

14. FILHO DE 18 ANOS: 
– Antes das 11 estarei de volta.

15. GERENTE DE BANCO: 
– Temos as taxas mais baixas do mercado.

16. INIMIGO DO MORTO: 
– Era um bom sujeito.

17. JOGADOR DE FUTEBOL: 
– Vamos continuar trabalhando e forte.

18. LADRÃO: 
– Isso aqui foi um homem que me deu.

19. MECÂNICO:
 – É o carburador.

20. MUAMBEIRO: 
– Tem garantia de fábrica.

21. NAMORADA: 
– Pra dizer a verdade, nem beijar eu sei.

22. NAMORADO:
 – Você foi a única mulher que eu realmente amei.

23. NOIVO:
 – Casaremos o mais breve possível!

24. ORADOR:
 – Apenas duas palavras…

25. POBRE:
 – Se eu fosse milionário espalhava dinheiro pra todo mundo.

26. RECÉM-CASADO: 
– Até que a morte nos separe.

27. SAPATEIRO:
 – Depois alarga no pé.

28. SOGRA:
 – Em briga de marido e mulher não me meto.

29. VAGABUNDO: 
– Há 3 anos que procuro trabalho mas não encontro.

30. VICIADO: 
– Essa vai ser a última.

BOA SEMANA

23 de fevereiro de 2018

POLITIQUICES


Um pastor de ovelhas estava cuidando de seu rebanho, quando surgiu pelo inóspito caminho uma Pajero 4×4 toda equipada. 
Parou na frente do velhinho e desceu um cara de não mais que 30 anos, terno preto, camisa branca Hugo Boss, gravata italiana, sapatos moderníssimos bicolores, que disse: 
– Senhor, se eu adivinhar quantas ovelhas o senhor tem, o senhor me dá uma? 
– Sim, respondeu o velhinho meio desconfiado. 
Então o cara volta pra Pajero, pega um notebook, se conecta, via celular, à internet, baixa uma base de dados, entra no site da NASA, identifica a área do rebanho por satélite, calcula a média histórica do tamanho de uma ovelha daquela raça, baixa uma tabela do Excel com execução de macros personalizadas, e depois de três horas, diz ao velho: 
– O senhor tem 1.324 ovelhas, e quatro podem estar grávidas. 
O velhinho admitiu que sim, estava certo, e como havia prometido, poderia levar a ovelha. 
O cara pegou o bicho e carregou na sua Pajero. 
Quando estava saindo, o velho perguntou: 
– Desculpe, mas se eu adivinhar sua profissão, o senhor me devolve a ovelha? 
Duvidando que acertasse, o cara concorda. 
– O senhor é Politico, diz o velhinho… 
– Incrível! Como adivinhou? 
– Quatro razões: 
– Primeiro, pela frescura; 
– Segundo, se meteu onde não devia; 
– Terceiro, usou recursos, conhecimento e serviços de outros profissionais, para resolver um problema em benefício próprio; 
– E quarto, nota-se que não entende merda nenhuma do que está falando: devolve já o meu cachorro!

BOM FIM-DE-SEMANA!

22 de fevereiro de 2018

O número cinco, novamente o número cinco

O número cinco, outra vez o número cinco associado ao Futebol Clube do Porto (FCP).
Uma semana depois de ter sido derrotado por cinco a zero pelo Liverpool, o FCP foi à Amoreira jogar a segunda parte do jogo com o Estoril e alargou para cinco pontos a vantagem para Benfica e Sporting.
Sérgio Conceição, que não me canso de afirmar está a realizar um trabalho excepcional, dizia não estar incomodado com a vantagem do Estoril no jogo que fora interrompido ao intervalo.
Nem estar incomodado, apenas triste, com a pesada derrota sofrida com o Liverpool.
Comecemos por aqui.
De uma vez por todas os ódios cegos no futebol português têm que acabar.
O regozijo dos adversários do FCP com a goleada sofrida na Liga dos Campeões é patético e ofensivo.
Patético porque vem de gente que não percebe que está a fazer troça de quem foi capaz de chegar a uma fase que os seus clubes não conseguiram alcançar e porque não percebe que a derrota de um qualquer clube português se reflecte indirectamente em todos os outros pelo que representa em termos de ranking da UEFA.
Ofensivo porque só os cobardes e mal formados batem em quem está ferido.
E isto vale para todos, adeptos do FCP incluídos, quando fazem festa, lançam foguetes e apanham as canas quando Benfica ou Sporting perdem.
Deixem de ser estúpidos, carago!
Estúpidos ao ponto de não perceber que a Liga dos Campeões, sobretudo a partir do momento em que o FCP a ganhou surpreendentemente, está reservada para meia dúzia de equipas infinitamente mais fortes desportiva e financeiramente que as restantes. 
Não haverá mais surpresas nos próximos anos como houve com o FCP de Mourinho.
Está assim resumido o tão afamado fair play financeiro.
Da Liga dos Campeões para a Liga NOS.
Grande objectivo do FCP para esta época, declarado e assumido vezes sem conta, está a ser cumprido com brilhantismo por uma equipa que soube superar as restrições decorrentes do tal fair play financeiro, e uma onda de lesões que teima em se abater sobre elementos supostamente cruciais, para se superar a cada jogo.
Grande trabalho da equipa técnica e dos jogadores.
Que se viu novamente ontem.
Entrando de rompante, com uma velocidade e um ímpeto tremendos, o FCP deixou o Estoril completamente atordoado e virou o jogo com toda a facilidade e justiça.
Cinco pontos de vantagem não significam mais que isso - uma liderança mais folgada.
Daqui até ao final ainda tanta coisa vai acontecer que cinco pontos de vantagem se podem diluir num ápice.
Algo que os jogadores e a equipa técnica do FCP sabem e reconhecem, o que tranquiliza e dá confiança aos adeptos do clube.

Intemporais (107)

21 de fevereiro de 2018

MGM Cotai


Aproveitando os feriados e tolerâncias de ponto do Ano Novo Lunar fomos visitar o recentemente inaugurado MGM Cotai.
O resort reflecte o bom gosto que o seu "irmão" de Macau já apresentava.
Desde logo a marca MGM em Macau apresenta uma grande vantagem relativamente à competição dos operadores americanos - os seus projectos não são cópias, réplicas de algo já existente noutras latitudes e que aqui não fará muito sentido.
Para além disso, a aposta da MGM, liderada por Pansy Ho, não dá excessivo foco ao Jogo VIP, dirige-se mais ao mercado de massas e apresenta uma diversidade de oferta que se enquadra bem na proposta de diversificação que tem sido slogan repetido à exaustão por governantes e operadores.
Não sendo do meu gosto frequentar casinos, mesmo nestes dias em que tal é legalmente possível, fui com a família visitar o resort e sobretudo experimentar o que mais me agrada nesta oferta de resorts integrados em Macau - os espaços de restauração.
O resort é muito bonito, tem muito espaço, bom gosto, luz natural, deixa respirar quem o frequenta.
Já no que se refere aos espaços de restauração que experimentámos tenho que deixar bem claro que a surpresa foi muito boa (Aji, cozinha de fusão peruana e japonesa, um conceito completamente novo em Macau, de grande qualidade, excelente ambiente e serviço requintado) e muito má (Grill 58, detentor de duas estrelas Michelin, que apresenta uma oferta em nada especial, cara, com um serviço muito mau).
Estamos no início, foi a justificação que ouvi.
Não é aceitável.
Quando se apresenta como cartão de visita duas estrelas Michelin tem que se apresentar qualidade na comida, no ambiente, no serviço.
Esperemos que seja mesmo assim, que seja só um início atribulado.
O MGM Cotai merece uma visita, o Aji é uma experiência a repetir, o Grill 58 tem que encontrar o seu caminho porque, se continuar  como está, não lhe auguro grande futuro. 

Água potável

15 de fevereiro de 2018

Ano Novo Lunar - Ano do Cão


Uns dias de paragem para festejar a chegada do Ano do Cão.

Sigam o link para saber o que o Ano do Cão vos reserva

Kung Hei Fat Choi!

Intemporais (106)

14 de fevereiro de 2018

Kseniya Simonova desenha na areia Amar Pelos Dois

Feliz Dia dos Namorados 

Entrevista a Frei Bento Domingues, O.P., Divorciados, texto de Leonor Xavier


Frei Bento Domingues, de 83 anos, é uma das vozes da Igreja Católica mais presentes no espaço mediático (tem uma coluna semanal no “Público” há mais de duas décadas), falando sem tabus da realidade da Igreja e da relação dela com o mundo. Um observador privilegiado para comentar a nota pastoral de D. Manuel Clemente, em que o cardeal-patriarca de Lisboa aconselhou abstinência sexual aos católicos recasados que se queiram reaproximar da Igreja. “Um delírio” para o frade dominicano.

A nota do patriarca é um passo acertado com os tempos atuais ou é um passo atrás?

É um passo que não devia existir. É o casal quem deve decidir a sua vida íntima. Nenhum padre, nenhum bispo, ninguém se pode intrometer. É ridículo!


O texto representa o cardeal-patriarca de Lisboa ou o episcopado português?

Está à vista que é a opinião dele. Já outros se pronunciaram noutra direção.

Não deviam os bispos portugueses pronunciar-se?

Deviam fazer uma declaração explicando que, se um casamento não correu bem, há serviços pastorais nas dioceses para ajudar os casais, mas não propriamente sobre as questões sexuais.

Não é preciso um esclarecimento da Conferência Episcopal, que ainda não se pronunciou?

Isto é um ato do bispo de Lisboa, que não é patriarca das outras dioceses. Mas havendo pessoas que reagiram de forma muito violenta contra o Papa Francisco, os bispos que estão em comunhão com ele e que gostam da sua orientação pastoral podiam pronunciar-se. A Conferência Episcopal devia ter um pronunciamento de apoio às posições, que são bastante interessantes e abertas, da pastoral do bispo de Roma.

Esta nota de D. Manuel contraria o apelo à inclusão feito pelo Papa Francisco?

Eu acho que é um ato da teologia das palavras cruzadas. Porque ele diz que andou a cruzar documentos de João Paulo II, do cardeal Ratzinger e do Papa Francisco. Mas isto não é um problema de palavras cruzadas! Ou se aceita o caminho de abertura que o Papa Francisco abriu ou se recusa.

E estão a recusá-lo?

A maneira como este patriarca se pronunciou e o conselho dele parecem-me um bocado absurdos. O que significa para um casal a abstinência sexual? A ideia peregrina que existe há muitos anos do “viverem como irmãos”!... Então não casavam! Há coisas que não passam pela cabeça se a pessoa começar a pensar minimamente no que está a dizer! A meu ver, não houve orientação nenhuma, mas uma espécie de delírio mental.

O sentido da nota do patriarca aproxima-se mais do pensamento de João Paulo II, do de Bento XVI ou do do Papa Francisco?

Do Papa Francisco não. Com todo o respeito pela função de D. Manuel Clemente na Igreja de Lisboa, o problema é que foi um ato falhado sobre algo que, em primeiro lugar, devia remeter para consciência do casal. E com um efeito perverso: muita gente vai pensar que isto é que é a Igreja, porque ele é que é o patriarca de Lisboa e o presidente da Conferência Episcopal.

Será feita uma leitura errada da nota...

Vão começar a tirar ilações sem sentido. A Igreja é feita pelo conjunto dos cristãos. Santo Agostinho foi fantástico ao dizer: “Convosco sou cristão, para vós sou bispo.” O bispo de Lisboa tinha de contar primeiro que era cristão aos cristãos casados. E, como bispo, ajudar. O que vai ficar na opinião pública é que para os cristãos recasados o melhor é viverem em abstinência sexual. O problema é criar-se a ideia de que a Igreja são os bispos e os padres. Isso acho triste. E teve outro efeito: a pastoral de um bispo fixou a atenção de crentes e de não crentes numa realidade absurda.

Esta nota representa os católicos portugueses?

É evidente que não. Já há bispos com outros pronunciamentos. Há pessoas encarregadas das pastorais em dioceses [Viseu e Évora] que não se identificam com a nota do cardeal-patriarca. O que significa que os bispos dessas dioceses já tomaram uma orientação diferente.

REVIVER O PASSADO DO PRÉ-VATICANO II

Frei Bento Domingues fala com o desassombro de sempre. Em algumas das respostas, sem mencionar D. Manuel Clemente, a crítica vai direitinha para o cardeal-patriarca de Lisboa. Desde logo quando lembra que só no “pré- Vaticano II” vingava a “ideia de que a Igreja são os padres e os bispos”, o que o leva a declarar que “há pessoas que ainda estão no pré-Vaticano II”. Quanto ao resto, nomeadamente o facto de haver opiniões diferentes entre o episcopado português, a explicação é simples: “Os bispos são um ministério, um serviço à comunidade. Às vezes o serviço é bom, outras vezes o serviço não é tão bom.”

Texto Paulo Paixão e Rosa Pedroso Lima

in Expresso, 11.02.2018

12 de fevereiro de 2018

TERMINOLOGIA


Telefonei a um velho amigo para saber como estava.
Ele atendeu-me e disse-me que estava a trabalhar "num processamento
aqua-térmico de cerâmica, alumínio e aço, em ambiente exigente" e
desligou em seguida.
Fiquei muito impressionado. 
Mas, após reflectir um pouco, percebi que
estava a lavar a loiça com água quente, sob fiscalização da mulher...

BOA SEMANA!

9 de fevereiro de 2018

Engenheiros


Um Engenheiro morreu e chegou às portas do Céu. 
(É sabido que os Engenheiros, por sua honestidade, vão sempre para o céu).

São Pedro procurou a ficha do Engenheiro nos seus arquivos mas, como ultimamente anda um pouco desorganizado, não a encontrou na montanha de documentos. 
Então, disse para o Engenheiro:
- Lamento, mas o seu nome não consta de minha lista...
Assim, o Engenheiro foi ter às portas do Inferno, onde lhe deram imediatamente moradia e alojamento. 
Pouco tempo passou e o Engenheiro, cansando-se de sofrer as amarguras do inferno, pôs-se a projectar e a construir melhorias.
Com o passar do tempo, o Inferno, já tinha projecto de segurança contra incêndios, projecto térmico e acústico, sistema de monitorização de cinzas, ar condicionado, escadas rolantes, aparelhos electrónicos, redes de telecomunicações, programas de manutenção, sistemas de controle visual, tudo ISO 9001.
E o Engenheiro passou a ter uma excelente reputação.
Um dia, Deus, estranhando a falta de reclamações que normalmente lhe iam chegando das bandas do Inferno, chamou o Diabo pelo telefone e perguntou desconfiado:
- Como estão vocês, aí no Inferno?
- Estamos muito bem! 
Temos projecto de segurança contra incêndios, projecto térmico e acústico, sistema de monitorização de cinzas, ar condicionado, escadas rolantes, etc. 
Tudo a 100%! Se quiseres algumas dicas de implementação destes sistemas, podes mandar um e-mail para meu endereço, que é “odiabofeliz@inferno.com”. 
E olha que eu ainda nem sei qual será a próxima surpresa que o Engenheiro nos reserva!
- O QUÊ? O QUÊ? 
Vocês têm aí um Engenheiro?! Isso é um erro! Nunca deveria ter chegado aí um Engenheiro! Os Engenheiros vão sempre para o Céu! É isso que está escrito e resolvido. Manda-o de volta para o Céu, imediatamente!
- Nem pensar!!! Estou a adorar ter aqui um Engenheiro na organização... E garanto-te que vou ficar eternamente com ele!
- Manda-o para Mim ou... levanto-te um PROCESSO !!!
E o Diabo, dando uma tremenda gargalhada, respondeu a Deus:
- Ah, sim?! Então, só por curiosidade, diz-me uma coisa:onde vais tu, ó Deus, arranjar no céu um Advogado, um Juiz ou um Procurador? Estão todos aqui !!!

BOM FIM-DE-SEMANA!

8 de fevereiro de 2018

Errare humanum est, sed perseverare diabolicum


Errare humanum est, sed perseverare diabolicum – errar é humano, persistir (no erro) é diabólico.
Esta expressão do Latim é de todos conhecida.
E aplica-se como uma luva aos acontecimentos dados a conhecer pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) relativamente a um terreno em Coloane que esteve envolto em polémica desde que foi dada a conhecer a intenção de ali ser construída habitação de luxo.
Um terreno enorme, com uma localização privilegiada, com o senão para o proprietário e promotor imobiliário de no local existir uma casamata portuguesa, outrora essencial no processo de defesa da cidade, e que importaria preservar como testemunho da memória colectiva de Macau.
Uma maçada.
Mas uma maçada que se transformou em massada.
De repente, e à boleia da casamata, que parece ter passado despercebida a muito boa gente, começou a investigar-se o título de propriedade do terreno, a sua transmissão, as suas dimensões, a sua localização, as quotas altimétricas para o projecto a desenvolver no local.
E o que se descobriu, e foi agora revelado pelo CCAC, é escabroso.
Um terreno que milagrosamente se moveu da zona antiga de Coloane para uma zona nobre da vila, que nesse movimento também milagrosamente cresceu cem vezes!!, aquisição e transmissão de propriedade a raiar o incompreensível, quotas altimétricas que também só por milagre podiam atingir aquelas dimensões.
Errare humanum est.
Se realmente houve erros foram muitos, envolveram muita gente, muitos Serviços, e foram grosseiros.
Errare humanum est, sed persevare diabolicum.
Persistir no erro seria efectivamente diabólico.
E aí andaram muito bem o CCAC, que investigou profundamente o caso, e o Chefe do Executivo ao enviar toda a documentação para o Ministério Público.
Porque se errare humanum est tantos erros têm que ser investigados e, havendo ilegalidades como suspeita o CCAC, punidos os infractores para que os erros não se repitam (sed perseverare diabolicum).
Ao residente permanente de Macau, depois de tudo o que ouviu e leu, uma dúvida se levanta – quantos mais erros semelhantes ainda haverá para detectar??

Intemporais (105)

7 de fevereiro de 2018

Já imaginou viver com água racionada?


Ontem, ao chegar a casa para almoçar, fui confrontado com falta de água consequência de operações de limpeza no reservatório do prédio.
E a associação de ideias com as notícias que nos chegam da África do Sul (Cidade do Cabo) foi inevitável.
Três anos de seca, políticas ambientais e populacionais erradas, estão a deixar a Cidade do Cabo à beira de uma catástrofe.
A possibilidade de racionamento de água (25 litros por dia, por pessoa, quando a ONU aponta para um mínimo de 110 litros para satisfação de todas as necessidades do ser humano) é cada vez mais real.
Não imagino o que seja viver com água racionada (os dias que se seguiram ao tufão Hato foram uma experiência que espero nunca ver repetida).
Quase 4 milhões de pessoas, a população da Cidade do Cabo, enfrentam agora essa possibilidade.
Uma possibilidade que caminha para realidade a cada dia que passa.
Num Mundo cada vez mais louco, e dominado por loucos, a realidade está aí para esbofetear os negacionistas.
Nem é preciso dizer qual o mais célebre e mais irresponsável porque é de todos conhecido.
Acompanho Lewis Black e Bill Maher quando nos dizem que os Estados Unidos, depois de nos darem um Republicano criacionista (quando confrontado com as teorias evolucionistas George W. Bush ficou tristemente célebre ao proferir a frase “the jury is still out”), dão-nos agora um Republicano negacionista (as alterações climáticas também são “fake news”).
O que virá a seguir? 
Um Republicano que não acredita na lei da gravidade?
Enquanto estes dementes bolsam disparates há milhões de pessoas no Planeta a sofrer com aquilo que as luminárias insistem em negar.
Expliquem ao habitante da Cidade do Cabo, de garrafão na mão para poder recolher a sua ração de água, que não há erros políticos na base do drama que vive.
Só azar talvez misturado com um qualquer castigo divino.

Macau, the Special One

Deliciem-se com o humor da Dóci Papiaçam di Macau 

6 de fevereiro de 2018

Jogo na Ilha de Hainão


De tempos a tempos sopram ventos dos Estados Unidos da América que anunciam tempestade e tragédia no sector do Jogo em Macau.
Volta a ser assim agora com a insistência na possibilidade de o Governo Central autorizar a legalização do Jogo em Hainão.
Diz o povo que uma mentira repetida muitas vezes acaba por se converter em verdade.
Não acredito que seja este o caso.
A China continua a gerir muito bem a distribuição de "rebuçados" pelas várias regiões do País, vantagem maior de uma economia de mercado centralizada, a famosa economia de mercado com características socialistas. 
E essa gestão não é uma gestão a curto ou médio prazo, navegação à vista.
Hainão é uma região que vive do turismo.
Mas, ao contrário de Macau, do turismo ligado às praias, à exploração das características únicas da região, uma espécie de Havai na China.
Muito diferente da "Las Vegas a Oriente" que é Macau.
Para Macau, sem porto de águas profundas, sem recursos naturais, sem terra, sem praça financeira, ficou reservado o Jogo e o turismo de massas associado ao mesmo.
Um panorama que não é minimamente credível venha a conhecer alterações de fundo nos tempos mais próximos.
Mas, ainda que viesse, e se tornasse realidade esta insistência americana, seria Macau muito afectado pela abertura de espaços de Jogo em Hainão?
Seria afectado, mas, são os especialistas a afirmá-lo, não muito.
Mais uma vez, ao ler estas notícias bombásticas, com origem sempre no mesmo local, não consigo deixar de pensar que não passam de wishfull thinking, de maledicência em forma de notícia.
A realidade é que os americanos ainda não conseguiram perceber, muito menos engolir, o facto de uma pequena vila piscatória os ter destronado como reis do Jogo e de lhes ter roubado os maiores magnatas ligados ao sector.
Dá vontade de dizer grow up, will you?!


Praça de Touros, denominada Coliseu de Coimbra


Praça de Touros, denominada Coliseu de Coimbra, obra datada de 1925. 
Nela se realizavam corridas de touros (era a maior praça do país), espectáculos musicais e sessões de cinema. 
A última corrida de touros teve lugar a 17 de Julho de 1934, porque, no ano seguinte, a 4 de Abril, um fogo destruiu-a totalmente (sobraram a cabina de projecção e o projector). 
Foi nesse lugar que foi erguido, depois disso, o Portugal dos Pequenitos.

5 de fevereiro de 2018

REVISÃO GRAMATICAL FEITA PELO *MATUTO*


REVISÃO GRAMATICAL FEITA PELO *MATUTO* 

🎯 *ABREVIATURA* - ato de se abrir um carro de polícia; 

🎯 *CÁLICE* - ordem para ficar calado 

🎯 *CATÁLOGO* - ato de se apanhar coisas rapidamente. 

🎯 *DESTILADO* - aquilo que não está do lado de lá; 

🎯 *DETERGENTE* - ato de prender indivíduos suspeitos; 

🎯 *DETERMINA* - prender uma garota; 

🎯 *ESFERA* - animal feroz amansado; 

🎯 *HOMOSSEXUAL* - sabão em pó utilizado para lavar as partes íntimas; 

🎯 *NOVAMENTE* - diz-se de indivíduos que renovam sua maneira de pensar; 

🎯 *RAZÃO* - lago muito extenso, porém pouco profundo; 

🎯 *SIMPATIA* - concordando com a irmã da mãe; 

🎯 *TALENTO* - característica de alguma coisa devagar; 

🎯 *VOLÁTIL* - sobrinho avisando ao tio onde vai 

🎯 *MINISTÉRIO* - aparelho de som de tamanho reduzido 

🎯 *ARMARINHO* ar proveniente do mar 

🎯 *UNÇÃO* erro de concordância, o correto seria: um é 


BOA SEMANA!

2 de fevereiro de 2018

OS 11 MANDAMENTOS DA MULHER


OS 11 MANDAMENTOS DA MULHER

1. Mulher não mente - omite factos.

2. Mulher não fofoca - troca informações.

3. Mulher não trai - vinga-se.

4. Mulher não fica bêbada - entra em estado de alegria.

5. Mulher nunca aborrece ninguém - apenas é sincera.

6. Mulher não grita - testa as cordas vocais.

7. Mulher nunca chora - lava as pupilas dos olhos com frequência.

8. Mulher nunca olha para um homem com segundas intenções - apenas verifica as suas formas anatómicas.

9. Mulher sempre entende o que homem diz - só pede que explique novamente para testar sua capacidade de raciocínio.

10. Mulher não sente preguiça - descansa a beleza!

11. Mulher nunca engana os homens - pratica o que aprendeu com eles.

BOM FIM-DE-SEMANA!

1 de fevereiro de 2018

E se Steve Wynn for tarado qual é o problema?



Steve Wynn, o magnata do Jogo que está a ser acusado de assédio sexual (mais um numa lista cada vez mais longa), está a deixar muita gente nervosa.
Se não me surpreende nada o falso puritanismo dos americanos, confesso que me surpreende que o mesmo suceda em Macau.
Steve Wynn, na sua vida privada, é tarado? 
Não se sabe, há alegações nesse sentido, que estão a ser investigadas por quem tem o dever de as investigar. 
O que é que esse defeito de carácter, se realmente existe (Steve Wynn aponta para uma campanha coordenada pela sua ex-mulher), tem a ver com a marca Wynn? 
Mais ainda, com a marca Wynn em Macau? 
A empresa que Steve Wynn (ainda) controla cumpre todos os deveres contratualmente estipulados? 
Não é isso, e só isso, que deve preocupar as autoridades administrativas de Macau? 
Confesso que não compreendo esta obsessão com a vida privada de certas pessoas. 
À mulher de César não lhe basta ser séria, tem que parecer séria. 
Todos conhecemos esta expressão. 
Que se deve aplicar ao exercício de cargos públicos. 
O CEO de uma empresa privada não é César nem tem que ser sério e parecer sério. 
Se os accionistas da empresa, não as autoridades administrativas, acharem que esse CEO tem que ser afastado do cargo, são esses accionistas que tomarão a decisão de o afastar. 
Pessoa idónea, é isso que está legalmente previsto em Macau e nos Estados Unidos. 
Se se provar que Steve Wynn realmente é mais um dos muitos tarados que se vão conhecendo (e é preciso provar isso sem sombra de dúvida) deixa de ser pessoa idónea para efeitos legais em Macau? 
Confesso que não sei, mas tenho sérias dúvidas que assim seja. 
O que sei é que os jogadores vão continuar a frequentar os espaços de entretenimento que Steve Wynn controla em Macau, seja Steve Wynn alvo de uma ou muitas acusações de assédio sexual.
Se Steve Wynn cumprir rigorosamente as suas obrigações contratuais, e não acredito que uma delas seja ter uma vida privada exemplar, eu, residente permanente de Macau, fico satisfeito. 
Cuidado com a caça às bruxas porque pode atingir outras pessoas, criar outros problemas, lançar suspeitas infundadas.
E dar origem a acusações de profunda hipocrisia. 
Valerá a pena? 
Para finalizar, mais uma no meio de tantas perguntas que aqui foram sendo deixadas – não é curioso que se comece a falar destas questões quando se começa também a falar da renovação das licenças das operadoras ligadas ao sector do Jogo em Macau?? 
Ele há cada coincidência!!

Intemporais (104)