29 de março de 2019

4 histórias para rir e... educar !





No Curso de Medicina, o professor dirige-se ao aluno e pergunta:
- Quantos rins temos nós?
- Quatro! - responde o aluno.
- Quatro? - replica o professor, um arrogante, daqueles que sentem prazer em gozar com os erros dos alunos.
- Tragam um fardo de palha, pois temos um burro na sala. - Ordena o professor ao seu auxiliar.
- E para mim um cafezinho! - pediu o aluno.
O professor ficou furioso e expulsou-o da sala. O aluno era Aparício Torelly Aporelly (1895-1971), o 'Barão de Itacaré'. Ao sair, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o irritado mestre:
- O senhor me perguntou quantos rins 'NÓS TEMOS'. 'NÓS' temos quatro: dois meus e dois seus. 'NÓS' é uma expressão usada para o plural. Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim.

Moral da História:

A VIDA EXIGE MUITO MAIS COMPREENSÃO DO QUE CONHECIMENTO.


BOA RESPOSTA

Um mecânico está a desmontar a cabeça do motor de uma moto, quando vê na oficina um cirurgião cardiologista muito conhecido. Ele está a observar o mecânico a trabalhar. Então o mecânico pára e pergunta:
- Bom dia, doutor, posso fazer uma pergunta?
O cirurgião, um tanto surpreendido, concorda e aproxima-se da moto na qual o mecânico está a trabalhar. O mecânico levanta-se e pergunta:
- Doutor, repare neste motor. Eu abro-lhe o coração, tiro as válvulas, conserto-as, ponho-as no sítio e fecho novamente, e, quando acabo, ele volta a trabalhar como se fosse novo. Explique-me por que é que eu ganho tão pouco e o senhor tanto, quando o nosso trabalho é praticamente o mesmo!!
Então o cirurgião sorri, inclina-se e diz baixinho ao mecânico:
- 'Você já tentou fazer como eu faço, com o motor a trabalhar?'
Conclusão:
QUANDO A GENTE PENSA QUE SABE TODAS AS RESPOSTAS, VEM A VIDA E MUDA TODAS AS PERGUNTAS.


MUITA CALMA!

Entra um senhor desesperado na farmácia e grita:
- Rápido, dê-me algo para a diarreia! Urgente!
O dono da farmácia, que era novo no negócio, fica muito nervoso e dá-lhe um remédio errado: um remédio para nervos. O senhor, com muita pressa, pega no remédio e vai embora.
Horas depois, chega novamente o senhor que estava com diarreia e o farmacêutico diz-lhe:
- As minhas desculpas, senhor. Creio que por engano lhe dei um medicamento para os nervos, em vez de um para a diarreia. Como é que se sente?
O senhor responde:
- Cagado... mas tou tranquilo.

Moral da História:

"POR MAIS DESESPERADA QUE SEJA A SITUAÇÃO, SE ESTIVER CALMO, AS COISAS SERÃO VISTAS DE OUTRA MANEIRA".


PROBLEMA É SÉRIO

O sujeito vai ao psiquiatra
- Doutor - diz ele - estou com um problema: - De cada vez que estou na cama, acho que está alguém debaixo dela. Vou para debaixo da cama ver e parece-me que há alguém em cima dela. P'ra baixo, p'ra cima, p'ra baixo, p'ra cima. Estou a ficar maluco!
- Muito bem. Eu trato de si durante dois anos, diz o psiquiatra. Venha cá três vezes por semana, e eu resolvo-lhe o problema.
- E quanto me vai custar isso? - pergunta o paciente.
- 75 € por sessão - responde o psiquiatra.
- Bem, eu vou pensar - conclui o sujeito.
Passados seis meses, encontram-se na rua.
- Então, como tem passado, por que é que nunca mais apareceu? - Pergunta o psiquiatra.
- A 75€ a consulta, três vezes por semana, durante dois anos, ia-me ficar caro demais. Um indivíduo que conheci no café curou-me por 10€.
- Ah sim? E como? - Pergunta o psiquiatra.
O sujeito responde:
- Por 10€ ele cortou os pés da cama...

Moral da História:

MUITAS VEZES O PROBLEMA É SÉRIO, MAS A SOLUÇÃO PODE SER MUITO SIMPLES!

BOM FIM-DE-SEMANA 

28 de março de 2019

O aniversário da minha filha Catarina e o Brexit


A minha filha Catarina faz vinte e um anos no próximo sábado, dia 30 de Março.
E ainda não tem a certeza como vai festejar o aniversário.
Provavelmente jantar com os amigos.
Um dia antes termina o prazo inicialmente acordado para a saída da Grã-Bretanha da União Europeia.
E os britânicos também ainda não sabem o que vão fazer.
Nem sequer têm planos para uma jantarada.
Sair da União Europeia, com ou sem acordo; ser o Executivo a comandar o Brexit ou o Parlamento; adiar a saída; se sim, até quando; fazer novo referendo; ficar na União Europeia.
As hipóteses são tantas e as conclusões tão poucas que estaríamos agora horas a enumerar e discutir todos cenários e suas possíveis consequências.
A minha filha Catarina só tem que decidir se vai ou não jantar fora com os amigos.
Neste momento só posso assegurar que a minha filha Catarina vai tomar uma decisão relativamente ao seu aniversário muito antes de os britânicos decidirem o que fazer com o Brexit.

Intemporais (158)

27 de março de 2019

Taxa turística em Macau?



O Executivo de Macau está a estudar a aplicação de uma taxa turística a quem visita esta que é Cidade do Santo Nome de Deus.
Foi a Directora dos Serviços de Turismo quem revelou este estudo em recente entrevista à Agência Lusa.
Até aqui nada de muito extraordinário.
O que já é extraordinário é o objectivo que se pretende atingir com essa eventual taxa.
O razoável e sensato seria procurar tirar turistas do demasiado congestionado centro da cidade como acontece noutros locais do Planeta.
Mas não é esse o objectivo de acordo com o que foi revelado e noticiado.
O que se pretende é recolher receitas.
Macau, provavelmente o local onde as receitas ligadas ao turismo são as mais elevadas, aplica uma taxa para recolher mais receitas?
Uma gota de água no meio do imenso oceano das receitas públicas?
Para fazer face a despesas com limpeza e manutenção dos locais mais frequentados?
Faz todo o sentido em locais onde as receitas são limitadas, onde todos os centavos contam.
Em Macau, com cofres a abarrotar, não faz sentido absolutamente nenhum.

Vida de reformado de Ingvar Carlsson (um exemplo a ser seguido)

26 de março de 2019

Trump é (mais ou menos) inocente


Finalmente já se conhecem as tão aguardadas conclusões do famoso Relatório Mueller, o tal que deveria investigar um possível conluio da campanha eleitoral do então candidato à presidência Donald Trump com a Rússia.
E o que concluiu Robert Mueller após todo este tempo de investigação?
Que Donald Trump é inocente.
Ou melhor, que não há provas de conluio mas que há indícios de possível obstrução à justiça.
Ou seja, que Donald Trump é (mais ou menos) inocente.
Donald Trump que como sempre se apressou a publicitar via Twitter esta sua grande vitória.
A sua (mais ou menos) vitória...
E que, juntamente com os seus apaniguados, passou ao ataque e a dizer que a campanha para a sua reeleição tinha ali um novo impulso.
Finalmente algo que Donald Trump diz e que faz algum sentido.
Esta (mais ou menos) vitória deverá efectivamente dar um impulso à sua reeleição, sobretudo sabendo-se como raciocina a chamada “América profunda”.
O ataque às “fake news” vai ser mais feroz, os bonés vermelhos vão sair à rua e o slogan Make America Great vai ser gritado em todos os becos dos Estados Unidos.
Sim, é verdade que esta (mais ou menos) vitória deu um novo fôlego a Donald Trump e seus apoiantes.
Trump é (mais ou menos) inocente e está mais perto de ser reeleito para o cargo que ocupa por via dessa (mais ou menos) inocência.

Matar o bicho (origem da expressão)


21 de março de 2019

Ou há (i)moralidade ou comem todos


Conta-se que havia um célebre sapateiro em Braga que acumulava o ofício de sapateiro com a reflexão filosófica.
E que numa dessas reflexões, tendo presente a injustiça e a desigualdade, terá proferido a expressão “ou há moralidade ou comem todos”.
Uma expressão que se tornou célebre e que terá atravessado fronteiras para chegar a Macau na sua vertente negativa, a da imoralidade.
O encontro de culturas e civilizações tem destas curiosidades.
As inúmeras virtualidades da expressão já se estenderam inclusivamente ao debate parlamentar em Macau, veja-se só.
Desconheço se Chan Wa Keong, deputado nomeado pelo Chefe do Executivo, conhece Braga e o sapateiro/filósofo de Braga.
Mas parece conhecer a expressão que celebrizou ambos.
Apelidar a proposta que o seu colega Sulu Sou apresentou de imoral é prova desse conhecimento.
A Língua Portuguesa, Língua oficial na Região Administrativa Especial de Macau, é efectivamente muito rica.
E ensina-nos que imoral é o que é contrário à moral, desonesto, escandaloso, libertino.
A proposta que Sulu Sou apresentou será imoral na óptica de Chan Wa Keong.
Já não será imoral aprovar algumas leis, falar de bofetadas às esposas, de apanhar jovens à noite como se apanham cães.
Isso é, na não tão célebre expressão do treinador Artur Jorge, “perfeitamente normal”.

Intemporais (157)

20 de março de 2019

Nepotismo em Macau e Portugal


Nos últimos dias falou-se muito em nepotismo em Macau e Portugal.
Nepotismo, com origem no vocábulo latino nepos (descendente, familiar) resulta na prática no favorecimento de familiares em detrimento de outras pessoas mais qualificadas na ocupação de cargos públicos.
Em Macau as duas pessoas visadas pela investigação levada a cabo pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) foram ilibadas da prática de quaisquer actos contrários à lei.
Mas esteve bem o CCAC quando no seu relatório acentuou o óbvio.
Não há ilegalidade, há censura pública, mal-estar, duas realidades bem distintas.
Ainda que seja óbvia não deixa de ser de todo oportuna esta afirmação.
A mulher de César, a tal que não lhe basta ser séria tem também que parecer.
Coisa que um célebre César em Portugal parece ainda não ter percebido.
Pode não ter cometido nenhuma ilegalidade, não me vou pronunciar acerca disso.
Mas fica-lhe muito mal trazer os seus familiares para todos os cargos públicos que pode.
Ser e parecer, as duas faces da moeda que têm sempre que ser olhadas quando se fala em nepotismo.
Em Macau, em Portugal, seja onde for.

Não acredita? Veja o vídeo e surpreenda-se

19 de março de 2019

RAEM - vinte anos depois os quintais estão de volta



A RAEM (Região Administrativa Especial de Macau) está à beira de completar vinte anos.
Uma bonita idade, a idade dos sonhos, dos desvarios, de uma fase que termina e de outra que está prestes a começar.
É assim connosco, humanos, mas será assim também com uma cidade que faz parte de um projecto único e inovador na História?
Quando os famosos “intes” estão ao virar da esquina, a RAEM mudou muito em relação à tímida cidade que era quando passou a ostentar o título de Região Administrativa Especial.
E mudou em tudo.
Até no que era então considerado fundamental.
Quantas vezes não ouvimos, os que cá estavam e têm memória, que a “política dos quintais” tinha acabado?
Curioso que esse desígnio tenha ficado perdido algures no caminho.
Se houvesse dúvidas acerca dessa alteração profunda, as notícias rocambolescas deste fim-de-semana teriam dissipado as mesmas.
Escolas que se queixam de barulho e poluição provocados por autocarros de turismo que servem um qualquer estabelecimento com aspecto manhoso e são aconselhadas oficialmente a fechar as janelas e comprar vidros duplos?
Normalíssimo porque são atribuições de duas entidades diferentes.
Por acaso pertencentes ao mesmo Executivo e à mesma Tutela...
Vinte anos depois a “política de quintais” está de volta e em força.`

SEIS ANOS DEPOIS: DESAFIOS PARA FRANCISCO (Anselmo Borges)


1. Fez no passado dia 13 seis anos que Francisco, ao anoitecer em Roma, compareceu como novo Papa perante a multidão que o aguardava, saudando-a com um “boa noite” e pedindo-lhe a bênção, antes de ele próprio a abençoar. Que os cardeais o tinham ido buscar ao “fim do mundo”.
Pelo nome, Francisco, lembrando Francisco de Assis, a quem Jesus crucificado tinha pedido que restaurasse a sua Igreja em ruínas, pelo novo estilo, pela humildade e simplicidade, ficou a percepção nítida de que iria estar a caminho um modo novo de pontificado papal: nem sequer se chamou Papa, mas Bispo de Roma, e era um pontífice, no sentido etimológico da palavra: alguém que quer estabelecer pontes.
E o povo cristão e o mundo não se enganaram. O nome de Deus, foi dizendo Francisco ao longo destes anos, é Misericórdia. É necessário perceber que o princípio primeiro não é o cartesiano “penso, logo existo”, mas outro, mais essencial: “sou amado, logo existo”. E agir em consequência, e Francisco tem estado, por palavras e obras, junto de todos, a começar pelos mais frágeis, pelos abandonados, marginalizados, migrantes, pobres, pelos menos amados ou pura e simplesmente sem amor. Um cristão, que põe no centro Jesus Cristo e o seu Evangelho, notícia boa e felicitante, contra “a globalização da indiferença”.
A Igreja não pode entender-se em auto-referencialidade, pois tem de estar permanentemente “em saída”, ao serviço da Humanidade, como “hospital de campanha”. A Igreja “somos nós todos” e, por isso, é preciso que caminhemos juntos, “em sinodalidade”. O poder só se legitima enquanto serviço e, assim, não se cansa de denunciar os bispos “príncipes e de aeroporto”. O clericalismo e o carreirismo são uma “peste” na Igreja, repete permanentemente. A Cúria, cujas doenças gravíssimas denuncia, precisa de uma reforma radical, tal como se impõe a transparência no Banco do Vaticano. A Igreja não pode viver obcecada com o sexo, havendo uma nova orientação neste domínio: pense-se na possibilidade da comunhão para os recasados, na nova atitude face aos homossexuais, na nova compreensão para as novas formas de casamento. A Igreja tem de praticar no seu seio os direitos humanos que prega aos outros e, portanto, nunca mais houve condenação de teólogos; pelo contrário, escreveu a vários, que tinham sido condenados, elogiando e agradecendo o seu trabalho, como aconteceu, por exemplo, com Hans Küng ou José Maria Castillo.
Francisco publicou uma encíclica de relevância global sobre o cuidado da casa comum, a ecologia e a salvaguarda da criação, Laudato sí, impulsionou o diálogo ecuménico com as outras Igreja cristãs, aprofundou o diálogo inter-religioso, concretamente com o islão moderado, sendo exemplar a sua recente viagem histórica aos Emiratos Árabes Unidos, com a assinatura do “Documento sobre a Fraternidade Humana”, que aqui já referi. Como líder político-moral global, tem desempenhado papel relevante em processos de paz internacional. Não sem razão, Francisco é o líder mundial mais apreciado e estimado do mundo, segundo a Sondagem Mundial Anual de Gallup International, realizada em 57 países e publicada nos inícios de Fevereiro.
Devo esta última informação a um texto de Hernán Reys Alcaide, subordinado ao tema dos desafios para Francisco neste seu sétimo ano como Papa, precisamente o ano que teve início no passado dia 13.
2. Que desafios? Enuncio alguns.
2.1. Perante o abismo da chaga da pedofilia do clero, Francisco tomou a iniciativa que se impunha: como dei amplo conhecimento aqui, convocou para o Vaticano os responsáveis máximos da Igreja, concretamente os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo, membros da Cúria, representantes das Igrejas católicas do Oriente, representantes dos superiores e das superioras gerais de Congregações e Ordens religiosas. Homens e mulheres foram confrontados com testemunhos vivos de antigas vítimas, para que tomassem consciência da situação terrível que destruiu vidas e a fé de tantos e colocou a Igreja no fosso da descredibilização.
A tragédia era inimaginável. Quem suporia que um cardeal, a terceira figura do topo da Igreja, o cardeal australiano George Pell, havia de estar condenado e preso na cadeia, por abuso de menores? Neste momento, 37% dos católicos norte-americanos põem a questão de abandonar a Igreja, por causa da pedofilia... Francisco prometeu que todos os acusados serão entregues à justiça. O abuso de menores e adultos vulneráveis é não só um pecado mas também um crime, que é obrigatório denunciar. Já não haverá lugar para os encobridores... Operou-se uma verdadeira revolução copernicana, no sentido de que agora o centro será ocupado pelas vítimas e a sua defesa e apoio sem tréguas.
Desafio maior para Francisco neste novo ano de pontificado é o cumprimento da promessa da formação de um grupo de peritos multidisciplinar, de um novo “Motu Proprio”, decreto papal, para reforçar a prevenção e a luta contra a pedofilia e a protecção dos menores e pessoas vulneráveis, com medidas concretas, e de um “vade-mecum”, isto é, uma espécie de manual para orientação dos procedimentos dos bispos neste domínio. É imperioso e urgente que a Igreja se torne um lugar seguro para os menores, inclusivamente para ir ao encontro da vontade explícita e dramática de Jesus: “Ai de quem escandalizar uma criança. Era melhor atar-lhe a mó de um moinho à volta de pescoço e lançá-lo ao fundo do mar”. A Igreja tem de tornar-se exemplar, também para poder tornar-se credível na denúncia e na ajuda para a libertação de tantas crianças e adolescentes (centenas de milhões) que no mundo são vítimas de abusos sexuais, físicos e psicológicos, da fome e da guerra.
Se não forem tomadas todas as medidas necessárias para acabar com esta brutalidade da pedofilia clerical, a Igreja caminhará não só para a sua irrelevância mas também para a sua autodestruição.
2.2. Desafios ético-diplomático-políticos, concretamente em relação à China e à Venezuela.
A situação na Venezuela é pura e simplesmente insuportável, a ponto de me perguntar como é possível, face à tragédia — não há de comer, não há remédios, não há electricidade, a fome campeia, não há liberdade... —, haver partidos que ainda apoiam e defendem Maduro. Que vai Francisco fazer, para intermediar o intolerável?
Como vai Francisco conseguir implementar, em casos concretos, o acordo assinado com a China em Setembro passado para a nomeação conjunta dos bispos, depois de 60 anos de desencontros entre Roma e Pequim quanto a esta questão essencial para a Igreja? Xi Jinping passará por Roma em finais deste mês de Março. Será recebido pelo Papa?
2.3. Está em processo de redacção uma nova Constituição Apostólica, Praedicate Evangelium (Pregai o Evangelho), para a Cúria Romana, governo central da Igreja. Que novas estruturas, que divisão de competências? Qual a presença e a participação de leigos, incluindo mulheres? Que descentralização, que relação com as Conferências Episcopais do mundo, com que competências para a participação no governo da Igreja universal? De qualquer modo, as Conferências Episcopais serão consultadas para a nova Constituição.
2.4. Provavelmente, haverá um novo Consistório cardinalício, para a nomeação de novos cardeais. Quem? Com que orientação? E se o sucessor de Francisco, em vez de ser escolhido só por cardeais, o fosse por um colégio de representantes semelhante ao da Cimeira que se reuniu em Roma para pôr termo à pedofilia, portanto, mais representativo da Igreja universal, com a presença inclusivamente de mulheres?
Aliás, um dos desafios para o novo ano tem a ver precisamente com a justa reivindicação de maior presença e participação das mulheres na Igreja nos seus vários níveis, incluindo na formação dos candidatos a padres. Francisco tem afirmado que a Igreja não pode continuar “machista”.
2.5. Acontecimento de enorme relevância será o Sínodo para a Amazónia, de 6 a 27 de Outubro próximo, que não será fácil também por causa do novo Governo do Brasil com Jair Bolsonaro.
De qualquer forma, é em conexão com este Sínodo que são referidas questões tão importantes como o lugar e a participação das mulheres nas decisões da vida da Igreja ou a possibilidade da ordenação de homens casados.
É neste contexto que é necessário repensar a formação dos novos padres e a questão da lei do celibato obrigatório.
Precisamente neste quadro e voltando à Igreja clerical e aos abusos sexuais e ao clericalismo, “peste” na Igreja, deixo aí, para reflexão final, um texto duro do teólogo José Arregi, que, depois de citar aquele dito de Francisco, pouco feliz, se não for entendido no seu contexto, de que “todo o feminismo é um machismo com saias”, escreveu: “Sim, o problema talvez tenha que ver com saias, mas com as saias do clero com sotaina. Tem muito que ver com o clericalismo que sacraliza e enaltece os clérigos, que exalta a figura desencarnada de Maria Mãe e Virgem para assim humilhar a mulher de carne e osso, que impõe o celibato como estado mais perfeito e sagrado, que ‘sacrifica’ o sexo a troco de poder sagrado e hierárquico, que reprime e por isso exacerba a sexualidade. O clericalismo é um sistema patogénico. E, enquanto não se libertar dele, esta Igreja não será crível nem um lugar habitável, por mais liturgia penitencial que ostente.”
Entretanto, a Conferência Episcopal Alemã acaba de anunciar um debate interno sobre o celibato, o abuso de poder e a moral sexual na Igreja Católica, com base na Cimeira sobre a pederastia, há pouco realizada no Vaticano.
Padre e Professor
in DN 17.03.2019

18 de março de 2019

Últimas palavras



Um homem está no hospital à beira da morte, cheio de tubos para mantê-lo vivo o máximo possível, mas como parecia que estava nos momentos finais de vida, a família chama o padre para fazer as últimas orações. 

Quando o padre se senta ao lado do homem, o estado dele parece piorar rapidamente, e ele pede freneticamente com gestos algo para escrever. 

O padre dá-lhe um bloco e uma caneta, e o doente escreve algo, sendo que, logo de seguida, acaba por morrer. 

O padre faz umas orações e guarda o bloco sem ler. 

No enterro, depois da cerimónia, o padre mexe no bolso e encontra o bloco, e lembra-se de que o homem tinha escrito algo. 

Ele aproveita a presença de todos e diz: 

- O nosso amigo ainda chegou a escrever algo neste bloco antes de morrer. 

Acho que todos gostariam de saber qual foi o seu último pensamento. 

Ele abre o bloco e lê em voz alta: 

- Você está a pisar o meu tubo de oxigénio!

BOA SEMANA!

15 de março de 2019

Piadas tontas


Como se diz peixe em inglês?
-Fish

E como se diz cardume em inglês?
-“Bué da Fish”

Qual é o Nitro mais inteligente do mundo?
É o Nitrogénio.

O que é que é tão grande como a torre Eiffel mas mais leve?
É a sombra da torre Eiffel

O que é que um Informático faz na sanita?
Faz Multimerdia.

Qual é o super herói favorito dos gordos?
É o Supermercado.

O Joãozinho pergunta para o amigo:
-A tua internet é rápida?
-Não sei, nunca a vi correr.

Para onde vão os dentistas quando morrem?
Para o céu da boca.

Porque é que as vacas não podem correr?
Para não entornarem o leite.

Qual é o cúmulo da paciência?
Ver dois caracóis a correrem em câmara lenta.

Qual é o cúmulo da estupidez?
Um restaurante fechar para hora de almoço.

O que é um ponto rosa no céu?
É uma gayvota.

O que é um piolho num careca?
Um sem abrigo.

O que é que uma iguana diz para a outra?
Somo iguaizinhas.

Qual é o pior nome para dar a um cego?
É Tobias.

O fim de semana devia ser multado por excesso de velocidade.

Vira-se um livro de Matemática para um de História:
Não me venhas cá com histórias que eu estou cheio de problemas.

BOM FIM-DE-SEMANA (sem excesso de velocidade)

14 de março de 2019

A diplomacia tem razões que a razão desconhece


Chama-se Siti Aisyah é cidadã indonésia e é uma das autoras materiais do assassinato de Kim Jong-nam.
Não há uma forma mais suave de colocar o tema, as imagens parecem não deixar margem para dúvidas.
Siti Aisyah, em conjunto com outra mulher, esta de nacionalidade vietnamita, dirigem-se a Kim Jon-nam e esfregam-lhe o rosto com um pano que depois se verificou estar contaminado com o poderoso agente químico VX.
Kim Jong-nam sente-se indisposto, é socorrido, chega ao hospital já cadáver.
Tudo aconteceu no aeroporto de Kuala Lumpur há pouco mais de dois anos.
Siti Aisyah e Doan Thi Huong, a cidadã vietnamita, são presas e acusadas do homicídio do meio irmão do líder norte-coreano Kim Jong-un.
Dois anos depois, e com os julgamentos de ambas já marcados, depois de intensas movimentações diplomáticas, o Ministério Público malaio abandona a acusação de homicídio e liberta Sity Aisyah que, de acordo com as noticias mais recentes, já estará na Indonésia.
O que se passou nos bastidores?
Kim Jong-nam está morto, não morreu de causas naturais, foi assassinado.
Não foram estas duas suspeitas as assassinas, as autoras materiais do crime?
Ou foram e a diplomacia, a vontade de agradar ao líder norte-coreano e pôr termo à sua corrida armamentista, se está a sobrepor à Justiça e à clássica separação de poderes?
Tudo muito estranho, muito mal explicado e a deixar pairar a ideia que a diplomacia tem razões que a razão desconhece.

Intemporais (156)

13 de março de 2019

Backstop ou simplesmente stop?


De quando em vez o léxico diário é invadido por palavras que anteriormente eram totalmente estranhas a todos os que as passam a utilizar indiscriminadamente no dia-a-dia.
Precisamente o que acontece actualmente com o célebre backstop, um estrangeirismo que nos entrou casa dentro e que já tratamos diariamente como se tratasse de um velho conhecido.
Um estrangeirismo que se veio sentar no sofá ao lado de outro já há mais tempo presente nas nossas casas, o Brexit.
De backstop no Brexit, para Brexit com ou sem backstop, vamos todos trilhando os caminhos desta novilíngua enquanto os protagonistas no terreno se tentam entender e compatibilizar. 
O Parlamento britânico chumbou ontem uma proposta, mais uma, que pretende desbloquear o longo processo que poderá conduzir ao Brexit. 
Sim, estou a utilizar o condicional propositadamente. 
Se já havia sinais de evidentes sombras no caminho, de dúvidas nas mentes de quem antes parecera tão convicto, mais um chumbo no Parlamento, e as declarações mais recentes de Jean Claude Juncker, só adensam esse cenário, essas nuvens negras que Theresa May tanto tenta afastar. 
A ponto de nos termos que interrogar mais e mais se estaremos afinal a negociar o tão afamado backstop ou simplesmente um muito mais familiar stop.

A arte de Jamie Harkins - arte na areia

Conhecem o homem da areia?
Quem é Jamie Harkins? 
Conheçam este artista da Nova Zelândia que pratica 
a arte efémera com a areia e as marés.
Jogando com estes elementos consegue efeitos em 3D.














12 de março de 2019

Nada de novo nas Europeias


A sensivelmente dois meses da realização das Eleições Europeias o que tenho visto ser discutido em Portugal é o que sempre foi discutido nestas ocasiões.
Tudo menos a União Europeia parece ser o traço que une a actuação das várias forças políticas.
Discutem-se cabeças de lista, politiquice interna, alianças de poder e possíveis maiorias absolutas de um só partido.
Nada ou quase nada acerca de uma visão para a Europa, de uma ideia para o futuro da União Europeia.
O que o primeiro-ministro português afirmou publicamente, e que deixou muito boa gente indignada, foi apenas a constatação da mais pura realidade desta e de outras eleições semelhantes – são uma óptima sondagem informal e um tubo de ensaio para as Legislativas, o treino de conjunto antes do jogo.
Em 2019, à semelhança de outros anos, nada de novo nas Europeias.

O quadrado mágico de Albrecht Dürer

11 de março de 2019

Frases que fizeram história



= FRASES QUE FIZERAM HISTÓRIA =

"Estar vivo é o contrário de estar morto". - Lili Caneças;

"Nós somos humanos como as pessoas". - Nuno Gomes, SLBenfica;

"Quem corre agora é o Fonseca, mas está parado." - Jorge Perestrelo (relato de jogo);

"Inácio fechou os olhos e olhou para o céu!" - Nuno Luz (SIC);

"O meu coração só tem uma cor: azul e branco." - João Pinto, antigo capitão do FC Porto;

"A China é um país muito grande habitado por muitos chineses." - Charles de Gaulle;

"Lá vai Paneira no seu estilo inconfundível... (pausa)...Mas não, é Veloso!" - Gabriel Alves;

"Juskowiak tem a vantagem de ter duas pernas!" - Gabriel Alves;

"É trágico! Está a arder uma vasta área de pinhal de eucaliptos." - jornalista da RTP;

"Um morreu e o outro está morto." - Manuela Moura Guedes;

"Prognósticos só depois do jogo." - João Pinto (FCP);

"Antes de apertar o pescoço da mulher até à morte, o velho reformado suicidou-se." - João Cunha, testemunha do crime;

"Quatro hectares de trigo foram queimados. Em princípio trata-se de incêndio." - Lídia Moreno (Rádio Voz de Arganil);

"O acidente foi no tristemente célebre Retângulo das Bermudas." - Paulo Aguiar (TV Globo);

"O acidente fez um total de um morto e três desaparecidos. Teme-se que não haja vítimas." - Juliana Faria (TV Globo);

"Os antigos prisioneiros terão assim a alegria do reencontro para reviver os anos de sofrimento." - Maria do Céu Carmo, psiquiatra;

"À chegada da Polícia , o cadáver encontrava-se rigorosamente imóvel." - Ribeiro de Jesus, PSP de Faro;

"O acidente provocou forte comoção em toda a região, onde o veículo era bem conhecido." - António Bravo (SIC);

"Ela contraiu a doença em vida." - Dr. Joaquim Infante, Hospital de Santa Maria;

"A vítima foi estrangulada a golpes de facão." - Ângelo Bálsamo, Jornal do Incrível;

"Os sete artistas compõem um trio de talento." - Manuela Moura Guedes (TVI);

"Esta nova terapia traz esperanças a todos aqueles que morrem de cancro
em cada ano." - Dr. Alves Macedo, oncologista;

"Querem fazer do Boavista o bode respiratório." - Jaime Pacheco, treinador do Boavista;

"Não tem outra, temos que jogar com essa mesma." - Jaime Pacheco, treinador do Boavista, ao responder à pergunta do repórter se eles iriam jogar com aquela chuva;

"Se entra na chuva é para se queimar." - Denilson, jogador da Seleção do Brasil;

"Haja o que hajar, o Porto vai ser campeão." - DECO, ex-jogador do FC Porto;

"O difícil, como vocês sabem, não é fácil." - Jardel;

"Um jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático gramática." - César Prates, ex-jogador do Sporting;

"No Porto é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar." - Deco, ex-Jogador do FC Porto, a comentar a hospitalidade da população;

"Em Portugal é que é bom. Lá, a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias." - Argel, ex-jogador do Benfica;

"Nem que eu tivesse dois pulmões alcançava essa bola." - Roger, jogador do Benfica;

"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu." - Djair, jogador do Belenenses ao chegar a Belém (zona do Restelo –
Mosteiro dos Jerónimos) no dia que assinou contrato com este clube;

"Finalmente, a água corrente foi instalada no cemitério, para alegria da população." - Repórter do Fundão.

BOA SEMANA!

7 de março de 2019

Terapia europeia


É normal ouvir dizer que um desgosto amoroso se ultrapassa com a emergência de um novo amor.
Será assim também no futebol?
Essa parece ser a convicção do Porto de Sérgio Conceição.
Depois do grande desgosto que foi a derrota com o Benfica, e consequente perda do primeiro lugar na tabela classificativa da Liga NOS, o Porto mudou a face, esqueceu o traje domingueiro e vestiu o fato-macaco para ultrapassar a Roma na Liga dos Campeões.
Quartos-de-final, muito prestígio, muito dinheiro, feridas que ficaram esquecidas, empatia com os adeptos restabelecida.
Num jogo muito complicado, muito combativo, decidido por um penalti no prolongamento, o Porto ganhou bem, recuperou confiança e ânimo.
Um jogo que, para além de tudo o mais, deu para perceber muito bem que este Porto é muito mais de combate do que arte.
Os artistas têm que ceder o palco aos gladiadores nos grandes combates para haver resultados positivos neste Porto.
Beleza versus eficácia.
Os tempos são muito mais de eficácia, de crueza dos números, do que de beleza, de arte.
Lições que se aprendem quando o caminho é longo, duro, cheio de obstáculos.

Intemporais (155)

Amanhã é o Dia Internacional da Mulher, o dia de aniversário da minha mulher.
Não há blogue que vamos namorar.
Mas fica aqui celebrado antecipadamente.

6 de março de 2019

Um Juiz não pode recorrer à Justiça?


Não gosto nada de ver a Justiça ser tratada no espaço público, nas televisões, nos jornais.
Fazer da Justiça um espectáculo público é algo que me deixa desconfortável.
Dito isto é inegável que a todos tem que ser assegurado o acesso à Justiça.
Sem excepções. 
Um Juiz tem o direito inalienável de defender a sua honra e o seu bom nome nos tribunais. 
Por mais que as suas decisões, e respectiva argumentação, nos possam ofender, ao Juiz tem que ser assegurado o direito de defender a sua honra e o seu bom nome na Justiça. 
Neto de Moura, é em Neto de Moura que estou a pensar, obviamente. 
As suas decisões, especialmente em casos que envolvem questões de violência doméstica, têm sido contestadas e têm sido objecto de ridículo e crítica por parte de humoristas e políticos. 
Neto de Moura sentiu-se ofendido e processa agora quem acha que o ofendeu. 
Não percebo o espanto, a indignação. 
O Juiz recorre à Justiça. Qual é o problema? Não pode?


Em tempo:



Fazer parte dos processados

Por Antunes Ferreira


Nunca pensara que me podia sentir frustrado em Goa – mas infelizmente estou a sentir-me. Com mil diabos que raio me havia de acontecer! 
Não pensem os que ainda me conseguem ler – e julgo que se ainda os houver serão muito poucos – que estou mais ou menos louco ainda que de médico e louco todos tenhamos um pouco de acordo com rifão popular bem conhecido. (Aliás em terra em que famílias católicas numerosas um filho ia para padre outro para médico…)
Então, que se passa? Pois o motivo é simples: eu também quero ser processado pelo meritíssimo Neto de Moura. E pelos vistos estando aqui a mais de oito mil quilómetros do magistrado o seu braço (leia-se da lei dele) é provável que não chegue cá.
 No entanto a publicação deste modesto contributo para a sanha persecutória do togado que se julga afrontado na sua honra, dignidade, honestidade, profissionalismo, competência e outras qualidades talvez baste para que, mesmo à distância me saia a sorte grande. 
Uma simples carta precatória…
Houve um tempo em que estive proibido de assinar textos em órgãos da comunicação social e aliás duplamente: pela PIDE/DGS e pelas autoridades militares. Era a negra época da velha senhora que já então começava a entrar na decrepitude e estávamos em 1966.
Por mor dos meus “pecados” políticos e ao fim de três anos de serviço em Portugal fui mobilizado para Angola onde cumpri mais dois, tendo chegado a tenente miliciano.
Embora oposicionista do regime salazarento enquanto vesti a farda do Exército Português cumpri tão bem quanto me foi possível os meus deveres militares e de cidadão.
Só que não podia escrever – o que me deixava muitíssimo cacimbado (termo retintamente angolano que se refere a cacimbo, chuva miudinha, chata…) e, como tinha ou julgava ter algum jeito para gatafunhar dediquei-me a pseudo cartuns que assinava como Rico 66 Rico 67 e por aí adiante. Isto porque houve quem me aceitasse e publicasse. 
Depois, voltando à normalidade já pude assinar Antunes Ferreira e voltar a ser cortado amiudadas vezes pelo lápis azul dos censores normalmente mais estúpidos do que um triângulo obtuso.
Ora bem hoje se a tal me ousasse ser-me-ia fácil caracterizar o juiz Neto de Moura recorrendo à Pré-História. 
Desenhá-lo-ia como um homo sapiens (???) arrastando puxando-a pelos cabelos uma qualquer mulher, uma fêmea que se a dar-se ao luxo de recalcitrar a outro macho já trazia os dois braços e uma perna partidos.
 Para aqueles que defendem que a História não se repete aqui deixo esta sugestão a quem saiba desenhar. 
Talvez com ela e ainda que a mais de oito mil quilómetros de distância do meritíssimo Neto de Moura eu consiga ter a taluda do Carnaval: fazer parte dos processados. 

A propósito dos exageros...



RECADO DE UMA MÃE PARA A AVÓ DOS FILHOS :

• Deixei um saco com comida para os miúdos. Arroz sem glúten, massa sem glúten, bolachas sem açúcar, alfarroba desidratada e biscoitos de aveia e quinoa dos Andes.
• Não lhes dê bolos de pastelaria. Nem sumos de pacote. Nem leite de vaca. Nem chocolates. Nem leite com chocolate.
• Eles não comem nada que tenha açúcar refinado. Eu sei que a mãe faz um bolo de cenoura ótimo, mas se fizer use apenas açúcar amarelo. Mas só metade da dose. E cenoura biológica.
• Deixei também açúcar amarelo. É especial, extraído de cana-de-açúcar explorada de forma sustentável.
• Se eles insistirem muito para comer doces, dê-lhes uma peça de fruta biológica. Ou um abraço.
• O Pedro pode brincar com o iPad dele antes de ir para a cama. Mas não nos últimos 34 minutos antes de apagar a luz. É o que dizem os estudos mais recentes.
• Se ele ensaiar uma fita por causa disso, não o contrarie de mais. Não lhe tire o iPad das mãos à força. Dialogue com ele. Convença-o. Queremos que os miúdos tenham capacidade de argumentação e não queremos contrariá-los de mais, para não serem castrados na construção da sua personalidade. No fim, dê-lhe um abraço.
• O iPad é a única coisa eletrónica que o Pedro tem. O psicólogo dele dizia que não devia haver tecnologia nenhuma até aos 12 anos. Mudámos de psicólogo e o outro diz que pode haver, desde que tenha jogos que estimulem a parte do cérebro onde se constroem as emoções. Como ficámos baralhados, arranjámos um terceiro psicólogo, que disse para fazermos o que quisermos.
• Eles têm uma série de brinquedos de madeira e metal, feitos por artesãos velhinhos. Às vezes queixam-se que as rodas de lata não andam. Se for o caso, ajude-os a brincar com outra coisa qualquer, desde que não tenha plástico. Não queremos brinquedos de plástico.
• Se forem à feira e eles quiserem comprar bugigangas nos vendedores, compre-lhes uma rifa. Ou uma maçã. Ou dê-lhes um abraço.
• Todos os brinquedos devem ser partilhados. Não há brinquedo de menina e brinquedo de menino. Se o João quiser brincar com as bonecas de linho biológico da irmã, não há problema.
• Se ele quiser vestir as saias dela, também não há problema. Não queremos limitar a identidade de género dos nossos filhos.
• Há um saco com sabonete natural e champô à base de plantas medicinais sem aditivos químicos. Cheira um pouco mal, mas é ótimo para o cabelo.
• Mandei também umas toalhas de algodão biológico. Use só essas quando forem para a praia. São as melhores para o pH da pele deles.
• Todas as noites eles devem ouvir um pouco de música. Não pode ser o Despacito. O ideal é ser aquele CD de monges tibetanos. Aqueles sons são bons para o cérebro e para a digestão.
• Se eles quiserem subir às árvores, podem subir. Mas devem dar um abraço ao tronco antes disso. De preferência, devem agradecer à árvore antes de subirem para cima dela.
• Eles precisam de três abraços por dia. Pelo menos. Por favor não esqueça isso. E se puder, dê-lhes abraços de pele a tocar na pele. A energia positiva assim passa de forma mais eficaz.
PS 1: Mãe, não se enerve depois de ler isto tudo.
PS2: Cole este papel na porta do frigorífico, para não se esquecer de nada. Mas não use fita-cola, que isso tem plástico.

RESPOSTA DA AVÓ:

• Olha, filha, não sei se percebi bem os recados que me deixaste. Dizias que a Matilde não come arroz, mas houve um dia em que ela quis provar do arroz de frango que fiz para mim e para o teu pai e gostou. E pediu para repetir. Duas vezes. Já não me lembro se vocês são vegetarianos ou não, se os miúdos comem carne às vezes ou só às terças e quintas, mas ela pareceu tão consolada que no dia seguinte fiz mais. E também gostou do sarrabulho.
• Não lhes dei bolos, como pediste. Mas o teu pai não leu os recados. E ele deu. Todos os dias ao fim da tarde iam dar um passeio com o avô e o cão e passavam por casa da tia Idalina, que lhes dava uns biscoitos. Só soube isto no fim das férias. Mas acho que os biscoitos são muito bons. Depois peço-lhe a receita para te dar. Mas ela não usa cá açúcar amarelo. Não há disso na aldeia.
• Comeram iogurtes e tivemos de comprar mais queijo porque eles acabaram num instante o que tínhamos cá em casa. Já não me lembro se podiam comer queijo ou não ou se era o leite de vaca que não podiam beber. Mas como é difícil arranjar leite de cabra, comprámos do outro na mercearia e não nos chateámos com isso. Não te chateies tu também.
• Não brincaram com o iPad. Enquanto estiveram cá na aldeia nem lhe mexeram. Mas adormeciam a ver televisão. Dizias uma coisa qualquer sobre ecrãs à noite, mas eu não percebi bem.
• Houve algumas birras. E numa delas o João fartou-se de chorar. Ele disse que ia ligar-te, mas o teu pai disse-lhe para ir mas é jogar à bola e estar calado e a coisa resultou.
• Não lhes comprei brinquedos de plástico na feira, como tu disseste. E eles ficaram amuados comigo e não quiseram voltar à feira mais nenhum dia, o que foi uma chatice. Que raio de ideia, filha. Isso não correu muito bem.
• O champô que mandaste para eles, aquele das plantas medicinais, cheirava mesmo mal. Tem paciência, mas lavei a cabeça dos teus filhos com o meu champô. É bem mais barato do que o teu. Andas a gastar uma fortuna numa coisa malcheirosa, filha.
• As toalhas de algodão armado ao pingarelho que tu mandaste são tão fofinhas e estavam tão bem arrumadas que as deixei estar no sítio. Tive medo de as estragar. Os teus filhos tomaram banho todos os dias e limparam-se às toalhas que havia cá em casa. E não lhes caiu nenhum pedaço de pele. Acho que fiz tudo bem.
• Querias que lhes desse três abraços por dia. Nuns dias dei mais, noutros não dei nenhum. E houve um em que me apeteceu dar um tabefe à Matilde, porque estava a fazer uma fita, mas depois acalmou.
• Não houve cá abraços a árvores. Esqueci-me. E houve um dia em que o Pedro caiu da árvore do quintal e fez uns arranhões. Acho que não tinha vontade nenhuma de dar abraços ao tronco.
• Aquela coisa de o João vestir as saias da Matilde é que me pareceu esquisito. Ele nunca pediu para vestir a roupa da irmã. Eu achei isso bem e fiquei contente.
• Todas as noites ouviram música, como pediste, mas não foi o CD dos monges tibetanos, que isso irritava o teu pai. Ouviam a música dos altifalantes da festa. Não querias o Despacito, mas ouviram isso umas dez vezes por dia. E o Toy também. E o Tony Carreira e o Emanuel.
• Só deves ver este papel quando acabares de tirar as coisas dos sacos dos miúdos. Deixei isto no fundo da mochila do Pedro de propósito. Assim, antes de saberes das coisas que não fiz como tu querias, viste os teus filhos e viste como estavam bem alimentados e cuidados.

PS: não precisas de colar isto na porta do frigorífico. Não quero que gastes fita-cola. Se tiveres alguma dúvida, telefona-me. É isso que as mães fazem: atendem o telefone às filhas para responder a dúvidas sobre os netos."