30 de maio de 2019

Se um Rui Pinto incomoda muita gente...



Na minha adolescência cantava-se muito a célebre lengalenga do 'alifante' – se um 'alifante' incomoda muita gente, dois 'alifantes' incomodam muito mais.
E depois era só ir contando e cantando por aí fora sem precisar de ser um génio matemático ou um fenomenal tenor.
Ao ler a entrevista de Ana Gomes ao jornal Hoje Macau fico com a forte sensação que há muita gente a 'cantar'.
Na Ásia e na União Europeia.
Melodias que não chegam aos ouvidos da maioria das pessoas porque ficam muitas vezes silenciadas sabe-se lá onde, como e porquê.
Quando Rui Pinto foi preso, Ana Gomes apareceu publicamente a dizer que seria bom que o deixassem livre para 'cantar'.
Saberemos alguma vez o que Rui Pinto terá confidenciado a Ana Gomes?
Rui Pinto era a cara do futebol leaks, se tinha alguns segredos na sua posse eram só relacionados com bola, foi o que imediatamente se pensou.
Se fiquei logo com a sensação que esta lógica era curtinha e poucochinha, ao ler a entrevista de Ana Gomes acentuo essa primeira impressão.
Apetece cantar a canção do 'alifante' mas agora com Rui Pinto – se um Rui Pinto incomoda muita gente…

Intemporais (167)

29 de maio de 2019

Nova liderança no Bloco de Esquerda?


Os resultados da Europeias deixaram-me a pensar que se terá consolidado uma forte candidatura a uma nova liderança política no Bloco de Esquerda.
O excelente resultado conseguido pelo Partido tem claramente um rosto – Marisa Matias.
Marisa Matias tem carisma, tem imagem, tem imprensa, tem presença, é eloquente e convincente, apresenta trabalho e currículo.
Nestas Europeias foi o oposto dos outros líderes porque ao cinzentismo geral respondeu com brilho e capacidade de mobilização.
Politicamente habilidosa, já terá percebido que só não será líder do Bloco de Esquerda se não quiser.
Catarina Martins já sofre algum desgaste, já não tem a garra que tinha, conseguiu fazer com que o Bloco de Esquerda de algum modo ofuscasse o Partido Comunista no espaço político à esquerda do Partido Socialista, estará provavelmente na altura de se remeter às suas funções de deputada e deixar que Marisa Matias pegue nas rédeas do Bloco de Esquerda e faça o trabalho político doravante.
Confesso que estou curioso para ver as movimentações políticas no Bloco de Esquerda nos próximos meses.

A vida dos políticos na Suécia

28 de maio de 2019

Resultados das eleições europeias


Não quero entrar pelo caminho, que tão maus resultados teve em Portugal, de olhar para estas eleições a projectar o que se segue em Outubro.
Tudo tem o seu tempo, o seu momento, as suas motivações.
Interessa-me agora olhar para o que salta à vista desarmada dos resultados destas eleições.
A nível interno e a nível europeu.
A nível interno, o mais óbvio, e que quase fere a vista, são novamente os números brutais da taxa de abstenção.
Não é novidade, já nas anteriores eleições europeias os números tinham sido muito altos.
Agora cresceram um pouco mais, um crescimento não muito significativo diga-se, mas confirmam o que é já uma tendência – os portugueses estão divorciados das eleições europeias.
Porquê?
Porque não sentem a Europa, porque a Europa é uma realidade longínqua que associam a burocracia, prebendas (tachos), grande dispêndio de verbas, pouco trabalho e muito pouco reflexo directo nas suas vidas.
Estas ideias podiam e deviam ser contrariadas pelos partidos políticos, sobretudo em campanha eleitoral.
Esta campanha eleitoral foi precisamente o oposto.
Foi uma campanha em que se falou de tudo menos de Europa, em que se olhou para a política interna, para as legislativas que se aproximam, para uma “geringonça” fraca ou forte, para uma oposição à deriva.
Este caldo de cultura motivou praticamente sete em cada dez eleitores a passar o dia de domingo em casa e a esquecer o sufrágio.
Se a abstenção em Portugal salta à vista, a nível europeu o que chama imediatamente a atenção é a votação nos partidos nacionalistas e populistas.
O discurso patriótico e securitário passou, o ideal europeu está profundamente abalado.
Considerar que vitórias de partidos anti-europeístas e nacionalistas em países como a Inglaterra, a França e a Itália, não é muito significativa porque os europeístas mantêm a maioria no Parlamento Europeu, é um raciocínio de uma ligeireza e optimismo que não consigo acompanhar.
O sonho dos pais fundadores vai-se esboroando e perdendo seguidores face a políticas erráticas, políticos sem carisma, receios alimentados pelo desemprego e pela insegurança.
Campo fértil para semear ideias proteccionistas e nacionalistas que os europeístas não sabem combater e contrariar.
Estas eleições limitaram-se a confirmar o que todos sentimos no dia-a-dia – os cidadãos europeus tendem a fechar-se cada vez mais na sua concha, que se confunde com a Nação, a defender os ideais nacionais e a esquecer o ideal europeu.

Melhores fotos de 2018


















24 de maio de 2019

Piada de humor negro

 
Era uma noite escura no meio da floresta, dessas sem lua, onde não se via nada. 
A tartaruguinha caminhava lentamente para sua toca quando, em pleno breu, bateu em cheio contra alguma coisa que se movia na direcção contrária. 
Como não dava para ver nada, a tartaruguinha começou a tactear o outro ser.
– Hmmmmm… Peludo, com dentes compridos… e orelha grande. 
Ah! É o coelhinho!
E o coelho, fazendo o mesmo:
– Hmmmmm… Pele de cobra, sem orelhas… e de capacete. 
É o Niki Lauda!

Descansa em paz, campeão!

BOM FIM-DE-SEMANA!

23 de maio de 2019

Ainda à espera de Godot



Foi em 1952 que estreou o grande fenómeno do teatro do absurdo que é a peça escrita por Samuel Beckett, “À Espera de Godot”.
Desde então inúmeras vezes o absurdo reinou na vida pública e muitas populações ficaram à espera de Godot.
A União Europeia e a Grã-Bretanha, o absurdo e interminável Brexit.
Agora com a possibilidade de novo referendo na antes tão determinada e assertiva Grã-Bretanha.
Uma possibilidade que, à semelhança de todas as outras, não reúne consenso interno.
Na peça de Beckett espera-se por um indivíduo chamado Godot sem nunca se saber quem é ou o que se quer dele.
Na União Europeia espera-se por um Brexit sem ainda se saber muito bem como é, muito menos se e como se efectivará.
Uma União Europeia que em todo este processo não pode ficar cega como Pozzo, ou muda como Lucky.
Muito menos esperar que surja alguém no final a dizer que afinal Godot não vem, talvez amanhã.
A União Europeia e a Grã-Bretanha, o Brexit, ainda à espera de Godot.

Intemporais (166)

22 de maio de 2019

Imprensa livre



O artigo 27º da Lei Básica, inserido no capítulo dos direitos e deveres fundamentais dos residentes, consagra como direitos fundamentais, entre outros, a liberdade de expressão, de imprensa e de edição.
Uma imprensa livre é um pilar essencial das sociedades modernas, do Estado de direito.
Um facto que a Lei nº 7/90/M expressamente reconhece e que nunca pode ser perdido de vista ou deixado ao acaso.
Andou assim muito bem a Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau ao exprimir publicamente as suas reservas relativamente ao conteúdo da proposta de lei de bases da segurança interna quando na mesma se prevê a criminalização de condutas com base em conceitos abertos, vagos, indeterminados.
Ensina a legística que a criminalização de condutas deve ser feita com o maior cuidado, a maior precisão, deixando pouco ou nenhum espaço para dúvidas acerca do que se pretende combater e de como se pretende efectuar esse combate.
Combate permanente, sem quartel, é o que tem que ser travado em nome de uma imprensa livre, sem restrições que não sejam as estritamente necessárias a assegurar que a liberdade tenha como contraponto a responsabilidade.
Responsabilidade que não passa, nem de perto nem de longe, pela subserviência, pelas "boas notícias" que alguns responsáveis políticos não se coíbem de publicamente solicitar aos órgãos de comunicação social.
Numa época em que a expressão fake news se tornou um  tristemente célebre chavão repetido à exaustão, todos os cuidados são poucos para que se possa preservar esse valor essencial, consagrado como direito fundamental, que é uma imprensa livre e responsável.

Embalagens de dentífricos

21 de maio de 2019

Balanço da Liga NOS 2018/2109


A Liga NOS 2018/2019 chegou ao fim e é chegado o momento de, com cabeça fria, fazer o balanço da época destacando a figura, o momento e o mais negativo.

A Figura.

Sem sombra de dúvida, Bruno Lage.
Uma lufada de ar fresco no ambiente bafiento do futebol português, o treinador do Benfica foi uma surpresa em toda a linha.
Muito competente, muito trabalhador e dedicado, Bruno Lage provou que é possível ser bem educado, ter um comportamento cívico próximo do exemplar (o momento das celebrações da vitória fica nos livros), e ganhar, estar próximo da perfeição a nível competitivo.
Bruno Lage pegou na equipa do Benfica num momento delicado, deu tranquilidade a todo o plantel, injectou confiança nos jogadores e adeptos, ao mesmo tempo que ia promovendo jovens talentos que tão bem conhecia.
Se na vertente desportiva Bruno Lage conseguiu feitos difíceis de igualar (número de golos marcados, número de vitórias consecutivas, número de pontos conquistados), na vertente da cidadania, do respeito pelos adversários, da pacificação do ambiente à volta do futebol, aí verdadeiramente Bruno Lage goleou.

O Momento.

O momento da Liga NOS é a vitória do Benfica no Estádio do Dragão.
Mais que quaisquer erros, que todos cometeram e vão voltar a cometer, o momento da Liga NOS é a vitória do Benfica no Dragão.
Porque representou a alteração na liderança, porque evitou que o Porto cavasse uma distância difícil de alcançar para o Benfica, porque injectou confiança no Benfica enquanto lançava a dúvida no Porto.
Ao contrário do que muitas vezes se repete, a Liga ficou este ano decidida no confronto directo entre os dois clubes que até ao fim disputaram o primeiro lugar (duas vitórias do Benfica e duas derrotas do Porto).

O Mais Negativo.

O mais negativo voltou a ser o ambiente de acusações mútuas, a sombra de suspeição, a violência gratuita, o desrespeito entre adversários.
Um ambiente em tudo alimentado por polémicas artificias tantas vezes criadas para vender jornais e conseguir audiências televisivas.
Mais uma vez, como tem acontecido em tantas outras épocas, nestas vertentes a Liga NOS 2018/2019 não deixa saudades.

Papa Francisco em Marrocos

Durante a estadia do Papa em Marrocos um concerto em que um cantor muçulmano canta uma oração em árabe, uma cantora judia canta em hebraico, e uma cantora católica canta a Ave Maria. 
Impressionante!

20 de maio de 2019

Terrivelmente parvas



Qual a cor preferida das tomadas?
O rosa choque. 

O que diz uma banana suicida?
Macacos me mordam. 

Como se chama um cão sem patas?
Não se chama, vai-se buscar. 

Como é que se apanha um coelho?
Imita-se o som de uma cenoura. 

Porque é que a manteiga não entrou na discoteca?
Porque foi barrada. 

Como se chama a neta do Mário?
Marioneta. 

Qual é o animal que anda com as patas?
É o pato. 

Como se chama uma pessoa cega?
Pelo nome, ela é cega não surda. 

Na delegacia:
– Seu delegado meu marido saiu de casa ontem a noite, disse que ia comprar arroz e até agora não voltou. 
O que eu faço doutor? 
– Sei lá, faz macarrão!! 

De onde vem a lã virgem?
– Das ovelhas feias. 

Um homem sentou-se ao meu lado e me mostrou no celular uma foto da esposa dele e perguntou:
– Ela é bonita, não é? 
Eu respondi: 
– Se você acha que ela é bonita, deveria ver a minha namorada então. 
O homem questionou: 
– A sua namorada é tão bonita assim? 
E eu respondi: 
– Não, ela é oftalmologista. 

BOA SEMANA!

17 de maio de 2019

DESORDEM NO TRIBUNAL (reedição)



Estas são piadas retiradas do livro 'Desordem no tribunal'. São coisas que as pessoas realmente disseram, e que foram transcritas textualmente pelos taquígrafos, que tiveram que permanecer calmos enquanto estes diálogos realmente aconteciam à sua frente.


Advogado : Qual é a data do seu aniversário?
Testemunha: 15 de Julho.
Advogado : Que ano?
Testemunha: Todos os anos.


Advogado : Essa doença, a miastenia gravis, afecta a sua memória?
Testemunha: Sim.
Advogado : E de que modo ela afecta a sua memória?
Testemunha: Eu esqueço-me das coisas.
Advogado : Esquece... Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha esquecido?


Advogado : Que idade tem o seu filho?
Testemunha: 38 ou 35, não me lembro.
Advogado : Há quanto tempo ele mora com você?
Testemunha: Há 45 anos.


Advogado : Qual foi a primeira coisa que o seu marido disse quando acordou aquela manhã?
Testemunha: Ele disse, 'Onde estou, Berta?'
Advogado : E por que é que se aborreceu?
Testemunha: O meu nome é Célia.


Advogado : Diga-me, doutor... não é verdade que, ao morrer no sono, a pessoa só saberá que morreu na manhã seguinte?


Advogado : O seu filho mais novo, o de 20 anos...
Testemunha: Sim.
Advogado : Que idade é que ele tem?


Advogado : Sobre esta foto sua...o senhor estava presente quando ela foi tirada?


Advogado : Então, a data de concepção do seu bebé foi 8 de Agosto?
Testemunha: Sim, foi.
Advogado : E o que é que estava a fazer nesse dia?


Advogado : Ela tinha 3 filhos, certo?
Testemunha: Certo.
Advogado : Quantos meninos?
Testemunha: Nenhum.
Advogado : E quantas eram meninas?


Advogado : Sr. Marcos, por que acabou o seu primeiro casamento?
Testemunha: Por morte do cônjuge.
Advogado : E por morte de que cônjuge ele acabou?


Advogado : Poderia descrever o suspeito?
Testemunha: Ele tinha estatura mediana e usava barba.
Advogado : E era um homem ou uma mulher?


Advogado : Doutor, quantas autópsias já realizou em pessoas mortas?
Testemunha: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas...


Advogado : Aqui no tribunal, para cada pergunta que eu lhe fizer, a sua resposta deve ser oral, está bem? 
Que escola frequenta?
Testemunha: Oral.


Advogado : Doutor, o senhor lembra-se da hora em que começou a examinar o corpo da vítima?
Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20:30 h.
Advogado : E o sr. Décio já estava morto a essa hora?
Testemunha: Não... Ele estava sentado na maca, questionando-se por que razão eu estava a fazer-lhe aquela autópsia.


Advogado : O senhor está qualificado para nos fornecer uma amostra de urina? 

BOM FIM-DE-SEMANA

16 de maio de 2019

A conversa da escassez de talentos começa a dar muito jeito a muita gente


Macau é terra de slogans, de frases que colam e se colam.
Um bom exemplo é a escassez de talentos locais.
Que tão depressa dá para importar mão-de-obra barata como dá para multiplicar cargos nos diversos domínios e organismos da vida pública.
Macau, terra de dicotomias também, tem escassez de talentos e abundância génios, portanto.
Os génios com preparação verdadeiramente enciclopédica, os mesmos que, citando Herman José a respeito de Nuno Rogeiro, “sabem tudo desde pastéis de nata até mísseis Pershing”.
E assim assistimos diariamente à acumulação de cargos por parte de figurões, tantas vezes verdadeiros patos-bravos, e a exemplos de despudorado nepotismo, de família e amigos, gato e periquito, todos a comer da mesma gamela de dinheiros públicos.
Os anos passam, o cabelo escasseia e branqueia, a boa-fé vai sofrendo mais e mais erosão.
E cresce a sensação que a conversa da escassez de talentos, por muito que tenha de objectiva, vai dando muito jeito a muita gente.

Intemporais (165)

15 de maio de 2019

Passadeiras LGBTI


Lisboa (Campolide) já tem passadeiras LGBTI, ou seja, pintadas com as cores do arco-íris normalmente associadas ao movimento LGBTI.
Depois de a sugestão do CDS (quem diria?!) ter caído por terra por supostamente ser ilegal (as cores das passadeiras são o preto e branco, as zebras), o autarca de Campolide avançou porque defende que não há aqui espaço para qualquer ilegalidade.
Seja como for, não consigo deixar de pensar que há uma grande patetice.
Há muito defendo que a opção sexual de cada um é uma escolha que deve ser livre e pessoal.
Sem necessitar de ostentação e foguetório.
Se as paradas LGBTI já me pareciam perfeitamente idiotas (será necessária uma parada heterossexual? Então porque é necessária a LGBTI?), agora são as passadeiras nas ruas a aumentar a idiotice.
Não se busca a igualdade, a liberdade de decidir com toda a naturalidade?
Então deixemos de lado a idiotice e encaremos a sexualidade com a naturalidade que merece, ponto final.

Novas torres