13 de junho de 2019

Companhias fiéis que nunca conheceremos pessoalmente


Há pessoas que entram na nossa vida e passam a fazer parte dela ainda que nunca as venhamos a conhecer pessoalmente e que tenhamos ideais políticos muito diferentes.
Há muitas assim na minha vida, algumas já desaparecidas, mas que deixaram marca.
O Ruben de Carvalho era uma dessas pessoas.
Homem culto, inteligente, de fortes convicções, o Ruben de Carvalho era uma companhia indispensável ao fim-de-semana.
Com o seu bom gosto a nível musical, muito ecléctico e enciclopédico, nas “Crónicas da Idade Mídia” e com a sua enorme cultura e mundividência nos debates com Jaime Nogueira Pinto nos “Radicais Livres”.
O meu fim-de-semana vai ficar mais enfadonho agora que o Ruben de Carvalho partiu.
Nunca o conheci ou conhecerei pessoalmente, tínhamos ideias muito díspares em muitos sectores da vida, mas o Ruben de Carvalho deixa um vazio também na minha vida.

Intemporais (169)

12 de junho de 2019

Febre de consultas públicas


Macau é uma terra de excessos.
O excesso de consultas públicas será assim só mais um dentro de uma longa lista.
Não há decisão política que seja tomada sem que se ouça o que o público, essa massa anónima, tem a dizer.
Até se chegar a pontos de quase demência.
Consulta pública acerca do impacto ambiental da travessia em túnel subaquático entre a península e a Taipa?
Haverá matéria que envolva mais tecnicidade, que apele mais  a conhecimentos técnicos muitíssimo específicos?
E vai-se ouvir a população sobre esta matéria???
Ouvir especialistas nesta área tão específica faz todo o sentido.
Ouvir o cidadão comum é anedótico e pura perda de tempo.

A importância da maçã


11 de junho de 2019

Posições extremadas


Hong Kong terá assistido no domingo às maiores manifestações alguma vez ali realizadas.
Muitos milhares de pessoas saíram às ruas (os números oficias e dos organizadores apresentam sempre uma brutal disparidade) para exprimirem abertamente a sua oposição às leis de extradição que vão ser votadas no Legco.
A desconfiança mútua entre Hong Kong e Pequim chegou a níveis nunca antes experimentados e que ameaçam uma possível reconciliação entre as partes desavindas.
Tudo o que de algum modo indicia a presença do dedo de Pequim é imediatamente rejeitado por uma larga fatia da população de Hong Kong.
Pequim que olha para Hong Kong como uma constante ameaça à harmonia, como os eternos descontentes e arruaceiros.
Com posições tão extremadas, com o aniversário do handover a aproximar-se, esperemos que os acontecimentos de domingo ao final do dia (confrontos entres forças policiais e manifestantes) não prenunciem nuvens negras e carregadas no horizonte.

Alterações climáticas (Vandana Shiva)


10 de junho de 2019

Dia de Portugal (Camões)


Sabem como é que Camões perdeu um olho ?
A mãe estava a fazer o jantar e disse assim:
- ó filho deita ai um olhinho na comida enquanto eu vou ali fora..

Um grupo de turistas brasileiros estava a visitar um museu de história em Lisboa.
Param em frente a um esqueleto e perguntam ao guia: 
- De quem é esse esqueleto?
-É de Camões, grande poeta português.
- E esse pequenino aí do lado?
- É o esqueleto de Camões, quando era criança...

Sabem qual é o smile de Camões ?
(, ou (. ??

BOA SEMANA!

6 de junho de 2019

O colonizado quer ser colonizador


No dia 4 de Julho será comemorado mais um aniversário do Dia da Independência nos Estados Unidos.
O dia em que formalmente se punha fim à colonização britânica.
Estávamos no ano 1776 da era cristã e desde lá muito mudou no Mundo.
Os Estados Unidos tornaram-se na maior potência mundial, um estatuto que se acentuou com o desmoronamento da União Soviética.
Esta bipolaridade, com duas grandes potências, foi substituída por um mundo unipolar com os Estados Unidos a exercerem um domínio incontestado.
A União Europeia nunca foi uma potência militar e como tal nunca conseguiu beliscar o domínio americano.
Um cenário que se vem alterando nos últimos anos com a ascensão da China e a pretensão de alargamento do poderio chinês, por mais que os líderes chineses afirmem publicamente o contrário.
Xi Jinping sonha com uma China como actor dominante no panorama geo-estratégico mundial.
Um sonho que Donald Trump tem para os Estados Unidos e que assume abertamente.
Não surpreende assim que, no meio de algumas gaffes e alguns episódios caricatos, Donald Trump tenha aproveitado esta sua visita a Inglaterra para piscar o olho aos britânicos não se coibindo mesmo de os aconselhar a ser caloteiros no processo Brexit.
Abandonar de forma imediata a União Europeia, romper as negociações, entregar-se nos braços de uma América desejosa de os receber.
No dia 4 de Julho de 1776 os Estados Unidos punham formalmente fim à colonização britânica.
No dia 4 de Junho de 2019 o anterior colonizado fez uma proposta informal para se tornar colonizador.

BOM FIM-DE-SEMANA
(Prolongado em Macau por causa do Festival Tung Ng)

Intemporais (168)

5 de junho de 2019

Protesto múltiplo em Hong Kong


Milhares de pessoas acorreram ontem a Victoria Park para relembrar os acontecimentos de 4 de Junho de 1989 em Tinanmen.
Já é tradição, já era previsível.
O que também já é tradição é haver uma disparidade brutal nos números de participantes apresentados pelos organizadores dos protestos e as forças policiais.
Martelando ainda a tecla da tradição, estes protestos raramente se resumem a um único tema.
O mote pode ter sido Tinanmen mas os protestos de ontem em Hong Kong tinham outros temas.
Para além de Tinanmen estava em causa o projecto de lei de alteração da legislação relativa a extradição e uma demonstração de força perante o Executivo de Hong Kong e o Governo Central.
Foi assim ontem, será assim no aniversário do handover no início de Julho.
Sem surpresas também, percebeu-se que a sociedade civil em Hong Kong se mantém atenta, vigilante, interventiva.
E que não será fácil fazer aprovar as alterações legais pretendidas em Hong Kong.
Olhando para o que aconteceu ontem em Hong Kong fiquei a pensar se não será Macau, à semelhança do que aconteceu com a regulamentação do artigo 23º da Lei Básica, o filho pródigo, o exemplo a ser seguido pelo rebelde, agora com as leis de extradição em pano de fundo.

Passa o sal

4 de junho de 2019

O elefante na sala


A expressão elefante na sala tem a sua origem numa publicidade norte-americana de combate ao alcoolismo.
A escolha deliberada em negar problemas familiares originados pelo consumo excessivo de álcool era caricaturada com a presença de um enorme paquiderme no interior de uma sala da casa cuja presença a família insistia em ignorar. 
Hoje é uma data que também, mais e mais, se procura seja o elefante na sala. 
No anúncio publicitário a insistência em ignorar e evitar o problema era retratada com um aspirador que ia sendo utilizado contornando o enorme elefante. 
Não vale a pena, o elefante não se move, não desaparece. 
É melhor enfrentá-lo, tentar explicar a sua presença, tentar persuadi-lo a mover-se para que possa depois seguir o seu caminho na floresta em paz e liberdade. 
Trinta anos depois, o que aconteceu em Tiananmen continua a não ser enfrentado, debatido, procura-se contornar o enorme elefante na sala.
Que não se move, não desaparece.
Até quando?

Nós e os outros. A urgência e a dificuldade do diálogo (Anselmo Borges)


Estamos a viver uma transformação prodigiosa do mundo. Há hoje várias revoluções em marcha. Uma revolução económica, com a globalização, que significa a concretização da ideia de McLuhan de que formamos uma “pequena aldeia” e a chegada ao palco da História de grandes países emergentes, como a China, a Índia... Outra é a revolução cibernética, que, como disse Jean-Claude Guillebaud, faz nascer um quase-planeta, um “sexto continente”. Nunca como hoje houve tanta informação e com a rapidez com que circula pelo mundo. Esta é a era da informática. A internet, o correio electrónico, os telemóveis, as televisões põem-nos em contacto constante e imediato com tudo o que acontece no mundo. Depois, com a facilidade dos transportes e no quadro das novas condições económicas, há a circulação permanente das pessoas de uns países para outros e também entre continentes. As NBIC (nanotecnologias, biotecnologias, inteligência artificial, Big Data, ciências cognitivas, neurociências...), em interconexão,  transformam a nossa relação com a vida e a procriação e podem fazer bifurcar a Humanidade: a actual continuaria ao lado de outra a criar; por isso, se fala em transhumanismo e pós-humanismo. Também está aí a urgência da revolução ecológica, que, se a Humanidade quiser ter futuro, obriga a uma nova relação com a natureza. Como se não pode esquecer de modo nenhum o perigo do terrorismo global e de uma guerra atómica. Está aí, omnipresente, de múltiplos modos, o terror da violência...
Perante todas estas revoluções e face aos problemas que agora são globais, como a droga ou o trabalho, os mercados, impõe-se, em primeiro lugar, pensar numa governança mundial. Depois, não se sabe de que modo o futuro será, como diz J.-Cl. Guillebaud, uma “modernidade mestiça”, mas, para evitar o “choque das civilizações”, impõe-se o diálogo intercultural e inter-religioso. De facto, como escreveu o teólogo José María Castillo, com todos estes factos, produziu-se “um fenómeno inteiramente novo na história da Humanidade: a mistura, a fusão ou o choque, a inevitável convivência de culturas, tradições, costumes, formas de pensar e de viver, de pessoas que vão de uns países para outros, de um extremo ao outro do mundo. E vão, não para fazer turismo, mas para tratar da vida, fugir das guerras, da fome e da morte. Mas, como é lógico, este reboliço de pessoas, de notícias, de ideias, de formas de viver fez com que – sem nos darmos conta muitas vezes do que realmente se passa – bastantes critérios, convicções, costumes e tradições que até há poucos anos tínhamos como seguros e intocáveis, hoje estejam abalados, tenham perdido segurança, se tenham esfumado, modificado ou, em todo o caso, perdido a firmeza e estabilidade que antes tinham para nós.”
De qualquer modo, para o diálogo, impõe-se uma reflexão de base sobre as suas condições de possibilidade e as suas dificuldades. De facto, o diálogo é feito de encontros e desencontros. O encontro é fascinante, mas, veja-se, logo de entrada, como a própria palavra chama a atenção para a sua dificuldade: encontro mostra, nas várias línguas, um confronto, uma oposição. Assim: en-contro (lá está o contra, como em en-cuentro ou em rin-contro..., mesmo no alemão, Begegnung, está presente o contra, que se diz gegen).  
A neotenia constata, no essencial, que o ser humano é um prematuro – para fazer o que faz, precisaria de permanecer no ventre materno mais um ano, mas isso não é possível; assim, nasce no termo de 9 meses, em vez de passados 20 –, tendo, portanto, de receber por cultura aquilo que a natureza lhe não deu. Frágil segundo a natureza e sem especialização, tem de criar uma espécie de segunda natureza ou habitat, precisamente a cultura. Como escreve o filósofo Robert Legros, “é na cultura ou no que a fenomenologia chama um mundo que a humanidade de Homo encontra a sua origem, e não na natureza. Quanto à origem da cultura, ela está por princípio votada a permanecer uma questão sem resposta”. Enquanto os outros animais nascem feitos, o Homem, nascendo por fazer, em aberto, tem de fazer-se a si mesmo e caracteriza-se por essa tarefa de fazer-se com outros numa história aberta, em processo.               
Constata-se deste modo que nos fazemos uns aos outros genética e culturalmente. O ser humano é, pois, sempre o resultado de uma herança genética e de uma cultura em história. Assim, no processo de nos fazermos, o outro aparece inevitavelmente. O outro não é adjacente, mas constitutivo. Só sou eu, porque há tu, em reciprocidade. O outro pertence-me, pois é pela sua mediação que venho a mim e me identifico: a minha identidade passa pelo outro, num encontro mutuamente constituinte. A identidade não é estática, fixa, determinada de uma vez para sempre. E, em cada um de nós, há múltiplas possibilidades de ser: se eu tivesse tido outros encontros, se tivesse frequentado outras escolas..., certamente seria eu, mas de outro maneira, idem sed aliter. A nossa identidade é aberta, somos nós e somos muitos; se assim não fosse, como poderíamos entender os outros, compreender um romance, colocando-nos na pele de tantas personagens diferentes?...
Claro que cada um, cada uma, é ele, ela, de modo único e intransferível – a experiência suma desse viver-se cada um como único e irrepetível dá-se frente à morte, na angústia do confronto com a possibilidade do nada e da aniquilação do eu: “ai que me roubam o meu eu!”, clamava M. Unamuno –, mas fazemo-nos uns aos outros, de tal modo que ser e ser em relação coincidem. Por isso, a identidade faz-se, desfaz-se, refaz-se e, em sociedades complexas e abertas, ela será cada vez mais compósita e planetária, com tudo o que isso significa de enriquecimento e ao mesmo tempo de complexidades e possíveis rupturas. O outro é vivido sempre como fascinante e ameaça. Porque o outro é outro como eu, outro eu, e, simultaneamente, um eu outro, outro que não eu. Daí, a ambiguidade do outro. O outro enquanto outro escapa-se-me, não é dominável.
Nunca saberei como é viver-se como outro. Quando olhamos para outra pessoa, perguntamos: como é que ela se vive a si mesma, por dentro?, como é que ela me vê?, como é o mundo a partir daquele foco pessoal? Porque é simultaneamente, tanto do ponto de vista pessoal como grupal e societal, um outro eu e um eu outro – outros como nós e outros que não nós –, o outro atrai, ao mesmo tempo que surge como perigo possível. Há, pois, uma visão dupla do outro, que tanto pode ser idealizado – no amor, é divinizado –, como diabolizado. Atente-se na ligação entre hospitalidade e hostilidade, derivados do latim “hospite” e “hoste”, respectivamente. Cá está: o outro é hóspede, por exemplo, no hotel e no hospital. Mas, no hotel, pedem-nos a nossa identidade, porque podemos constituir uma ameaça, um perigo ou ir embora, sem pagar. Aliás, agora, também há o “hostel”, onde a dimensão hostil é mais visível pela sua sonoridade, e, por isso, nos pedem, repito, para prevenir, a identificação. E a fronteira, porta de entrada e de saída, em ligação com fronte – a nossa fronte somos nós voltados para os outros e ao mesmo tempo ela é limite e demarcação de nós –, anuncia o outro – outro país – e é espaço de acolhimento e também da independência.
No quadro desta ambiguidade, entende-se como, por medo, ignorância, desígnios de domínio, se pode proceder à construção ideológica e representação social do outro essencialmente e, no limite, exclusivamente, como ameaça, bode expiatório, encarnação e inimigo a menosprezar, marginalizar, humilhar e, no limite, abater, eliminar. Num mundo global, cada vez mais multicultural e de pluralismo religioso, é urgência maior repensar a identidade e avançar no diálogo intercultural e inter-religioso, sempre no horizonte da unidade na diferença e da diferença na unidade.   
As revoluções em curso, que obrigam a repensar o futuro da Humanidade, são outras razões que aprofundam a necessidade e urgência do encontro e diálogo entre as culturas e religiões. O que desde há anos Hans Küng vem sublinhando – a necessidade do diálogo inter-religioso para ser possível a paz no mundo – é cada vez mais urgente. Entende-se mais claramente do que nunca que a obra do célebre teólogo, autor principal da “Declaração de uma Ética Mundial”, aprovada pelo Parlamento Mundial das Religiões em Chicago, em 1993, se oriente pelo lema: “Não haverá paz entre as nações sem paz entre as religiões. Não haverá paz entre as religiões sem diálogo entre as religiões. Não haverá diálogo entre as religiões sem critérios éticos globais. Não haverá sobrevivência do nosso globo sem um ethos global, um ethos mundial”.
Falo nas religiões, mas o problema estende-se às várias dimensões do Humanum, precisamente porque o ser humano é, constitutivamente cultural, resultado de uma herança genética e de uma cultura em história, é bom repetir. Por isso, a integração noutra cultura é tudo menos fácil. Porquê? Quem não reflectiu suficientemente é por vezes levado a pensar que a cultura é como um vestido, algo exterior que a pessoa facilmente troca, mudando de cultura como muda de vestido. Não é assim, de modo nenhum. Porquê? Sendo sempre o resultado de uma herança genética e de uma cultura, a cultura define-nos, faz parte da nossa identidade e, por isso, como se constata pela História, mesmo recente, não falta quem esteja disposto a bater-se, até pelas armas, pela sua cultura, que faz parte constituinte da sua identidade.
Felizmente, a nossa identidade é aberta, em história e, por isso, também podemos ver no diálogo inter-cultural e inter-religioso um factor determinante de enriquecimento mútuo.
in DN 02.06.2019

30 de maio de 2019

Se um Rui Pinto incomoda muita gente...



Na minha adolescência cantava-se muito a célebre lengalenga do 'alifante' – se um 'alifante' incomoda muita gente, dois 'alifantes' incomodam muito mais.
E depois era só ir contando e cantando por aí fora sem precisar de ser um génio matemático ou um fenomenal tenor.
Ao ler a entrevista de Ana Gomes ao jornal Hoje Macau fico com a forte sensação que há muita gente a 'cantar'.
Na Ásia e na União Europeia.
Melodias que não chegam aos ouvidos da maioria das pessoas porque ficam muitas vezes silenciadas sabe-se lá onde, como e porquê.
Quando Rui Pinto foi preso, Ana Gomes apareceu publicamente a dizer que seria bom que o deixassem livre para 'cantar'.
Saberemos alguma vez o que Rui Pinto terá confidenciado a Ana Gomes?
Rui Pinto era a cara do futebol leaks, se tinha alguns segredos na sua posse eram só relacionados com bola, foi o que imediatamente se pensou.
Se fiquei logo com a sensação que esta lógica era curtinha e poucochinha, ao ler a entrevista de Ana Gomes acentuo essa primeira impressão.
Apetece cantar a canção do 'alifante' mas agora com Rui Pinto – se um Rui Pinto incomoda muita gente…

Intemporais (167)

29 de maio de 2019

Nova liderança no Bloco de Esquerda?


Os resultados da Europeias deixaram-me a pensar que se terá consolidado uma forte candidatura a uma nova liderança política no Bloco de Esquerda.
O excelente resultado conseguido pelo Partido tem claramente um rosto – Marisa Matias.
Marisa Matias tem carisma, tem imagem, tem imprensa, tem presença, é eloquente e convincente, apresenta trabalho e currículo.
Nestas Europeias foi o oposto dos outros líderes porque ao cinzentismo geral respondeu com brilho e capacidade de mobilização.
Politicamente habilidosa, já terá percebido que só não será líder do Bloco de Esquerda se não quiser.
Catarina Martins já sofre algum desgaste, já não tem a garra que tinha, conseguiu fazer com que o Bloco de Esquerda de algum modo ofuscasse o Partido Comunista no espaço político à esquerda do Partido Socialista, estará provavelmente na altura de se remeter às suas funções de deputada e deixar que Marisa Matias pegue nas rédeas do Bloco de Esquerda e faça o trabalho político doravante.
Confesso que estou curioso para ver as movimentações políticas no Bloco de Esquerda nos próximos meses.

A vida dos políticos na Suécia

28 de maio de 2019

Resultados das eleições europeias


Não quero entrar pelo caminho, que tão maus resultados teve em Portugal, de olhar para estas eleições a projectar o que se segue em Outubro.
Tudo tem o seu tempo, o seu momento, as suas motivações.
Interessa-me agora olhar para o que salta à vista desarmada dos resultados destas eleições.
A nível interno e a nível europeu.
A nível interno, o mais óbvio, e que quase fere a vista, são novamente os números brutais da taxa de abstenção.
Não é novidade, já nas anteriores eleições europeias os números tinham sido muito altos.
Agora cresceram um pouco mais, um crescimento não muito significativo diga-se, mas confirmam o que é já uma tendência – os portugueses estão divorciados das eleições europeias.
Porquê?
Porque não sentem a Europa, porque a Europa é uma realidade longínqua que associam a burocracia, prebendas (tachos), grande dispêndio de verbas, pouco trabalho e muito pouco reflexo directo nas suas vidas.
Estas ideias podiam e deviam ser contrariadas pelos partidos políticos, sobretudo em campanha eleitoral.
Esta campanha eleitoral foi precisamente o oposto.
Foi uma campanha em que se falou de tudo menos de Europa, em que se olhou para a política interna, para as legislativas que se aproximam, para uma “geringonça” fraca ou forte, para uma oposição à deriva.
Este caldo de cultura motivou praticamente sete em cada dez eleitores a passar o dia de domingo em casa e a esquecer o sufrágio.
Se a abstenção em Portugal salta à vista, a nível europeu o que chama imediatamente a atenção é a votação nos partidos nacionalistas e populistas.
O discurso patriótico e securitário passou, o ideal europeu está profundamente abalado.
Considerar que vitórias de partidos anti-europeístas e nacionalistas em países como a Inglaterra, a França e a Itália, não é muito significativa porque os europeístas mantêm a maioria no Parlamento Europeu, é um raciocínio de uma ligeireza e optimismo que não consigo acompanhar.
O sonho dos pais fundadores vai-se esboroando e perdendo seguidores face a políticas erráticas, políticos sem carisma, receios alimentados pelo desemprego e pela insegurança.
Campo fértil para semear ideias proteccionistas e nacionalistas que os europeístas não sabem combater e contrariar.
Estas eleições limitaram-se a confirmar o que todos sentimos no dia-a-dia – os cidadãos europeus tendem a fechar-se cada vez mais na sua concha, que se confunde com a Nação, a defender os ideais nacionais e a esquecer o ideal europeu.

Melhores fotos de 2018


















24 de maio de 2019

Piada de humor negro

 
Era uma noite escura no meio da floresta, dessas sem lua, onde não se via nada. 
A tartaruguinha caminhava lentamente para sua toca quando, em pleno breu, bateu em cheio contra alguma coisa que se movia na direcção contrária. 
Como não dava para ver nada, a tartaruguinha começou a tactear o outro ser.
– Hmmmmm… Peludo, com dentes compridos… e orelha grande. 
Ah! É o coelhinho!
E o coelho, fazendo o mesmo:
– Hmmmmm… Pele de cobra, sem orelhas… e de capacete. 
É o Niki Lauda!

Descansa em paz, campeão!

BOM FIM-DE-SEMANA!

23 de maio de 2019

Ainda à espera de Godot



Foi em 1952 que estreou o grande fenómeno do teatro do absurdo que é a peça escrita por Samuel Beckett, “À Espera de Godot”.
Desde então inúmeras vezes o absurdo reinou na vida pública e muitas populações ficaram à espera de Godot.
A União Europeia e a Grã-Bretanha, o absurdo e interminável Brexit.
Agora com a possibilidade de novo referendo na antes tão determinada e assertiva Grã-Bretanha.
Uma possibilidade que, à semelhança de todas as outras, não reúne consenso interno.
Na peça de Beckett espera-se por um indivíduo chamado Godot sem nunca se saber quem é ou o que se quer dele.
Na União Europeia espera-se por um Brexit sem ainda se saber muito bem como é, muito menos se e como se efectivará.
Uma União Europeia que em todo este processo não pode ficar cega como Pozzo, ou muda como Lucky.
Muito menos esperar que surja alguém no final a dizer que afinal Godot não vem, talvez amanhã.
A União Europeia e a Grã-Bretanha, o Brexit, ainda à espera de Godot.

Intemporais (166)

22 de maio de 2019

Imprensa livre



O artigo 27º da Lei Básica, inserido no capítulo dos direitos e deveres fundamentais dos residentes, consagra como direitos fundamentais, entre outros, a liberdade de expressão, de imprensa e de edição.
Uma imprensa livre é um pilar essencial das sociedades modernas, do Estado de direito.
Um facto que a Lei nº 7/90/M expressamente reconhece e que nunca pode ser perdido de vista ou deixado ao acaso.
Andou assim muito bem a Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau ao exprimir publicamente as suas reservas relativamente ao conteúdo da proposta de lei de bases da segurança interna quando na mesma se prevê a criminalização de condutas com base em conceitos abertos, vagos, indeterminados.
Ensina a legística que a criminalização de condutas deve ser feita com o maior cuidado, a maior precisão, deixando pouco ou nenhum espaço para dúvidas acerca do que se pretende combater e de como se pretende efectuar esse combate.
Combate permanente, sem quartel, é o que tem que ser travado em nome de uma imprensa livre, sem restrições que não sejam as estritamente necessárias a assegurar que a liberdade tenha como contraponto a responsabilidade.
Responsabilidade que não passa, nem de perto nem de longe, pela subserviência, pelas "boas notícias" que alguns responsáveis políticos não se coíbem de publicamente solicitar aos órgãos de comunicação social.
Numa época em que a expressão fake news se tornou um  tristemente célebre chavão repetido à exaustão, todos os cuidados são poucos para que se possa preservar esse valor essencial, consagrado como direito fundamental, que é uma imprensa livre e responsável.

Embalagens de dentífricos

21 de maio de 2019

Balanço da Liga NOS 2018/2109


A Liga NOS 2018/2019 chegou ao fim e é chegado o momento de, com cabeça fria, fazer o balanço da época destacando a figura, o momento e o mais negativo.

A Figura.

Sem sombra de dúvida, Bruno Lage.
Uma lufada de ar fresco no ambiente bafiento do futebol português, o treinador do Benfica foi uma surpresa em toda a linha.
Muito competente, muito trabalhador e dedicado, Bruno Lage provou que é possível ser bem educado, ter um comportamento cívico próximo do exemplar (o momento das celebrações da vitória fica nos livros), e ganhar, estar próximo da perfeição a nível competitivo.
Bruno Lage pegou na equipa do Benfica num momento delicado, deu tranquilidade a todo o plantel, injectou confiança nos jogadores e adeptos, ao mesmo tempo que ia promovendo jovens talentos que tão bem conhecia.
Se na vertente desportiva Bruno Lage conseguiu feitos difíceis de igualar (número de golos marcados, número de vitórias consecutivas, número de pontos conquistados), na vertente da cidadania, do respeito pelos adversários, da pacificação do ambiente à volta do futebol, aí verdadeiramente Bruno Lage goleou.

O Momento.

O momento da Liga NOS é a vitória do Benfica no Estádio do Dragão.
Mais que quaisquer erros, que todos cometeram e vão voltar a cometer, o momento da Liga NOS é a vitória do Benfica no Dragão.
Porque representou a alteração na liderança, porque evitou que o Porto cavasse uma distância difícil de alcançar para o Benfica, porque injectou confiança no Benfica enquanto lançava a dúvida no Porto.
Ao contrário do que muitas vezes se repete, a Liga ficou este ano decidida no confronto directo entre os dois clubes que até ao fim disputaram o primeiro lugar (duas vitórias do Benfica e duas derrotas do Porto).

O Mais Negativo.

O mais negativo voltou a ser o ambiente de acusações mútuas, a sombra de suspeição, a violência gratuita, o desrespeito entre adversários.
Um ambiente em tudo alimentado por polémicas artificias tantas vezes criadas para vender jornais e conseguir audiências televisivas.
Mais uma vez, como tem acontecido em tantas outras épocas, nestas vertentes a Liga NOS 2018/2019 não deixa saudades.

Papa Francisco em Marrocos

Durante a estadia do Papa em Marrocos um concerto em que um cantor muçulmano canta uma oração em árabe, uma cantora judia canta em hebraico, e uma cantora católica canta a Ave Maria. 
Impressionante!

20 de maio de 2019

Terrivelmente parvas



Qual a cor preferida das tomadas?
O rosa choque. 

O que diz uma banana suicida?
Macacos me mordam. 

Como se chama um cão sem patas?
Não se chama, vai-se buscar. 

Como é que se apanha um coelho?
Imita-se o som de uma cenoura. 

Porque é que a manteiga não entrou na discoteca?
Porque foi barrada. 

Como se chama a neta do Mário?
Marioneta. 

Qual é o animal que anda com as patas?
É o pato. 

Como se chama uma pessoa cega?
Pelo nome, ela é cega não surda. 

Na delegacia:
– Seu delegado meu marido saiu de casa ontem a noite, disse que ia comprar arroz e até agora não voltou. 
O que eu faço doutor? 
– Sei lá, faz macarrão!! 

De onde vem a lã virgem?
– Das ovelhas feias. 

Um homem sentou-se ao meu lado e me mostrou no celular uma foto da esposa dele e perguntou:
– Ela é bonita, não é? 
Eu respondi: 
– Se você acha que ela é bonita, deveria ver a minha namorada então. 
O homem questionou: 
– A sua namorada é tão bonita assim? 
E eu respondi: 
– Não, ela é oftalmologista. 

BOA SEMANA!

17 de maio de 2019

DESORDEM NO TRIBUNAL (reedição)



Estas são piadas retiradas do livro 'Desordem no tribunal'. São coisas que as pessoas realmente disseram, e que foram transcritas textualmente pelos taquígrafos, que tiveram que permanecer calmos enquanto estes diálogos realmente aconteciam à sua frente.


Advogado : Qual é a data do seu aniversário?
Testemunha: 15 de Julho.
Advogado : Que ano?
Testemunha: Todos os anos.


Advogado : Essa doença, a miastenia gravis, afecta a sua memória?
Testemunha: Sim.
Advogado : E de que modo ela afecta a sua memória?
Testemunha: Eu esqueço-me das coisas.
Advogado : Esquece... Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha esquecido?


Advogado : Que idade tem o seu filho?
Testemunha: 38 ou 35, não me lembro.
Advogado : Há quanto tempo ele mora com você?
Testemunha: Há 45 anos.


Advogado : Qual foi a primeira coisa que o seu marido disse quando acordou aquela manhã?
Testemunha: Ele disse, 'Onde estou, Berta?'
Advogado : E por que é que se aborreceu?
Testemunha: O meu nome é Célia.


Advogado : Diga-me, doutor... não é verdade que, ao morrer no sono, a pessoa só saberá que morreu na manhã seguinte?


Advogado : O seu filho mais novo, o de 20 anos...
Testemunha: Sim.
Advogado : Que idade é que ele tem?


Advogado : Sobre esta foto sua...o senhor estava presente quando ela foi tirada?


Advogado : Então, a data de concepção do seu bebé foi 8 de Agosto?
Testemunha: Sim, foi.
Advogado : E o que é que estava a fazer nesse dia?


Advogado : Ela tinha 3 filhos, certo?
Testemunha: Certo.
Advogado : Quantos meninos?
Testemunha: Nenhum.
Advogado : E quantas eram meninas?


Advogado : Sr. Marcos, por que acabou o seu primeiro casamento?
Testemunha: Por morte do cônjuge.
Advogado : E por morte de que cônjuge ele acabou?


Advogado : Poderia descrever o suspeito?
Testemunha: Ele tinha estatura mediana e usava barba.
Advogado : E era um homem ou uma mulher?


Advogado : Doutor, quantas autópsias já realizou em pessoas mortas?
Testemunha: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas...


Advogado : Aqui no tribunal, para cada pergunta que eu lhe fizer, a sua resposta deve ser oral, está bem? 
Que escola frequenta?
Testemunha: Oral.


Advogado : Doutor, o senhor lembra-se da hora em que começou a examinar o corpo da vítima?
Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20:30 h.
Advogado : E o sr. Décio já estava morto a essa hora?
Testemunha: Não... Ele estava sentado na maca, questionando-se por que razão eu estava a fazer-lhe aquela autópsia.


Advogado : O senhor está qualificado para nos fornecer uma amostra de urina? 

BOM FIM-DE-SEMANA

16 de maio de 2019

A conversa da escassez de talentos começa a dar muito jeito a muita gente


Macau é terra de slogans, de frases que colam e se colam.
Um bom exemplo é a escassez de talentos locais.
Que tão depressa dá para importar mão-de-obra barata como dá para multiplicar cargos nos diversos domínios e organismos da vida pública.
Macau, terra de dicotomias também, tem escassez de talentos e abundância génios, portanto.
Os génios com preparação verdadeiramente enciclopédica, os mesmos que, citando Herman José a respeito de Nuno Rogeiro, “sabem tudo desde pastéis de nata até mísseis Pershing”.
E assim assistimos diariamente à acumulação de cargos por parte de figurões, tantas vezes verdadeiros patos-bravos, e a exemplos de despudorado nepotismo, de família e amigos, gato e periquito, todos a comer da mesma gamela de dinheiros públicos.
Os anos passam, o cabelo escasseia e branqueia, a boa-fé vai sofrendo mais e mais erosão.
E cresce a sensação que a conversa da escassez de talentos, por muito que tenha de objectiva, vai dando muito jeito a muita gente.

Intemporais (165)

15 de maio de 2019

Passadeiras LGBTI


Lisboa (Campolide) já tem passadeiras LGBTI, ou seja, pintadas com as cores do arco-íris normalmente associadas ao movimento LGBTI.
Depois de a sugestão do CDS (quem diria?!) ter caído por terra por supostamente ser ilegal (as cores das passadeiras são o preto e branco, as zebras), o autarca de Campolide avançou porque defende que não há aqui espaço para qualquer ilegalidade.
Seja como for, não consigo deixar de pensar que há uma grande patetice.
Há muito defendo que a opção sexual de cada um é uma escolha que deve ser livre e pessoal.
Sem necessitar de ostentação e foguetório.
Se as paradas LGBTI já me pareciam perfeitamente idiotas (será necessária uma parada heterossexual? Então porque é necessária a LGBTI?), agora são as passadeiras nas ruas a aumentar a idiotice.
Não se busca a igualdade, a liberdade de decidir com toda a naturalidade?
Então deixemos de lado a idiotice e encaremos a sexualidade com a naturalidade que merece, ponto final.

Novas torres