31 de dezembro de 2018

E basicamente é isto ...


Que 2019 permita que todos os vossos sonhos se tornem realidade.
Até para o ano! 

28 de dezembro de 2018

27 de dezembro de 2018

Mensagem de Natal

Esta "curta-metragem" ganhou um Óscar por "melhor filme de animação". 
(A sua duração é de apenas 3 minutos, mas o director levou 3 anos a imaginá-lo)


O Natal de Jesus e a dignidade humana (Padre Anselmo Borges)


Ernst Bloch, um dos maiores filósofos do século XX, ao mesmo tempo ateu (não acreditava no Deus pessoal) e religioso (estava religado à divina Natureza), quando era professor na Universidade de Leipzig, na antiga República Democrática Alemã, na última aula antes das férias de Natal desejava a todos os estudantes boas-festas, falando-lhes do significado do Natal e terminava, dizendo: "É sempre Advento", querendo desse modo apelar para a esperança: o mundo e a humanidade continuam grávidos de ânsias e de possibilidades, e a esperança está viva e há razões objectivas para esperar. Apesar do Natal, ainda é Advento, porque a plenitude ainda não chegou.

Foi em Tubinga que o conheci, pois Ernst Bloch, embora se confessasse marxista e ateu, acabou por ter de deixar Leipzig e a República Democrática Alemã: as autoridades comunistas acusavam-no de misticismo religioso. Ele defendia-se, sublinhando o carácter único, na história das religiões, do judeo-cristianismo e do seu livro, a Bíblia. Para ele, "a Bíblia é o livro mais significativo da literatura mundial", pois responde à pergunta decisiva do ser humano, que é a questão do fim, do sentido e da finalidade do mundo e da existência. Ir ao encontro da Bíblia "não pode prejudicar" nenhum ser humano que queira bem à humanidade e a si próprio. Concretamente, não é possível compreender o homem europeu e as suas obras literárias e artísticas, sem um conhecimento aprofundado da Bíblia. Os nazis, por exemplo, ao rejeitar a Bíblia como algo estranho que não devia ser estudado, não só não puderam compreender a cultura alemã como caíram na barbárie.

Sem a mitologia grega, não podemos entender a Antiguidade clássica. Assim também, sem o conhecimento da Bíblia, não podemos compreender as catedrais, o gótico, a Idade Média, Dante, Rembrandt, Händel, Bach, Beethoven, os Requiem, "absolutamente nada", escrevia Ernst Bloch. Impõe-se pôr termo ao desconhecimento da Bíblia, porque este desconhecimento constitui uma "situação insustentável", pois produz bárbaros que, por exemplo, perante a "Paixão segundo São Mateus" ou o "Messias", de Händel, ficam como bois a olhar para palácios.
Está aí o Natal. E o Natal, mesmo que alguns já não se lembrem disso - li há dias que um terço dos norte-americanos não sabem que o Natal se refere a Jesus - e haja até quem menospreze a data, é o aniversário natalício de Jesus Cristo. Sobre ele deixou escrito Ernst Bloch: Jesus agiu como um homem "pura e simplesmente bom, algo que ainda não tinha acontecido". Anunciou o Deus próximo, de amor, o Deus da misericórdia, um Deus amoroso e amável, e o seu Reino: o Reino de Deus, reino da liberdade - "onde está o espírito de Cristo aí está a liberdade", proclamou São Paulo -, reino da justiça, do amor, da fraternidade, da paz, da igualdade radical de todos perante Deus e perante os outros seres humanos, o reino da realização plena de toda a esperança.

Sobre Jesus, Mahatma Gandhi também deixou estas palavras: Jesus "foi um dos maiores mestres da humanidade". "Não sei de ninguém que tenha feito mais pela humanidade do que Jesus. De facto, nada há de mau no cristianismo." Mas acrescentou: "O problema está em vós, os cristãos, pois não viveis em conformidade com o que ensinais." E tem razão.

Para quem está atento e não tem preconceitos é claro que um dos fundamentos da Europa é o cristianismo. É necessário confessar os erros, fragilidades e crimes do cristianismo histórico, mas é indubitável que da compreensão dos direitos humanos e da democracia, da tomada de consciência da dignidade inviolável do ser humano - de todo o ser humano -, da ideia de história e do progresso, da separação da Igreja e do Estado, portanto, da laicidade, de tal modo que crentes e ateus têm os mesmos direitos, faz parte inalienável a mensagem originária do cristianismo.

Lembro E. P. Sanders, da Universidade de Oxford, que, na sua obra A Figura Histórica de Jesus, quis dar uma visão convincente do conjunto da vida do Jesus real, portanto, apenas a partir da história, independentemente da fé. Ele conclui que é possível saber que o centro da mensagem de Jesus foi o Reino de Deus, que entrou em conflito com o Templo, que compareceu perante Pilatos e que foi executado. Mas, continua, também sabemos que, "depois da sua morte, os seus seguidores fizeram a experiência do que descreveram como a "ressurreição"": aquele que tinha morrido realmente apareceu como "pessoa viva, mas transformada". "Acreditaram nisso, viveram-no e morreram por isso." Assim, criaram um movimento, que cresceu e se estendeu pelo mundo e mudou a história. Grande parte da humanidade foi atingida por esse movimento e pela esperança que transporta.

A Igreja só se justifica enquanto vive, transporta e entrega a todos, por palavras e obras, o Evangelho de Jesus, a sua mensagem que mudou a história.
Padre e professor de Filosofia
in DN 22.12.2018

19 de dezembro de 2018

Intemporais (146)


Votos de um Santo Natal para todos os leitores do blogue e respectivas famílias.
Nos próximos dias não haverá blogue.
É época de repouso, de festa em família, de sair de Macau e apanhar sol.

18 de dezembro de 2018

Tem a certeza? (Miguel Esteves Cardoso)



A quantidade ideal de referendos é zero e dois. Deveria ser proibido realizar só um referendo. As pessoas têm o direito de se enganar e o direito de mudar de opinião.
Veja-se o referendo no Reino Unido. Agora até há brexiteiros (como Nigel Farage) que preferem um re-referendo ao acordo que Theresa May negociou com a União Europeia.
O problema é que um segundo referendo mostra desconsideração pelos eleitores que ganharam o primeiro.
A solução é o segundo referendo limitar-se a uma única pergunta: “Tem a certeza?” As pessoas limitar-se-iam a responder sim ou não.
Teria de haver uma triagem simples. Em cada centro eleitoral haveria três mesas de voto: uma para os que votaram sim, uma para os que votaram não e a terceira para quem não se lembra, não sabe ou não quer votar como deve ser.
Bastaria então fazer as contas para saber como é que as coisas evoluíram. Há muita gente arrependida por ter votado para o Reino Unido sair da União Europeia? E para permanecer?
As diferenças seriam somadas ou subtraídas aos resultados de 2016, aparecendo como uma mera correcção do primeiro referendo.
A partir de 2019 haveria sempre um par de referendos para cada questão: o primeiro sobre a questão em si e o segundo só para confirmar ou corrigir o resultado.
Isto teria a vantagem de encorajar a abstenção porque a natureza humana inclina-se para faltar ao primeiro referendo e consolar-se que se vingaria no segundo.
Se o povo continuasse a votar mal pensar-se-ia num terceiro referendo para apurar se tinha mesmo a certeza?

A Coluna de Trajano

17 de dezembro de 2018

Igreja em França


Numa Igreja em França:
"Ao entrar nesta igreja é possível que escute o chamado de Deus. 
No entanto, é improvável que Ele ligue para o seu celular. 
Por isso, pedimos que o desligue.
Se quiser falar com Deus, entre, escolha um lugar quieto e fale com Ele.
Mas, se quiser Vê-lo, mande-lhe uma mensagem de texto enquanto estiver dirigindo."


BOA SEMANA!

14 de dezembro de 2018

O Sermão da montanha (*versão para educadores*)


Nem Cristo aguentaria ser professor!

Nem o Senhor Jesus aguentaria ser um professor nos dias de hoje...

Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.

Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens.

Tomando a palavra, disse-lhes:
- Em verdade, em verdade vos digo:

- Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
- Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
- Felizes os misericordiosos, porque eles...

Pedro o interrompeu:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?

André perguntou:
- É pra copiar?

Filipe lamentou-se:
- Esqueci meu papiro!

Bartolomeu quis saber:
- Vai cair na prova?

João levantou a mão:
- Posso ir ao banheiro?

Judas Iscariotes resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?

Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!

Tomé questionou:
- Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?

Tiago Maior indagou:
- Vai valer nota?

Tiago Menor reclamou:
- Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.

Simão Zelote gritou, nervoso:
- Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?

Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!

Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
- Isso que o senhor está fazendo é uma aula?
- Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica?
- Quais são os objectivos gerais e específicos?
- Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?

Caifás emendou:
- Fez uma programação que inclua os temas transversais e actividades integradoras com outras disciplinas?
- E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais?
- Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?

Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade.
- Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projecto.
- E vê lá se não vai reprovar alguém!

E, foi nesse momento que Jesus disse: 
"Senhor, por que me abandonastes..."

BOM FIM-DE-SEMANA!

13 de dezembro de 2018

Canada between a rock and a hard place



A guerra aberta entre as duas maiores potências comerciais do Planeta, como todas as guerras, tem danos colaterais.
Que o diga o Canadá, subitamente colocado no centro de um jogo de soma obrigatoriamente negativa.
Prender Meng Wanzhou, directora financeira e herdeira do império Huawei, foi uma decisão que agradou imenso aos Estados Unidos e irritou profundamente a China.
A guerra comercial tem bastidores muito obscuros que podem escapar aos olhares mais desatentos.
A acusação americana a Meng Wanzhou (venda de produtos ao Irão que teriam componentes americanos, em violação às sanções impostas ao regime iraniano) é ridícula.
E poderá bem ser o subterfúgio ideal para atingir Pequim e evitar o que parecia inevitável - a entrada fortíssima da Huawei em Silicon Valley e o consequente domínio do mercado de smartphones a nível mundial.
No meio deste turbilhão, balançando entre Donald Trump e Xi Jinping, Justin Trudeau tem tudo a perder.
Talk about being between a rock and a hard place!


Intemporais (145)

12 de dezembro de 2018

Quase perfeito


Recorde de pontos igualado, muito prestígio, muito dinheiro, uma participação brilhante na edição 2018/2019 da Liga dos Campeões por parte do Porto de Sérgio Conceição.
E é justo que se comece por aqui - este é o Porto de Sérgio Conceição.
O treinador que recuperou jogadores, mudou mentalidades, transmite garra e confiança à equipa.
Mesmo quando não há espaço para espectáculo, para a nota artística, a equipa responde com vontade, com garra, com esforço.
Algo que se aplica a quem joga mais vezes e a quem é chamado circunstancialmente.
Ontem, na Turquia, num campo muito difícil, contra um adversário complicado, aguerrido, num ambiente terrível, foi assim.
O Porto não fez uma exibição de encher o olho, não deu espectáculo, soube ganhar o jogo na garra, na vontade, no querer e no crer.
Tudo isto mudando mais de meia equipa em relação ao jogo com o Portimonense, dando oportunidade de jogar a jogadores que até muito recentemente só podiam sonhar jogarem a Liga dos Campeões.
O Porto teve sorte, a tal que protege os audazes, mas jogou mais um jogo como se fosse o último, o decisivo.
E ganhou, conseguiu 16 pontos em 18 possíveis, projectou jogadores, segue para os oitavos-de-final, para a fase onde vai encontrar os gigantes.
Nada disto é obra do acaso, de manobras de bastidores, de falcatruas, de vigarice.
É antes o resultado de muito trabalho, muita disciplina, muita competência e muito esforço.
Tudo graças a um timoneiro que merece todo o realce e todo o respeito - Sérgio Conceição.

Boas notícias! Fomos reclassificados.


*OMS reclassifica conceito de jovem / idoso *
Anteriormente, uma instituição Inglesa (Friendly Society Act) definiu, em 1875, que idosos eram indivíduos a partir de 50 anos.
*A Organização Mundial de Saúde (OMS)*, fez uma nova avaliação do conceito de *ser jovem, ter meia idade, e ser velho*.

01) menor de idade: 0 a 17 anos;

02) jovens: 18 a 65 anos;

03) meia idade: 66 a 79 anos;

04) idosos: 80 a 99 anos;

05) idosos de longa vida: maiores de 100 anos.

11 de dezembro de 2018

Empurrar com a barriga


Há já muitos anos conheci alguém que estava constantemente envolvido em trapalhadas.
Obeso, descarado, sem vergonha, respondia sempre da mesma forma quando os problemas se tornavam mais prementes - "empurro-os com a barriga".
Theresa May não é obesa, é altamente improvável que tenha conhecido a mesma criaturinha que eu conheci, mas deve ter aprendido a expressão e o significado da mesma.
Porque insiste em empurrar com a barriga os imensos problemas que um Brexit precipitado, teimoso, cada vez mais rejeitado, constantemente lhe traz.
A decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia, a apontar uma solução legal para uma reversão do sentido da decisão da Grã - Bretanha de abandonar a União Europeia, aliada a uma clara maioria parlamentar que é favorável a essa reversão (as gargalhadas que acompanharam mais uma vez o discurso de Theresa May no Parlamento são uma bofetada difícil de ignorar), obrigaram Theresa May a mais uma vez "empurrar com a barriga" a votação no Parlamento acerca do acordo conseguido com a União Europeia.
Supostamente para renegociar os termos de um acordo conseguido com muita paciência, muita dificuldade.
Uma pretensão que mereceu resposta pronta dos líderes europeus, em Bruxelas e a nível nacional - o que havia a negociar está negociado, agora é pegar ou largar, ainda que possa haver um Brexit sem acordo.
Theresa May tenta desesperadamente e teimosamente assegurar  a sua sobrevivência política.
É isso acima de tudo o que agora está em causa.
Ou seja, Theresa May continua a "empurrar com a barriga".
A União Europeia e a opinião pública interna.
A criaturinha que aqui referi acabou, como era previsível, muito mal.
Theresa May, tudo o indica, vai pelo mesmo caminho. 

Direitos e deveres humanos (Padre Anselmo Borges)


1. A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adoptada pela Assembleia Geral das Nações Unidas a 10 de Dezembro de 1948, em Paris: "A Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objectivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito por esses direitos e liberdades, e, pela adopção de medidas progressivas de carácter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efectiva." Nos artigos 1 e 2, lê-se: "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos" e podem invocar os direitos e liberdades desta declaração, "sem distinção alguma de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião politica ou outra, origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou qualquer outra situação". Numa vinheta de 1998, no jornal El País, referindo-se ao preâmbulo, aparece o próprio Deus a exclamar: "Que preâmbulo! Não tinha lido nada de tão bom desde o Sermão da Montanha."

2. Lembrando os 70 anos da Declaração dos Direitos Humanos, retomo uma síntese de outra declaração, infelizmente menos conhecida e invocada: a célebre Declaração Universal dos Deveres Humanos, de que há tradução em português. Para superar a crise e para que a esperança não seja mera ilusão, wishful thinking, precisamos todos de ser fiéis às nossas responsabilidades e cumprir os nossos deveres.

Já na discussão do Parlamento revolucionário de Paris sobre os direitos humanos, em 1789, se tinha visto que "direitos e deveres têm de estar vinculados", pois "a tendência para fixar-se nos direitos e esquecer os deveres" tem "consequências devastadoras".

Foi assim que, em 1997 e após debates durante dez anos, o Interaction Council (Conselho Interacção) de antigos chefes de Estado e de governo, como Maria de Lourdes Pintasilgo, V. Giscard d'Estaing, Kenneth Kaunda, Felipe González, Mikhail Gorbachev, Shimon Peres, fundado em 1983 pelo primeiro-ministro japonês Takeo Fukuda, sob a presidência do antigo chanceler alemão Helmut Schmidt, propôs a Declaração Universal dos Deveres Humanos. Na sua redacção, teve lugar destacado o famoso teólogo Hans Küng.

O preâmbulo sublinha que: o reconhecimento da dignidade e dos direitos iguais e inalienáveis de todos implica obrigações e deveres; a insistência exclusiva nos direitos pode acarretar conflitos, divisões e litígios intermináveis, e o desrespeito pelos deveres humanos pode levar à ilegalidade e ao caos; os problemas globais exigem soluções globais, que só podem ser alcançadas mediante ideias, valores e normas respeitados por todas as culturas e sociedades; todos têm o dever de promover uma ordem social melhor, tanto no seu país como globalmente, mas este objectivo não pode ser alcançado apenas com leis, prescrições e convenções. Nestes termos, a Assembleia Geral proclama esta declaração, a que está subjacente "a plena aceitação da dignidade de todas as pessoas, a sua liberdade e igualdade inalienáveis, e a solidariedade de todos", seguindo-se os seus 19 artigos, de que se apresenta uma síntese.

2. 1. Princípios fundamentais para a humanidade. Cada um, cada uma e todos têm o dever de tratar todas as pessoas de modo humano, lutar pela dignidade e auto-estima de todos os outros, promover o bem e evitar o mal em todas as ocasiões, assumir os deveres para com cada um, cada uma e todos, para com as famílias e comunidades, raças, nações e religiões, num espírito de solidariedade: não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.

2. 2. Não violência e respeito pela vida. Todos têm o dever de respeitar a vida. Todo o cidadão e toda a autoridade pública têm o dever de agir de forma pacífica e não violenta. Todas as pessoas têm o dever de proteger o ar, a água e o solo da terra para bem dos habitantes actuais e das gerações futuras.

2. 3. Justiça e solidariedade. Todos têm o dever de comportar-se com integridade, honestidade e equidade. Dispondo dos meios necessários, todos têm o dever de fazer esforços sérios para vencer a pobreza, a subnutrição, a ignorância e a desigualdade, e prestar apoio aos necessitados, aos desfavorecidos, aos deficientes e às vítimas de discriminação. Todos os bens e riquezas devem ser usados de modo responsável, de acordo com a justiça e para o progresso da raça humana.

2. 4. Verdade e tolerância. Todos têm o dever de falar e agir com verdade. Os códigos profissionais e outros códigos de ética devem reflectir a prioridade de padrões gerais como a verdade e a justiça. A liberdade dos media acarreta o dever especial de uma informação precisa e verdadeira. Os representantes das religiões têm o dever especial de evitar manifestações de preconceito e actos de discriminação contra as pessoas de outras crenças.

2. 5. Respeito mútuo e companheirismo. Todos os homens e todas mulheres têm o dever de demonstrar respeito uns para com os outros e compreensão no seu relacionamento. Em todas as suas variedades culturais e religiosas, o casamento requer amor, lealdade e perdão e deve procurar garantir segurança e apoio mútuo. O planeamento familiar é um dever de todos os casais. O relacionamento entre os pais e os filhos deve reflectir o amor mútuo, o respeito, a consideração e o cuidado.
Padre e professor de Filosofia
in DN 07.12.2018

7 de dezembro de 2018

Conhecem a história do Canganhiça-António ?


O Canganhiça vivia na sua aldeia no meio do mato.
Um dia chegou um missionário para evangelizar aquele povo.
Ensinou-lhes todas as regras: não matar, não roubar, não mentir, não comer carne à 6ª feira, praticar o bem, etc...
Por fim baptizou todos, incluindo o Canganhiça, e disse-lhe, vertendo água na cabeça: 
"Tu agora já não és Canganhiça, a partir de agora és
António".
E foi para outra aldeia.
Passados uns tempos, o missionário resolveu voltar para ver como iam as coisas e, qual não foi o seu espanto por ver o António (ex-Canganhiça) a comer cabrito numa 6ª feira!! "António!! Mas o que é que eu te ensinei? Não se come cabrito à 6ª feira!!!"
E o António (ex-Canhganhiça), muito admirado disse: 
"Não, patrão! Não!
Antes de comer eu deitar água nos cabeça dos cabrito e falar «Tu agora não ser mais Cabrito, tu agora ser Bacalhau!!»

BOM FIM-DE-SEMANA
(Alargado, em Macau, porque segunda-feira há tolerância para compensar o feriado do dia da Imaculada Conceição)

6 de dezembro de 2018

Radicais Livres



Radicais livres são moléculas que, sob condições normais, são essenciais ao bom funcionamento do organismo.
Mas não é de Química que agora quero tratar.
Os Radicais Livres, que todos os domingos se podem ouvir entre as doze e as treze horas na Rádio Macau, e que são originalmente emitidos na Antena 1 em Portugal, são essenciais ao bom funcionamento do cérebro.
E são Jaime Nogueira Pinto e Ruben Carvalho, com moderação de Rui Pego.
Um dos melhores programas que se pode ouvir na rádio e que coloca frente a frente dois homens muito inteligentes e muito cultos, que tudo debatem, tudo discutem, com educação, elevação, sentido de humor e respeito.
Jaime Nogueira Pinto e Ruben Carvalho estão nos antípodas do espectro político-partidário em Portugal.
E têm ideias políticas e visões da organização da sociedade praticamente antagónicas.
Mas provam que é perfeitamente possível duas pessoas com visões da realidade tão diferentes, trocar ideias, quase sem intervenção do moderador, e entreter e enriquecer quem os ouve.
Os Radicais Livres são afinal o que deve ser a essência da rádio – entretenimento e informação.
Fica o conselho – ouçam os Radicais Livres.
E, já agora, aos sábados, a partir das onze horas, ouçam as Crónicas da Idade Mídia, com o Ruben Carvalho e a Iolanda Ferreira, também este originalmente emitido na Antena 1.
Enfim, ouçam rádio que é um óptimo "vício". 

Intemporais (144)

5 de dezembro de 2018

Cair no ridículo


Os dicionários de Língua Portuguesa ensinam que cair no ridículo, ou prestar-se ao ridículo, é “apresentar-se ou proceder de forma a provocar riso ou troça”.
Uma definição que deve ser completamente desconhecida das eminências pardas que atribuíram a Bola de Ouro da FIFA, supostamente o troféu que premeia o melhor futebolista do Mundo em determinado ano (in casu 2018) a Luka Modric.
O mesmo que já tinha ganho o prémio de jogador do ano da UEFA.
Troféus que por definição são atribuídos aos fora–de–série, aos jogadores que por si só conseguem ganhar jogos, fazer as equipas que representam passar a um nível muito superior.
Luka Modric é cerebral, um excelente futebolista, um trabalhador incansável, uma “formiguinha”.
Não é, nunca será, um fora-de-série, um jogador que mude o curso de jogos, de provas em que participa a equipa que representa.
Actualmente só há dois com esse estatuto, que todos bem conhecemos, mas que parecem já não ser do agrado da UEFA e da FIFA.
E outros que andam lá perto e que podem um dia ambicionar a esse estatuto.
Nenhum deles é Luka Modric.
Atribuir estes troféus a Luka Modric é realmente cair no ridículo, prestar-se ao ridículo.
E só pode provocar em quem vê os obrigatórios riso ou troça.
Tentando, com dificuldade tenho que admitir, levar esta bizarria para um plano mais sério, gostaria de perguntar a quem votou em Luka Modric para receber estes troféus se seria o croata a primeira escolha que fariam para reforçar a equipa que apoiam.

Mapa Mundi


4 de dezembro de 2018

Impossibilidade legal e impossibilidade física


No dia em que se inicia a visita oficial do Presidente da República Popular da China a Portugal, em Macau as preocupações são muito mais de natureza esotérica, no sentido de verdadeiramente incompreensíveis para o comum dos mortais.
Na sequência da paranóia patriótica, que tantas vezes soa a puro oportunismo bacoco, uma das muitas luminárias que povoam a Assembleia Legislativa de Macau resolveu alertar os  restantes parlamentares para a necessidade de se inserir uma norma na legislação que regulamenta a obrigatoriedade de respeitar o Hino Nacional, estando de pé quando a Marcha dos Voluntários é tocada, prevendo que os portadores de deficiência não estão obrigados a cumprir esta norma.
Há inúmeros exemplos na doutrina e na jurisprudência que explicam que há obstáculos insuperáveis ao cumprimento da lei.
Nomeadamente os que as leis da natureza põem aos fenómenos fisicamente impossíveis.
Será necessário prever legalmente o óbvio? A simples interpretação da lei, e não a sua aplicação cega e acrítica, não levará imediatamente a essa conclusão?
Não é necessário ser-se um génio para perceber que o genial Stephen Hawking não podia cumprir uma lei porque fisicamente estava impossibilitado de o fazer.

Quanto mais conheço as pessoas mais gosto do meu cachorro (Blaise Pascal)




Depois de verem as fotos leiam a notícia que está a comover a Internet aqui