31 de janeiro de 2018

Deixar a raposa cuidar do galinheiro


Não sendo propriamente novidade, não deixa de ser um exercício curioso verificar o conteúdo das declarações de rendimentos e interesses patrimoniais apresentadas pelos deputados à Assembleia Legislativa de Macau.
As propriedades declaradas apresentam-nos uma série de proprietários de imobiliário em larga escala.
Entre prédios inteiros, moradias, apartamentos, lojas, escritórios, parques de estacionamento, os parlamentares em Macau, salvo raríssimas e contadas excepções, possuem um bom pé de meia.
Depois de ver o conteúdo destas declarações reproduzidas na imprensa é inevitável sorrir perante as declarações apaixonadas de tantos destes magnatas no sentido de ser imperioso controlar os preços do arrendamento e venda do imobiliário em Macau.
Ninguém terá ficado surpreendido ao tomar conhecimento de tão avultado pecúlio (talvez só alguns números relativos a algumas pessoas…).
Espero é que, de uma vez por todas, os cidadãos que consultaram aquelas declarações, seja porque meio for, percebam que é uma péssima ideia deixar a raposa cuidar do galinheiro.
E distingam quem os serve de quem deles se serve.

Transformar palavras em desenhos

30 de janeiro de 2018

Quando as políticas de Trump nos entram em casa


Vemos, ouvimos e lemos todos os dias o que acontece com a governação Trump há pouco mais de um ano.
Quer seja através dos meios de comunicação social, quer seja pela constante utilização da rede Twitter, Trump parece omnipresente no nosso dia-a-dia.
Mas essa presença é uma presença virtual, longínqua, tantas vezes até um fait divers que nos diverte tanto quanto nos irrita.
Já não é assim quando, repentinamente, sem aviso ou autorização, as consequências das políticas de Trump entram nas nossas vidas, nas nossas casas.
Trump, que tinha prometido destruir o célebre Obamacare, e com esse gesto deixar milhões de americanos à mercê de um sistema de saúde muito caro, inacessível para muitos deles, não sei se terá verdadeira consciência do impacto desta sua decisão na vida de muitas pessoas.
Se não tem, ele e os seus apoiantes, fica aqui um caso que poderá perfeitamente ser exemplo dessas consequências e ilustrar o drama social e humano a que muitos milhões de pessoas estão condenadas nos Estados Unidos por não terem acesso gratuito a cuidados de saúde mesmo nas circunstâncias mais urgentes.
Um professor da minha filha Mariana, um jovem na casa dos trinta anos, foi diagnosticado com cancro.
E diagnosticado já a doença estava numa fase muito avançada.
Viu-se forçado a perder o seu emprego, foi submetido a duas cirurgias de elevado risco e custo, está a ser submetido a tratamentos violentíssimos de quimioterapia para tentar debelar uma doença que teima em o consumir lentamente.
O seu sofrimento obriga a que seja acompanhado pela esposa, ela que por causa disso mesmo também se viu forçada a abandonar o seu emprego.
Com tratamentos caríssimos, com seguros médicos caríssimos, sem assistência social que lhe possa valer, sem meios de rendimento, está a ser ajudado pela família e amigos, inclusivamente numa recolha de fundos que lhe permitam custear os tratamentos médicos que lhe mantêm acesa a esperança de sobreviver a uma doença maldita.
Não é notícia de jornal, não é virtual, é alguém que conhecemos, com quem convivemos, e que está agora a viver o inferno na Terra porque Trump e os seus seguidores se recusam a reconhecer-lhe, a ele e a milhões de outros cidadãos americanos, o acesso básico a cuidados médicos gratuitos.
Shame on you, Mr. President!

Padre Anselmo Borges: O celibato obrigatório pode levar a uma "sexualidade distorcida"


É um dos assuntos mais recorrentes da Igreja Católica e já motivou muitos pedidos de perdão ao longo do tempo. O Papa Francisco protagonizou o mais recente, mas desta vez foi um pedido diferente. Pediu desculpa às vítimas e a todos os que se sentiram ofendidos pela sua defesa de um bispo chileno acusado de encobrir crimes de abuso sexual de menores. Aqui falamos sobre isso, mas falamos sobretudo sobre esse debate antigo que opõe, às vezes, e associa, outra vezes, pedofilia e celibato, tendo como pano de fundo uma investigação recente de uma comissão australiana sobre abusos de menores cometidos sobretudo em instituições católicas espalhadas pelo país.

29 de janeiro de 2018

Mulher análise Química (muito machista)



MULHER ANÁLISE QUÍMICA :

- Elemento: Mulher-
Símbolo: Mu...-
Descobridor: Adão-
Peso Atómico: 50 Kg, mas é sabido que varia de 45 a 90 Kg, em bom estado,   nas CNTP - Condições Normais de Temperatura e pressão.-
Ocorrência: Quantidade excedente em toda a área humana.

PROPRIEDADES FÍSICAS:
1 - Superfície geralmente coberta por revestimento colorido.
2 - Ferve por nada, congela sem razão.
3 - Derrete se submetida a tratamento adequado.
4 - Amarga se usada incorrectamente.

PROPRIEDADES QUÍMICAS:
1 - Possui afinidade com ouro, prata, platina e pedras preciosas.
2 - Capaz de absorver grande quantidade de materiais caros ,roupas,jantares, casas, carros.
3 - Pode explodir espontaneamente.
4 - Extremamente barulhenta quando encontrada em grupo.
5 - Insolúvel em líquidos, mas com actividade molecular aumentada por saturação em álcool.
6 - Cede a pressões quando aplicadas em pontos correctos.
7 - Prazo de validade: consumir após os 35 anos... antes deste prazo é ela  que te consome.

UTILIDADES GERAIS:
1 - Altamente ornamental, especialmente em carros desportivos, iates e piscinas.
2 - O mais poderoso agente redutor de dinheiro que se conhece.
3 - Pode ser de grande ajuda para relaxamento. 

O QUE FALTA NA SUA ESTRUTURA:
1 - Botão ON/OFF.
2 - Botão de volume.
3 - Manual de instruções.

BOA SEMANA!

26 de janeiro de 2018

O que se aprende com os miúdos do 2º ano


- Antigamente em França os criminosos eram executados com a Gelatina.
(Pelo menos assim não doía tanto!)

- Em Portugal os homens e as mulheres podem casar. 
A isto chama-se monotonia.
(É frustrante que até na 2.ª classe já pensam assim!)

- Em nossa casa cada um tem o seu quarto. 
Só a mamã é que tem de dormir sempre com o papá.
(Um destino terrível!)

- Os meus pais só compram papel higiénico cinzento, porque já foi utilizado e é bom para o ambiente.
(Que bom!)

- Adoptar uma criança é melhor! 
Assim os pais podem escolher os filhos e não têm de ficar com os que lhe saem.
(Esta para mim é genial.)

- As vacas não podem correr para não verterem o leite.
(Que bom saber isso!)

- Um pêssego é como uma maçã só que com um tapete por cima.
(Nunca tinha pensado nisto.)

- Eu não sou baptizado, mas estou vacinado.
(Efectivamente deve ajudar mais.)

- Depois de o homem deixar de ser macaco passou a ser Egípcio.
(Mmm…Isto ainda não sabia!)

- A Primavera é a primeira estação do ano.
 É na primavera que as galinhas põem os ovos e os agricultores põem as batatas.
(Nunca mais como batatas!)

- A minha tia tem tantas dores nos braços que mal consegue erguê-los por cima da cabeça e com as pernas é a mesma coisa.
(Acho que a mim aconteceria o mesmo às pernas.)

- Um círculo é um quadrado redondo.
(Também pode ser visto assim.)

- A terra gira 365 dias todos os anos, mas a cada 4 anos precisa de mais um dia e é sempre em Fevereiro. 
Não sei porquê. 
Talvez por estar muito frio.
(Um génio!)

- A minha irmã está muito doente. 
Todos os dias toma uma pílula, mas às escondidas para os meus pais não ficarem preocupados.
(Sem comentários!)

BOM FIM-DE-SEMANA!

25 de janeiro de 2018

Não somos hipócritas: há frustração e revolta


"Não somos hipócritas: há frustração e revolta".
Esta a reacção de Sérgio Conceição no final do Sporting - Porto, jogo da meia - final da Taça da Liga ontem disputado.
Também eu não sou hipócrita, também eu estou revoltado e frustrado.
Não só porque o Porto voltou a ser superior ao Sporting (já tinha sido assim no jogo em Alvalade para a Liga) mas porque voltou a ser vítima de uma decisão incompreensível do vídeo - árbitro (já tinha sido assim no jogo com o Benfica, para a Liga, no Dragão).
Num jogo muito disputado, muito amarrado tacticamente, o Porto foi superior a um Sporting que só teve uma verdadeira oportunidade de golo em todo o jogo (Coates ao poste na sequência de um canto).
Mais um clássico que termina empatado sem golos, com o Sporting a conseguir o apuramento para a final no desempate por pontapés da marca de grande penalidade.
Sendo uma realidade que este foi mais um clássico que terminou empatado sem golos, não o devia ter sido.
Se houver alguém que me consiga explicar porque razão foi anulado o golo de Soares, por favor faça-o.
Porque eu, em boa verdade, depois de ver e rever o lance várias vezes, ainda não percebi porque raio foi aquele golo invalidado.
O lance pode ser duvidoso (para mim nem isso é).
Mas, se as regras não mudaram, na dúvida favorece-se quem ataca, não é??
Então que estupor de decisão é aquela, que nem os jogadores do Sporting solicitam (só Fábio Coentrão, timidamente, curiosamente o homem que está a colocar Soares em jogo)??
O vídeo-árbitro está a revelar-se o oposto do que devia ser, da panaceia que nos foi prometida.
Não só não está a esclarecer dúvidas como ainda está a fomentar muitas mais.
De uma vez por todas, se se pretender continuar com o vídeo-árbitro, há que definir critérios muito rigorosos e muito efectivos para a intervenção e a actuação deste.
Porque, como está, não ajuda, só complica e gera frustração e revolta.
Pelo menos em quem não é hipócrita. 

Intemporais (103)

24 de janeiro de 2018

Cimeira de Davos 2018



Por estes dias, no cenário bucólico dos Alpes suíços, reúnem-se os mais poderosos do Planeta para discutir precisamente o futuro do Planeta.
Este ano com uma grande novidade – a presença do presidente norte-americano.
Donald Trump, o mais proteccionista dos presidentes americanos mais recentes (“America first, America first”), marca presença na cimeira do Fórum Económico Mundial, algo que não acontecia desde a era Bill Clinton, há já longos 18 anos.
Numa Cimeira que deve o seu motto (“Um Futuro Partilhado Num Mundo Fracturado”) precisamente a uma tentativa de reacção aos ventos proteccionistas que sopram de Washington, não deixa de ser irónico ver o principal responsável por esta realidade quebrar com a actuação de George W. Bush e Barack Obama e marcar presença no principal palco político da globalização.
Irónico mas simultaneamente facilmente compreensível.
Donald Trump gosta das luzes da ribalta, gosta de aparecer, de ser visto, fotografado, gosta do show off.
E será muito isso que se pode prever venha a acontecer em Davos.
Especialmente no confronto cada vez mais assumido entre o liberalismo da União Europeia e o proteccionismo dos Estados Unidos.
Cabotino, Donald Trump não poderia deixar de estar presente em Davos.
Não tanto para discutir políticas (para isso estarão lá os seus assessores) mas para se mostrar, para se exibir, para marcar o contraste com os seus antecessores.

Van Gogh on Dark Water

23 de janeiro de 2018

Carta de condução por pontos?


Confesso que sorri ao tomar conhecimento de uma proposta que aponta no sentido de ser atribuído um sistema de pontos aos titulares de cartas de condução da RAEM.
Pontos esses que seriam deduzidos à medida que fossem sendo cometidas infracções e proporcionalmente à respectiva gravidade.
E sorri porque, há já alguns anos, no seio de um grupo de trabalho encarregue de alterar a legislação rodoviária então em vigor, uma das propostas que apresentámos foi exactamente esta.
Ninguém estava a inventar nada, a solução está consagrada um pouco por todo o Mundo.
Mas, mais uma vez, Macau tinha que ser diferente (pois, nem vale a pena repetir o conhecido slogan…).
A proposta que então apresentámos foi, para muito boa gente, quase ofensiva e demente.
Se já tínhamos pensado na possibilidade de os condutores profissionais perderem a sua carta de condução e de caminho talvez o seu sustento e das suas famílias?
Já, já tínhamos pensado nisso e chegado à conclusão que esses condutores profissionais, que transportam centenas de pessoas todos os dias, teriam que ser os mais cumpridores, os mais hábeis.
Heresia, uma perfeita heresia!
E os diplomas então preparados ficaram algures a apanhar pó durante todos estes anos.
De repente, e porque houve situações trágicas a envolver precisamente esses condutores profissionais que tinham que ser a todo o custo protegidos, o que fora uma heresia passa a ser uma ideia a considerar e trabalhar.
Destino simultaneamente trágico e cómico este de Macau, cidade onde cada vez mais não se age, só se reage.

Papado de Francisco chega a 5 anos entre aplausos e resistência


O papa Francisco está chegando ao término de cinco anos de pontificado, a serem completados em 13 de março de 2018, com altíssimo índice de aprovação dos católicos e generalizada admiração de adeptos de outras religiões, mas, ao mesmo tempo, com expressiva resistência de setores da Igreja. Aos 81 anos, celebrados neste 17 de dezembro, às vésperas do Natal, o argentino Jorge Mário Bergoglio, enfrenta os obstáculos com determinação e programa viagens internacionais, apesar da saúde confessadamente frágil. 

“Sei que vou durar pouco, dois ou três anos, e depois vou para a Casa do Pai”, afirmou Francisco, em agosto de 2014. Se a previsão fosse para valer, o papa já estaria no lucro, pois o prazo se esgotou. Ele admitiu, na época, que tinha problemas de saúde, “alguns problemas de nervos”, dos quais teria de cuidar. Lembre-se, além disso, que extraiu parte de um pulmão, na juventude. Por isso, jamais canta nas cerimônias religiosas, pois é incapaz de entoar uma antífona, uma palavra que seja, para a recitação de um salmo. 

Francisco admitiu a hipótese de vir a renunciar, se achasse que não teria mais condições de dirigir a Igreja. “Bento XVI abriu uma porta, que é institucional”, disse. Seria estranho e admirável ver dois papas eméritos passeando pelos jardins do Vaticano, se Francisco decidisse fazer companhia a seu predecessor. A não ser que ele preferisse outro destino, como voltar para Buenos Aires, “o fim do mundo” de onde saiu, ao ser eleito em março de 2013. Estas são hipóteses remotas, pouquíssimo prováveis, mas não descartáveis. 

Mais previsível é que Francisco continue à frente da Igreja mais alguns anos, com forças suficientes para enfrentar os desafios de sua missão e a oposição dos adversários, dentro e fora da Cúria Romana. A resistência aflorou em 2016 com a divulgação de uma carta assinada por quatro cardeais, liderados pelo norte-americano Raymond Burke, que questionaram o papa, pedindo que esclarecesse cinco dubia, ou questões para eles contrárias à doutrina, suscitadas pela exortação apostólica Amoris Laetitia (A alegria do amor), sobre o Sínodo da Família. 

Sacramentos. Burke e os outros cardeais, dois deles agora mortos, exigiam esclarecimento para a orientação de que os bispos das dioceses atuem como últimos juízes para permitir o acesso aos sacramentos de católicos em segunda união. Aos bispos, escreveu o papa, cabe ter discernimento para, ao analisar cada situação, permitir ou não que os divorciados recasados possam comungar. Os cardeais opositores argumentam que esses católicos cometem adultério, estão em pecado e, portanto, não podem receber a eucaristia.

O então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal alemão Gerhard Ludwig Muller, fez a apresentação do livro dos críticos, sendo por isso apontado como opositor ao papa, mas depois disse que a exortação apostólica não era contrária à doutrina.

Afastado da Congregação após cinco anos de mandato, disse que sua saída não se devia a supostas divergências com Francisco. Muller havia dito que as coisas que o papa está falando são boas pastoralmente, mas não têm densidade teológica.

Ao exigir uma resposta do papa, Burke disse que se corre o risco de provocar um cisma na Igreja, se for mantida a orientação. Francisco não respondeu aos cardeais opositores, mas em carta aos bispos argentinos manteve a orientação dada na exortação apostólica e afirmou que o documento reflete o magistério e que, portanto, deve ser seguida como orientação oficial do sucessor de Pedro. Burke ainda não se manifestou, após essa explicação, mas as críticas à Amoris Laetitia se multiplicam nas redes sociais. O canal Alerta cristão, conservador, vê blasfêmia e heresia nas atitudes e palavras do papa. 

“Quem faz oposição ao papa Francisco, como esses cardeais e leigos conservadores, é uma minoria, porque a maioria na Igreja e fora dela está com ele”, observa a teóloga Maria Clara Bingemer, professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). “O que se abriu não vai mudar”, observa a teóloga. O rodapé do capítulo 8 da exortação sobre a pastoral para os casais separados em segunda união, acrescenta, “é um precedente, embora seja uma abertura discreta, pois o que se abriu não vai mudar”. 

Outras questões das quais o papa tem tratado, “e as pessoas vão anotando”, referem-se aos homossexuais, à ordenação sacerdotal de homens casados e à valorização da mulher no governo da Igreja. A doutrina básica não se altera, mas a pastoral ganha nova orientação. Francisco recebeu um ex-colega padre homossexual que se casou com um homem e se reuniu com ex-padres casados acompanhados de suas mulheres, visitando-os na casa de um deles, em Roma. 

Tudo isso provoca críticas, resistências e até risco de um atentado contra Francisco. Foi por isso, na interpretação de Maria Clara, que o papa foi morar na Casa Santa Marta, onde seria mais difícil ser envenenado, como poderia ocorrer no Palácio Apostólico. Ele mora num apartamento de sala, quarto e banheiro, padrão da residência. Serve o próprio prato no buffet do refeitório e senta-se à mesa com os hóspedes em qualquer lugar disponível. Para surpresa de quem o vê entrar, usa o elevador sem exclusividade. 

O papa foi aconselhado a usar colete à prova de balas em locais abertos, como a Praça de São Pedro e em viagens ao exterior, mas resistiu à sugestão. Ele se recusa também a circular em papamóvel com vidros blindados. Quanto ao fato de morar na Casa Santa Marta, a mesma fonte admite que existe essa interpretação, mas observa que, em sua opinião, o que Francisco pretendia ao deixar o Palácio Apostólico era ficar mais perto das pessoas para um contato informal.

Para o professor Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Cultura e Fé da PUC de São Paulo, a oposição ao papa Francisco se concentra nos problemas morais e culturais. “É o ponto em que as pressões acabam estourando, porque a dificuldade de diálogo aí é maior”, observa Borba. “Há questões em que o papa não está tocando que seriam importantes para áreas conservadoras dos Estados Unidos e da Europa, onde a Igreja adquiriu um processo de identidade associado a valores morais”, ele acrescenta.

“Quando Francisco prega mais acolhida a quem está fora da Igreja e em condições consideradas inadequadas, ele choca aqueles cristãos que adquiriram sua identidade em defesa de valores com contraposição ao mundo”, continua o professor da PUC. “Esses cristãos se sentem abandonados quando o papa defende homossexuais e divorciados em segunda união”, afirma. “Francisco puxou o tapete, sem se dar conta de que está indo contra eles”.

Para Borba Neto, nenhum cristão pode dizer que o papa Francisco está errado, quando ele insiste que a Igreja tem de se abrir e acolher as pessoas afastadas de suas normas, como os recasados. Borba acha que é preciso buscar um terceiro caminho que escape à polarização das tendências que aplaudem ou que se opõem ao papa, frequentemente atribuindo a ele, de um lado e de outro, palavras que não falou. Defensores da Teologia da Libertação consideram que, sem falar nele, Francisco põe em prática o que o movimento pregava desde os anos 1960.

O teólogo e historiador padre José Oscar Beozzo, que segue a corrente da Libertação, observa que Francisco escolheu dois trechos do discurso do papa João XXIII na abertura do Concílio Ecumênico em 1962 para sua orientação pastoral. “Nada de condenações e anátemas”, advertiu João XXIII, ao lembrar que a Igreja sempre condenou os erros, mas considerou a misericórdia como melhor remédio, disse Beozzo. Francisco, que depois criou o Ano da Misericórdia, será conhecido no futuro como o papa da misericórdia, prevê o teólogo. O cerne da oposição a Francisco, concorda o teólogo, é a orientação de Amoris Laetitia para a reintegração dos recasados.

No Brasil. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) elogia a linha do pontificado de Francisco, mas nem todos os bispos brasileiros demonstram muito entusiasmo com sua orientação. Não fazem críticas ao papa, mas também não põem em prática tudo o que ele ensina. As críticas partem mais de católicos conservadores, em manifestações reservadas ou pela internet. O apoio vem mais da base, dos movimentos da pastoral social. 

22 de janeiro de 2018

Jantar da velhada

    

Um grupo de amigos, aos 50 anos, discutia qual o restaurante onde iriam jantar.

Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Moçambique, porque as empregadas eram jeitosas e usavam mini-saia e blusas muito decotadas. 

10 anos mais tarde, aos 60 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram a escolha do restaurante.

Decidiram-se pelo Restaurante Moçambique, porque a comida era muito boa e havia uma excelente carta de vinhos.

10 anos mais tarde, aos 70 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez houve discussão quanto ao local.

Decidiram-se pelo Restaurante Moçambique, porque tinha uma rampa para cadeiras de rodas e até um pequeno elevador.

10 anos mais tarde, aos 80 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez o tema do restaurante voltou à baila.

Após acalorada discussão decidiram-se pelo... Restaurante Moçambique.

Todos acharam que era uma grande ideia, uma vez que nunca lá tinham ido !!

Conclusão :
Vão-se rindo, vão...

BOA SEMANA!

19 de janeiro de 2018

Senha de computador



Zé, 70 anos de idade.
Primeiro dia de aulas  na Escola de Informática para a 3ª idade.

Windows 10:
-Digite a sua senha.

Zé:
-Zé.

Windows 10:
-Desculpe, a senha não pode ser o seu nome.

Zé:
-Zi.

Windows 10:
-Desculpe, deve conter pelo menos 6 caracteres.

Zé:
-Pepino.

Windows 10:
-Desculpe, a senha deve conter pelo menos um número.

Zé:
-Um pepino.

Windows 10:
-Desculpe, a senha deve conter pelo menos um número em forma de algarismo.

Zé:
-1 pepino.

Windows:
-Desculpe, a senha não pode conter espaços.

Zé:
-1pepinodemerda.

Windows:
-Desculpe, a senha deve conter pelo menos uma maiúscula.

Zé:
-1pepinodeMERDA.

Windows:
-Desculpe, a senha não pode conter maiúsculas sucessivas.

-1PepinoDeMerda!!!

Windows 10:
-Desculpe, a senha não pode conter símbolos de pontuação.

Zé:
-1PepinoDeMerdaParaQueOenfies
NoCuSeuFilhoDaPutaQueTePariu.

Windows !0:
-Desculpe, essa senha já existe.


BOM FIM-DE-SEMANA!

18 de janeiro de 2018

Conversações acerca da situação na península coreana sem a participação da China e da Rússia?


A Cimeira de Vancouver, que reuniu naquela cidade canadiana vinte nações que discutiram a situação política e militar na península coreana, teve uma característica muito peculiar – os países vizinhos da Coreia do Norte, aqueles que supostamente mais influência podem ter no regime norte-coreano, e que também supostamente mais o apoiam, a China e a Rússia, ficaram de fora.
Uma opção verdadeiramente estranha, bizarra mesmo, que é difícil compreender e explicar.
Os restantes países estão fartos da postura de russos e chineses e querem que ambos sejam mais interventivos (Trump fala mesmo em boicote por parte dos russos relativamente a todo o processo)?
Mas, se assim é, deixar ambos fora das conversações acerca do futuro de uma zona do Globo na qual geograficamente se inserem e politicamente são influentes, não parece ser a estratégia mais acertada.
Uma estratégia que foi recebida com espanto e indignação em Moscovo e em Pequim.
Indignação que cresceu quando russos e chineses souberam que poderiam participar em todo o processo, especialmente no seu final e nas suas conclusões, mas apenas com o estatuto de observadores.
De quem terá partido tão estranha ideia, tão peculiar estratégia?
Fosse quem fosse não perceberá que a Rússia e a China, até por partilharem fronteira com a Coreia do Norte, são interlocutores absolutamente indispensáveis no processo de pacificação da península coreana?
Doravante, sempre que for pedida a intervenção de russos e chineses para refrear os ímpetos armamentistas do tirano norte-coreano, não será muito surpreendente se de Moscovo e de Pequim vier um grito em uníssono – Vancouver!

Intemporais (102)

17 de janeiro de 2018

Xeque-mate de Macron a Merkel


Emmanuel Macron vai dando provas de ser um político muito hábil.
A recente visita à China, preparada ao pormenor, gerida com pinças, espalhando charme, colocou Macron temporariamente ao leme da União Europeia.
Aproveitando o longo processo de negociações para formar governo na Alemanha, Macron fez na Europa o que Xi Jinping está a fazer no Mundo perante a trajectória errática de Donald Trump.
Num e noutro caso ambos se revelaram políticos atentos e decididos.
E ambos souberam aproveitar hesitações alheias para agarrarem o leme de uma Europa ainda abalada pelo Brexit e farta de esperar por uma solução governativa na Alemanha, de um Mundo carente de uma liderança forte agora que Trump segue firme o seu caminho anedótico e disparatado.
Macron veio à China (o novo líder da Europa veio ao encontro do novo líder mundial?), evitou temas que sabe serem complexos e sensíveis, espalhou charme, ficou pela diplomacia e pelo business as usual.
Angela Merkel viu-se forçada a exigir rápida definição de posições a Martin Shulz e não se coibiu de dar a entender isso mesmo nas declarações que fez à imprensa – “o Mundo não espera por nós”. 
Xeque-mate de Macron a Merkel com a chanceler alemã a ver-se forçada a responder em curto espaço de tempo.
Chapeau, Monsieur Macron!

Dicionário de Angolano (a riqueza da Língua Portuguesa nas suas variações)

16 de janeiro de 2018

Segundo sistema em julgamento


Começa hoje o julgamento de Sulu Sou e Scott Chiang estando ambos acusados da prática de crime de desobediência qualificada.
Um julgamento que pode inclusivamente conduzir ao afastamento da Assembleia Legislativa de um dos poucos deputados eleitos directamente pela população.
Logo ali ao lado, nessa mesma Assembleia Legislativa, vota-se uma Resolução de todo desnecessária e absolutamente infeliz.
Na zona dos lagos da Nam Van, mais que Sulu Sou e Scott Chiang, pode dizer-ser que vai hoje a julgamento o segundo sistema em Macau.
Os Tribunais e a Assembleia Legislativa têm hoje a responsabilidade de dizer claramente o que pensam acerca desse segundo sistema e da sua aplicação a Macau, do que querem que seja a Região Administrativa Especial de Macau hoje e no futuro.
Um dia muito importante para Macau, para o princípio “um país, dois sistemas”, um dia que pode muito bem ser o primeiro dia do resto das nossas vidas.
Esperemos que haja bom senso nas sedes do Legislativo e do Judicial para que se possa dar continuidade sem mais sobressaltos a essa experiência política única que resultou da visão genial de Deng Xiaoping.

Narcos 2018 (Ricardo Araújo Pereira)



Foi um dos casos mais graves da minha carreira e afectou a nossa unidade para sempre. Estávamos em Janeiro de 2018, escassos dias após a publicação em Diário da República do despacho nº 11391/2017, que limitava a venda de produtos prejudiciais à saúde em bares e cafetarias de instituições do Ministério da Saúde. Salgados, pastelaria, charcutaria e refrigerantes tinham sido banidos desses espaços, para estimular hábitos de alimentação saudáveis. Eu, Javier Peña, e o meu colega Steve Murphy, fomos enviados pela DEA americana para ajudar Portugal na luta contra os fritos e as gorduras saturadas. A nossa primeira missão, que seria também a última, foi vigiar a cantina do Hospital de Santa Maria. À primeira vista, estava tudo bem: a cantina vendia apenas frutas, legumes e vários produtos desenxabidos. Mas os frequentadores do hospital pareciam manter uma certa felicidade bastante suspeita, e o Ministério mandou investigar. No princípio, não demos por ele. João Diogo Dias vinha visitar uma tia, operada a uma hérnia. De repente, na ala em que a tia estava internada, os outros doentes começaram a ficar mais alegres. Riam alto, conversavam, não tinham qualquer intenção de impingir uns aos outros receitas de batidos verdes. Era óbvio que não estavam a seguir uma alimentação saudável. O Murphy ofereceu-se para se infiltrar à paisana e descobriu tudo. Dias depois, João Dias estava sentado à minha frente na sala de interrogatórios, depois de ter sido apanhado na posse de um tupperware com 10 croquetes, cinco rissóis e três empadas.
– Sr. Dias – disse eu –, sabe qual é a pena para quem trafica salgadinhos?
João Dias não respondeu.
– Isto mata, sr. Dias. Os seus são especialmente perigosos, porque são caseiros.
– Não é tráfico, eu trouxe-os para a minha tia. Os outros doentes pediram-me e eu ofereci.
– Sabemos como isto funciona, sr. Dias. Os primeiros são oferecidos, até os clientes ficarem agarrados ao rissol. O meu colega, que se infiltrou à paisana, e a quem ofereceu dois croquetes, está neste momento a fazer análises. O colesterol dele subiu dois pontos. Dois pontos, sr. Dias. E está perdido. Não creio que possa voltar a trabalhar. Quando o levaram para a clínica, gritava “Deixem-me só provar as chamuças!”, e também “Aquilo deve ir bem é com uma imperial fresquinha!” Ele nem sequer é português, sr. Dias.
– Eu só queria animar a minha tia. Ela gosta de croquetes.
– O problema é que isto não é um produto inofensivo que possa ser usado para fins médicos, como a marijuana.
– Se eu tivesse marijuana no tupperware deixavam-me ir?
– Claro. Estamos inclusivamente a estudar uma proposta de legalização. Isto dos croquetes é que é muito nocivo. Mas nós não estamos interessados em si, sr. Dias. Sabemos que é apenas o correio. Se nos disser quem produz estes croquetes, não o acusaremos. O nosso laboratório diz que os seus croquetes são dos mais puros que eles já viram: carne a sério, refogado puxadinho, pedaços de chouriço. Quem os fez sabia o que estava a fazer.
– Mas desde quando é que os croquetes são proibidos?
– Desde Dezembro. Tem de estar mais atento aos despachos do Ministério da Saúde. Vamos, sr. Dias. Só precisamos de um nome.
Fez-se um silêncio. Finalmente, o homem quebrou:
– Clotilde Dias.
– Quem é?
– A minha avozinha.
– Devíamos ter adivinhado. São sempre elas. Essa geração está perdida.

(Crónica publicada na VISÃO 1296 de 4 de Janeiro)

15 de janeiro de 2018

NUNCA UMA ANEDOTA FOI TÃO REAL


O JOÃOZINHO MORREU
Sim, aquele puto das anedotas que tinha sempre uma resposta malandra pronta para dar às professoras e as deixava loucas.
A Morte veio buscar o Joãozinho porque tinha chegado a hora de ele pagar pelas travessuras que fez em Vida.

MORTE:
- Meu jovem, chegou a tua hora, tenho que te levar deste mundo.

JOÃOZINHO:
- Mas eu posso fazer o meu último pedido, não posso? Não é assim que funciona?

MORTE:
- Por teres praticado várias travessuras, e com isso teres facilitado o meu serviço, vou-te deixar fazer o último pedido, mas não podes pedir para não morrer.

O Joãozinho pensou..., pensou..., e escolheu o seu último desejo.
- Quero assistir ao pagamento total da dívida que Portugal tem para com o Banco Central Europeu!

MORTE:
- Que grande passarão!...Ganhaste a Vida Eterna!

BOA SEMANA!

12 de janeiro de 2018

11 de janeiro de 2018

Pena de morte para terroristas?


Os governantes israelitas, fortalecidos pelo recente apoio dado por Donald Trump, preparam-se para alterar o Código Penal e alargar o âmbito de aplicação da pena de morte para passar a abranger os condenados por terrorismo.
Um parlamento muito dividido (52 votos a favor da alteração e 49 contra) deixou passar a proposta em primeira votação.
Uma proposta com origem no Ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, apoiada pelo Primeiro-Ministro, Benjamin Netanyahu.
Foi só uma primeira votação, outras se seguirão, mas a possibilidade desta emenda, que segue ao arrepio do que é norma nas democracias civicamente mais bem preparadas, ser aprovada é cada vez mais real.
Respaldada no apoio americano, a Direita israelita, os mais ortodoxos de todos os ortodoxos, prepara-se para aprovar um retrocesso civilizacional na forma de uma medida que está mais que provado tem poucos ou nenhuns efeitos práticos.
Se a pena de morte tem vindo a ser progressivamente abolida porque já se percebeu que é desumana, aberrante, porque se presta a erros incorrigíveis, porque como instrumento de política criminal se revela pouco ou nada eficaz, aplicar a mesma a terroristas, a quem afirma ter orgulho e vocação para ser mártir, chega ao nível do patético.
Afinal, e de um ponto de vista estritamente prático, que já não legal ou moral,  qual é o efeito dissuasor de ameaçar de morte quem se entrega voluntariamente e gloriosamente à morte?

Intemporais (101)

10 de janeiro de 2018

Tótó nosôtro tudo hoji abrí nosso coraçám e braço pa recebê vôs


Tótó nosôtro tudo hoji abrí nosso coraçám e braço pa recebê vôs.
Esta expressão do típico dialecto macaense (patuá) resume na perfeição a Macau que eu amo, a Macau inclusiva, aberta a todos, que acolhe quem aqui chega e é rapidamente transformado em filho da terra.
Uma Macau que está cada vez mais sob ataque cerrado de pessoas que em grande parte nem sequer aqui nasceram, de pessoas que aqui aportaram, que aqui refizeram as suas vidas e que agora se julgam detentores de um estatuto especialíssimo e de direitos ilimitados só porque possuem um Bilhete de Identidade de Residente.
Direitos tão ilimitados que vão ao ponto de considerar os que não possuem esse documento verdadeiramente como gwai lo.
Não gwai lo no sentido vulgar do termo, no sentido de estrangeiros, mas num sentido muito próximo da tradução literal (gwai lo = diabos negros).
Está dado o passo que separa um tratamento algo carinhoso da pura xenofobia, do medo ou aversão a estrangeiros.
Está dado o passo que Macau nunca poderia dar.
Macau, cidade de vício e tentação, nunca devia ceder à tentação de caminhar no sentido oposto ao que sempre a definiu e a diferenciou.
Não tem sido assim, há que assumi-lo com frontalidade.
E não será assim se se insistir na ideia descabida e ofensiva de aprovar tarifas de autocarros diferentes para residentes e não-residentes.
Porquê? Porque umas vozes de burro, que acreditem não chegam mesmo ao céu (Pequim), resolveram que assim tem que ser? Porque noutras cidades se faz o mesmo?
Mas as outras cidades não são Macau, não dependem dos não-residentes como Macau depende, não são tão inclusivas como Macau sempre foi e deveria continuar a ser.
O que é que aconteceu à letra e ao espírito da expressão tótó nosôtro tudo hoji abri nosso coraçám e braço pa recebê vôs?

Dantes era médico