24 de outubro de 2009

Liberdade de expressão


Eu sei que estou a pisar terreno minado.

Mas o tema merece que se corra o risco.

Continuando com uma linguagem bélica, a BBC está debaixo de fogo cerrado desde que Nick Griffin, líder do British National Party (qualquer semelhança com Le Pen e a Frente Nacional não terá sido mera coincidência...) usou o programa Question Time para produzir comentários profundamente racistas (aqui via BBC News http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/politics/8321683.stm).

Num programa que foi sintonizado, no seu pico de audiência, por 8.2 milhões de espectadores, alguma hipocrisia é fácil de detectar quando, na sequência do mesmo, se levanta um coro de protestos porque o sujeito é um execrável racista que não devia ter tempo de antena, muito menos numa estação pública de televisão.

Só consigo concordar com o facto de o figurão ser um racista execrável.

Este cartão de visita, sobejamente conhecido, seria motivo suficiente para sintonizar outro canal, eventualmente fazer um pouco de zapping pelas milhentas alternativas disponíveis.

Mas o que a rua está a pedir é algo que se me afigura muito grave - calar a criaturinha, mais a mais porque está a falar numa estação de televisão pública.

Precisamente por se tratar de uma estação pública é que eu fico mais assustado com estas ideias....

Uma estação privada terá outra latitude nos seus critérios editorias.

Querer censurar alguém, por maiores que sejam as barbaridades que a pessoa diz e pensa, numa estação pública, entra no domínio inquisitorial.

E isso é muito perigoso.

Quem vai definir critérios do que é, ou não, tolerável?

Quem serão esses modernos censores?

Por mais asqueroso que seja o personagem e as suas ideias, que o são neste caso, continuo a preferir que as exponha livremente.

Não quero é que seja vitimizado e objecto de simpatias em virtude dessa vitimização.

Depois de deixar claras as suas ideias, acredito na inteligência e na sensatez das pessoas para lhe darem a importância que merece.

Com estas polémicas, só se está a conseguir prolongar-lhe um precioso tempo de antena grátis.

Não estará o feitiço a virar-se contra o feiticeiro, como tantas vezes acontece?




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