30 de novembro de 2017

Nova coligação ou governo minoritário?



Afinal a anunciada tempestade política na Alemanha não passará de uma ameaça.
E Angela Merkel deverá manter-se como chanceler.
Submetidos a intensa pressão, interna e externa, CDU e SPD, Angela Merkel e Martin Schulz, recuaram nas suas posições iniciais e cederam à pressão sobre ambos exercida.
Angela Merkel recusava formar um governo minoritário, Martin Schulz recusava ser parte de qualquer solução governativa e queria ser apenas oposição.
O falhanço da coligação “Jamaica”, que a União Europeia olhava com alguma desconfiança, aliada às posições extremadas dos dois partidos mais votados, ameaçavam abrir uma crise política sem precedentes na Alemanha do pós II guerra.
Os dias passaram rápido e o cenário de eleições antecipadas, desde sempre recusado como uma inevitabilidade pelo Presidente Franz-Walter Steinmeier, adensava-se.
Mas as movimentações de bastidores mantinham-se e a alta probabilidade de, nesse cenário de possíveis eleições antecipadas, os resultados eleitorais serem em tudo semelhantes aos alcançados nas recentes eleições, começavam a deixar no ar a possibilidade de um recuo estratégico dos dois partidos mais votados.
No interior dos quais muitas vozes desde sempre defenderam uma qualquer aliança que viabilizasse um governo maioritário e afastasse da solução governativa as extremas esquerda e direita da política alemã.
O recuo de SPD e CDU deverá permitir alcançar um acordo de governação na Alemanha.
Uma solução maioritária, com o SPD a integrar o Executivo, ou minoritária, com os sociais democratas alemães a apenas garantirem apoio parlamentar, é a dúvida que subsiste.
O que parece já não oferecer dúvidas é que se caminha para uma solução governativa na Alemanha a envolver os dois partidos mais votados (CDU e SPD).
Dois partidos que saem beliscados de todo o processo e com os seus líderes claramente enfraquecidos depois do necessário recuo estratégico face às suas posições de força iniciais.


Intemporais (95)

29 de novembro de 2017

Surpresa!!

Cresce a tensão na península coreana



O louco líder norte-coreano já desde 15 de Setembro não testava um dos seus brinquedos perigosos.
Resolveu voltar ao seu divertimento favorito ontem.
O míssil disparado de Pyongsong terá atingido a maior altitude de todos os até agora testados pelo tresloucado Kim Jong-un.
Estes são os dados que os Estados Unidos se apressaram a divulgar.
Uma divulgação imediata, apressada, que não pode deixar ninguém tranquilo.
Depois de Donald Trump ter deixado a ameaça velada de um ataque à Coreia do Norte ("The calm before the storm"), naquele seu jeito entre o imbecil, o patético e o infantil, este teste e a pronta reacção americana, com o mesmo Donald Trump a voltar à retórica que lhe é única ("Os Estados Unidos resolverão o problema"), deixaram muita gente com os nervos em franja.
A começar pela Coreia do Sul, que oficialmente reagiu dizendo temer que os Estados Unidos estejam a preparar um ataque preventivo ao vizinho norte-coreano.
À habitual indignação da comunidade internacional, à condenação generalizada da petulância do líder norte-coreano, e ao seu habitual desrespeito por todas as resoluções internacionais e pelas sanções que fazem o seu povo sofrer, seguem-se as também habituais reuniões de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Um filme já muitas vezes visto, com um guião de todos conhecido, mas que se sente insistentemente reflectir uma tensão crescente que pode levar ao temido ataque preventivo pelo regime sul-coreano.
E se por uma só vez tivéssemos que levar a sério Donald Trump e acreditar nas suas declarações aparentemente disparatadas?

Coreografia de 100 drones a voar ao som de Beethoven


A Intel entrou para o Guinness Book of Records ao pôr a voar 100 drones simultaneamente ao som da Quinta Sinfonia de Beethoven.

Na noite de 25 de Novembro de 2015 100 drones equipados com luzes LED iluminaram o céu de um aeródromo na Alemanha.

Esta façanha foi alcançada em nome da Intel, o laboratório FuturLab do instituto para novos media Ars Electronic.

Os drones seguiram escrupulosamente o ritmo da Quinta Sinfonia de Beethoven, tocada ao vivo por uma orquestra, com uma equipe de 15 engenheiros que coordenaram o movimento dos vários drones usando software 3D.

A Intel não deixou de marcar a sua presença uma vez que, durante o show, os drones desenharam o logotipo da empresa no céu.

28 de novembro de 2017

Nascidos para matar


Quando essa entidade sinistra auto-denominada estado islâmico (já sabem que recuso a maiúscula quando me refiro a escroques) ataca inocentes, o instinto leva a imediatamente classificar os atentados perpetrados como sendo de cariz religioso.
O célebre terrorismo muçulmano, como se só existissem terroristas que professam a religião muçulmana e todos os terroristas fossem muçulmanos.
A Mesquita Al Rauda, situada em Bear al Abd, Oeste de Al Arish, capital do Norte do Sinai, no Egipto, é um local de culto da religião muçulmana.
Facto que em nada impediu um bando de loucos assassinos de massacrarem centenas de pessoas (mais de trezentos mortos, um número ainda indeterminado de feridos).
Gente inocente, homens, mulheres, crianças, que apenas se encontrava reunida em oração.
Terrorismo muçulmano?
Terroristas que massacram quem professa a mesma religião?
Não faz muito sentido.
O que faz mais sentido, e terá maior correspondência à verdade, é tratar-se de gente psicologicamente desequilibrada, programada para matar em nome de uma religião cujos ensinamentos interpretam à sua maneira.
O exército egípcio retaliou bombardeando posições ocupadas por essa cambada de meliantes que invoca o nome de uma divindade para tentar justificar o injustificável.
E essa é a única linguagem possível com estes dejectos.
A linguagem da força bruta até ao aniquilamento total de todos os seguidores desse culto terrorista e sanguinário.
Nascidos para matar merecem que lhes seja dada a oportunidade de satisfazerem plenamente aqueles que dizem ser os seus sonhos e a sua vocação – serem “mártires” (mártires são os inocentes que assassinam) e irem assim ao encontro das prometidas 72 virgens.

Uma história moderna de terror

27 de novembro de 2017

Requiem para um HACORDO HORTOGRÁPHICO


Era uma vez um Acordo
Que de tão mal acordado 
Causou zanga e confusão
Deixou tudo baralhado

O cágado ficou cagado,
Coitado do animal
Tão envergonhado estava
Que deixou de dar sinal

Os egitos no Egito
Não sabiam que fazer
Se ficar pelas pirâmides 
Se beber para esquecer

O junho ficou minúsculo
Todos os outros também 
Gritava o dezembro, fulo:
- Sou agora um Zé-Ninguém !

O pára passou a para
Mas que grande confusão
O trânsito ficou parado
Andava-se em contramão

O pêlo chamado pelo
E já ninguém se entendia
Uns rezavam ao Diabo 
Outros à Virgem Maria

O facto ficou de fato
Mas não lhe serviu de nada
E reclamava sempre:
- Sem o meu “c” não sou nada!

A receção sem o “p”
Sentia-se mesmo mal
Andava tão chateada
Que foi para tribunal.

- Que saudades do meu “c”!
Lamentava-se o noturno
Grande farrista que era
Tornou-se muito soturno.

Espetadas e espetadinhas
Fugiam dos espetadores
Tinham fama de sexistas
Os desonestos senhores

Vivesse o douto poeta
Homem de bom critério
Diria hoje decerto:
- Vós que lá do vosso império
Decretais Acordo novo
Calai-vos, que pode o povo
Querer um Português a sério

BOA SEMANA!

24 de novembro de 2017

Aprenda a dar uma má notícia



- Alô, Sô Carlos? Aqui é o Uóshito, casêro do sítio.

- Pois não, Seu Washington. Que posso fazer pelo senhor? Houve algum problema?

- Ah, eu só tô ligano para visá pro sinhô qui o seu papagai morreu.

- Meu papagaio? Aquele que ganhou o concurso?

- Êle mermo.

- Puxa! Que desgraça! Gastei uma pequena fortuna com aquele bicho! Mas morreu de que?

- Dicumê carne istragada.

- Carne estragada? Quem fez essa maldade? Quem deu carne para ele?

- Ninguém. Ele cumeu a carne dum dos cavalos morto.

- Cavalo morto? Que cavalo morto, seu Washington?

- Aquele puro-sangue qui o sinhô tinha! Eles morrero de tanto puxá carroça dágua!

- Tá louco? Que carroça d'água?

- Prapagá o incêndio!

- Mas que incêndio, meu Deus?

- Na sua casa, uma vela caiu, aí pegô fogo nascurtina!

- Caramba, mas aí tem luz elétrica! Que vela era essa?

- Do velório!

- De quem?

- Da sua mãe! Ela apareceu aqui sem avisá e eu dei um tiro nela pensando que era ladrão!

- Meu Deus, que tragédia! - e o homem começa a chorar.

- Peraí sô Carlos, o sinhô num vai chorá pur causa dum papagai, vai?

BOM FIM-DE-SEMANA!
(Pois, obviamente do cancioneiro do FerreirAmigo)

23 de novembro de 2017

Na Alemanha não há “geringonça”



Chegaram ao fim as negociações para formar um governo maioritário na Alemanha.
CDU/CSU, FDP e Verdes não se entenderam.
E as negociações, mais que ficarem num impasse, chegaram ao fim.
Angela Merkel, nada disposta a formar um governo minoritário, vai deixar nas mãos do Presidente alemão Frank –Walter Steinmeier a decisão do caminho a seguir a partir daqui.
Um caminho que poderá passar pela formação de um governo minoritário ou pela convocação de eleições antecipadas.
Um governo minoritário, com Merkel nada disposta a liderar uma solução governativa deste tipo, e com o SPD, segundo partido mais votado, a declarar formalmente que quer ser oposição, parece ser complicado.
A convocação de eleições antecipadas, um cenário cada vez mais possível, seria uma novidade no pós II Guerra Mundial na Alemanha.
Neste impasse o cenário de crise política é muito real.
E o caminho para sair dela muito complicado e difícil de antever.
A solução “Jamaica” (era assim que era conhecido o possível acordo entre os partidos que procuravam uma solução maioritária de governo na Alemanha) falhou.
Não há “Jamaica”, não há “geringonça”, tem a palavra Frank-Walter Steinmeier.

Intemporais (94)

22 de novembro de 2017

Continuidade nas provas europeias assegurada


O Porto assegurou ontem em Istambul a continuidade nas provas europeias nesta época.
Jogo muito complicado, no terrível ambiente que os adeptos turcos sabem criar e que frequentemente intimida os adversários, mas onde o Porto soube responder positivamente, soube sofrer, soube merecer no mínimo a continuidade nas provas europeias na presente época.
Num grupo muito equilibrado, a nota de destaque, pela negativa, vai mesmo para o Mónaco.
O mesmo Mónaco que, humilhado em casa pelo Leipzig, fica fora das provas europeias sem honra nem glória e que irá agora ao Dragão tentar pelo menos salvar a face.
Cabe ao Porto impedir que isso aconteça.
Porto que, para continuar na Liga dos Campeões, só precisa de fazer igual ao Leipzig na última jornada.
Ainda que esse igual seja perder o jogo.
Se jogar como ontem em Istambul, com a mesma garra, a mesma vontade, a mesma coesão, a mesma determinação, não se afigura que seja muito complicado ao Porto bater o decepcionante Mónaco.
E assim continuar na Liga dos Campeões e a acumular prestígio e dinheiro.
A equipa cresceu depois da derrota em casa com este mesmo Besiktas.
Mérito de Sérgio Conceição que, mesmo privado de peças muito importantes há muito tempo, e com um plantel reconhecidamente curto, tem encontrado soluções onde estas não pareciam existir.
A Liga Europa está assegurada.
Falta mais um esforço para assegurar os oitavos-de-final da Liga dos Campeões.

Arte em papel


































21 de novembro de 2017

Para quando o repensar as corridas de motos em Macau?


Mais um Grande Prémio de Macau, mais uma morte nas corridas de motos.
Daniel Hegarty, piloto de motos, 31 anos de idade, faleceu na sequência de um despiste, seguido de brutal embate na Curva dos Pescadores, sensivelmente o mesmo local onde Luís Carreira perdera a vida cinco anos antes.
Azar, como se ouviu um alto responsável dizer?
Não, não é azar.
Pelo contrário, com as condições do circuito e as velocidades estonteantes atingidas, só com muita sorte se escapa aos ferimentos e até à morte.
Sejamos claros e corajosos de uma vez por todas – um circuito que não dispõe de escapatórias, onde um despiste equivale ao embate nas protecções metálicas, ou nos muros, não pode acolher corridas de motos com estas características, que atingem estas velocidades.
Porque isso significa jogar com a vida das pessoas.
Na Macau capital mundial do Jogo, a vida da pessoa tem que ser sempre o limite para o que é lícito jogar.
Só corre quem quer, só arrisca a vida quem quer?
Argumento estafado e falacioso.
Estamos a falar de pilotos profissionais, de pessoas que ganham a sua vida, o seu sustento e o da suas famílias nestas corridas.
E é de ganhar a vida, mais do que ganhar corridas, que se trata.
Ganhar a vida, nunca perdê-la de maneira estúpida e brutal.

Esculturas que desafiam as leis da gravidade