31 de outubro de 2018

Auf Wiedersehen Frau Merkel



Os resultados das eleições no populoso Hesse deram o mote para o fim de uma era na Alemanha e na União Europeia.
Uma era que teve como grande figura política uma cidadã nascida no Leste da Alemanha que soube conquistar uma Alemanha reunificada depois da queda do Muro de Berlim.
E fazer da Alemanha o centro nevrálgico da política e economia da União Europeia.
Corajosa, determinada, carismática, Angela Merkel foi sucessivamente ultrapassando obstáculos para consolidar a sua imagem austera e de forte liderança.
Dezoito anos de liderança de um partido político, e treze como chanceler alemã, inevitavelmente provocam desgaste a nível pessoal e da imagem interna e internacional.
E Angela Merkel percebeu que é chegada a hora de dar a oportunidade a muitos dos seus contestatários de mostrarem o que realmente valem e são capazes de fazer.
Mas não imediatamente.
Seguindo o exemplo de Gerhard Schröder, Angela Merkel pretende abandonar a liderança da CDU mas manter-se no cargo de chanceler até ao final do mandato (2021).
A breve prazo, ou no ano de 2021, com a saída de Angela Merkel da chefia do governo na Alemanha é inquestionável que o país e a União Europeia, tão carente de lideranças fortes, vão entrar numa nova etapa da sua História.
Auf Wiedersehen Frau Merkel, a dama de ferro alemã.

Escultura de Joana Vasconcelos

De que é feita??
Observem com atenção.















EM TEMPO:
Reparem no comentário da luisa e minha resposta. 
Peço desculpa pelo erro.

30 de outubro de 2018

Salvador(es) da(s) pátria(s)


Jair Bolsonaro, como se previa, ganhou as eleições e vai ser o novo Presidente do Brasil.
Bolsonaro é um político hábil, carismático, um ser humano inteligente, culto, brilhante?
Não, nem nada que se pareça com isso.
Então como é que explica que cerca de 56% dos eleitores brasileiros o escolham para dirigir um país profundamente divido e cheio de problemas?
Por muito contraditório que pareça, são exactamente essa profunda divisão e esses imensos problemas que explicam a eleição de Bolsonaro.
O discurso e a imagem musculados, anti-sistema, de corte radical com o passado recente, foram ao encontro dos anseios de uma população cansada de fenómenos de corrupção, de permanente insegurança, de agravamento das desigualdades sociais.
Jair Bolsonaro e os seus apaniguados souberam ler o que se vai passando noutros Continentes e souberam fazer uso do discurso patriota, de defesa da Nação, que tantos seguidores tem conseguido nos mais variados pontos do Planeta (Estados Unidos, Itália, Hungria, Filipinas, como claros exemplos dessa realidade).
No Brasil, a grande maioria dos eleitores não fez nada de diferente do que foi feito noutros países – votar contra.
No caso do Brasil votar contra o PT e todos os que lhe estão de alguma forma próximos ou associados.
E votar em alguém que presumivelmente representa um corte com esse passado que os eleitores rejeitam.
Para quem ande menos atento será tempo de perceber que vivemos uma era de salvador(es) da(s) pátria(s).

15 Ilustrações que mostram quão doente está a sociedade actual


A arte não existe apenas para o deleite de nossos olhos; a arte também cumpre a função de transferir ideias e provocar pensamentos. 
O cartunista austríaco Gerhard Haderer produz ilustrações satíricas há décadas, destacando por que a sociedade de hoje não está nem perto de ser perfeita.
Gerhard Haderer havia até mesmo enfrentado a corte por um de seus livros, The Life of Jesus. 
Isso provocou reacções violentas na Europa, especialmente da Igreja Católica. 
A história culminou em 2005, quando Haderer foi condenado na Grécia por insultar a comunidade religiosa e recebeu uma pena suspensa de seis meses à revelia. 
Alguns meses depois, no entanto, este veredicto foi corrigido em recurso e Gerhard Haderer foi absolvido.
O artista desenvolveu o seu estilo realista quando trabalhava como designer gráfico e ilustrador de agências de publicidade no início de sua carreira. 
Ele teve que passar por uma operação devido a um câncer que sofreu em 1985 e foi forçado a abandonar seus sonhos empreendedores e se tornou um cartunista independente e ilustrador satírico. 
Estes são alguns dos seus melhores trabalhos.

1 – Hoje há mais mortes por selfie do que por ataques de tubarão

2 – “Um estranho no ninho” – um humano pré histórico! 

3 – Um pedaço de merda dentro de uma embalagem bonita, ainda continua sendo merda. 

4 –O que fazemos aos animais para obtermos a nossa comida

5 – Encontros em tempos modernos

6 – Quantos estão fazendo isso agora?

7 – Adeus a privacidade nossa de cada dia

8 – O que engorda os poderosos

9 –  Grandes empresas sufocam os pequenos

10 – Adquira o seu falso sorriso 

11 – Momentos em família

12 – Infância dos tempos modernos

13 – Em qual memória você prefere registar a vida? 

14 – Sonhar é bom, mas não vai te fazer escapar da realidade

15 – A educação tem mais poder sempre

29 de outubro de 2018

A origem da burka e o fim do seu uso na Turquia


A burka, traje islâmico que cobre o rosto e corpo da mulher, tem a sua origem num culto à divindade Astarte, deusa do amor, da fertilidade e da sexualidade, na antiga Mesopotâmia.
Em homenagem à deusa do amor físico, todas as mulheres, sem excepção, tinham de se prostituir uma vez por ano, nos bosques sagrados em redor do templo da deusa.
Para cumprirem o preceito divino sem serem reconhecidas, as mulheres de alta sociedade acostumaram-se a usar um longo véu em protecção da sua identidade.
Com base nessa origem histórica, Mustapha Kemal Atatürk, fundador da moderna Turquia (1923 – 1938), no quadro das profundas e revolucionárias reformas políticas, económica e culturais, que introduziu no país, desejoso de acabar de uma vez por todas com a burka, serviu-se de uma brilhante astúcia para calar a boca dos fundamentalistas da época.
Pôs definitivamente um fim à burka na Turquia com uma simples lei que determinava o seguinte:
«Com efeito imediato, todas as mulheres turcas têm o direito de se vestir como quiserem, no entanto todas as prostitutas devem usar a burka».
No dia seguinte, ninguém mais viu a burka na Turquia.
Essa lei ainda se mantém em vigor.


BOA SEMANA!

26 de outubro de 2018

Uma Experiência


Gostaria de partilhar uma experiência convosco acerca do "Se beber, não conduza"!
Há umas noites atrás saí com uns amigos e fomos tomar uns copos a um barzinho muito agradável.
Depois de umas Vodkas e uns Whiskies, fiquei com a perfeita noção de que tinha ultrapassado o meu limite de resistência ao álcool e fiz uma coisa que nunca tinha feito antes: usei o autocarro para regressar a casa!
Pelo caminho reparei numa operação stop com a polícia a identificar os condutores e a fazer a alguns o teste do balão mas, como eu ia num autocarro, os agentes fizeram sinal para seguir.
E foi assim que cheguei a casa são e salvo, sem qualquer incidente, o que constituiu uma autêntica surpresa para mim porque eu nunca tinha guiado um autocarro antes, nem faço a mínima ideia onde é que o arranjei!!!


BOM FIM-DE-SEMANA

24 de outubro de 2018

O Brexit e a noção de tempo


Piaget estudou o tempo como conjunto de operações que influenciam os estados internos do indivíduo.
O tempo, a evolução dos acontecimentos num determinado processo, iria alterando a percepção dos indivíduos acerca desse processo, do seu desenrolar e da sua conclusão.
Precisamente o que está a acontecer com as complexas negociações do Brexit.
De um lado os negociadores europeus a afirmarem que têm todo o tempo do mundo; do outro os britânicos eurocépticos, com Theresa May à cabeça, a quererem pôr termo o mais rapidamente possível a todo o processo de abandono formal do Reino Unido da União Europeia.
Como pano de fundo, e trunfo do lado dos europeístas, dentro do Reino Unido e da União Europeia, uma contestação crescente a um Brexit que parece cada vez vais ter sido resultado de uma precipitação dos britânicos.
Contestação que funciona a favor dos negociadores da União Europeia e que deixa cada vez menos espaço de manobra aos britânicos e a Theresa May.
Com a União Europeia a aproveitar politicamente o desentendimento dentro do Reino Unido, os problemas internos dos britânicos, para ganhar espaço e tempo de negociação.
Assim se compreende que apareça publicamente Michel Barnier a dizer que não há pressa para formalizar a saída dos britânicos do seio da União Europeia.
E que Theresa May, nervosa, acossada internamente, venha afirmar que ontem já era tarde.
Uma única certeza fica a quem observa todo o processo negocial - o Brexit, que parecia mais que decidido, ainda está muito longe de conhecer uma conclusão.
Se é que ainda não virá a ser revertido...

Intemporais (138)

Esta semana excepcionalmente à quarta-feira porque amanhã não há blogue.
Festejamos 21 de casamento e a balada de hoje é uma forma de celebrar a data.

23 de outubro de 2018

Uma ponte, dois sistemas


Inaugura hoje oficialmente a ponte que liga Hong Kong, Macau e Zhuhai.
O Presidente chinês estará presente na cerimónia oficial, a ter lugar em Zhuhai, conferindo-lhe toda a dignidade e importância, e fará a travessia da ponte na sua limusina particular.
Uma grande obra de engenharia (uma ponte de 55 quilómetros, a maioria dos quais suspensos sobre o mar, uma parte em túnel submarino), a popularmente conhecida por “ponte em y” traz consigo um grande significado político e económico.
Inserida no projecto de tornar a zona do Delta do Rio das Pérolas como zona economicamente mais dinâmica do Planeta nos próximos anos, a ponte que liga as três cidades é também um símbolo da ligação entre as duas regiões administrativas especiais e a Mãe Pátria.
Os dois sistemas que nunca podem viver longe do primeiro.
Primeiro sistema, a Pátria, que terá que ter sempre a primazia.
A cerimónia oficial de inauguração decorrer em Zhuhai é perfeitamente simbólica e reveladora dessa mentalidade e dessa realidade.
Nada é deixado ao acaso nas cerimónias oficiais chinesas.
Nem mesmo o simbolismo que as mesmas encerram.
Quarta – feira já haverá trânsito nesta nova mega - estrutura, também ela simbólica do poderio político, económico e académico da China no século XXI.
Uma ponte que apresenta muitas restrições ao movimento de veículos, mas que nasce com um sinal de forte  esperança que as duas regiões administrativas especiais se vão gradualmente aproximando e integrando cada vez mais no primeiro sistema.
Uma ponte, dois sistemas.

Francisco em Pequim? (Anselmo Borges)


1. A perseguição aos cristãos foi particularmente feroz durante a Revolução Cultural no tempo de Mao. Mas a situação está a mudar de modo rápido e surpreendente. Desde 1976, com a morte de Mao, as igrejas começaram a reabrir e há quem pense que a China poderá tornar-se mais rapidamente do que se julgava não só a primeira potência económica mundial mas também o país com maior número de cristãos. “Segundo os meus cálculos, a China está destinada a tornar-se muito rapidamente o maior país cristão do mundo”, disse Fenggang Yang, professor na Universidade de Purdue (Indiana, Estados Unidos) e autor do livro Religion in China. Survival and Revival under Communist Rule (Religião na China. Sobrevivência e Renascimento sob o Regime Comunista). Isso “vai acontecer em menos de uma geração. Não há muitas pessoas preparadas para esta mudança assombrosa”.
Cresce sobretudo a comunidade protestante. De facto, a China tinha apenas um milhão de protestantes. Em 2010, já tinha mais  de 58 milhões. Segundo Yang, esse número aumentará para cerca de 160 milhões em 2025, o que faria com que a China ficasse à frente dos Estados Unidos. Em 2030, a população cristã total da China, incluindo os católicos, superará os 247 milhões, acima do México, Brasil e Estados Unidos. “Mao pensava que poderia acabar com a religião. E julgava ter conseguido”, diz Yang. “É irónico pensar que o que fizeram foi fracassar completamente.”
A situação parece preocupar as autoridades chinesas, que, por outro lado, não quererão 70 milhões de cristãos como inimigos.
2. Os católicos serão uns 12 milhões. Desde 1951 que a China não tem relações diplomáticas com o Vaticano. Mas o Governo chinês felicitou Bergoglio a seguir à sua eleição como novo Papa e exprimiu o desejo de que, sob o pontificado de Francisco, o Vaticano “elimine os obstáculos”, para uma aproximação. Francisco declarou por várias vezes não só o seu apreço pelo povo chinês como o seu desejo de visitar Pequim. Por exemplo, disse aos jornalistas: “Estamos próximos da China. Enviei uma carta ao Presidente Xi Jinping quando foi eleito, três dias depois de mim. E ele respondeu-me. Há contactos. É um grande povo do qual gosto muito.” E que está à espera de um sinal para uma visita.
O que é facto é que, aquando das viagens de Francisco à Ásia, a China, pela primeira vez, abriu o espaço aéreo para que um Papa pudesse sobrevoá-la. Não se pode esquecer que Francisco é jesuíta e que o jesuíta Matteo Ricci, cujos conhecimentos científicos deixaram o imperador deslumbrado, juntamente com Marco Polo são os dois estrangeiros recordados por Pequim entre os grandes vultos da China. Aliás, a inculturação do cristianismo na cultura e religião chinesas poderia ter-se dado nos séculos XVI-XVII, por influência precisamente do génio de Ricci, não fora a cegueira do Vaticano, que interveio desgraçadamente, impedindo essa síntese entre o Evangelho e a cultura milenar chinesa.
3. Francisco é um jesuíta da estirpe de Ricci, que admira: o processo da sua beatificação avança e a frase “venho dos confins do mundo” será citação de Ricci, que dizia ter passado a vida nos “confins do mundo”. Francisco é também considerado um “animal político”, que sabe de geoestratégia, acompanhado pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, um diplomata de primeira água, como disse o Papa, no regresso da sua viagem aos países bálticos, respondendo às perguntas dos jornalistas sobre o acordo assinado dias antes entre o Vaticano e Pequim: “o Secretário de Estado que é um homem muito devoto, o cardeal Parolin, que tem também uma especial devoção pela observação. Estuda todos os documentos, até nos pontos, nas vírgulas e acentos. Isto dá-me uma segurança muito grande.” Foi um acordo que durou anos de negociações e é sabido que, acrescentou o Papa, “quando se faz um acordo de paz ou uma negociação, as duas partes perdem alguma coisa. Esta é a lei. As duas partes, e continua-se. E isto continuou. Dois passos para a frente, um para trás, dois para a frente, um para trás. Depois, passaram meses sem falarmos e depois chegou o tempo de falar, à maneira do tempo  chinês, lentamente. Esta é a sabedoria, a sabedoria dos chineses.” Não houve improvisação, mas um caminho que durou a percorrer “mais de dez anos”.
Francisco fez questão de sublinhar que assumiu a total responsabilidade pelo que se passou: “Fui eu que assinei o acordo.” Em que consiste esse acordo de 22 de Setembro passado? Antes, havia a Igreja Patriótica, com bispos nomeados pelo Governo, e a Igreja clandestina, com bispos nomeados e fiéis ao Papa. Agora, “há um diálogo sobre eventuais candidatos. A coisa faz-se em diálogo, mas quem nomeia é Roma, o Papa. Isto é claro.” Há uma consulta entre os fiéis para o candidato a bispo, o  Governo aprova, mas o Papa tem o direito de veto, havendo neste caso a necessidade de encontrar outro candidato.
Sucede, pois, que o Papa reconheceu sete bispos da Igreja Patriótica, que ficaram, em igualdade com os outros, em comunhão com o Papa. É compreensível que alguns bispos e muitos católicos que foram perseguidos e tiveram de viver na clandestinidade se tenham sentido um pouco traídos e sofram. Para esses Francisco teve também uma palavra: “Penso na resistência, nos católicos que sofreram. É certo, e sofrerão, Num acordo, há sempre sofrimento, mas eles têm uma fé grande, e escrevem, fazem chegar mensagens. Sim, a fé martirial desta gente avança. São grandes.” E, numa alusão a Viganó, que o acusou na célebre carta bem conhecida, Francisco contou: “Quando saiu aquele famoso comunicado de um ex-núncio, os episcopados do mundo inteiro escreveram-me, dizendo de modo claro que se sentiam próximos, que rezavam por mim... Os fiéis chineses também escreveram e a assinatura desse escrito era do bispo, digamos, da Igreja tradicional católica e do bispo da Igreja Patriótica, os dois juntos e os fiéis juntos com eles. Para mim foi um sinal de Deus. Rezamos pelos sofrimentos de alguns que não entendem ou que têm às suas costas muitos anos de clandestinidade.”
O primeiro resultado visível deste acordo provisório é a presença no Sínodo dos Bispos sobre os  jovens, a decorrer em Roma, de dois bispos da República Popular da China: um da Igreja tradicional e outro da Igreja Patriótica. Na Missa de abertura do Sínodo, ao referir os seus nomes, um nomeado por Bento XVI e outro que pertencia à Igreja Patriótica, Francisco comoveu-se: “Hoje, pela primeira vez, estão também aqui connosco dois irmãos bispos da China continental. Demos-lhes as nossas afectuosas boas vindas: graças à sua presença, a comunhão de todo o episcopado com o Sucessor de Pedro é ainda mais visível.”
4. Poderia Francisco culminar o seu pontificado com uma visita à China? No quadro da reconfiguração geoestratégica daquela região — pense-se nos encontros entre o Presidente Donald Trump e o Presidente Kim Jong-un, no convite deste ao Papa para uma viagem à Coreia do Norte, nas próximas viagens de Kim a Seul e a Moscovo, na visita próxima do Presidente da China, Xi Jinping a Pyongyang... — e da importância deste acordo sobre um tema que era a principal razão de conflito entre Pequim e o Vaticano, não se pode excluir essa possibilidade ou até, diz-se, probabilidade.
Mas haverá ainda outro longo caminho a percorrer. O bispo de Hong Kong, Michael Yeung, apoiou — “Eu disse: Santo Padre, avance, não tenha medo, mas seja cauteloso” — e apoia este acordo com a China, mas adverte: “Não creio que a assinatura deste acordo provisório signifique a solução de tudo. É preciso tempo, um par de anos, para ver.” Acrescentou que “um acordo provisório não poderia ter parado a opressão” dos católicos chineses por parte do regime comunista nem tão-pouco “ter evitado que as igrejas sejam destruídas” ou que “os jovens sejam proibidos de ir à Missa”. “Estas coisas exigirão tempo para serem resolvidas”. De qualquer forma, pede que daqui em diante o Vaticano vele especialmente por duas coisas: os clérigos “clandestinos” encarcerados por Pequim e a liberdade religiosa.
Uma questão maior. Como é sabido, para o estabelecimento de relações diplomáticas, a República Popular da China pressiona todos os Estados para que cortem relações com Taiwan. Ora, a Santa Sé continua a reconhecer Taiwan e o Vaticano é mesmo o único aliado que Taiwan tem na Europa. John Hung Shan-chuan, arcebispo de Taipé, declarou em relação ao acordo: “Estamos felizes pelo progresso das relações, fomos informados antes”, e acrescentou: “O que vemos é que pela primeira vez o partido comunista está a abanar. Eles dizem que não querem que poderes estrangeiros se metam no seu país, mas desta vez permitiram-no. E isso é um bom sinal, embora não saibamos quais serão as consequências no futuro. Mas não estamos preocupados, porque o Papa disse-nos que não nos ia abandonar nem prejudicar Taiwan. Pedimos-lhe isso e sabemos que como bom pastor não nos vai abandonar”.
Neste enquadramento, a Presidente de Taiwan convidou oficialmente o Papa a visitar a ilha, que tem 300.000 católicos, aproximadamente 1, 5% da população. E os dois bispos chineses que estiveram no Sínodo — foi a primeira vez — convidaram o Papa a visitar o seu país, a República Popular da China. Para que a visita se concretize, será necessário um convite formal de Pequim.
Imediatamente a seguir, neste passado dia 18, o Papa Francisco recebeu, como previsto e como escrevi aqui na semana passada, o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, que lhe transmitiu oralmente, a pedido de Kim Jong-un, o convite para visitar a Coreia do Norte.  Depois do encontro, o porta-voz presidencial sul-coreano, Yoon Young-chan, declarou que “o Papa disse: ‘Darei uma resposta incondicional, se me chegar um convite oficial e puder ir’”. Já em relação ao convite para visitar Taiwan, o porta-voz do Vaticano, Greg Burke, confirmou, no mesmo dia, o convite, mas “posso afirmar que essa visita do Santo Padre não está a ser estudada”, disse.
Questões da diplomacia, imensas e complexas.

in DN 20.10.2018

19 de outubro de 2018

Rir é o melhor remédio



OS CORNOS ?!?!? 

OS CORNOS NÃO EXISTEM.... 

ISSO SÃO COISAS QUE VOS METERAM NA CABEÇA...

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MÃE SOLTEIRA 

UMA MÃE SOLTEIRA É IGUAL A QUALQUER OUTRA MÃE. 

SÓ QUE COM OS TOMATES QUE O PAI NÃO TEVE.

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INFORMAÇÃO

A IGREJA CATÓLICA INFORMA QUE TODAS AS "AVENTURAS EXTRA CONJUGAIS" COMETIDAS POR HOMENS COM MAIS DE 65 ANOS, DEIXAM DE SER PECADO, E PASSARÃO A SER PEQUENOS MILAGRES.

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A MÁXIMA SOBRE COLESTEROL

" DEPOIS DOS 50 ANOS  A ÚNICA COISA QUE O MÉDICO DEIXA UM HOMEM COMER COM GORDURA É A SUA PRÓPRIA MULHER ..."

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LA VIE EN ROSE 


BOM FIM-DE-SEMANA!

18 de outubro de 2018

O Brasil (PT) não percebeu o que se passou nos Estados Unidos (Hillary Clinton)


Como é que se explica que o "Trump tropical" consiga, de acordo com as últimas sondagens, ultrapassar já os 50% nas intenções de voto?
Da mesma forma que se explica, em boa parte, a eleição de Trump, é a resposta mais directa e mais simples.
Bolsonaro, com o seu discurso musculado, nacionalista, consegue surfar a onda que se vai estendendo um pouco como um terrível tsunami por vários pontos do Planeta.
Para lhe fazer frente era preciso alguém que se apresentasse com um discurso de ruptura com o passado recente, afastado das elites que cansaram, desiludiram e revoltaram os eleitores.
O oposto de Haddad.
Que não só não corporiza esta ruptura, cai no erro primário de se mostrar colado às figuras mais simbólicas da desilusão e revolta dos cidadãos brasileiros.
As visitas a Lula só vieram acentuar a imagem negativa, de marioneta ao seu serviço, que vinha colada a Haddad e que os apoiantes de Bolsonaro exploraram ao máximo.
E Bolsonaro, que se recusa debater ideias, que se esconde atrás da imagem de impoluto que foi criando e espalhando, vai crescendo nas intenções de voto à custa da queda em simultâneo de Haddad.
Muito mais que mérito de Bolsonaro, há aqui muito demérito de Haddad e do PT.
O Brasil (PT) não percebeu o que se passou nos Estados Unidos (Hillary Clinton).
E vai assistir à eleição de um populista porque não soube encontrar uma figura forte, de ruptura, que lhe fizesse frente. 

Intemporais (137)

16 de outubro de 2018

Furacão Leslie - mais uma negação dos negacionistas


O furacão Leslie atingiu Portugal com extrema violência, em especial a zona Centro do País.
Ainda há largos milhares de casas sem electricidade e a EDP não consegue prever com exactidão quando as ligações serão restabelecidas.
Destruição de infra-estruturas, um enorme susto, pessoas feridas, um cenário que Macau infelizmente conhece muito bem.
Macau e tantos outros locais no Planeta, cada vez mais a sentir os efeitos das alterações climáticas, a revolta da Natureza farta de ser desrespeitada e martirizada pelo Homem.
Portugal não conhecia um fenómeno semelhante ao Leslie desde 1842, ano em que um brutal furação praticamente destruiu a Ilha da Madeira.
Quase um século sem se ter conhecimento destes fenómenos extremos.
Que os cientistas nos vão alertando se vão fazer sentir cada vez com maior frequência.
Os cientistas, aqueles que estudam os fenómenos atmosféricos, as alterações climáticas, as suas causas e consequências.
Do outro lado da barricada, os ignorantes, os negacionistas, uma classe política irresponsável e obtusa que sobrepõe os interesses económicos ao futuro do Planeta.
Com Donald Trump, o entusiasta do carvão, como porta-estandarte da bandeira da estupidez.
O furacão Leslie, que deixou Portugal em estado de sítio, é só mais um exemplo das alterações climáticas que a classe política negacionista recusa ver.
Resta-nos a esperança de ver desaparecer essa classe política, reduzida à sua profunda insignificância, enquanto o Planeta sobrevive às profundas feridas que lhe vão sendo infligidas. 
 

O ciclista


15 de outubro de 2018

Coisas de casal



Coisas de Casal

AMOR ' I ' 

- Querida, vamos ter que começar a economizar.
- Tudo bem... Mas como?
 
- Aprenda a cozinhar e mande a empregada embora.
 
- Tá legal... Então aprenda a fazer amor e pode dispensar o motorista.
 

(NOSSA!!!! ESSA FOI A GOTA QUE FALTAVA....) 


Amor ' II '
 

O cara pergunta para a mulher:
 
- Querida, quando eu morrer, você vai chorar muito?
 
- Claro querido.. Você sabe que eu choro por qualquer besteira...
 

(MISERICÓRDIA.....!)
 

Amor ' III '
 

Na cama, o marido se vira para a jovem esposa e pergunta:
 
- Querida, me diga que sou o primeiro homem da sua vida.
 
Ela olha para o babaca e responde:
 
- Pode ser... Sua cara não me é estranha...
 

(Santo Anjo do Senhor.....)
 

Amor ' IV '
 - A melhor

Um casal vinha por uma estrada do interior, sem dizer uma palavra.
 
Uma discussão anterior havia levado a uma briga, e nenhum dos dois queria dar o braço a torcer. Ao passarem por uma fazenda em que havia mulas e porcos, o marido perguntou, sarcástico:
- Parentes seus?
 
- Sim, respondeu ela. Cunhados e sogra...
 

(Essa pode apostar que não é loira...!!!!)
 

Amor ' V ' 


Marido pergunta pra mulher:
 
- Vamos tentar uma posição diferente essa noite?
 
A mulher responde:
 
- Boa idéia, você fica aqui em pé na pia lavando a louça e eu sento no sofá!!!!!
 

(Essa doeu.)
 

Amor ' VI'
 (Adoro essa!)

O marido decide mudar de atitude. Chega em casa todo machão e ordena:
- Eu quero que você prepare uma refeição dos deuses para o jantar e quando eu terminar espero uma sobremesa divina. Depois do jantar você vai me trazer um whisky e preparar um banho porque eu preciso relaxar..
E tem mais: Quando eu terminar o banho, adivinha quem vai me vestir e me pentear?
- O homem da funerária... Respondeu placidamente a esposa...
 

(essa jamais será escrava de homem...)
 

Amor ' VII'
 

Querida, o que você prefere? Um homem bonito ou inteligente?
- Nem um, nem outro.
 
- Você sabe que eu só gosto de você.
 

(kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk)
 

Amor ' VIII '
 

Marido e mulher estão tomando cerveja num barzinho. Ele vira pra ela e diz:
 
- Você está vendo aquela mulher lá no balcão, tomando whisky sozinha?
 
- Pois eu me separei dela faz sete anos! Depois disso ela nunca mais parou de beber..
 
A mulher responde:
 
- Não diga bobagens. Ninguém consegue comemorar durante tanto tempo assim!


(Sem comentários.....)


BOA SEMANA!

12 de outubro de 2018

Amor é partilha


O casal de velhinhos entra num daqueles restaurantezinhos foleiros, pede um misto frio e uma Coca-cola.
Assim que são servidos, o velhinho pede mais um copo e divide a Coca-cola, entrega a metade do misto-frio para a velhinha e começa a comer, enquanto ela fica olhando.
Penalizado, ao vê-los dividir um lanche tão pequeno, o empregado faz um outro sanduíche e entrega para a velhinha, dizendo:
– Esse é por conta da casa!
O velhinho agradece e explica, orgulhoso:
– Somos casados há sessenta anos e sempre dividimos tudo o que possuímos, meio a meio.
– Muito bacana! – elogia o empregado. 
E, dirigindo-se à velhinha:
 – A senhora não vai comer seu lanche?
– Sim, daqui a pouco! Agora é a vez dele usar a dentadura!

BOM FIM-DE-SEMANA!

11 de outubro de 2018

Vamos banir a utilização do plástico ou ser hipócritas?


Quando ouvi dizer logo de manhã na Rádio Macau que a empresa do grande “m” tinha iniciado uma campanha para banir o plástico nos seus restaurantes, começando por encorajar os seus clientes a não utilizarem a palhinha de plástico, às segundas-feiras!!, pensei que ainda devia estar ensonado.
E que, por isso mesmo, estava a fazer uma grande confusão.
Ainda assim, porque sou curioso, fui investigar afinal o que é que se passava.
E fiquei siderado com a campanha que os grandes conglomerados de fast food, não é só o grande “m” (McDonald’s), é também a Starbucks, estão a levar a cabo.
O combate à utilização do plástico está aí.
E está aí para ficar.
Lembram-se do Toyota? Que veio para ficar e ficou mesmo? É mais ou menos a mesma coisa.
Mais para menos…
Porque este combate sem quartel começa, a título experimental, com as terríveis palhinhas.
E só às segundas-feiras.
Os outros produtos (copos, garfos, facas, garrafas, sacos, caixas,…) permanecem intocados todos os dias da semana.
E as palhinhas, lá mais para a frente, depois dos testes, até podem voltar ao seu uso diário normal sem aquela perturbação das segundas-feiras.
Queremos proteger o Planeta, o único que temos, onde vivemos, que vamos deixar para os nossos filhos, e banir a utilização do plástico de uma vez por todas, ou vamos todos ser hipócritas?
Esta é a grande decisão a tomar.
Porque encorajar os clientes a não utilizar as palhinhas, às segundas-feiras, não é o primeiro passo de uma grande caminhada.
É apenas uma verdadeira e hipócrita palhaçada.

Intemporais (136)

10 de outubro de 2018

Já ninguém acredita na Justiça?



Tenho procurado evitar o tema Cristiano Ronaldo e a suposta violação ocorrida em Las Vegas há nove anos.
Mas, como se tornou de repente mais importante que tudo o resto que se passa à nossa volta, vou também eu perorar um bocado acerca do tema.
Começando com a pergunta que dá título ao post – já ninguém acredita na Justiça?
Bem sei que aquela figura vendada, de balança numa mão e espada na outra, tem sofrido tratos de polé.
Mas será que está tão desacreditada que ninguém mais acredita nela?
A julgar pelo que se tem ouvido acerca de Cristiano Ronaldo e Kathryn Mayorga parece que não.
Entre os que juram fidelidade a Cristiano Ronaldo, e tratam Kathryn Mayorga como prostituta, ou próximo disso, e os que comparam o incomparável (Cristiano Ronaldo e Tomás Taveira nos anos oitenta), há de tudo um pouco.
Só não há quem diga o óbvio – só Cristiano Ronaldo e Kathryn Mayorga sabem exactamente o que se passou naquela luxuosa suite em Las Vegas (até agora julgo que ainda não são conhecidas quaisquer testemunhas neste caso).
E os dois intervenientes, aparentemente os únicos conhecedores do que efectivamente aconteceu, apresentam publicamente versões diametralmente opostas.
Que tal deixar agora as autoridades de investigação criminal e os tribunais fazerem o seu trabalho e dar um bocado de sossego aos envolvidos nesta rábula sórdida?
Envolvidos que, é preciso que se perceba, vão muito para além de Cristiano Ronaldo e Kathryn Mayorga.

A melhor descrição de PARAÍSO e INFERNO





9 de outubro de 2018

As eleições do voto contra


O Brasil votou.
E, como era fácil prever, votou contra.
Estas eleições serão para sempre recordadas como as eleições do voto contra.
Muito mais do que sufragar um programa eleitoral, uma ideia para o País, os brasileiros votaram contra alguém.
Os apoiantes do grande vencedor, Jair Bolsonaro, votaram contra os desmandos do PT, a herança de Lula e Dilma Rousseff, a corrupção, o nepotismo, o caciquismo, que associavam ao PT e aos seus representantes.
Os apoiantes de Fernando Haddad votaram contra Jair Bolsonaro e as suas ideias vistas como racistas, xenófobas, homofóbicas.
E ambos votaram contra Michel Temer, que se terá tornado em muito pouco tempo o mais impopular Presidente do Brasil democrático.
Estas eleições brasileiras, se se podem inserir numa vaga nacionalista e populista que se vem propagando um pouco por todo o Mundo, com exemplos de todos conhecidos e fulanizados nos Estados Unidos e em vários países da Europa, podem marcar uma viragem no sentido de voto dos eleitores a nível mundial.
Porque o paradigma do "pode ser corrupto mas faz obra" pode ter conhecido o seu estertor neste acto eleitoral no Brasil.
Os povos estão fartos do abuso do poder, do aproveitamento do poder político em proveito próprio.
E votam contra quem associam a estas práticas.
Confiando mais em alguém que, por muitos defeitos que apresente, e que sejam publicamente reconhecidos, se apresente de "folha limpa", para usar uma expressão tipicamente brasileira.
A segunda volta, o segundo turno (mais uma expressão tipicamente brasileira), deverão consagrar Jair Bolsonaro como novo Presidente do Brasil.
Um Jair Bolsonaro que terá agora que aparecer mais do que apareceu nesta campanha eleitoral, mostrar-se mais do que se mostrou nesta campanha eleitoral, mas que não trará nada de novo em relação ao que já mostrou e que pelos vistos seduziu os brasileiros.
Ele é o candidato que não está associado a fenómenos relacionados com abusos de poder, o candidato que personifica, do ponto de vista dos eleitores, o combate à corrupção.
E é isso que agora interessa aos eleitores brasileiros.