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Nã venham pó Alentejo.

Tô escrevendo aqui no monti Um poema pós de fora Viver aqui na presta Vã-se mas é daqui embora.
As notis aqui sã frias Nã aguentas nem que te mates 3 mantas Nã te chegam Até arreganha a pele dos tomates.
Os dias aqui sã tã quentes As vezes até falta o ari 50 graus n' amarleja Nem na rua podemos andari.
Na temos aventoinhas Com o calor nã se pode. Os velhos usam samarra E as velhas têm bigode
Querem vir pá cá morari Nem sabem a bicheza que há aqui Gato bravo e Saca-rabos Raposas e javali.
As 5 da manhã tamos-se álevantar Pa monde ir ver do gado Nem imaginam o que é Andar com um pé todo cagado.
Na temos carro de praça Nem sequer internet Uns andam aqui a pé Os outros na biciclete.
Nã temos praia perto, e só se bebe aqui bagaço Os sapos aqui sã tã grandes Espetam com cada cagaço...
As casas nã têm luz E lume é no chão O gerador só faz barulho Pá gente ver a tlevisão
Já dizia a outra porca É nos montis ca gente móra. Como já viram, isto na presta Vã-se mas é daqui embora.
Se antes era deserto Agora continua a ser Nem os quere…

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