12 de janeiro de 2010

Um talento (definitivamente?) desperdiçado


Sandra Lucas Simões, que expressa muitas opiniões com as quais não podia divergir mais, assina uma crónica no "Record" que é quase uma certidão de óbito do futebolista Hélder Postiga (aqui http://www.record.xl.pt/noticia.aspx?id=3d264ce0-ef16-4465-9d44-3377007befaf&idCanal=00001081-0000-0000-0000-000000001081&h=11 ).
E, neste particular, os nossos pontos de vista convergem totalmente.
Hélder Postiga foi um dos muitos jogadores que o Porto "pescou" na Póvoa do Varzim.
Ainda com idade de júnior, Octávio Machado começou a dar-lhe algumas oportunidades na equipa principal.
O Octávio Machado também tomava algumas boas decisões.
Não era só ter seis trincos no plantel e ser o "bufo" que Gomes lhe chamou.
O jovem Postiga correspondeu e, com a entrada de José Mourinho, explodiu definitivamente.
Aos 20 anos, um talento precoce, 13 golos na época de 2002/2003, e meia Europa a perguntar por ele, como então dizia Scolari.
Foi o Tottenham que ganhou a corrida à aquisição do jovem Postiga, pagando 5,5 milhões de libras pelo passe do jogador.
Corria o ano de 2003 e Mourinho avisou publicamente Postiga que ele não estava preparado para uma aventura fora de Portugal, muito menos no exigente futebol inglês.
Até porque não tinha o perfil morfológico necessário para vingar na posição de ponta-de-lança num campeonato tão duro como é a Premiership.
O jovem Postiga, cego pelo dinheiro, surdo pela fama, rumou a Inglaterra e foi um flop total.
Envolvido num negócio que confesso que ainda hoje não entendi, Postiga regressa ao Porto, que deixou sair Pedro Mendes para o Tottenham e ainda deu algum dinheiro.
Desastrosa campanha da equipa e de Postiga em 2004/2005, Co Adriaanse chega e percebe-se logo que o holandês não morre de amores pelo jovem jogador.
Em Janeiro de 2006, aproveitando a rabertura do mercado, Postiga muda-se para França (Saint-Étienne), por empréstimo, onde volta a falhar rotundamente.
Volta ao Porto para a época de 2006/2007,  faz uma primeira volta sensacional, marca 10 golos, para desaparecer totalmente na segunda volta à sombra de Adriano.
Em Janeiro de 2008, já sem espaço e credibilidade no Porto, é emprestado ao Panathinaikos.
No início da época de 2008/2009, a transferência para o Sporting, clube que pagou 2.5 milhões de euros ao Porto e cedeu o jovem Diogo Viana aos portistas para poder contar com o ponta-de-lança.
O brilho da sua estrela, já muito apagado, parece apagar-se definitivamente com Carlos Carvalhal.
Efectivamente, o actual treinador do Sporting coloca Postiga muito lá no fundo da sua lista de prioridades (Liedson, Pongolle, Saleiro, só depois, eventualmente, Postiga).
Heldér Postiga pagou um preço muito alto pela sua precipitação em 2003.
Ignorou os avisos do treinador que o compreendia, sabia dominar e explorar o seu talento, e foi-se eclipsando a pouco e pouco.
No final da época, Hélder Postiga estará certamente entre os transferíveis do plantel do Sporting.
Já estaria agora mas o seu alto salário afastou qualquer hipotético interessado.
E, se o meu feeling (parece-me que é também o da Sandra Lucas Simões) está correcto, Hélder Postiga irá acabar a sua carreira num clube mediano, em Portugal ou num qualquer campeonato sem qualquer projecção.
Uma pena, e um desperdício, para quem tanto prometeu.
Ainda para mais numa posição em que o futebol português é claramente deficitário.
Hélder Postiga teve tudo para ser grande.
Não soube, ou não quis ser grande.
Mais um atleta que é a prova viva que o talento é, só por si, insuficiente.
É necessário, mas não chega.
E há muitos exemplos a confirmar este facto.
O próximo, acho que já se percebeu bem, chama-se Ricardo Quaresma.





2 comentários:

  1. Tenho fé que Quaresma ainda vai a tempo de endireitar a sua carreira.

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  2. Gostava que assim fosse.
    Mas não acredito.
    O tipo não tem juízo e é preguiçoso.
    O tio dele, quando ele apareceu, deixou logo a dúvida no ar - "O Quaresma será o que ele quiser ser".

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