10 de janeiro de 2010

Leiam o que escreve o Sousa Tavares


Extracto da crónica de Miguel Sousa Tavares, na qual o autor se pronuncia a favor do casamento gay, mas aconselha a realização de um referendo sobre o assunto:

"(...) Vencer e convencer seria a melhor e mais digna maneira de resolver definitivamente este assunto e colocar essa resolução ao abrigo de uma eventual maioria de direita que entenda, mais tarde, desfazer o que agora se fez. De duas, uma: ou se assume que se está a legislar contra a vontade da maioria; ou, então, se se arroga a representação dessa vontade, não se pode ter medo de a confirmar por consulta directa."

Fabuloso!!
Deixem-me ver se percebi bem.
O alerta do Miguel Sousa Tavares não tem como fundamento uma qualquer convicção que o leve a pensar que o referendo seria a via correcta para proceder a uma alteração de regime, a uma mudança radical nos valores e costumes da sociedade portuguesa.
Antes, o referendo seria uma maneira de os pós-modernos se precaverem de uma hipotética jogada oportunista de uma circustancial maioria de direita que se possa vir a verificar no futuro.
Ou seja, uma maneira de evitar que a direita venha, no futuro, a fazer exactamente o mesmo  que a esquerda acaba de fazer no presente.

Com argumentos destes, torna-se impossível e inútil empreender qualquer diálogo ou discussão.
Uma qualidade, pelo menos, o Miguel Sousa Tavares tem.
E tem de lhe ser reconhecida.
Ao contrário dos outros defensores do casamento gay, que vão dissimulando intenções e argumentos, ele é brutalmente honesto naquilo que pensa!


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