10 de janeiro de 2010

Acordo de livre comércio ASEAN - China


Sem que fosse dado grande relevo ao facto, o início de 2010 marca a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre a China e a ASEAN.
Esperava-se outro mediatismo a rodear o acontecimento dado estarmos perante a criação de um bloco económico que envolve 1.9 biliões de pessoas e uns estimados 200 biliões de US dólares anuais em trocas comerciais.
O pequeno espaço que os órgãos de comunicação social dedicaram ao facto só vem provar que a ASEAN, enquanto organização internacional, ainda passa um pouco despercebida no contexto global.
Falta-lhe, a par de muitas outras coisas, o que, em língua inglesa, se designa por clout, isto é, a capacidade de atrair a atenção dos media, ainda que perante acontecimentos que se podem tornar enormemente relevantes.
Efectivamente, os media europeus e americanos continuam demasiadamente concentrados nos seus umbigos, atentos ao que passa nos Estados Unidos e na União Europeia, olhando  com desconfiança e receio para o crescimento da China, da Índia, do Brasil, da Rússia (os BRIC), procurando perceber uma possível retoma da economia japonesa.
Alie-se a esta vertente económica uma vertente política, nomeadamente as gueras no Iraque e Afeganistação, e a luta anti-terrorista, e percebe-se a pouca atenção que o Sudeste Asiático vai merecendo nos fora internacionais.
Do lado da ASEAN, por interesse e/ou pouca habilidade, também não se vê grande capacidade para chamar a atenção para um espaço que envolve 560 milhões de pessoas e para a importância política, comercial, geo-estratégica que o mesmo pode ter.
Conjugando todos estes factores, juntando-lhe alguma má consciência da parte de alguns países da Europa Ocidental, até há bem pouco tempo potências coloniais em países da região, o ainda relativo incómodo dos americanos em questões que envolvam o Vietname e o Cambodja, talvez se perceba melhor que a entrada em vigor desta gigantesca plataforma de livre comércio, a maior do Mundo, tenha passado quase despercebida.
A notícia e análise aqui via bilaterals.org  http://www.bilaterals.org/article.php3?id_article=16560 permitindo perceber a dimensão do acordo, as suas várias fases de negociação e implementação, e os países envolvidos nessas várias fases.

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