5 de janeiro de 2010

Quem é que falou em intolerância?


O senhor cuja fotografia encima este post é Leonel Moura.
Confesso que desconhecia o personagem, e que, como tal, nunca tinha lido nenhum artigo escrito pelo dito senhor.
Até que me deparo com o artigo do Jornal de Negócios, cujo link aqui deixo http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=402919 .
Sob o sugestivo título "Qual família?", Leonel Moura, num tom altamente paternalista, consegue demonstrar à saciedade onde é que se encontra realmente a intolerância no que concerne à discussão apaixonada que se gerou à volta da problemática do casamento gay.
Graças a Leonel Moura fiquei finalmente a perceber que tenho que aderir às convicções e valores do senhor, e de outros que seguem o seu pensamento, sob pena de ser considerado um cidadão retrógrado, quiçá mentecapto.
Isto por oposição aos Leonel Mouras, "(...) cidadãos críticos dos poderes, reformistas no que se refere às leis antiquadas e injustas e defensores do direito à felicidade individual (...)".
Valha-nos a humildade do dito senhor, não é?
Também fiquei a saber, graças à infinita sapiência do senhor, que não posso considerar a família, tal qual a concebo, como o pilar por excelência da sociedade.
Como fico feliz por existirem Leonel Mouras para me dizerem o que devo pensar , aquilo em que devo acreditar, como devo seguir a minha vida, quais os valores que são realmente os correctos, para me corrigirem a trajectória errónea que tenho seguido ao longo da minha vida!
E sem eu lhes pedir esse favor, vejam só!
Mas, ainda que os Leonel Mouras achem que os meus valores e as minhas convicções revelam uma enorme "insensibilidade humana" (sic), eu continuo a acreditar que não tenho nenhum dever de aderir às convicções de gente presunçosa, arrogante e mal educada.
E, como tal, continuo a acreditar que a família, na tradição judaico-cristã que ao senhor Leonel Moura tanto repugna, é o pilar por excelência da vida em sociedade.
E não admito aos Leonel Mouras que menosprezem e ridicularizem as minhas convicções.
Muito menos que me venham dizer o que posso ou não pensar, aquilo que é ou não a verdade.
Por muito que haja Leonel Mouras a dizer o contrário, eu continuo a pensar que o casamento gay tem dois objectivos fundamentais - um puramente económico (a sucessão por morte) e o outro a longo prazo e que é  a adopção.
E não, não estou a confundir casamento e adopção, como o senhor Leonel Moura quer fazer crer.
Percebo é que há meios que são utilizados apenas para atingir determinados fins.
As manobras, de que o senhor Leonel Moura se queixa, são por ele utilizadas no sentido oposto ao que denuncia.
Quem é que falou em coerência?
E acho muito curioso que quem tanto reclama o direito à diferença venha, no final, a procurar a mais completa igualdade.
E que imponha essa igualdade por via administrativa, aproveitando-se despudoradamente de uma circunstancial maioria parlamentar.
Para quem está tão seguro das suas convicções, e da aceitação das mesmas na sociedade, é curiosa a total aversão à proposta de referendo que a esquerda modernaça se prepara para chumbar.
Um exemplo de tolerância, sem qualquer dúvida!
Não me oponho à homossexualidade, até porque defendo intransigentemente a liberdade indidual, começando e acabando na liberdade de pensamento.

Por isso mesmo não estou disposto a receber lições de moral, de comportamento cívico e social, de pessoas que se julgam donas de uma verdade absoluta, essa sim dogmática, revelada sabe-se lá por quem, como são os Leonel Mouras deste Mundo.

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