19 de janeiro de 2010

Angola apura-se na CAN


Depois do que aconteceu com a selecção do Togo, estava disposto a deixar passar ao lado a Taça das Nações Africanas (CAN) em futebol.
Mas, depois do que fui vendo ao longo destes dias, e do que li hoje, resolvi deixar aqui a minha impressão sobre o que se está a passar em Angola.
A CAN não podia ter tido pior começo.
O ataque bárbaro aos elementos da comitiva do Togo manchou para sempre a edição deste ano da prova.
A hipótese de cancelamento, ou adiamento, da competição, aventada nalguma imprensa, era obviamente meramente académica.
Há compromissos assumidos, contratos assinados, muito dinheiro e interesses envolvidos, tudo obstáculos inultrapassáveis para tal cenário merecer algum crédito.
Let the games begin!
E começaram de maneira estranhíssima.
A selecção angolana chega aos 4-0 para gáudio dos seus fãs.
Nos últimos 15 minutos do jogo, sofre 4 golos e o jogo com o Mali acaba empatado a 4.
No outro jogo do grupo, a Argélia, uma das grandes potências do futebol africano, perde com o desconhecido Malawi por 3-0.
Confirmando o adágio "o primeiro milho é para os pardais", as selecções angolana e argelina apuraram-se ontem para os quartos-de-final da prova após um conveniente empate (0-0), num jogo em que parecia existir um pacto de não agressão, sobretudo a partir dos 60 minutos.
Ou seja, 30 minutos à espera que o cronómetro confirmasse o apuramento de ambos, deixando o Mali e o Malawi de fora da prova.
E estão aqui reflectidos muitos dos "pecados" que me têm mantido afastado da CAN.
Jogos estranhos, resultados suspeitos, muita ingenuidade por parte de algumas equipas e alguns jogadores, um público alheio à prova (com excepção dos jogos em que intervém a selecção angolana), uma festa que se anunciava e que teima em não aparecer.
Há grandes jogadores no torneio, mas parecem sobretudo preocupados em passar a prova incólumes, sem sustos ou lesões.
A par destes, há jogadores de uma falta de cultura táctica e competitiva absolutamente confrangedoras.
Enfim, uma competição que começou de uma forma horrível e que continua sem grande brilhantismo ou especial interesse.
Dentro do campo, a selecção angolana, comandada por Manuel José, assegurou a passagem aos quartos-de-final da prova, que era o objectivo mínimo assumido.
Mais, ao passar a primeira fase em primeiro lugar do grupo, continuará a jogar em Luanda.
Com este feito, o treinador português iguala a melhor classificação de sempre de uma selecção angolana na prova e deixa os angolanos em festa.
Pena que tenha sido num jogo tão estranho.


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