20 de janeiro de 2010

O fim de Zaia, ou crónica de uma morte anunciada


As notícias que dão conta de um possível cancelamento do espectáculo que o Cirque du Soleil apresenta no Venetian Macau (Zaia) intensificam-se.
Por via de regra, estes "intensos rumores" funcionam como um pré-aviso.
A intenção de cancelar o espectáculo já existirá, a decisão já estará tomada, mas os responsáveis querem auscultar, ainda que informalmente, a opinião pública acerca desta decisão.
Para tanto, fazem circular uns rumores, criam um certo burburinho à volta de uma notícia que ainda não é, mas tem tudo para vir a ser, e ficam à espera para ver qual é a reacção "da rua".
Não percam mais tempo senhores.
Vou dar-vos uma novidade - "a rua" está-se nas tintas!
E é bem feito.
As empresas americanas que apostaram no sector do Jogo em Macau, numa atitude arrogante e ignorante, típica de quem sofre de tiques de superioridade, esqueceram-se de fazer o trabalho de casa.
Estas luminárias iam transportar o conceito de entretenimento de Las Vegas para o Oriente!
E era assim.
Tudo fácil, tudo limpo, tudo feito num passe de mágica e sem serem necessários quaisquer pózinhos.
Por esta altura já devem ter percebido que, quem vem a Macau, vem para jogar.
Jogo puro e duro!
E só isso.
Turismo familiar, espectáculos de grande qualidade que iriam atrair multidões, resorts integrados, .....se realmente acreditavam nisso, os investidores americanos, que até são uns espertalhões, foram muito ingénuos.
Os visitantes (Costa Antunes fala sempre em visitantes, não em turistas) que vêm a Macau, na sua esmagadora maioria, vêm jogar.
E, para estes jogadores, o Jogo é algo de demasiado sério para poder dar espaço a quaisquer outras distracções.
Neste contexto, um espectáculo residente em Macau, limitado aos mercados de Macau e Hong Kong (pouco mais que isso será), com 1800 lugares, tinha tudo para ser um desastre.
É uma pena, porque o espectáculo é muito bonito, o Cirque du Soleil é uma marca de qualidade, mas este modelo não funciona em Macau.
Ou o Cirque du Soleil está disposto a alterar periodicamente os espectáculos em cena (seis em seis meses, por exemplo), eventualmente reduzir a capacidade da sala, ou, se insiste em manter em cena o mesmo espectáculo, com toda aquela grandiosidade, na expectativa que os jogadores e suas famílias dêem um pulinho ao Zaia no intervalo de umas rodadas de baccarat, está condenado ao fracasso.
Não há intervalos no Jogo para estes visitantes.
Nem para comer!!
Haja alguém que explique a estes investidores americanos o significado da expressão Macau sã assi!




2 comentários:

  1. É por estas coisas que morro de tédio em Macau. Quem não joga,pouco ou nada tem para fazer.

    ResponderEliminar
  2. A ideia de um espectáculo residente era suicidária.
    Se variarem os espectáculos que têm em cena, e diminuirem o número de espectadores, talvez seja viável.
    Assim, nem pensar.

    ResponderEliminar