30 de janeiro de 2010

Acho que o Domingos me quer irritar

Esta é a explicação mais lógica para a carreira do Braga na Liga Sagres.
Eu vou insistindo que o Braga não é candidato ao título, o Domingos lê o Devaneios, manda os jogadores ler também, motivam-se, e continuam uma carreira absolutamente fenomenal.
Então agora vou chatear o Domingos também - depois da vitória de ontem sobre o Sporting (1-0) considero o Braga oficialmente candidato ao título.
Ontem, num jogo rasgadinho, que podia pender para qualquer dos lados, o Braga voltou a mostrar as suas virtudes - uma defesa extraordinariamente sólida, um meio-campo que combina músculo com algumas unidades criativas (ontem Mossoró partiu a loiça), e jogadores na frente que podem marcar a qualquer momento e resolver o jogo (a crónica do Jogo aqui http://www.ojogo.pt/26-30/artigo845257.asp ).
Não há vedetas, não há grandes nomes, mas há um trabalho consolidado, uma gestão muito cuidada, dentro e fora do campo, jogadores motivados, e, acima de tudo, um treinador muito competente.
Domingos está preparado para suceder a Jesualdo Ferreira, quiçá com vantagens sobre o actual treinador do Porto.
Entretanto, enquanto isso não acontece, vai brilhando em Braga.
Ontem terá liquidado qualquer réstia de esperança que o Sporting ainda pudesse alimentar no que concerne à luta pelo título, ao mesmo tempo que terá assegurado um dos três primeiros lugares para o Braga, isto é, a melhor classificação de sempre do clube.
Mais, com o resultado conseguido, colocou pressão no Benfica e no Porto para os jogos que vão disputar hoje.
A luta pelo título será a três.
Mas com o Sporting....de Braga.

Correr sozinho e ficar em segundo

Era assim que era apresentado o cúmulo da lentidão.
No entanto, a manobra arriscada das forças pró-democracia em Hong Kong, pode vir provar que, afinal, até é possível correr sozinho e ficar em segundo.
Mais e mais, adensam-se as suspeitas e os rumores que apontam no sentido de as forças políticas pró-Pequim não se apresentarem a sufrágio.
Se a ideia germinou em Hong Kong ou em Pequim é algo que nunca iremos saber com toda a certeza....
Relevante é que, com a mobilização que se vai detectando, e de que já aqui se deu conta, as forças pró-democracia em Hong Kong poderão sofrer um revés histórico.
A teimosia dos democratas poderá ter um preço bem alto e fazer de Hong Kong a prova viva que é mesmo possível correr sozinho e ficar em segundo.

29 de janeiro de 2010

Um cretino é mesmo um cretino

Manuel Machado tinha razão - Um cretino é um cretino.
Se o cretino for italiano, primeiro-ministro, e se chamar Silvio Berlusconi, esta afirmação faz ainda mais sentido.
O idiota mais poderoso de Itália, brindou-nos agora com mais uma prova da sua inigualável estupidez ao associar a redução no número de estrangeiros no país à redução das taxas de criminalidade.
E isto à saída de uma reunião de um  Conselho de Ministros em que se discutia o combate ao trabalho ilegal e à máfia.
Seria irónico se não fosse tão inqualificavelmente xenófobo.
Mas, há que o reconhecer, este caminho fácil de apontar para os "estrangeiros", uma qualificação suficientemente vaga para incluir todos, sem apontar para ninguém em concreto,  quando se fala em criminalidade, não é um exclusivo de Berlusconi.
Neste particular, há muitos Berlusconis no Mundo.
As declarações do bobo italiano assumem maior gravidade porque são proferidas numa época em que se vive um clima algo tenso em Itália no que diz respeito à presença de emigrantes no país, e em que são visíveis manifestações públicas crescentes de sentimentos racistas.
Muito bem acompanhado pelo seu colega na coligação governamental, Umberto Bossi, o líder da Liga do Norte, uma entidade com raízes xenófobas por demais conhecidas, Berlusconi vai vomitando estes impropérios impunemente.
Não tem sido levado muito a sério fora de Itália porque é olhado como um tolo inofensivo.
A recente expressão de Isabel II, mistura de espanto, receio, e incredulidade, equanto o tontinho berrava pelo nome de Obama ("porque é que ele fala tão alto?", perguntava atónita Isabel II), é uma metáfora perfeita para a maneira como Berlusconi é olhado fora de Itália (ver aqui http://www.rtve.es/mediateca/videos/20090403/reina-isabel-rine-berlusconi/466639.shtml )
Ninguém o leva muito a sério, mas também ninguém quer a companhia dele, a não ser que seja absolutamente necessária.
Tenho para mim que, ele e todos os loucos racistas e megalómanos como ele, são cretinos bastante perigosos.
Cretinos, sim senhor, mas cretinos que comandam um país com o peso da Itália.
O Mundo já devia ter aprendido que não se deve rir com estes idiotas.
Antes os deve olhar com o olhar de desconfiança e desdém de Isabel II.




No mundo das notícias que não são notícias

Notícia do "Record":

Paris Hilton disputada no Brasil

Um tipo lê um título destes e pensa logo que a cachopa vai jogar para o Flamengo, o Fluminense, que vai susbstituir o Kléber no Cruzeiro quando ele vier para o Porto.
Fica-se na dúvida se ela será boa de bola (boa da bola a gente sabe que não é!), e vai ler a "notícia".
E eis o que se lhe depara:

"Depois de anunciar no seu Twitter que vai passar o Carnaval no Rio de Janeiro, Paris Hilton provocou uma "luta" em terras brasileiras. Muito requisitada, a empresária norte-americana, de 28 anos, foi convidada por duas marcas de cerveja , a Nova Schin e a Brahma, para assistir ao desfile, no sambódromo Marquês de Sapucaí, nos seus respetivos camarotes.

De acordo com o jornal "Folha de S. Paulo", uma das empresas até já reservou um quarto de hotel para Paris no luxuoso Copacabana Palace. Quem ganhará esta disputa?"

Então é isto?!
Ora bolas!
Só desilusões.
Em primeiro lugar, já não tratam a "piquena" por "socialite".
Agora tratam-na por "empresária".
Eu acho que socialite é mais apropriado.
Até fui ver o significado e o que encontrei na Wikipedia foi isto - "A socialite is a person who participates in social activities and spends a significant amount of time entertaining and being entertained".
Era o que eu pensava.
Em português, uma gaja rica, que não faz a ponta de um corno, mas que se diverte muito.
Paris Hilton em toda a linha.
Como se esta desilusão não fosse só por si suficiente, afinal a moça nem sequer vai desfilar no Carnaval brasileiro.
Vai só assistir.
Valha a verdade que a gente já viu tudo o que havia para ver na rapariga.
E nem é nada de extraordinário.
Para loira burra há para aí muito melhor.
Mas sempre tinha outro salero se ela fosse desfilar, não é?
Assistir?
Que interesse é que isso tem?
Será que ela vai encontrar-se outra vez com o CR9?
Aí sim, já havia notícia.
E daquelas da era da globalização - "Socialite americana trai namorado americano, com galáctico português no Brasil".
Será que o Record sabe mais qualquer coisa que não quer revelar agora?
Sim, é que, para publicar aquela merda, era melhor estar quieto.



 

28 de janeiro de 2010

O iPad, o iPod e o cinto nas calças


A Apple desvendou o mistério - está aí o iPad!
O Planeta esperou uma eternidade para ver o novo "gadget" da Apple.
Foram-se discutindo possíveis nomes do brinquedo  (seria Tablet? iTablet? Slate? iPad?John, Julia ou Jane?), até que apareceu Steve Jobs, o CEO da Apple, a mostrar a "criança" e a desvendar o nome do "rebento" - é o iPad.
As reacções entre os "nerds" foram do fervor quase religioso dos que julgam que o Mundo mudou ontem (aqui http://www.belfasttelegraph.co.uk/lifestyle/technology-gadgets/applersquos-ipad-lsquowill-change-the-worldrsquo-14654640.html), à desilusão dos que acham que aquilo é só um iPod um bocadinho mais elaborado (aqui http://www.ibtimes.com/articles/20100127/apples-ipad-is-just-likebig-ipod-touch.htm).
Aquela porra é como aquela boneca, a Roxxxy, que não sabe cozinhar nem varrer a casa, pá!

No meio desta troca de argumentos, que só agora começa, há espaço para quem se preocupe com aspectos mais óbvios, mais triviais e "cor-de-rosa" - porque é que Steve Jobs aparece sempre com a mesma indumentária e não usa cinto nas calças quando aparece em público nestas apresentações? (aqui http://ask.metafilter.com/93760/Why-doesnt-Steve-Jobs-wear-a-belt ).
Entre o iPad, o iPod, e o cinto que Steve Jobs não usa, o que é que você acha?
Eu acho que pode.
Desde que as calças sejam justinhas na cintura,  ai pode, pode!
Pode e não pede.

27 de janeiro de 2010

Um grande tiro no pé?


A demissão de cinco membros do Legco de Hong Kong, que obriga à realização de eleições intercalares, as quais são vistas pelos demissionários como um referendo, de facto, à implementação do sufrágio directo e universal em Hong Kong, parece-me uma jogada altamente arriscada por parte das forças pró-democracia da antiga colónia britânica.
Em primeiro lugar, ainda que o resultado lhes seja favorável, uma vez que o referendo não está consagrado na Lei Básica, Pequim nunca retirará de tais resultados as consequências que as forças pró-democracia pretendem.
A agenda do Governo Central é que é realmente importante, e esse é um facto que já todos percebemos.
Ainda assim, o Poder em Pequim, e em Hong Kong também, não se cansa de repeti-lo.
O sufrágio directo e universal acontecerá quando Pequim decidir que deve acontecer.
Esta teimosia das forças pró-democracia irrita o Governo Central e, pelo que é dado perceber pelas sondagens, começa a cansar a própria população de Hong Kong.
E aqui reside o segundo erro que os pró-democratas terão cometido neste processo.
A acreditar na imprensa, um estudo da Universidade de Hong Kong, realizado entre 11 e 13 de Janeiro, concluiu que apenas 24% dos 1008 inquiridos apoiava o plano de referendo, com 50% a revelar-se contra.
Mais, um outro estudo, levado a cabo este fim-de-semana, concluiu que 72% das 327 pessoas entrevistadas considerava a realização de eleições intercalares um desperdício de dinheiro público, ao passo que 69% defendia que o referendo afectaria as relações entre Hong Kong e Pequim.
E chegamos ao terceiro erro que os pró-democratas cometeram - o timing para levar a cabo esta iniciativa dificilmente poderia ser pior escolhido.
Com a economia de Hong Kong a navegar em águas agitadas, mas, ainda assim, a não adornar, a população mostra-se muito mais preocupada com o bem-estar económico do que com os sucessivos protestos dos pró-democratas.
O Governo de Hong Kong percebeu esse facto, aproveitou o anúncio recente que coloca Hong Kong, pelo 16º ano consecutivo!, como a economia mais livre do Mundo, e agitou imediatamente a bandeira do desperdício de dinheiros públicos, com contas feitas e tudo (ler aqui http://news.yahoo.com/s/ap/20100126/ap_on_re_as/as_hong_kong_democracy ).
Posso estar enganado, mas creio bem que os movimentos pró-democracia em Hong Kong acabam de dar um tremendo tiro no próprio pé.
Neste particular, andaram bem os "irmãos" de Macau.
Ng Kuok Cheong, entre um sorriso malandro, deixou bem claro que os "democratas" em Macau não pensam seguir esta estratégia de confrontação com Pequim "porque o Partido Comunista Chinês é muito forte e tem muito poder" (sic).
Afinal, os "democratas" de Macau ainda são capazes de dar umas lições aos seus "gurus" do outro lado do Delta do Rio das Pérolas.

E agora uma piada fácil


Avatar? Ainda Na"vi!!

Ainda a pandemia


Recebida por mail:

Simulação influente e simulação não influente


Outra notícia do "Record":

A Comissão Disciplinar da Liga sancionou o médio do Benfica Pablo Aimar com a pena de multa de 750 euros, pela "simulação evidente de grande penalidade", no jogo com o Nacional, realizado a 26 de Outubro, no Estádio da Luz, a contar para a 8.ª jornada da Liga, e que terminou com a vitória dos encarnados por 6-1.

No comunicado da Liga pode ler-se que o argentino foi punido por "simulação evidente de grande penalidade inexistente, que provoca decisão errada da equipa de arbitragem, sem benefício para a sua equipa na atribuição final dos pontos em disputa".


Fiquei a saber que a moldura penal é diferente para a simulação influente e para a simulação não influente.
O que estes senhores da CD da Liga sabem, pá!!
E batoteiro?
Também é diferente se é influente ou não influente?

Um jogador abençoado



Título do jornal "Record":
"Rúben Micael: Jesus pôs-me dois dedos na cara".
Ainda bem que o Porto comprou o passe dele.
Mas isto de ter um jogador abençoado até devia ser considerado uma vantagem competitiva desleal.
Deixem de falar da porra dos túneis!!

A "luta desigual" é com o Porto


No final do jogo em Matosinhos, sabendo que iria defrontar um dos grandes, e fora, André Villas-Boas, treinador da Académica, referiu que, fosse quem fosse o adversário, iria ser sempre uma "luta desigual".
Já se sabe - a "luta desigual" é com o Porto no Dragão.
O Porto é favorito, mas a história de David e Golias tem-se repetido muitas vezes nesta prova.
É melhor que João Pinto, na sua infinita sabedoria, diga aos jogadores do Porto que isto de "prognósticos só no fim do jogo" (esta é eterna! E não cansa!).
Na outra meia-final, um apetecível Sporting-Benfica, a reedição da final da prova na época passada, que tanta polémica despertou.
Carvalhal vai ter uma série de testes seguidinhos (jogo com o Braga já no próximo fim-de-semana para a Liga Sagres; jogos com o Porto para a Taça de Portugal e Liga Sagres; jogo com o Benfica para a Taça da Liga; jogos com o Everton para a Liga Europa) dos quais sairá aclamado, ou acamado!
Não há meio termo.
Está quentinho, dentro e fora do campo.


26 de janeiro de 2010

Centro de Ciência de Macau


O Centro de Ciência de Macau, projectado por I.M. Pei, abriu ontem as portas ao público.
Inaugurado simbolicamente por Hu Jintao em 20 de Dezembro de 2009, só agora o Centro abre oficialmente ao público.
Com um custo total de 790 milhões de patacas, o Centro tem logo como primeiro cartão de visita o nome incontornável do autor do projecto arquitectónico.

I.M. Pei, abreviatura pela qual é conhecido  Ieoh Ming Pei, o arquitecto que projectou a pirâmide de vidro junto ao Louvre, goza de uma reputação que poderá funcionar como atractivo para uma visita.
Com uma capacidade máxima diária de 700 visitantes, o Centro espera receber 300 000 visitantes anualmente.
Para atingir esse objectivo, apresenta uma panóplia de funcionalidades nas suas 14 galerias dispostas em forma de espiral ascendente, das quais se destaca um planetário com sessões contínuas de projecções de filmes em 3D, com alta definição (supostamente o melhor equipamento deste género no Mundo), e versões em português, chinês e inglês.
O conceito base de todo o projecto é a interactividade, pretendendo-se com o mesmo atingir sobretudo um público maioritariamente jovem.
Fica aqui o website http://202.175.126.2/pt/07logo_regulation.php para mais informações.

Mais uma não-notícia


«Por aquilo que temos visto e ouvido, e mesmo sem conhecer o documento, quase que punha as mãos no lume e diria que os Verdes vão chumbar a proposta do Governo».
Esta frase bombástica foi proferida por Heloísa Apolónia, líder parlamentar dos Verdes, após uma reunião com o Governo destinada a debater a proposta de Orçamento para 2010.
Olhe Heloísa, a menina pode colocar as mãos no lume à vontade.
A actuação do seu partido também me permite dizer que quase colocava as mãos no lume e diria que os Verdes eram bem capazes de chumbar um Orçamento em que fossem proponentes!
Hábitos enraizados, não é?

O meu amigo Guilherme, Ung Vai Meng


Está confirmada a notícia - o meu amigo Guilherme, Ung Vai Meng, vai passar a dirigir o Instituto Cultural.
O Guilherme é meu colega e amigo há já vários anos.
Trata-se de uma pessoa que apresenta qualidades, humanas e profissionais, verdadeiramente excepcionais.
Por isso mesmo, a notícia deste novo desafio na sua carreira foi recebida por todas as pessoas com quem contactei com a mesma genuína felicidade e com o sentido que se trata de um reconhecimento do mérito e da capacidade de uma pessoa realmente invulgar.
O Guilherme é uma pessoa com uma sensibilidade extraordinária nos campos da arte e da cultura, um humanista, pouco dado a burocracias e miudezas patéticas, com uma rede de contactos enorme, em Macau, na China, em Portugal,...um homem com muito Mundo.
A sua nomeação é um gesto muito acertado e que vai ter excelentes resultados.
Esta é uma daquelas situações em que faz todo o sentido usar a expressão "a pessoa certa no lugar certo".
Um abraço ao Guilherme.

Já começou o Porto - Sporting



Os quartos-de-final da Taça de Portugal em futebol reservam-nos um apetitoso Porto-Sporting, que Vítor Baía apelidou de final antecipada.
Mas o jogo, fora do campo, já começou.
Muito se joga fora do campo em Portugal!
O Sporting queria adiar o jogo e jogar a 3 de Fevereiro.
O Porto, que tem um calendário terrível nos tempos mais próximos, responde não. É no dia 2, como estava previsto, e ponto final na conversa.
O tempo de antena dos túneis, dos socos, das pedradas, das escutas, vai ser drasticamente diminuído para dar espaço à discussão do dia 2 ou dia 3.
Se o Porto é mais beneficiado, ou se, pelo contrário, é o Sporting.
Se calhar não era má ideia o Porto jogar no dia 2 e o Sporting no dia 3.
Assim ficavam os dois satisfeitos e não havia mais discussões.
Digam lá o que é que acham da ideia.

Pandemias


O Devaneios está em condições de afirmar que, depois da inexistente pandemia de Gripe A, o Mundo será assolado por uma inexistente pandemia de bom-senso e honestidade.
Mas esta não servirá para enriquecer a indústria famacêutica.

Os efeitos da globalização


De acordo com uma fonte alemã, o destino do brasileiro Hulk, seria o campeonato italiano (Inter de Milão), na sequência dos incidentes do "túnel da Luz", que resultariam na suspensão do jogador no campeonato português.
O suposto negócio envolveria o pagamento de uma verba de 20 milhões de euros ao Porto, à qual  acresceria ainda o passe de Quaresma ou de Mancini.
A notícia(?), com honras de primeira página, aqui via "O Jogo" http://www.ojogo.pt/
Perguntinhas de algibeira:
O Inter vai pagar 20 milhões de euros, e dar o passe de um dos seus jogadores, para ficar com um jogador que não pode utilizar na Liga dos Campeões?
Quaresma, ou Mancini, querem vir para o Porto?
O Quaresma de que se fala é o mesmo que disse que já tinha feito a carreira dele em Portugal e que queria experimentar outros campeonatos, não é?
Mudou de ideias?
Na hipótese, meramente académica, de Quaresma, ou Manicini, quererem vir para o Porto, quem é que lhes paga o salário?
Não sei qual é a fonte (alemã) da notícia(?).
Mas sei que, se fosse jornalista, este contacto era eliminado da minha agenda.
Efeitos da globalização?
Neste caso específico, um enorme disparate.
E porque é que o disparate também não pode ser global, não é?!

25 de janeiro de 2010

Quanto é que custa um cancro nos pulmões?


A Assembleia Legislativa de Macau aprovou, na generalidade, a proposta de lei de prevenção e controlo do tabagismo.
Num processo algo sui generis, depois de aprovada a proposta de lei, esta foi submetida a consulta pública.
Se a intenção é protelar a entrada em vigor da lei, foi bem jogado.
Se é realmente auscultar a opinião pública acerca do conteúdo da lei, parece que o processo está a andar de pernas para o ar.
Não teria sido mais sensato, e lógico, consultar a população antes de submeter a proposta de lei a aprovação da Assembleia Legislativa?
Como é norma nestes processos, a polémica está instalada.
Ao consagrar excepções para os casinos, saunas e massagens, bem como para as salas de dança, a Administração abriu o flanco.
Consequência - o sector da restauração também quer entrar no regime de excepções.
E, muito provavelmente, outros se seguirão.
Antes de prosseguir, e porque quem me conhece já me deve ter criticado, declaração de intenções - Fui fumador durante muitos anos.
Deixei de o ser em Maio de 2008, ou seja, em data relativamente recente.
Mas, espero eu, ao analisar a proposta de lei, e o processo de consulta associado, a minha objectividade não será tolhida, num sentido ou noutro, pelo facto de ter sido fumador e já não o ser.
E entro então no terreno minado que é sempre esta discussão sobre a liberdade do fumador e as excepções que o legislador tem que consagrar para proteger essa liberdade, bem como a viabilidade de determinados negócios, sendo os casinos a expressão máxima desta última problemática.
Não consegui ainda perceber como é que não se consegue assegurar essa viabilidade com a criação de zonas de fumadores, ou seja, não entendo como é que os casinos têm que ser uma imensa e total zona de fumo para serem economicamente viáveis.
Mais ainda, como é que as salas de dança e os estabelecimentos de saunas e massagens também têm que ser zonas de fumo para serem economicamente viáveis.
A justificação de só ser permitida a entrada a maiores de 18 anos nesses espaços é perfeitamente ridícula.
O bem que se pretende proteger não é a saúde pública?
Ou é só a saúde pública dos menores de 18 anos?
Os maiores de 18 anos têm outra maturidade, outra capacidade de decisão, têm maioridade legalmente consagrada.
O problema é sempre o mesmo - e quem está ao lado desse maior de 18 anos? Porque é que tem que levar com o fumo em cima se não quer?
Posso entrar num exercício divinatório? O próximo sector a solicitar um regime de excepção vai ser o que explora as máquinas de diversão e os jogos em vídeo.
E aí entram menores de 18 anos.
Qual será a justificação depois?
E surge então essa proposta absolutamente alucinante que dá origem ao título deste post - compensar financeiramente os trabalhadores dos casinos (ainda não ouvi falar dos trabalhadores dos estabelecimentos de saunas e massagens, e das salas de dança, mas presumo que lá chegaremos) pelo fumo a que vão ser sujeitos, muitos deles não fumadores, mas que serão forçosamente fumadores passivos.
Quanto será que vai custar a saúde das pessoas?
Quem é que avalia esses "custos"?
Com que critérios?
E qual é a lógica de proibir o fumo em jardins, piscinas, ou seja, em locais ao ar livre, e permiti-lo em zonas fechadas?
Confesso que não entendo.
A menos que caminhemos no sentido que receio, isto é, que todos esses locais se venham a tornar excepções, de uma maneira ou de outra.
A continuar por este caminho, a lei poderá ter um único artigo, sendo este destinado a proibir absolutamente o fumo no domicílio de cada um.
Se você fumar em sua casa será severamente punido!!
Singapura e Hong Kong têm sido, demasiadas vezes, fonte de inspiração do legislador de Macau.
Porque é que não o são agora?
É que, nas duas regiões, a legislação anti-tabágica é duríssima.
E é esse o caminho a trilhar se efectivamente se quer erradicar o fumo de locais públicos, especialmente de locais públicos fechados.
Infelizmente, confiar no civismo e na boa educação das pessoas já se revelou perfeitamente inútil.



Três "grandes" e Académica nas meias-finais da Taça da Liga


Estão definidos os semifinalistas da Taça da Liga (a Carlsberg Cup).
A Académica junta-se aos três "grandes" na disputa de um lugar na final.
Vitória em Matosinhos (1-0), que significou o melhor segundo classificado e um lugar nas meias-finais.
Com os critérios que presidem ao sorteio, e depois das classificações da primeira fase, já se sabe que o Sporting (que foi a equipa que conquistou o maior número de pontos nesta primeira fase) vai jogar em casa.
Com base nesses mesmos critérios, a Académica joga fora, o que suscitou o comentário de André Villas-Boas acerca de uma "luta desigual".
O Porto ganhou na Amoreira (2-0).
Ruben Micael estreou-se, Orlando Sá marcou, Guarin e Mariano confirmaram que andam ali a fazer não se sabe bem o quê.
O Sporting foi ganhar à Trofa (1-0).
Mais um golo do "Levezinho", imperturbável apesar dos acontecimentos a meio da semana.
Definitivamente, Liedson resolve!
O Benfica ganhou em Vila do Conde (2-1) pela segunda vez no espaço de menos de um mês.
Carlos Martins e Di Maria colocaram os encarnados nas meias-finais, eliminatória que terá forçosamente um duelo de gigantes.
Com estes resultados, o Porto e o Sporting, que tanto têm sido falados por aspectos extra-futebol, continuam envolvidos em todas as competições.
Esta é que devia ser a verdadeira notícia, a nota de destaque.
Mas eu compreendo que venderia menos que as escutas, os murros do Sá Pinto, as pedradas no autocarro do Porto e no carro de Pinto da Costa, os túneis e as suspensões preventivas (o Hulk e o Sapunaru ficam suspensos "preventivamente" até ao fim da época?).

Paulo Remédios diz que sabe demais


O advogado Paulo Remédios diz que não o querem em Lisboa porque sabe demais.
O assessor do Presidente da República de Timor-Leste, arguido num processo que envolve falsificação de documentos, aquisição fraudulenta de imóveis em Macau, escrituras irregulares de habilitação de herdeiros, afirma, em entrevista ao "Ponto Final", que não o querem em Lisboa porque sabe muita coisa.
Já percebi.
É como aquele outro que também sabia demais.
Quer dizer, pensava que 2+2 era igual a 5.
Deve ser isso que Paulo Remédios também quer dizer.

22 de janeiro de 2010

Adopte um terrorista


Recebido por mail:
Eis a tradução da resposta que o ministro canadiano da Defesa dirigiu a uma boa alma que a ele se lamentava da sorte reservada aos «combatentes» afegãos, prisioneiros nos centros de detenção no Afeganistão.

Cara cidadã inquieta,
Obrigado pela sua recente carta exprimindo a sua profunda preocupação a propósito da sorte dos terroristas da Al Qaida capturados pelas forças canadianas, transferidos de seguida para o governo afegão e presentemente detidos pelos seus oficiais nos centros nacionais de reagrupamento de prisioneiros no Afeganistão.
A nossa administração toma este assunto muito a sério e a sua mensagem é recebida com muita atenção aqui em Ottawa.
Ficará feliz de saber que, graças à preocupação de cidadãs como a senhora, criámos um novo departamento na Defesa Nacional, que se chamará P.L.A.R.A., isto é, «Programa dos Liberais que Assumem a Responsabilidade pelos Assassinos».
De acordo com as directrizes deste novo programa, decidimos eleger um terrorista e colocá-lo sob a vigilância pessoal da senhora.
O seu detido particular foi seleccionado e será conduzido sob escolta fortemente armada até ao domicilio da senhora em Toronto a partir da próxima segunda-feira.
Ali Mohammed Ahmed bin Mahmud (poderá chamar-lhe simplesmente Ahmed) será tratado segundo as normas que a senhora pessoalmente exigiu na carta de reclamação.
Provavelmente será necessário que a senhora recorra a assistentes. Nós faremos inspecções semanais a fim de nos certificarmos, com a mesma firmeza da sua carta, de que Ahmed beneficia realmente dos cuidados e de todas as atenções que nos recomenda.
Apesar de Ahmed ser um sociopata extremamente violento, esperamos que a sensibilidade da senhora ao que descreve como o seu «problema comportamental» o ajudará a ultrapassar as suas perturbações de carácter.
Talvez a senhora tenha razão quando descreve estes problemas como simples diferenças culturais.
Compreendemos que tenha a intenção de lhe proporcionar conselhos e educação ao domicílio.
O seu terrorista adoptado é temivelmente eficaz nas disciplinas de close-combat e pode dar fim a uma vida com objectos simples, tais como um lápis ou um corta-unhas.
Aconselhamo-la a não lhe pedir para fazer uma demonstração durante a próxima sessão do seu grupo de yoga.
Ele é igualmente especialista em explosivos e pode fabricá-los a partir de produtos domésticos. Talvez seja melhor que a senhora os guarde fechados à chave, salvo se considerar (segundo a opinião que exprime) que isso o possa ofender.
Ahmed não desejará manter relações com a senhora ou com as suas filhas (excepto sexuais), na medida em que considera que as mulheres são uma espécie de mercadoria sub-humana.
É um assunto particularmente sensível para ele, que é conhecido por manifestar reacções violentas em relação a mulheres que não se submetem aos critérios de vestuário que ele recomenda como mais próprios.
Estou convencido de que, com o tempo, virá a apreciar o anonimato que oferece a burkha. Recorde que isso faz parte do «respeito pelas crenças religiosas», como escreve na sua carta.
Mais uma vez, obrigado pelos seus cuidados. Apreciamos bastante que cidadãos nos indiquem como fazer bem o nosso trabalho e ocupar-nos dos nossos congéneres.
Tome bem conta de Ahmed e lembre-se de que a observaremos.
Boa sorte e que Deus a abençoe.
Cordialmente,

Gordon O'Connor
Ministro da Defesa Nacional

Pornografia


Não, não vou deixar neste post um monte de gajas nuas.
Eventualmente, não seria de tão mau gosto, tão gorduroso e lamaçento como o assunto a que me vou referir.
As escutas do Apito Dourado já estão disponíveis no YouTube.
O jornal Record dá a notícia, refere que não há ali grandes novidades em relação ao que já se conhecia através da comunicação social, mas disponibiliza os links todinhos para que se possam escutar as conversas de Pinto da Costa com Valentim Loureiro, Pinto de Sousa, António Araújo,...
Não há grandes novidades nestas escutas?
Claro que não!
Os bufos que foram deixando escorrer para a imprensa os pormenores sumarentos que constavam nas escutas, são rigorosamente os mesmos que agora as entregam para serem ouvidas integralmente pela populaça.
Neste lamaçal, o Procurador Geral da República afirma-se chocado (o homem já apanhou tantos choques que, por esta altura, já deve ser uma fonte alternativa de energia!!), e mandou instaurar um inquérito.
Agora é que fica tudo esclarecido.
Se o Procurador mandou instaurar um inquérito, de certeza vamos ficar a saber quem é que deixou que matéria que, supostamente, estava em segredo de justiça, viesse parar às páginas dos jornais.
E, seja quem for, vai ser punido exemplarmente.
O que é que está aqui verdadeiramente em causa?
Muito simplesmente, uma vingança torpe.

O raciocínio é claro, cristalino - o gajo não foi condenado pela Justiça, mas vai ser condenado pela populaça.
Valha-nos o facto de termos justiceiros destes, em serviço desinteressado e altruísta, lutando pela transparência de processos, a honradez pública, a garantia da virtude, a verdade desportiva.
Neste processo Apito Dourado ouviu-se frequentemente falar em putas.
Realmente, é uma putaria desgraçada.
E, quando algumas das putas se disfraçam de púdicas virgens, começa a náusea, o vómito.

21 de janeiro de 2010

Pinto da Costa irritou-se


Notícia de "O Jogo":

"Pinto da Costa não terá gostado mesmo nada da exibição do FC Porto e não o escondeu no final do jogo, juntando-se em seu redor Antero Henrique e Joaquim Pinheiro enquanto extravasava o seu descontentamento. Ao contrário do que é hábito, o presidente dos tetracampeões nacionais esperou que Jesualdo Ferreira saísse dos balneários para, ao que tudo indica, lhe manifestar o seu descontentamento com uma das exibições mais pobres da equipa esta época. É certo que na prática o FC Porto conseguiu apurar-se para os quartos-de-final da Taça de Portugal, mas esteve longe de convencer. Desta vez, nem Pinto da Costa se conseguiu conter perante uma atitude excessivamente passiva da equipa."

Até que enfim, o homem acordou e resolveu fazer o que Letterman diz que Bush ainda queria fazer - "a little presidenting".
A equipa do Porto tem andado amorfa, à deriva, simultaneamente nervosa e meio adormecida (não age, só reage), e os dirigentes e técnicos têm andado distraídos com o que passa fora do campo.
As arbitragens, os processos que não conhecem desenvolvimentos.
Esses factos exteriores ao jogo têm relativa importância.
Mas a concentração de jogadores, técnicos, dirigentes, deve, antes de tudo, centrar-se no que se passa dentro do campo.
E, dentro do campo, há muita gentinha a precisar de levar um bom puxão de orelhas.
Beto defendeu cinco pontapés da marca de grande penalidade.
Mas, antes disso, teve uma saída disparatada, que resultou no primeiro golo do Belenenses.
Para quem quer ser alternativa, numa equipa como o Porto, que sofre poucos remates por jogo, erros destes não auguram nada de bom.
Rolando parece cansado.
Maicon e Nuno André Coelho não entram nas contas de Jesualdo?
Prediguer está riscado.
Se é assim, porque é que continua no plantel?
O que é que Jesualdo quer de Tomás Costa e de Guarin?
Eu ainda não percebi, e parece-me que os jogadores também não.
Valeri tem de perceber que, no futebol europeu, não se joga a passo e num círculo de dez metros.
Se não perceber, é melhor voltar para a Argentina.
Ainda mais porque, fisicamente, parece filigrana.
Passe o exagero, tiram-lhe uma fotografia e ele lesiona-se com a luz do flash!!
No futebol moderno, os jogadores têm de ser grandes atletas, e os clubes não podem ser estâncias termais para recuperação de jogadores fisicamente fracos.
Será que foram estes os recados que Pinto da Costa foi dar a Jesualdo Ferreira?
E será que lhe disse que, para falar de árbitros e de processos parados na Liga, está lá ele e outros elementos da estrutura directiva?
O próximo jogo do Porto, na Liga Sagres, é na Madeira, frente a um duro Nacional, e com uma série de jogadores castigados.
Se o Porto perder, adeus penta!
Será que Pinto da Costa também disse isto a Jesualdo?





Réplica sísmica no Haiti


Quando ainda não está disponível toda a ajuda no terreno para enfrentar o cenário dantesco que se vive no Haiti, o martirizado país é vítima de uma réplica sísmica com a intensidade de 6.1 na escala de Richter.
Este novo abalo durou alguns segundos, terá tido epicentro no sul do país, e, no relato do Público, "terá mostrado uns haitianos mais calmos" (aqui http://www.publico.clix.pt/Mundo/replica-sismica-de-61-sentida-no-haiti_1418790 ).
Infeliz, é como se pode qualificar esta notícia do diário português.
Ao ler o seu conteúdo, vem-me à memória a música dos Pink Floyd, do álbum "The Wall", Comfortably Numb.
Para pessoas que perderam tudo, tantas eventualmente a própria esperança, reagir com calma perante a perspectiva de uma nova catástrofe é perfeitamente normal.
Porque, tal como cantava Roger Waters, estão num estado físico e psíquico que a expressão "comfortably numb" descreve de maneira única.

Vítor Gonçalves, jornalista da RTP que acompanha os acontecimentos no terreno desde a primeira hora, ficou ferido na sequência desta réplica, estando a ser evacuado para Lisboa (a notícia aqui http://www.publico.clix.pt/Mundo/haiti-jornalista-da-rtp-sofre-acidente-e-vai-regressar-a-portugal_1418819 ).
Votos de rápido restabelecimento para o Vítor Gonçalves.
Infelizmente, o restabelecimento do Haiti, e da sua população, será tudo menos rápido.
E essa é uma das poucas certezas que todos podemos ter.

Deliciosa ironia


Foi absolutamente hilariante ouvir os "anteneiros", designação pomposa que tem servido para qualificar as empresas que pirateiam o sinal de satélite que era suposto ser exclusivo da Macau Cable, clamarem publicamente por regulação legislativa no sector.
Durante largos anos a viverem à margem da lei, a lucrarem com a violação patente de um contrato de concessão, deixando da Administração uma imagem de inércia e laxismo, os "anteneiros" querem agora ver o sector regulado pela lei.
Se não estou em erro, a legislação existe.
Mais, para além da legislação, há um contrato de concessão em vigor.
Uma, e outro, não são cumpridos.
Pior, são sistematicamente violados.
E os infractores é que vêm clamar por regulação?
"The lunatics have taken over the asylum!"
Só pode ser essa a explicação.

Murros em Alvalade



Carlos Carvalhal chegou atrasado à conferência de imprensa que se seguiu ao jogo Sporting - Mafra, a contar para a Taça de Portugal.
Uma desculpa esfarrada, sobrolhos franzidos, e a procura da verdadeira razão para o atraso de uma hora.
Simples - uma cena de pancadaria entre Sá Pinto e Liedson nos balneários.
Ricardo Sá Pinto, que ficou célebre pelos socos que deu ao então seleccionador nacional Artur Jorge, resolveu continuar a sua carreira de boxeur part - time, agora que é director desportivo do Sporting.
Rezam as crónicas que tudo terá começado no banco, após o golo que deu o 4-2, no qual Rui Patrício foi muito mal batido.
Sá Pinto terá reagido mal, terá criticado publicamente o guarda-redes do Sporting, tendo Liedson saído em defesa do colega.
Sá Pinto não gostou da atitude do luso-brasileiro, a discussão arrastou-se para dentro do balneário, onde terá havido confronto físico entre ambos.
Posições extremadas, Liedson sob alçada disciplinar e a colocar a questão muito directamente - "ou ele, ou eu".
Eu sei quem é que escolhia.
E não será difícil de adivinhar.

Comemoração amarga


Quando comemorava o primeiro aniversário da sua presidência, Barack Obama recebeu uma prenda de todo inesperada, e uma das que menos quereria receber.
O Massachussets, Estado tradicionalmente democrata, que era representado no Senado americano pelo falecido Ted Kennedy, virou à direita.

Scott Brown é o nome do republicano que conseguiu a proeza de conquistar este bastião tradicional do Partido Democrata.
Um ano depois, e com o Mundo ainda embevecido pela aura do mediático presidente americano, os seus compatriotas parecem ter percebido que Obama, afinal, é humano.
"Só" lhe foi pedido que travasse a queda no abismo da economia americana (que podia arrastar sabe-se lá quem e o quê!), ao mesmo tempo que travava uma batalha incessante contra o terrorismo internacional, duas guerras, as quais tinha que ganhar e terminar depressa, corrigisse as trapalhadas que Bush andou a fazer nos seus anos de presidência, que comandasse um Mundo  desesperado por uma liderança forte e carismática, mergulhado numa crise financeira de proporções épicas, com conflitos em várias partes do Globo, com tiranetes e cleptómanos espalhados por todos os Continentes, assolado por tragédias humanitárias resultantes de catástofres naturais ou da má governança de líderes sem escrúpulos e sem visão.
E o homem, no espaço de um ano, não foi capaz de cumprir esta agenda que lhe estava reservada.
Os índices de popularidade interna começaram a descer, enquanto externamente Obama continua a ser sinónimo de simpatia, esperança e popularidade.
Reflexo da queda interna, e de uma péssima campanha eleitoral, os democratas vêem os republicanos conquistar o Massachussets.

Scott Brown derrotou uma baça e apagada Martha Coakley e deixou Obama com um sério problema para resolver.
Muito mais que o simbolismo que a perda de um reduto tradicionalmente democrata representa, a derrota no Massachussets coloca em sério risco uma das grandes bandeiras da administração Obama, na qual era apoiado incondicionalmente por Ted Kennedy - a reforma do sistema de saúde.
Os democratas deixam de ter a maioria no Senado que lhes assegurava a aprovação do programa de reformas no sector da saúde, e os republicanos ameaçam bloquear essa reforma.
Scott Brown, o novo senador, fez deste tema bandeira de campanha, bandeira esta que voltou a agitar fortemente no discurso de vitória que se seguiu às eleições.
Uma prenda de aniversário que Obama gostaria certamente de poder recusar.

20 de janeiro de 2010

A crise não mora aqui


As receitas do sector do Jogo em Macau, no ano de 2009, atingiram novo recorde absoluto (já nem é notícia).
Os números são quase inacreditáveis - 10.519,7 milhões de euros (dez biliões e meio de euros).
Lembram-se de uma frase do actor Camilo de Oliveira que ficou célebre aqui há uns anos?
Apetece usá-la agora - Isto é que vai uma crise, hein?!

O enigma Viva Macau


Os 200 milhões de patacas de empréstimo à Viva Macau já estão a dar resultado.
Notícia da edição de hoje do "Ponto Final":

"A Viva Macau anunciou ontem que vai passar a ligar a RAEM e a capital do Vietname. Os voos irão começar a funcionar a partir de 13 de Fevereiro, com uma frequência trissemanal.
(...) A Viva Macau, que já voa para Saigão desde 2007, apresentou há uns dias os seus resultados anuais. Segundo a companhia, em 2009 registou-se um 'forte crescimento do volume de passageiros' consubstanciado em aumentos percentuais de 28% nos voos para Jacarta, 64% nas ligações a Ho Chi Minh City, e 73% no caso de Tóquio."

Estou cofuso.
Não era esta a empresa que, ainda no início desta semana, tinha prejuízos diários de um milhão de patacas, tudo por causa da crise financeira internacional, que precisou de um empréstimo de 200 milhões de patacas do Governo de Macau para sobreviver?
Estava capaz de jurar que sim.
Então e, a meio da semana, já tem este crescimento de passageiros, alarga as suas rotas, faz promoções?
Os 200 milhões revelaram-se um fármaco de uma eficácia brutal!
E de uma rapidez inacreditável!
A "doença" de que padecia a Viva Macau foi debelada mais rapidamente que a mais vulgar das constipações.
Viva Macau!

O fim de Zaia, ou crónica de uma morte anunciada


As notícias que dão conta de um possível cancelamento do espectáculo que o Cirque du Soleil apresenta no Venetian Macau (Zaia) intensificam-se.
Por via de regra, estes "intensos rumores" funcionam como um pré-aviso.
A intenção de cancelar o espectáculo já existirá, a decisão já estará tomada, mas os responsáveis querem auscultar, ainda que informalmente, a opinião pública acerca desta decisão.
Para tanto, fazem circular uns rumores, criam um certo burburinho à volta de uma notícia que ainda não é, mas tem tudo para vir a ser, e ficam à espera para ver qual é a reacção "da rua".
Não percam mais tempo senhores.
Vou dar-vos uma novidade - "a rua" está-se nas tintas!
E é bem feito.
As empresas americanas que apostaram no sector do Jogo em Macau, numa atitude arrogante e ignorante, típica de quem sofre de tiques de superioridade, esqueceram-se de fazer o trabalho de casa.
Estas luminárias iam transportar o conceito de entretenimento de Las Vegas para o Oriente!
E era assim.
Tudo fácil, tudo limpo, tudo feito num passe de mágica e sem serem necessários quaisquer pózinhos.
Por esta altura já devem ter percebido que, quem vem a Macau, vem para jogar.
Jogo puro e duro!
E só isso.
Turismo familiar, espectáculos de grande qualidade que iriam atrair multidões, resorts integrados, .....se realmente acreditavam nisso, os investidores americanos, que até são uns espertalhões, foram muito ingénuos.
Os visitantes (Costa Antunes fala sempre em visitantes, não em turistas) que vêm a Macau, na sua esmagadora maioria, vêm jogar.
E, para estes jogadores, o Jogo é algo de demasiado sério para poder dar espaço a quaisquer outras distracções.
Neste contexto, um espectáculo residente em Macau, limitado aos mercados de Macau e Hong Kong (pouco mais que isso será), com 1800 lugares, tinha tudo para ser um desastre.
É uma pena, porque o espectáculo é muito bonito, o Cirque du Soleil é uma marca de qualidade, mas este modelo não funciona em Macau.
Ou o Cirque du Soleil está disposto a alterar periodicamente os espectáculos em cena (seis em seis meses, por exemplo), eventualmente reduzir a capacidade da sala, ou, se insiste em manter em cena o mesmo espectáculo, com toda aquela grandiosidade, na expectativa que os jogadores e suas famílias dêem um pulinho ao Zaia no intervalo de umas rodadas de baccarat, está condenado ao fracasso.
Não há intervalos no Jogo para estes visitantes.
Nem para comer!!
Haja alguém que explique a estes investidores americanos o significado da expressão Macau sã assi!




19 de janeiro de 2010

Direito de ingerência (ingerência humanitária) e guerra preventiva


O "Hoje Macau" relembra, na sua edição de hoje, que a guerra do Biafra foi há 40 anos, e que o actual chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, na altura um jovem médico, então em missão para a Cruz Vermelha, se insurgiu contra o código de neutralidade das agências humanitárias, preconizando antes um direito/dever de ingerência quando a protecção de populações civis está em causa.
Quarenta anos depois, este é um tema em tudo actual.
Bernard Kouchner deu origem ao que ficou conhecido desde então como "ingerência humanitária", tema  do seu livro "Devoir d'Ingérence", publicado em 1987.
Basicamente, trata-se de olhar o humanismo e o humanitarismo como fundamentos de um direito/dever de intervir em situações em que está em causa a segurança de populações civis.
Kouchner considerava o humanitarismo neutral uma charada, e as suas ideias foram seguidas nas intervenções humanitárias no Kosovo e na questão curda.
Mas trata-se, ainda hoje,  de um direito sem consagração legal em termos de direito internacional.
O direito internacional, ainda e sempre dominado pelo conceito de soft law, não está ainda preparado para acolher este conceito no seio das suas normas.
Para os defensores da não - ingerência, a intervenção militar americana no Iraque foi quase uma benção.
A aventura iraquiana de George W. Bush e Dick Cheeney veio reavivar os argumentos que, com enorme hipocrisia e algum desconhecimento, sustentam as teses de não-ingerência.
A América de Bush e Cheney lançou mão de um outro conceito para fundamentar a intervenção militar no Iraque.
"Preemptive war", tantas e tantas vezes traduzido à letra como guerra preemptiva, mas que realmente deverá ser traduzido como guerra preventiva.
Preempção, juridicamente, significa preferência na compra.
O que Bush e Cheney advogavam era antes um direito de prevenir uma hipotética ameaça, mesmo antes de esta se concretizar.
Com Bush e Cheney, e depois deles, ganhou força a tese dos perigos de admitir um direito de ingerência pelos abusos a que o mesmo se pode prestar.
Qual será o direito, ainda que legalmente consagrado, que, se for objecto de abusos, não dá origem a perigos?!
O falacioso desta argumentação é demasiado fácil de desmontar.
Sem ser de esquerda, sou um humanista.
E, nessa qualidade, sigo Kouchner e advogo, sem reservas, um direito/dever de ingerência quando está em causa a segurança de civis inocentes.
Ainda que possa haver abusos, afigura-se-me preferível esse perigo face à suprema inutilidade das instituições internacionais no modo como actualmente estão configuradas.
Quarenta anos depois da tragédia no Biafra, o Mundo parece ter aprendido muito pouco, com aquela e outras lições posteriores.