5 de fevereiro de 2010

Porque o Devaneios presta um relevante serviço público, e ao público, vamos falar de Scouting

Nos últimos tempos, todos temos ouvido menções constantes aos departamentos de "scouting" dos grandes clubes de futebol.
Em bom rigor, o termo "scouting" devia ser utilizado apenas quando se faz referência a escutismo.
Não é claramente o caso dos clubes de futebol.
O espírito e os ensinamentos de Baden Powell estão ali bem ausentes.
Quando era garoto, e andei envolvido (muito brevemente) no escutismo, dizia-se, por brincadeira obviamente, que escuteiros eram um bando de meninos vestidos de parvos que seguiam um parvo maior vestido de menino.
Mas deixemos isso e vamos lá ao "scouting".
"Sports scouts", essa é a designação correcta para quem exerce a actividade de detecção de talentos no desporto.
A definição, em língua inglesa, é a seguinte:
 In professional sports, scouts are trained talent evaluators who travel extensively for the purposes of watching athletes play their chosen sports and determining whether their set of skills and talents represent what is needed by the scout's organization.
Resumindo, pessoas com uma aptidão especial para captarem talentos para as organizações onde exercem as suas funções (os gajos que estão na imagem lá em cima com as câmaras de video e as máquinas fotográficas).
Aquilo que no "futebolês" também já foi conhecido por "olheiros".
Como tudo o resto, também o "futebolês" se adaptou à era da globalização e emprezarialização.
E deixou de se falar nos olheiros para se falar nos departamentos de scouting, e nos colaboradores do departamento de scouting, e no scouting espalhado pelo país e pelo estrangeiro.
Dá outra pinta, disso não há dúvida!
Um gajo entra no campo do clube maravilha, para ver jogar o ponta-de-lança hiperfantástico, e mostra as credenciais do departamento de scouting do clube X ou Y.
A malta do clube maravilha vê logo que aquilo é coisa séria, gente fina, porque até vem dum clube que tem um "ting" em estrangeiro e tudo!
Não é a mesma coisa que aparecer um borra-botas qualquer a dizer que é olheiro do mesmo clube X ou Y, percebem?
Depois, em termos de organização empresarial, também é outra coisa.
Até para atrair verbas dos patrocinadores.
Dá-se muito mais dinheiro de patrocínio a um clube com um "ting" do que se dá ao mesmo clube se só tiver olheiros.
O Porto é considerado um líder em termos de "scouting".
A mim, que até sou portista, sabe-me muito melhor ouvir dizer isto, do que ouvir dizer que o Rui Barros, o João Pinto, o André, descobriram o Hulk, que jogava num clube com um nome impronunciável no Japão, com base nuns vídeos que lhes mandou um português, que vive para aquelas bandas e é amigalhaço do primo do vizinho do Rodolfo.
Que coisa pindérica, não é?
A história já é outra se for dito que o departamento de "scouting" do Porto descobriu o Hulk no Tokyo Verdy.
Aqui já há aquele toque de profissionalismo, estrutura empresarial, gestão cuidada, descentralizada, pese embora perfeitamente estratificada.
A gente continua a saber  que foi o primo do vizinho do Rodolfo, que trabalha na apanha do atum em Tóquio, que lhe mandou uns vídeos, que o Rodolfo mostrou ao Rui Barros, ao João Pinto, e ao André, que os foram mostrar ao Jesualdo, que disse que podia ser, que o rapaz era jeitoso.
Mas dizer que foi um excelente trabalho do departamento de "scouting" do Porto não tem outra pinta carago?!
Para além de poupar uma data de espaço e de tempo quando se dá a notícia.

3 comentários:

  1. é um up-date, também tão em voga.
    já nas empresas agora é tudo estrangeirismos.

    até os gajos do lixo já são técnicos de de detritos públicos.
    :)

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  2. E as prostitutas ainda virão a ter o estatuto de técnicas de auxílio ao prazer sexual! :)

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