12 de fevereiro de 2010

Era uma providência cautelar, se faz favor

No dia em que se comemorava uma das datas mais simbólicas ligadas à liberdade de pensamento e de expressão em todo o século XX, em que passavam 20 anos desde o dia em Nelson Mandela foi libertado após 27 anos de cativeiro, em Portugal tentava-se impedir a publicação de um jornal porque se anunciava que iria revelar mais pormenores acerca da podridão que envolve a classe política, a banca e alguns operadores do Direito.
Os instrumentos utilizados, foram um sujeito, de sua graça Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT, bastas vezes referido no bacanal de escutas, figura grada ao aparelho socialista (uma das figurinhas que são usadas e servem com canina fidelidade), até há bem pouco tempo um ilustre desconhecido, apenas um entre um enorme exército de beneficiários das prebendas socialistas, e uma providência cautelar, despachada por um magistrado Lucky Luke (este despacha mais rápido que a própria sombra!).
Os destinatários, o semanário "Sol", na pessoa do seu director José António Saraiva, e das jornalistas Ana Paula Azevedo e Felícia Cabrita.
Coincidência incrível, nenhum dos quais se encontrava presente no momento em que lhes deveria ser entregue a notificação que lhes dava a conhecer o conteúdo da providência cautelar.
Consequência, o semanário a sair para as bancas, com aquela capa lá em cima que diz tudo.
Já não vou entrar pelo caminho dos ataques à liberdade de imprensa, pela posição insuportável do primeiro-ministro, pelo silêncio do Presidente da República.
Já não é necessário e começa a ser fastidioso.
O ângulo de abordagem agora é outro.
Se o PS conta nas suas fileiras com gentinha desta, começo a perceber porque é que a oposição não precisa de se empenhar muito para denegrir, atacar  e derrubar o Governo.
A actuação suicidária do PS, e do Governo, é mais que suficiente para atingir esse desiderato.
E começo também a perceber que o PSD se possa entreter com lutas internas, combates no ringue ou na lama.
Enquanto isso acontece, o PS vai sendo Governo e oposição ao Governo ao mesmo tempo.
Temos um primeiro-ministro que, nos seus tempos de responsável pela área do Ambiente no Governo Guterres, se revoltava com a plantação desregrada de eucaliptais porque secavam tudo á sua volta.
Suprema ironia, Sócrates e o seu Governo são o maior eucaliptal de que tenho memória!
Nem o Presidente da República precisa de se aborrecer com as barbaridades que se vão conhecendo.
Pode concentrar-se, juntamente com a amiga Manuela Ferreira Leite, em escolher um líder de confiança para o PSD, que Sócrates e os seus servidores vão tratando de abrir espaço para que o PSD cresça.
A continuar neste caminho, Sócrates ainda vai conseguir que o PSD venha a formar Governo.
Estará com saudades dos tempos de militante da JSD?

4 comentários:

  1. Desculpe a ignorância, mas se quem divulgou as escutas do Pinto da Costa eram bufos para si, o que são estes? heróis? Pode explicar-se, é que já não sei se é a sua cabeça ou se é a minha que estão baralhadas!!!

    ResponderEliminar
  2. A minha cabeça não está baralhada!
    Bufaria é algo de muito feio, quer se trate do Pinto da Costa, do Sócrates, ou do rei de rilhafós!
    Já no que aos heróis diz respeito, há muitos nos livros e nos filmes.
    No nosso dia-a-dia, como refiro no post, há vinte anos libertaram um dos últimos que me vem à memória.

    ResponderEliminar
  3. Esta era para ser uma previdência, mas nem isso foi.
    Foi uma publicidade fantástica para o Sol.
    E de borla!!

    ResponderEliminar