Não são 23, são 24. E com algumas novidades.

Carlos Queiroz divulgou os convocados para a operação África do Sul.
E apresentou algumas supresas.
A primeira surpresa vem do número de convocados - não os costumeiros, e esperados, 23, antes 24 jogadores, dos quais sairá um (Zé Castro ou Ricardo Costa, se Pepe e Ricardo Carvalho estiverem recuprados; caso contrário, será um destes a sair).
O seleccionador, atento à débil condição física de Pepe e Ricardo Carvalho (sobretudo destes dois), não quer correr riscos.
Convoca 24 jogadores e deixa os pré-convocados de prevenção.
Olhando para os nomes dos jogadores escolhidos, as ausências de Moutinho, Quim e Rui Patrício, e a inclusão de Beto, Daniel Fernandes, Zé Castro e Ricardo Costa, são, de algum modo, surpreendentes.
Uma análise mais cuidada, facilmente nos leva a entender o raciocínio de Carlos Queiroz.
Comecemos com os guarda-redes.
A selecção portuguesa não tem, neste momento, um guarda-redes de grande qualidade.
Se Eduardo era uma certeza (não é um grande guarda-redes, mas não há melhor...), espucalava-se muito acerca de quem seriam os outros dois escolhidos.
Hilário? Quim? Rui Patrício? Beto?
Carlos Queiroz sempre deu a entender que não aprecia as qualidades de Quim.
Não me surpreendeu nada que não fosse incluído.
Já no que se refere a Rui Patrício, julgo que hé dois motivos que explicam a sua exclusão - Carlos Queiroz também não é grande apreciador do guarda-redes do Sporting, o qual, tal como Moutinho, foi também penalizado pela péssima época que o Sporting fez.
Hilário não foi escolhido porque não é utilizado no Chelsea e porque é um guarda-redes veterano.
Com o lugar na baliza entregue a Eduardo, importava convocar dois guarda-redes que dessem garantias no presente e no fututo.
E assim se explicam as convocatórias de Beto (quase sempre suplente no Porto) e Daniel Fernandes (um desconhecido do público português mas que, já por mais que uma vez, Carlos Queiroz demonstrou que é alguém que lhe agrada).
Vamos aos defesas.
Carlos Queiroz convocou seis centrais.
Posta a questão desta forma, parece um disparate.
Não é.
Em primeiro lugar, há a questão da deficiente condição física de Pepe e Ricardo Carvalho.
Depois, desses seis centrais, dois (Pepe e Ricardo Costa) podem fazer outras posições.
Pepe, em boas condições físicas, pode ser central ou trinco.
Ricardo Costa pode ser central, ou uma alternativa para as laterais, como tantas vezes já foi.
Laterais que, nos convocados, têm dois jogadores que são laterais de raíz (Miguel e Paulo Ferreira) e duas adaptações (Duda e Fábio Coentrão).
Miguel e Paulo Ferreira asseguram um bom desempenho na lateral direita na ausência de Bosingwa, com a vantagem de Paulo Ferreira fazer, com frequência, o lugar do lado esquerdo.
Lado esquerdo onde deve estar Duda.
Este, juntamente com Coentrão, sendo adaptações, têm a vantagem de poderem ser utilizados no meio-campo, ou até nos extremos.
E chegamos ao meio-campo.
Moutinho ficou de fora porque fez a pior época desde que chegou à equipa principal do Sporting, e porque o Sporting fez uma péssima época.
Pescadinha de rabo na boca.
Queiroz, na hora de decidir, preferiu apostar em Tiago, que fez o percurso contrário ao de Moutinho.
Tiago começou a época muito mal, mas acaba em grande no Atlético, com a confiança em alta.
Moutinho, desde o episódio da transferência abortada para Inglaterra, nunca mais foi o mesmo jogador.
Precisa de tempo para esfriar a cabeça, para digerir a má época da equipa, para pensar o seu futuro.
Pedro Mendes é o número 6 de raíz.
Pepe, Miguel Veloso e Raul Meireles podem fazer aquele lugar, mas Pedro Mendes é mesmo um número 6.
O que não quer dizer que, se Pepe estiver em condições, não seja ele o escolhido para desempenhar aquelas funções.
O meio-campo português precisa de quilos e centímetros, factor que pode pesar na hora de decidir quem colocar na "posição 6".
Miguel Veloso e Meireles são convocatórias naturais até porque são jogadores que dão garantias de qualidade, de alternativas, de polivalência (já lá iremos).
Danny é o médio ofensivo, polivalente também, que foi convocado em  face da lesão de Varela e do eclipse de Quaresma.
Deco é o homem que vai pensar e organizar o jogo português, o número 10.
Nos extremos abundam soluções de qualidade.
Ronaldo, Nani, Simão, são craques.
À partida, a dupla que jogava no Manchester (Ronaldo e Nani), será a escolhida para apoiar o ponta-de-lança.
Ponta-de-lança que será Liedson.
O "Levezinho", o mais móvel, é o natural dono daquele lugar.
Hugo Almeida é a alternativa de banco e a solução mais musculada para abrir defesas mais fechadas e mais possantes.

Numa análise geral, uma convocatória bem conseguida, equilibrada, com jogadores experientes (média de idades a rondar os 28 anos), onde se detecta a preocupação de integrar várias unidades que podem desempenhar mais que uma posição (Paulo Ferreira, Pepe, Ricardo Costa, Duda, Fábio Coentrão, Miguel Veloso, Raúl Meireles), mas com algumas debilidades notórias:
Desde logo, a ausência de um guarda-redes de qualidade;
De um lateral esquerdo de raíz;
De um número 6 de qualidade, com a importância que esta posição assume no futebol actual;
Um meio-campo com muito pouco peso, músculo e centímetros.
Não há motivos para euforias, nem para depressões.
Há que saber viver o momento, última oportunidade para muitos (Paulo Ferreira, Bruno Alves (?), Ricardo Carvalho, Ricardo Costa, Deco, Liedson, Simão), com profissionalismo e empenho, pensando que a pressão está colocada sobre outras selecções (Brasil, Espanha, Itália, Argentina,....) e que o terceiro lugar no ranking da FIFA não significa, longe disso!, terceira melhor selecção do Mundo.

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