31 de maio de 2010

Grandes portugueses (vivos)

O Presidente da República chamou a atenção para a excelência dos Centros de Transpalantes em Lisboa e em Coimbra.
Esse facto leva-me a destacar hoje uma personalidade da área da medicina, curiosamente do Porto, Manuel Alberto Coimbra Sobrinho Simões, nascido em 8 de Setembro de 1947, no Porto, na freguesia de Cedofeita.
É o mais velho dos quatro filhos de Manuel Sobrinho Rodrigues Simões, médico, professor e investigador na área de Bioquímica, e de Maria Alexandrina Martins Coimbra Simões, doméstica.
Manuel Sobrinho Simões cresceu no seio de uma família tradicional.
Primeiro, viveu na zona das Antas; depois, na de Paranhos, onde habitou uma casa próxima da dos professores Hargreaves e Emídio Ribeiro da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
No ano lectivo de 1957-1958 ingressou no Liceu Alexandre Herculano, no Porto, concluindo o curso em 1963-1964, com a média final de dezoito valores; esta classificação valeu-lhe os seus dois primeiros prémios: o Prémio Nacional e o Prémio do "Rotary Club do Porto".
No ano lectivo de 1964-1965 matriculou-se no curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde, uma vez mais, se distinguiu pelas suas classificações, as quais lhe permitiram alcançar o respeito dos professores e conquistar vários prémios, de que são exemplo o do Rotary Club do Porto, da Fundação Engenheiro António de Almeida, Prof. Dr. Luís de Pina e Boehringer Ingelheim.
Durante a licenciatura desenvolveu um grande interesse pelo domínio da Patologia, influenciado por alguns dos seus professores, como Daniel Serrão.
Em paralelo com a componente escolar, foi campeão universitário de pingue-pongue e viajou pelo estrangeiro durante os períodos de férias, com o dinheiro de alguns prémios e com o apoio do avô.
Ainda era estudante quando, a 6 de Julho de 1970, assumiu as funções de "Monitor além Quadro" de Anatomia Patológica.
Em 1971 finalizou a licenciatura em Medicina com a média final de dezanove valores, tendo sido nomeado Assistente Eventual da disciplina de Anatomia Patológica a 5 Março do ano seguinte; ocupou este lugar até 17 de Setembro de 1974.
Entretanto, casou no dia 31 de Maio de 1972 com a médica Maria Augusta da Cunha, da qual tem três filhos: Manuel, João e Joana.
Entre 1 de Setembro de 1975 e 31 de Dezembro de 1976 cumpriu o serviço militar, sucessivamente adiado devido aos estudos.
Anos mais tarde, em 1979, doutorou-se em Patologia pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, apresentando a dissertação "Carcinoma oculto de Tireóide. Proposta de interpretação biopatológica" e o trabalho complementar "Alguns aspectos da depleção linfocítica na doença de Hodgkin".
Foi aprovado por unanimidade, com distinção e louvor.
Ainda nesse ano, prestou provas públicas para o preenchimento do lugar de especialista no Hospital de S. João, tendo obtido a classificação de 19,4 valores.
Foi, então, nomeado "Professor Auxiliar Além Quadro" na disciplina de Anatomia Patológica.
Entre Outubro de 1979 e Julho de 1980 fez o pós-doutoramento em Oslo, no "Norsk HydroŽs Institute for Cancer Reserch", submetido ao tema "Microscopia Electrónica".
Graças a este trabalho e às ligações que estabeleceu durante esse período, alcançou o reconhecimento internacional, sobretudo no campo da Patologia Tireoideia, e inaugurou uma longa relação com o meio da investigação científica além fronteiras.
No regresso a Portugal, em 14 de Outubro de 1980, ascendeu ao cargo de Professor Associado da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e, mais tarde, a 18 de Julho de 1988, foi nomeado Professor Catedrático do 4º Grupo (Patologia) nessa mesma instituição.
Em 1989 criou o IPATIMUP (Instituto de Patologia e Imunologia Molecular e Celular da Universidade do Porto), unidade de investigação que dirige e foi classificada como excelente na última avaliação internacional levada a cabo pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e constitui um dos três laboratórios europeus acreditados pelo Colégio Americano de Patologistas.
Esta unidade realiza anualmente centenas de consultas de diagnóstico para hospitais e institutos de oncologia da Europa e da América.
Sobrinho Simões é, desde 1990, Professor Adjunto de Patologia e Biologia Celular do Jefferson Medical College Universidade de Thomas Jefferson, Filadélfia; avaliador do Consórcio de Investigação em Cancro Gástrico formado pelo Instituto de Cancro da Noruega e pela Universidade de Zhengzhou; é, desde Agosto de 2001, expert em Patologia Molecular do American Board of Pathology; e especialista convidado do Centro de Telepatologia da União Internacional Contra o Cancro, sedeado na Charité, Humboldt University, em Berlim.
Enquanto dirigente da Sociedade Europeia de Patologia, organizou os dois primeiros congressos intercontinentais de Patologia com a Sociedade Latino-Americana de Patologia (2000 e 2004); em 2000, formou a divisão de Moscovo da Escola Europeia de Patologia; dirigiu o XVIII Congresso Europeu de Patologia, em Berlim, em Setembro de 2001, e desenvolveu a divisão de Ankara da Escola Europeia de Patologia, em 2003.
É membro dos conselhos científicos da Escola Europeia de Patologia, do Curso Europeu de Patologia Celular e da Associação Europeia de Prevenção de Cancro e integra o Comité Redactorial da Associação de Directores de Patologia Cirúrgica dos E.U.A. (ADASP).
É autor e co-autor de centenas de artigos editados em publicações internacionais, do Handbook da União Internacional Contra o Cancro ("Comprehensive Tumour Terminology" - 2000), da obra subordinada ao tema "Ultrastructural Pathology", publicada nos E. U. A. em 1990 e, no Japão, em 1995; co-editou o livro "Os Outros em Eu", no âmbito da PORTO 2001 - Capital Europeia da Cultura, e diversos capítulos da obra "Pathology and Genetics of Tumours of Endocrine Organs", publicada pela Organização Mundial de Saúde em 2004.
Manuel Sobrinho Simões gosta de passar os tempos livres com a família, muitas vezes em Moledo, onde possui uma casa de férias.
Entre os seus passatempos favoritos contam-se a leitura, o cinema, programas televisivos como a série norte-americana House. M. D., passeios de bicicleta pelo Parque da Cidade e, ainda, o Futebol Clube do Porto, que acompanha, agora, um pouco mais à distância do que durante a sua juventude, fase da vida em que era sócio e via regularmente jogos de várias modalidades.


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