12 de janeiro de 2011

Antes ser conhecido como um homicida oportunista e sádico que como gay


Não tinha intenção de escrever uma linha que fosse acerca do homicídio do cronista social Carlos Castro.
Porque todo o processo é escabroso.
Porque os detalhes que são dados a conhecer são nojentos. Porque não tenho nada a ver com a orientação sexual de cada um.
No entanto, as notícias mais recentes, e uma clara tentativa de vitimização do confesso homicida (e não alegado homicida, como tantas vezes já li), deixaram-me revoltado.
Afinal, Renato Seabra não é, nem nunca foi, homossexual.
Até tem muitas namoradas e incontáveis aventuras amorosas com mulheres.
Só estava com Carlos Castro em Nova Iorque porque havia entre ambos uma relação quase paternal, porque Carlos Castro iria ajudar o modelo a conseguir alguns contactos e contratos.
Afinal, os amigos íntimos de Carlos Castro que falavam em relação amorosa, paixão intensa, estavam todos equivocados.
Aquilo era tudo imaginação e maquinação de um velho maricas.
E isto é tudo tão real, tão verdadeiro, tão cristalino, que até vai ser rezada uma missa em Cantanhede para se conseguir a descoberta da verdade e a prova da inocência de Renato Seabra.
De nojento, o episódio passou a abjecto.
Não sei, nem quero saber, se Renato Seabra é, ou não, homossexual.
Ou se é um Don Juan.
Sei que ele estava com Carlos Castro em Nova Iorque.
Alojados no mesmo quarto do hotel Intercontinental.
Que confessou o crime, cometido com uma violência e contornos de sadismo revoltantes.
Que confessou que queria usar (sim, é esse o termo correcto) Carlos Castro para conseguir progredir na sua carreira de modelo.
Que os amigos de Carlos Castro afirmam peremptoriamente que havia entre ambos uma ligação amorosa que durava há já três meses.
Daqui para a frente, entramos no domínio da especulação.
E eu não quero seguir por esse caminho.
A investigação criminal que irá decorrer, e o consequente processo judicial, são as sedes próprias para apurar a factualidade subjacente ao crime.
Ainda assim, o que me parece que fica claro é que Renato Seabra é um oportunista, uma pessoa sem carácter.
Que, se bem percebo, se prepara para apresentar como estratégia de defesa do crime de que é acusado, o facto de não ser homossexual, de ter sido vítima dos avanços de Carlos Castro, os quais o fizeram perder as estribeiras e assassinar o cronista social.
A estratégia da inimputabilidade ("temporary insanity") em todo o seu esplendor.
Ser apontado como um oportunista sem vergonha não constitui qualquer problema para Renato Seabra, a sua família e amigos.
Até porque, pelos vistos, essa é a realidade.
Pelo menos, é a única faceta da personalidade de Renato Seabra que ninguém nega.

4 comentários:

  1. Estimado Amigo Pedro Coimbra,

    Desde longa data que soube da penosa vida que Carlos Crasto teve em Angola e depois em Portugal.
    Cada um é como é, o critico, tal como o meu amigo, é o crime horroso que foi praticado por esse tal Renato, o Senhor Carlos Cratos não merecia ter um fim assim, só peço que seja feita justiça a 100%, e que nunca mais esse tipo Renato volte a Portugal.
    Um abraço amigo

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  2. Parabéns ao seu blogue, que visito diáriamente e gosto, tal como visito e gosto do MACA(U)quices. Gosto da forma como aborda os assuntos, da sua educação e de não provocar (comentários) desnecessários. Abraço

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  3. Hugo,
    Realmente não consegui evitar comentar a sitaução depois do que li e ouvi hoje.
    Cambeta,
    A orientação sexual das pessoas, qualquer que seja, não nos diz respeito.
    E não pode ser motivo para actos como este.

    Anónimo da 03:00
    Agradeço sensibilizado as suas palavras.
    E garanto-lhe que nunca verá neste espaço faltas de educação e insultos a ninguém.
    E, sim, o Maca(u)quices também é uma das minhas visitas diárias

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