12 de junho de 2010

Shuen Ka Torquemada Hung

Ouvi a notícia na Rádio Macau esta manhã.
Pese embora o facto de custar a acreditar na sua veracidade, estou certo que a Rádio Macau não iria inventar uma notícia destas.
E o  primeiro de Abril já passou e ainda falta muito para voltar.
Então é assim - existirá um despacho interno na DSAL (Direcção de Serviços dos Assuntos Laborais), assinado pelo respectivo Director, no qual se deixa claro que, quem perder horas de sono para assistir a jogos do Mundial de Futebol, e se apresentar ensonado no local de trabalho, será punido (processo disciplinar).
Quem assistir a jogos do Mundial no local de trabalho (???), será punido (processo disciplinar).
Quem ouvir os relatos dos jogos, e não trabalhar, será punido (processo disciplinar).
As chefias deverão observar o maior cuidado na autorização de férias dos seus subordinados, no intuito de os Serviços não serem afectados só porque as pessoas querem acompanhar os jogos do Mundial de Futebol.
Presumo que também haverá qualquer punição prevista para as chefias que autorizem o gozo de férias à revelia destas instruções mas confesso que não me recordo de ter ouvido qualquer referência à mesma.
Depois de ter ouvido esta notícia, e de me ter beliscado três vezes, fiquei a pensar:
  1. Com, ou sem, Mundial de Futebol, o gozo de férias só deve ser autorizado se não comprometer o regular funcionamento dos Serviços. A "bola"não muda nada.
  2. Com, ou sem, Mundial de Futebol, os trabalhadores da Administração não podem deixar de trabalhar para assistir a transmissões televisivas, ou a relatos na rádio, nas horas de serviço. Mais uma vez, a "bola" não muda nada.
  3. Com, ou sem, Mundial de Futebol, a violação do dever de zelo é fundamento para aplicação de um processo disciplinar. Insisto, a "bola" não muda nada.
Ficam três dúvidas para esclarecer:
Presumindo que um trabalhador da DSAL tem uma insónia, e no dia seguinte está ensonado, o que irá acontecer?
Estou a imaginar o diálogo:
Director - Esteve a ver os jogos do Mundial!
Trabalhador - Não, não estive. Eu nem gosto de futebol. Tive uma noite terrível. Insónias, sabe Sr. Director?
Director - Prove que foram insónias e que não esteve a ver os jogos.
Trabalhador - Mas como é que eu posso provar isso?
Director - Eu sabia! Não pode provar que foi uma insónia porque esteve a ver os jogos! Processo disciplinar já!
A segunda dúvida é - Para que raio é que serve este despacho? Para intimidar as pessoas? Para publicitar, "urbi et orbi", a autoridade e o empenho de quem o emana?
A terceira dúvida é muito simples - Ainda há espaço para alguma sensatez?

Qualquer semelhança com esta situação é possível que tenha sido mera coincidência.

4 comentários:

  1. Ou melhor ainda: o que tem o director da DSAL a ver com o que os funcionários fazem durante o horário fora do serviço?

    Cumprimentos.

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  2. Este tipo é um cromo!
    Mas é um cromo perigoso.
    Se trabalhasse lá andaria apavorado com a possibilidade de ter uma noite mal dormida.
    brinquei com o facto, mas pode ser algo de muito real.
    Cumprmentos.

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  3. O Pereira Coutinho enviou uma directiva de 2002 para todos os media e a Rádio Macau engoliu aquilo como se fosse deste ano...

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  4. Não foi só a Rádio Macau.
    A imprensa em língua chinesa também está a divulgar o despacho.
    Se calhar, também já havia outros em anos anteriores...

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