29 de março de 2010

Crónica de uma morte anunciada...na aviação

A Viva Macau, que estava a respirar artificialmente desde 2008, viu ontem as máquinas serem desligadas, e, com esse gesto, a sua vida terminada.
Já aqui tinha deixado o meu espanto com as notícias que se iam conhecendo acerca das dificuldades económicas que a empresa enfrentava (http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2010/01/o-enigma-viva-macau.html e http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2010/01/viva-macau-para-viva-macau.html) e dos apoios que recebera do Governo sob o pretexto da diversificação de rotas, da diversificação de mercados, da atracção de turistas de outras proveniências que não as habituais.
Enfim, as desculpas que conhecemos, que são habituais em casos semelhantes, mas que são apenas isso mesmo - desculpas.
Mas, neste caso, desculpas de bom pagador.
Contrariando toda a lógica comercial, as leis da sã concorrência, a mais elementar prudência, o Governo de Macau injectou 200 milhões de patacas na empresa (que se saiba...), os quais terá agora grande dificuldade em recuperar.
Ontem, depois de longa agonia, e de ter zombado de mais uma série de incautos utentes, do Governo que a apoiara financeiramente, dos credores que lhe facilitaram a liquidação dos créditos, o estertor final da companhia aérea, a tal que até prometera ligações à Europa.
Chan Weng Hong, Presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM), relatou à imprensa os últimos momentos da moribunda Viva Air.
A AACM solicitou à Air Macau a rescisão do acordo de subconcessão que permitia à Viva Macau operar em Macau.
Na sequência de tal rescisão, a AACM aboliu o certificado de operador aéreo da Viva Macau, o que, na prática, impede a companhia aérea de voar de, e para, Macau.
Afinal até era simples e não eram necessários motivos ligados à segurança, ou falta dela, para tomar tal decisão.
Chan Weng Hong acusa a Viva Air de ter sido "extremamente incooperante", "irresponsável" e "desleal".
Em matéria de irresponsabilidade, refira-se que a Viva Macau está muito bem acompanhada.
O Aeroporto de Macau, desde a sua concepção e construção, passando pela operação da companhia aérea detentora do monopólio de operações (Air Macau), é um enorme mistério.
Como é possível que uma companhia aérea que é detentora de um monopólio de operações preste um péssimo serviço, vede o caminho a outros operadores, e ainda perca dinheiro?
Como é possível que apareça uma companhia aérea que ninguém conhecia, que consiga o que ninguém conseguira, que preste um péssimo serviço, que perca dinheiro, que receba apoios do Governo, que sobreviva artificialmente, que dê uma péssima imagem da RAEM, e que, só agora, o Governo tome medidas, e só porque os acontecimentos a isso obrigaram?
Muitas, dúvidas, muitas perguntas, muito poucas respostas.
Se a RAEM pretende realmente tornar-se num destino turístico de referência, em matéria de jogo, realização de exposições e convenções, terá que rever urgentemente os critérios de concessão de serviços públicos.
Para fazer estas figuras, realmente é melhor seguir a sugestão daquele ilustre deputado - deitar abaixo o Aeroporto, construir outro na Ilha da Montanha e  libertar os terrenos onde agora está implantado o Aeroporto para ser ali construída habitação de luxo.
O que o "betão" ganharia com esta "solução"!!
Longe de mim pensar que é isto que, no fundo, se pretende!

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