29 de setembro de 2009

Ganhar taças e perder o campeonato

Uma frase que já li mais que uma vez - "A derrota foi pesada, mas, ainda assim, acima do resultado de Santana Lopes em 2005".
Grande consolação!!
Com a imagem que Santana Lopes tinha no País; depois das trapalhadas todas, dele e do cherne que se tinha posto a andar para a Europa; com um Governo cujo líder foi apelidado de tudo (maricas, vigarista, prepotente, maniento, arrogante, incompetente, déspota, corrupto,....directa ou indirectamente); perante um cenário de descontentamento crescente, que os resultados eleitorais só confirmaram; com um Presidente (Sampaio) a dar o último empurrão ao cambaleante Santana, versus um Presidente (Cavaco) que, a querer ajudar, só borrou o cenário, só faltava mesmo conseguir um resultado eleitoral pior que Santana Lopes!
Manuela Ferreira Leite é demasiado inteligente para recorrer a este discurso que as figurinhas do partido, mais alguma comunicação social, estão a adoptar.
A líder prefere centrar a atenção no balanço do "prolongado ciclo eleitoral"(sic).
Ou seja, quer ver o resultado das autárquicas para perceber se é um rotundo falhanço, ou apenas mais um pequeno erro de casting.
Está bem, já entendemos.
O problema é que, revelando inteligência ao distanciar-se do discurso patético que centra a atenção no pior resultado da história do partido (somos maus, mas não somos os piores, perceberam?) não revela esperteza.
Ainda que venha a ganhar as autárquicas, depois de ter ganho as europeias, Manuela Ferreira Leite não irá sobreviver como líder do partido.
E não irá sobreviver porque transformou o PSD no Sporting da política - ganha umas taças, mas não ganha o campeonato, que é o que realmente interessa.
Com a agravante de não ter ninguém no PSD, com força e poder, a dizer Manuela Ferreira Leite forever.
Ao contrário, já tem é uma série de notáveis a contar espingardas e a lançar umas hipóteses para depois das autárquicas, qualquer que seja o resultado.
Veja-se o caso daquele senhor de Gaia, aquele que já viu o tubarão, que já fala numa nova geração, a dos "quarentas".
Na qualidade de quarentão, compreendo bem o fascínio pela minha magnífica geração (a Mafalda, de Quino, faz hoje 45 anos!!).
Mas Luís Filipe Menezes, sem os apontar, tem nomes muito concretos na cabeça.
E não custa nada a adivinhá-los - Pedro Passos Coelho, José Pedro Aguiar-Branco, Paulo Rangel, o "seu" Marco António.
Paulo Mota Pinto não, que esse é assim uma espécie de noviça que entrou para o convento há muito pouco tempo.
Pior, a sua figura está demasiadamente ligada à actual líder para surgir como alternativa e renovação.
E não pensem em Marcelo.
Nem tem "a ternura dos quarenta" e, desse lado, a resposta é simples - thank you, but no thank you.
Qualquer vaga na presidência da República e aí a conversa já poderá ser outra......
Manuela Ferreira Leite está a transformar o PSD no Sporting da política.
Vai perceber que, na política e no futebol, a primeira vítima é sempre o "treinador".

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