3 de janeiro de 2012

Um post, tipo carta aberta, dirigido ao Senhor Presidente da República


Excelentíssimo Senhor Presidente da República portuguesa:

Vossa Excelência não me conhece e, muito provavelmente, nunca me virá a conhecer.
No entanto, sendo eu um cidadão português de pleno direito, sinto-me no dever de o alertar para o facto de Vossa Excelência se estar a tornar num actor que pouco ou nada ajuda no processo de recuperação, económica e social, que todos desejamos ver encetado, do nosso País.
E que tem que começar pela recuperação psicológica, anímica, dos portugueses.
Os discursos que Vossa Excelência tem proferido, que tiveram o epílogo no discurso de Ano Novo, são, lamento afirmá-lo, deprimentes.
E causam depressão, quando deviam transmitir ânimo.
Já estamos todos conscientes de que Portugal vive uma situação económica e social extremamente complicada.
Num contexto, europeu e mundial, também muito complexo.
Aqueles que ainda não estão conscientes destes factos, nunca o estarão.
Porque, pura e simplesmente, se recusam a aceitar a realidade.
Por isso, e por mais discursos que Vossa Excelência venha a proferir, sempre do mesmo teor dramático, nada se alterará para estas pessoas.
As outras, a esmagadora maioria, precisa de ouvir palavras de incentivo, de ânimo, de esperança.
E essas devem vir, em primeiro lugar, de Vossa Excelência.
Como primeira figura do Estado, mas sem poderes governativos, cabe a Vossa Excelência a árdua tarefa de, agora que já está dispersa e enraizada a consciência dos graves problemas que o País atravessa, transmitir força aos portugueses para ultrapassarem esses graves problemas.
Estando a viver bem longe de Portugal, mas mantendo o País no meu coração, espero que os próximos discursos de Vossa Excelência se afastem, de uma vez por todas, de uma aula do professor de Economia.
E se aproximem cada vez mais do discurso motivador que os portugueses há muito anseiam ouvir Vossa Excelência transmitir-lhes.
Quando tal acontecer, se tal acontecer, cá estarei, mesmo no outro lado do Mundo, para o saudar.

Sem mais por ora, subscrevo-me com protestos da mais elevada consideração e respeito 

15 comentários:

  1. Caro Pedro Coimbra
    Uma carta que eu gostava de ter escrito.
    Parece simples, mas de facto um dos nossos problemas passa pela falta da capacidade de "acreditar" que esta geração de políticos incutiu na generalidade dos Portugueses. Eu chamo-lhe uma questão de liderança.
    Abraço
    Rodrigo

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  2. antonio miguel curto3 de janeiro de 2012 às 17:04

    Meu caro Pedro: Como sabes existe um proverbio que diz: carvalho que dá bogalho, porque não dás coisa boa, cada um dá o que tem, conforme a sua pessoa". Assim sendo, como querias que ele falasse? Ele anda muito preocupado pois a Maria tem uma pequena reforma de oitocentos e tal euros e ele tem de a sustentar com as suas tres reformas de mais de dez mil euros! (só me falta saber quem paga as despesas feitas no Palacio cor de rosa) E depois falta-lhe o guito para comprar acçoes e trocar de terrenos, pois agora já não tem a valiosa ajuda dos amigos mais chegados. Por isso não esperes muito do homem que não tem nada para dar. É que nem em palavras. Abração

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  3. E chama bem, Rodrigo.
    Liderança é, antes de mais, isso mesmo - capacidade para motivar.
    E isso era o mais necessário neste momento.
    Discursos cinzentos, realistas como ele gosta de lhes chamar, já são mais que muitos.
    Queria ver agora alguma audácia, um rasgo de criatividade, uma ponta de esperança.
    E o PR anda muito longe disso.
    Pelo contrário, aquele ar cansado e enfadado só desmotiva.
    Aquele abraço

    Miguel,
    O que eu gosto de te ver por aqui!!

    Antes de mais, que o ano de 2012 seja uma maravilha para ti e família.

    O contrário do que o PR nos anda a dizer.
    Não votei nele (abstive-me) porque sempre tive dele a ideia de um tecnocrata.
    E um PR, em Portugal, não deve ser um tecnocrata.
    Isso é tarefa para governantes.
    Não para uma figura pouco mais que decorativa como é o PR em Portugal.

    Aquele abraço

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  4. Estimado Amigo Pedro Coimbra,
    100% solidário com suas palavras.
    É bofetada com luva branca bem diplomática e pertinente.
    Abraço amigo

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  5. Concordo com as suas palavras, com o Rodrigo, com o Compadre.
    Foi um discurso para Inglês ver, como se costuma dizer.
    Não há confiança naquilo que se diz, e isso transmite-se a quem ouve e foi a sensação com que fiquei.
    Beijo

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  6. Amigo Cambeta,
    Dá-me a sensação que o PR se tornou numa espécie de ave agoirenta.
    Quando devia ser o oposto.
    Aquele abraço

    Carlota,
    Lembra-se de se falar insistentemente na cassette dos militantes do PCP?
    Dá vontade de dizer - diz o roto ao nu, que mal vestido que andas tu.
    Beijo

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  7. Pedro

    Desnecessário será dizer que concordo, em absoluto, com o seu 'post' tipo carta aberta.

    Está tudo dito.

    Só falta dizer, se me é permitido, que se a figura de Cavaco assusta, o seu discurso, na forma, consegue ser pior do que os de Vítor Gaspar.
    No conteúdo e em face das responsabilidades acrescidas por ser presidente da nossa República, diria: "Por que não te calas?"

    Aquele abraço e bom ano ... do dragão.
    Ai que senti uma dor aqui deste lado...

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  8. Tenho a certeza absoluta que o doutor Salazar jamais deixaria Portugal chegar ao ponto que chegou.

    Abraço.

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  9. Hum... Na vez de ir fechada num envelope pode ir numa caixinha com um bocado de lixo? Era o que gostaria de oferecer ao mister president de presente de Natal, pelo que ele tem feito por nós!

    Piadas à parte grande carta Pedro!*

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  10. Caro Pedro,
    Concordo em absoluto com a sua carta.
    Realmente este Sr. pode saber muito de economia (é o que dizem) mas de liderar e motivar um povo nada percebe. Todos queriamos ouvir um discurso sério mas com uma mensagem de esperança, de alegria, de motivação. O que ouvimos? A descrição de um cenário negro!
    Aconselharia este Sr. Dr. a calçar as pantufas e refugiar-se na sua quinta de Boliqueime a viver dos rendimentos que já conseguiu garantir nos vários anos em que também contribuiu para este cenário. Foi um dos grandes protagonistas.

    Abraço

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  11. Li, reli e fiquei boquiaberto!

    Anibal

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  12. Pedro,
    Encontrei aqui excelência quer no conteúdo quer na forma.
    Adorei!
    Venho também agradecer o comentário. Não fiz nada de mais, a não ser reavivar um pouco as memórias de quem está longe e tem Portugal e Coimbra no coração.
    Beijinhos! :)

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  13. António,
    Mas eu até queria que ele falasse.
    Queria é que adoptasse um discurso positivo.
    Não este discurso do desgraçadinho.

    É Ano do Dragão, António.
    Na mitologia chinesa.
    No resto.....vamos ver :)))
    Aquele abraço

    FireHead,
    Voçê tem saudades do passado.
    Eu tenho saudades do futuro.
    Quero ver o meu País sair deste atoleiro e ver as pessoas a viver melhor, mais felizes.
    Aquele abraço

    Catarina,
    Só há uma coisa em que sou "americano" - no respeito às mais altas figuras do Estado.
    Sejam elas quem forem.
    O que não me impede de as criticar.
    É o que acontece com o PR.
    Bjs

    Filipe,
    Concordo em absoluto consigo.
    Já o escrevi várias vezes, aliás.
    O desvario completo vem dos tempos em que Cavaco era Primeiro-Ministro e Soares Presidente.
    A partir daí foi o regabofe total.
    Aquele abraço

    Anónimo,
    Aníbal?
    Não é O Aníbal, Aníbal António, pois não?? :)))

    ana,
    Gostei tanto de ver o bar de tantas memórias!!
    Sou bem capaz de lá ir fazer uma visita este ano.
    Agradeço o elogio ao post também.
    Beijinhos

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  14. Quem leu releu e ficou boquiaberto e assina Anibal foi Anibal Cavaco Silva,

    Anibal

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  15. Um prazer recebê-lo aqui Senhor Presidente da República.
    Vai seguir o meu conselho??

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