3 de novembro de 2009

Love Will Tear Us Apart


Conta-se que Ian Curtis, vocalista e referência da banda Joy Division, terá retirado o título desta música imortal de uma frase proferida pela sua esposa, Deborah Curtis, quando o casamento de ambos se desmoronava, acontecimento que terá estado na origem imediata do suicídio do músico.
A própria música, juntamente com o brilhante poema, trasmite um sentimento de desespero intimista que chega a incomodar quem a ouve.
Mas julgo que é um título feliz para uma notícia chocante.

Faleceu António Sérgio (Aqui via Diário de Notícias http://www.dnoticias.pt/default.aspx?file_id=dn01013202011109  ).
 Para quem, como eu, cresceu nos anos oitenta a ouvir o "Som da Frente", em longas noites, na companhia de amigos, para poder receber as novidades que o António Sérgio transmitia, é uma notícia horrível e que representa o fim de uma era.
Ouvia-se o "Som da Frente", com uns bons copos, umas boas cigarradas, melhor conversa, aqueles amigos eternos, para depois a malta comprar os álbuns que o António Sérgio recomendava e divulgava.
Como, muitos deles, não estavam disponíveis em Portugal, a malta juntava-se para os adquirir fora do País.
Não era fácil, não era barato, e a malta tinha que "dividir o mal pelas aldeias".
Mas, antes de comprar os álbuns, a malta gravava os programas do António Sérgio e ouvia aquelas novidades vezes sem conta.
Sim, que o António Sérgio, com aquele vozeirão fabuloso, não tinha o péssimo hábito de falar enquanto passava música.
Antes, ou no fim; nunca durante.

Joy Division, e Love Will Tear Us Apart, faziam parte do seu culto.
E do meu e dos amigos também.
A morte chegou, brutal, sem aviso, aos 59 anos, no passado sábado.
E nós ficámos muito mais pobres com a perda do António Sérgio.
Mas muito mais ricos pelas músicas e bandas que nos ensinou a amar, algumas das quais o "I" nos relembra.

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