27 de novembro de 2009

Acerca do voto de agradecimento a Edmundo Ho




A Assembleia Legislativa da RAEM aprovou ontem um voto de agradecimento ao Chefe do Executivo pela competência, dedicação e visão com que geriu os destinos da RAEM nos últimos dez anos.



A proposta foi aprovada com os votos favoráveis de uma esmagadora maioria dos deputados, mas mereceu a abstenção  de Pereira Coutinho e os votos contra dos três deputados ditos "democratas".
Ao ver a reportagem televisiva ontem, e ao ler os jornais hoje, não consigo evitar uma sensação de profundo ridículo, de muita teatralidade e encenação.
E de mais um dia imensamente infeliz na Assembleia Legislativa.
O Chefe do Executivo teve, ao longo destes dez anos, um desempenho globalmente positivo.
Não é difícil reconhecer esse facto, assim como não é difícil reconhecer que cometeu alguns erros.
Algo de profundamente humano, e que Edmundo Ho é o primeiro a admitir.
Já aqui escrevi que não creio que o Chefe do Executivo tivesse o dever de elencar os erros todos que cometeu.
Do mesmo modo, não tinha que estar a enumerar todas as realizações do seu consulado.
Esses balanços devem ser feitos por terceiros, a seu tempo, depois de deixar passar a espuma das ondas.
E esse tempo não é claramente o actual.
Edmundo Ho foi um príncipe em Macau.
Com esta afirmação quero significar que, desde muito cedo, se percebeu que lhe estava reservada a tarefa de ser o primeiro Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial.
Muito em tributo ao seu pai, Ho Yin, e à acção que este desenvolveu enquanto líder da comunidade chinesa e elemento de ligação entre essa comunidade e a comunidade portuguesa.
Edmundo Ho foi assim educado e preparado, ao longo do tempo, para assumir o papel de líder de um Macau reintegrado no seio da grande China.
Obviamente com a benção das autoridades centrais.
E esse apoio das autoridades centrais, sentido antes da criação da RAEM,  foi fundamental para o bom desempenho da RAEM nestes dez anos.
E vai sê-lo no futuro também, até porque é um dado mais do que garantido.
Factos que Edmundo Ho não se cansa de repetir, mas que parece que ainda não foram bem apreendidos por muito boa gente.
A China fez questão de guardar alguns "rebuçados" para o pós-1999, as autoridades centrais apoiraram a RAEM, sobretudo nas áreas da economia e da segurança, algo que terá de ser considerado normal e perfeitamente compreensível.

Branquear ou obliterar esses factos é que é inaceitável.
As declarações de ontem na Assembleia Legislativa, variaram entre a pura bajulação (Fong Chi Keong, ou foi mal traduzido, ou parecia que estava a declamar os Lusíadas!!) e a demagogia e o populismo mais rasteiros (os "democratas" são, cada vez mais, uma mistura entre os velhinhos dos Marretas e os Três Estarolas!!).
Todo este cozinhado temperado com algumas pitadas a roçar o xenófobo.
Repito, Edmundo Ho teve um bom desempenho ao longo destes dez anos.
Cometeu erros pelo caminho, perdeu fôlego e entusiasmo no segundo mandato, e acaba desgastado, física e psiquicamente.
A comunidade portuguesa, em particular, tem de guardar de Edmundo Ho uma imagem muito favorável.
Edmundo Ho sempre respeitou a comunidade portuguesa, pôs travão a algumas derivas pseudo-patrióticas pós-99, criou um ambiente que foi sempre favorável a uma comunidade que lhe é cara e que claramente acarinha.
Foi um bom líder num período e num cenário complicado.
Com uma grande e preciosa ajuda das autoridades centrais.
E nunca pediu para lhe agradecerem.
Pelo menos que eu saiba....


2 comentários:

  1. Pedro,
    Gosto dos teus posts.. directo e sem rodiguinhos. E, como se diz na nossa terra, não preciso que me agradeçam, mas também não precisam de ser mal agradecidos, e como, tu referes, é o que alguns desdes "gajos"são.
    Abraço
    RG

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  2. Quando não se é mal educado, e não se ofende ninguém, algo que nunca farei, porquê não exprimir livremente as nossas opiniões?
    Bjs.

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