7 de fevereiro de 2012

O veto, o sangue e um órgão perigoso


O Conselho de Segurança das Nações Unidas tem vindo repetidamente a trair a missão que deveria desempenhar.
E, ironia suprema, tornou-se num órgão perigoso.
Que, directa ou indirectamente, fomenta a violência.
Precisamente o que era suposto evitar.
Areópago inútil, onde se expõem vaidades e se debitam palavras ocas para abrilhantar retóricas inconsequentes, o Conselho de Segurança das Nações Unidas tem na figura do veto, que teimosamente mantém, um instrumento ameaçador à paz mundial.
Um instrumento que só pode ser utilizado por uma elite (os Estados Unidos, a França, o Reino Unido, a Rússia e a República Popular da China), primus inter pares, numa lógica de Guerra Fria há muito ultrapassada e presentemente ridícula.
A perigosidade desse instrumento ficou patente no massacre acontecido na Síria (Homs) que sucedeu ao veto irresponsável de russos e chineses.
A postura leviana de russos e chineses, preocupados apenas com os esqueletos que têm nos armários de suas casas, transformou, na mente perturbada e tortuosa do trocionário que é Bashar al-Assad, o veto de russos e chineses numa autorização tácita à continuação da matança que vem levando a cabo impunemente na Síria.
O sangue derramado pelos sírios, como de tantos outros antes deles, mancha as alcatifas do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Para quando a reformulação do funcionamento de um órgão que, de inútil, passou a perigoso?

12 comentários:

  1. Olá Pedro
    Li e fiquei a pensar. Poucos falam disto. Será mesmo que querem acabar com essa organização ?
    Será mesmo um perigo a sua continuação...?

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  2. Caro Pedro Coimbra
    Há muito que esta e outra estruturas pretensamente criadas para manter a paz se tornaram instrumentos manipulados pelos srs da guerra. Segundo percebi a razão do veto da Russia deveu-se ao facto da Síria ser um bom cliente de armamento.
    Um mundo onde o vil metal é o mais importante, está condenado.
    Não era este o mundo com que sonhei deixar aos meus filhos e netos. Um mundo em que as organizações humanitárias estão dominadas por belicistas, tornou-se inseguro.
    Abraço
    Rodrigo

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  3. Luís,
    Como está pensado, e a funcionar, o Conselho de Segurança da ONU pode ter os efeitos que teve agora na Síria - legitimar, indirectamente, o uso da força por parte de tiranos e assassinos.
    Do "soft power" passou-se para um órgão que apresenta vários perigos na sua acção.

    Rodrigo,
    A Rússia por causa do armamento; a China por causa do petróleo.
    E sempre pelo fantasma da discussão em tornos de direitos humanos básicos.
    Não foi este o mundo com que todos sonhámos.
    Inclusivamente aqueles que quiseram converter a Sociedade das Nações numas Nações Unidas.
    Que frustração!!

    Aquele abraço a ambos

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  4. Pedro,

    este Conselho de Segurança da ONU, nada tem de seguro e, para mim, tem um conceito de funcionamento que até poderia ser válido em meados dos anos 80 do século passado.

    Como é que países defensores dos direitos humanos refiro-me, claro está, à Rússia e à República Popular da China não usarão o seu poder de veto? Eles têm as mãos cobertas de sangue e como aqui já foi referido muitos, muitíssimos esqueletos escondidos nos armários.

    Abraço, Pedro!

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  5. Pedro,

    AS nações Unidas hoje em dia (e provavelmente era esse o plano inicial) é uma instituição que quer o controle dos destinos mundias, mas sem ofender alguns blocos ideológicos e económicos:
    * Os globalistas da esquerda americana (Rockfeller, Rotschild, George Soros, etc)
    * O bloco islâmico
    * O bloco russo-chinês.

    É uma organização inútil, desrespeitada e esbanjadora.

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  6. Ricardo,
    O maior receio é precisamente serem confrontados com esses esqueletos.
    E é cada um!!!
    Para além disso, há o $$$$$.Repito o que já referi aqui antes, Ricardo - milagres económicos?
    Quem quizser acreditar nisso....
    Aquele abraço

    Lucas,
    "É uma organização inútil, desrespeitada e esbanjadora."
    Curto, conciso e directo!!

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  7. Como é possível haver uma união de coisas diferentes como são as Nações Unidas? Ou a União Europeia? A questão é mesmo esta...

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  8. FireHead,
    Mas você tem outras organizações internacionais que funcionam.
    É preciso é estabelecer objectivos realistas e regras muito concretas de funcionamento.
    Unir o diferente está longe de serimpossível.
    Se assim fosse, o casamento era uma instituição inexistente ou em vias de extinção.

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  9. Não há nada como posts destes e respectivos comentários para aprender umas coisinhas de politica (isto é classificado como assunto político não é?), e aprender para ver com outros olhos coisas que há partida são divulgadas como boas, nunca veria as Nações Unidas como "orgão perigoso.Que, directa ou indirectamente, fomenta a violência." porque quando nos ensinam nas aulas de história o que é as Nações Unidas esquecem-se de mencionar as coisas menos boas, ou então na melhor das hipóteses poderiam ajudar-nos a desenvolver um raciocínio critico (eu fui desenvolvendo o meu e isso deu-me direito a algumas desavenças com professores, sobretudo com o de Filosofia :p)...

    Acho que o meu discurso foi confuso, mas o que quero dizer é que ainda bem que à textos assim e comentários para que eu possa aprender que nem tudo o que nos ensinam que é bom é tão bom quanto parece :p Consegui expressar-me Pedro?

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  10. Catarina,
    Uma das coisas que mais critico, e espero que não aconteça com as minhas filhas, é o empinanço.
    Sobretudo na área das Humanidades.
    Compreender é bem mais importante que decorar.
    Decora e esquece - ensino pastilha elástica.
    Compreende - fica na memória e permite o raciocínio, a formação de uma opinião própria.

    Um dos jornais aqui de Macau transcreveu hoje uma parte deste post.
    Essa parte mais controversa relativa à perigosidade deste Conselho de Segurança.
    Não mudo uma vírgula ao que escrevi,Catarina.
    Bjs

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