3 de dezembro de 2010

Valsa na neve

Impossível ficar indiferente ao Porto de Villas-Boas.
Ontem, debaixo de um nevão monumental, mais uma demonstração de classe, de combatividade, de confiança, de força individual e colectiva.
Tudo sob a orientação de um garoto excepcional.
O 3-1 de Viena, com os campeões europeus de 87 a ver, é o resultado normal do somatório de todas as qualidades apontadas.
A pergunta ontem era -  como se adaptaria este Porto a um terreno pesado, coberto de neve?
A resposta não podia ter sido mais clara - como se tem adaptado a todos os outros, isto é, bem.
Depois do golo sofrido, o Porto partiu para cima do adversário, esqueceu as adversidades (o frio, a neve, as lesões de Beto e Fernando) e foi atrás do resultado que sempre procura - a vitória.
E, com um "hat-trick" de Falcao, confirmou a cambalhota no marcador.
A referência a Falcao obriga a que se faça referência às individualidades.
Se é um facto que o colectivo do Porto é muito forte, não é menos verdade que há ali jogadores fantásticos.
Rolando está um senhor no centro da defesa.
Guarín cresceu imenso e é um jogador completamente diferente desde que Villas-Boas chegou ao Porto.
Moutinho é um médio excepcional.
Que veio dar nova vida ao meio-campo do Porto.
Não há nada que este menino faça mal!
E há dois fora-de-série - Hulk e Falcao.
Hulk é um avançado com qualidades únicas - força, velocidade, garra, pontapé temível, técnica.
Não percebo porque é que continua afastado da selecção brasileira.
Há um vasto leque de avançados por onde escolher.
Mas não há nenhum Hulk.
Nem nada de semelhante.
Falcao não ficará muito tempo no Porto (Rúben Micael dizia-o ontem no final do jogo).
Ontem chegou ao golo 51 em jogos oficiais pelo Porto.
E, pessoalmente, não consigo ver nenhum ponta-de-lança a jogar na Europa que se aproxime do rendimento desta "ave de rapina colombiana".
Finalmente, no banco do Porto senta-se um garoto, que completou recentemente 33 anos, mas que é um fenómeno.
Líder, inteligente, culto, apaixonado pela profissão e pelo clube, viciado no trabalho, cultor do detalhe, perfeccionista, André Villas-Boas faz vibrar quem gosta de futebol.
Sonhar quem gosta do Porto.
Quais são os limites desta equipa do Porto?
Francamente, não sei.
Para já, estão asseguradas a invencibilidade (só três empates), o apuramento na Liga Europa, o primeiro lugar no grupo, o estatuto de cabeça-de-série no sorteio, o primeiro lugar na Liga portuguesa, a Supertaça.


Resultados dos jogos de ontem:

Grupo J

B. Dortmund-Karpaty Lviv, 3-0
(Kagawa, 5; Hummels, 49; Lewandowski, 89)

PSG-Sevilha, 4-2
(Bodmer, 17; Hoarau, 20 e 47; Nené, 45) (Kanouté, 32 e 36)

Grupo K

Utrecht-Nápoles, 3-3
(Van Hofswinkel, 6 e 28, g.p.; Demouge, 35) (Cavani, 5, 42 e 70 g.p.)

Steaua-Liverpool, 1-1
(Éder Bonfim, 61) (Jovanovic, 19)

Grupo L

CSKA Sófia-Besiktas, 1-2
(Sheridan, 79) (Zapotocny, 59; Holosko, 64)

Rapid Viena-F.C. Porto 1-3
(Trimmel, 39) (Falcao, 42, 85 e 88)

As 18 equipas já apuradas:

Villarreal, Sparta Praga, Dínamo Kiev, Besiktas, PSG, Liverpool, Manchester City, Lech Poznan, Bayer Leverkusen, Sporting, PSV Eindhoven, Metalist, Estugarda, Young Boys, Zenit S. Petersburgo, F.C. Porto, CSKA Moscovo e BATE Borisov.

2 comentários:

  1. Sou portista e confesso o meu entusiasmo com esta equipa do Porto, Catarina.
    Ao André Villas-Boas só encontro um defeito - tem de saber separar o adepto do treinador.
    E deixar de lado o discurso bairrista.
    No restante é excelente.

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