17 de agosto de 2010

Um tema tabu, uma presença real e constante

Alice Kok e Kelvin Costa assinam uma excelente reportagem nas páginas de edição de hoje do diário "Ponto Final".
A chamada de atenção, na primeira página do jornal, é lapidar - "Macau é terra de contradições no que toca a sexo. Está em toda a parte, mas dele não se fala".
Resumo perfeito da abordagem que (não) é feita ao tema.
Encarado como um tabu, a realidade é que está presente em toda a parte, disponível de todas as formas, aborda-nos e incomoda-nos, mesmo quando não queremos ser por ele abordados ou incomodados.
Mas continua a ser "(...) um tabu ou algo negativo (...) mas que existe atrás da cortina".
Diz-se ser esta a perspectiva dos pais perante o tema sexo.
Uma perspectiva que é de uma hipocrisia aberrante.
A única cortina que pode existir neste domínio, é a cortina, real ou imaginária, que os próprios pais erguem à volta do tema.
A realidade, essa é do mais transparente que Macau, e a região à sua volta, têm para oferecer.
Encantados com o glamour das devetas do canto - pop que povoam a sua imaginação, as páginas das revistas, as reportagens nas principais estações televisivas, os jovens da região iniciam-se muito cedo na sua vida sexual, sem quaisquer cuidados, de uma forma inconsciente e inconsequente.
Porque não são educados no tema.
E não são educados porque o tabu persiste.
Não se fala, não se debate, não se educa aquilo que se vê e que se pode experimentar diariamente.
E com a maior das facilidades.
Durante muitos anos, o Jogo era também um tema tabu.
Podia falar-se nas "sete maravilhas de Macau", nunca na principal actividade económica do território.
Essa visão pecaminosa estende-se agora a outra das indústrias que está constantemente presente no dia-a-dia da cidade - a indústria do sexo.
E ela também aí está, existe, é visível, de fácil acesso.
Quando se vai realizar mais uma edição da "Asia Adult Expo em Macau"; quando, em Hong Kong, se está a filmar o primeiro filme pornográfico em 3D; quando, mais e mais, se exibe a vida sexual e a promiscuidade das vedetas que povoam o imaginário dos jovens da região; vai sendo tempo de abrir as cortinas, deixar sair o cheiro a mofo e abordar o tema da sexualidade de uma forma descomplexada, saudável.
A transparência também tem de passar por aqui.

2 comentários:

  1. E eu, talvez em virtude da idade, cada vez tenho menos paciência para gente hipócrita e para falsos puritanismos, Carlos.
    É só tentar ler a reportagem do Ponto Final, disponível na net.
    Bem à brasileira, já não tenho saco!!
    Abraço

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