25 de agosto de 2010

Francisco Lopes é o patusco escolhido

A história repete-se - em todas as eleições presidenciais, o PCP apresenta um patusco a sufrágio.
O patusco escolhido para representar o PCP nas eleições presidenciais do próximo ano é Francisco Lopes, militante de longa data, camarada, amigo, operário, resistente, lutador anti-fascista, membro do Comité Central, do Secretariado, deputado eleito pelo círculo de Setúbal.
O protótipo que já todos conhecemos.
Com a embalagem que também já todos conhecemos.
E que vai a votos.
Pelo menos foi isso que garantiu Jerónimo de Sousa no lançamento da candidatura ("O camarada Chico Lopes vai até ao fim").
Francisco Lopes vem juntar-se a Manuel Alegre, Fernando Nobre e Defensor Moura.
Todos com o objectivo de evitar a reeleição de Cavaco Silva, o qual, curiosamente, ainda não revelou se é, ou não, candidato (Cavaco não consegue viver sem um apetitoso tabu periodicamente!!).
Mas, não deixa de ser curioso que, sendo o objectivo de todos derrotar Cavaco, se entretenham a dividir os votos da esquerda.
Supostamente, os votos que poderiam derrotar o actual Presidente da República.
Em boa verdade, o comportamento do PCP em nada surpreende.
Os comunistas portugueses são ferozmente coerentes.
Encontram o tal patusco, que vai debitar o mesmo discurso que o PCP anda a debitar no espaço informativo desde 1974, quer se trate de eleições presidencias, legislativas, ou autárquicas.
Não é para levar muito a sério.
Os próprios militantes do PCP já não levarão estes episódios muito a sério.
Mais importantes são os sinais que se escondem atrás da fumaça.
Quem se dizia que seria o candidato do PCP era Bernardino Soares.
Porque é que não foi ele o escolhido?
Ainda não é o momento certo para o jovem Bernardino se assumir como o próximo líder do PCP (foi assim com Carlos Carvalhas e Jerónimo de Sousa; a seguir à derrota nas presidenciais, ao sacrifício em nome do Partido, vem a recompensa em forma de eleição para Secretário Geral)?
Ou foi Bernardino Soares que não aceitou ser o cordeiro a imolar na praça pública?
E, se foi, quais os motivos?
Não se quer desgastar?
Estas é que são as questões verdadeiramente importantes, que gostava de ver respondidas.
Tal como, acredito, a grande maioria dos militantes comunistas.
A candidatura do patusco é só mais um episódio do circo mediático que o PCP sempre monta à volta das eleições presidenciais.

6 comentários:

  1. Já não bastava o antigo locutor da Rádio de Argélia, o tal herói poeta chamado de Manuel Alegre, vem agora o PCP apresentar mais um revolucionário, a cadeira de Belém, começa a ficar bem composta, oxalá que nenhum deste se sente nela, se mal estamos então pior ficaremos.

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  2. O PCP faz sempre isto, caro Cambeta.
    Eu gostava de saber o que é que se passa com o Bernardino Soares....

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  3. Caro Pedro Coimbra

    Através do CR e do seu comentário vim aqui parar, aliás como já fui tambem parar a outro.
    Sobre as próximas presidênciais, não estou lá muito de acordo consigo. Aceito democráticamente todas as opiniões, mas se permite gostava de deixar a minha. Sou apoainte de Manuel Alegre, porque nos candidatos à esquerda é o que me oferece mais confiança. As outras candidaturas neste caso podem servir para mobilizar mais gente a votar. Só 2 candidatos tornariam as coisas demasiado mornas e provavelmente a abstenção seria maior. Para mim é importante fazer com que haja uma segunda volta, porque se houver, as probalidades de derrotar o ainda hipotétco candidato da direita, Cavaco Silva aumentam. Isto sou eu que penso assim, mas claro posso enganar-me.
    Quanto ao Francisco Lopes aí estou de acordo consigo.
    Cumprimentos

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  4. Caro "folha seca",
    Temos uma visão diferente desta profusão de candidaturas no espaço da esquerda.
    Julgo que, tendo Cavaco o eleitorado muito fidelizado (PSD, CDS e algum eleitorado independente), a concentração de votos à esquerda é que poderia derrotá-lo.
    Esta dispersão, se não estou errado, vai ter como resultado uma reeleição à primeira volta.
    Cumprimentos

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  5. Creio que a maioria dos militantes comunistas não conhece Chico Lopes. Um comentador lá no CR creio que encontrou a explicação certa para a escolha. Pelo menso parece-me curial.

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