31 de agosto de 2010

E, porque hoje é terça-feira, foi aplicado outro castigo a Carlos Queiroz



Transcrevo a notícia do jornal "Record":

Carlos Queiroz foi castigado pela Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) por seis meses, anunciou o organismo em comunicado, na sequência da acusação que pendia sobre o selecionador nacional de perturbação de um controlo antidoping realizado durante o estágio da Covilhã.
A pena mínima em que incorria Carlos Queiroz era de dois anos, mas a ADoP, segundo revelou à Agência Lusa fonte próxima ao processo, teve em consideração atenuantes, que reduziu o castigo para apenas seis meses.
De acordo com a legislação em vigor, o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), com sede em Lausana, é a única instância de recurso para Queiroz.
Recorde-se que o selecionador nacional havia sido suspenso por um mês pelo Conselho de Disciplina da FPF, por injúrias a membros de uma brigada antidoping .
Mais tarde, a ADoP decidiu avocar o processo, decidindo-se agora por uma pena mais pesada.

Uma notícia a merecer alguns comentários.
Em primeiro lugar, como o próprio seleccionador nacional já referiu ao reagir ao teor da mesma, mais uma vez assistimos a uma conveniente fuga de informação em matérias que deveriam ser mantidas em absoluto sigilo até serem formalmente notificadas aos intervenientes no processo.
Já nem é novidade.
Como tal, adiante.
Depois, e atento o teor da decisão (repito, a confirmar-se a veracidade da notícia), não deixa de ser estranho que, sendo o comportamento do ainda seleccionador nacional tão grave, a pena aplicada seja especialmente atenuada.
Se o comportamento do seleccionador é considerado realmente grave, e só assim se compreenderia a avocação do processo por parte da ADoP, então não há que ter contemplações.
Pelo contrário, exige-se mão firme.
Mas, como já todos compreendemos muito bem, não é o comportamento do seleccionador que está em causa.
Insultar as partes intímas da mãe do responsável pelo controlo anti-doping não constitui obstáculo à realização dessa operação.
O que se pretende com este castigo é criar um ambiente favorável à rescisão com justa causa do contrato que liga o seleccionador à FPF.
Até o presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol já veio publicamente afirmar que, um seleccionador nacional que está castigado por tanto tempo, não dispõe de condições para continuar no cargo.
Mas será que esta gentinha acha que, com estas tolices, Carlos Queiroz vai sair de fininho, sem reclamar a indemnização que julga ser-lhe devida?
Obviamente, este é um caso que vai acabar nos tribunais.
Mas, se é para aí que inexoravelmente se caminha, porque não fazê-lo já?!
Ontem já era tarde!!
O primeiro tribunal a ser chamado a intervir nesta disputa é o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS).
Carlos Queiroz já anunciou que vai recorrer para esta instância logo que seja notificado da decisão que a imprensa dá agora a conhecer.
Ou seja, Queiroz e a FPF vão "lavar roupa suja" para a Suíça.
Que vergonha!
E Queiroz também já anunciou que vai pedir a suspensão do castigo que lhe vai ser aplicado.
Invocando dois factos - não houve qualquer infracção; a ADoP não dispõe de competência para avocar o processo.
Confesso que desconheço se o recurso a apresentar perante o TAS tem, ou não, efeito suspensivo.
Mas, se tiver, e é provável que tenha, o que vai fazer a FPF?
Esperar que o caso seja julgado em sede de recurso?
E, entretanto, em que ficamos?
Sem seleccionador?
Que feio, que triste!
De caminho, Cristiano Ronaldo está lesionado (o tornozelo), Varela também (fadiga muscular) e foram chamados Quaresma e Djaló para os substituir.
Entre lesões, renúncias, um treinador sem qualquer autoridade, acossado por (ir)responsáveis demasiado cobardes para tomarem a atitude que se impõe, quem verdadeiramente acredita na Selecção Nacional, no sucesso desta campanha a caminho do Europeu de 2012?

2 comentários:

  1. Eu nem comento, pois a justiça em Portugal é aquilo que todos nós sabemos.

    Ex-Treinador de futebol

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  2. E o caso vai andar arrastar-se pelos tribunais por longos anos.
    Isso já podemos ter a certeza.

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