14 de julho de 2010

Tomada da Bastilha

Comemora-se hoje o quatorze juillet (14 de julho), feriado nacional em França, conhecido formalmente como Fête de la Fédération ("Festa da Federação").
A origem histórica deste feriado remonta ao dia 14 de Julho de 1789, e relembra um dos eventos centrais da Revolução Francesa - a Tomada da Bastilha (Prise de la Bastille).
À Tomada da Bastilha, mais do que o evento em si mesmo é atribuído um simbolismo que ainda hoje é ligado aos ideais da Revolução Francesa e à aprovação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
A Bastilha era a grande prisão do estado e foi invadida por um até então desconhecido jornalista, Camille Desmoulins, o qual, em frente ao Palácio Real e de pelas ruas de Paris, foi espalhando a notícia de que tropas reais estavam prestes a desencadear uma repressão sangrenta sobre o povo de Paris.
Como tal, todos deveriam pegar em armas para se defender desse iminente ataque.
Num primeiro momento, os populares dirigem-se à zona de Les Invalides, local onde se encontrava armazenado um razoável arsenal de armamento.
É posto então a circular o boato que a pólvora se encontrava aramazenada na Fortaleza da Bastilha.
A multidão dirige-se para este último local, defendido por poucos homens e, mesmos estes, dispondo de pouco armamento, e armamento arcaico.
O Marquês de Launay, responsável pela Bastilha, tenta negociar, mas é traído pelo comportamento dos guardas que disparam sobre a multidão revoltosa.
Este gesto precipitou o assalto à Fortaleza e o massacre consequente.
O próprio Marquês de Launay teve um fim trágico ao ser decapitado, tendo a sua cabeça sido espetada na ponta de uma lança que desfilou pelas ruas de Paris numa celebração macabra.
Os presos são soltos, fogem do local e a Bastilha é incendiada.
A notícia rapidamente se espalha e é associada a uma revolta bem sucedida contra o poder de uma nobreza cada vez mais acossada em virtude do seu reduzido número, da sua imensa riqueza e dos seus gastos sumptuosos.
Um dos bastiões do Rei havia sido destruído, e o simbolismo associado a essa destruição gerou uma série de movimentos libertadores por toda a a Europa.
A invasão da Bastilha, e a consequente Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, formaram o terceiro evento da fase inicial da revolução.
A primeira havia sido a revolta da nobreza, recusando-se a ajudar o rei através do pagamento de impostos e a segunda havia sido a formação da Assembleia Nacional e o Juramento da Sala do Jogo da Péla, o juramento realizado pelos membros do terceiro estado (burgeoisie), no salão de jogos do Palácio, que decidiram permanecer reunidos, ao arrepio das indicações do Rei Luís XVI, até dotarem a França de uma Constituição.
"Liberté, egalité, fraternité ou la mort", o célebre slogan pronunciado pela primeira vez em 1793, mergulha as suas raízes na Revolução Francesa e nos acontecimentos que culminaram com a Tomada da Bastilha celebrada hoje.

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