2 de julho de 2010

Nos quartos a olhar para as meias

Vigésimo segundo dia deste Mundial, primeiro dia dos quartos-de-final.
O primeiro jogo é um electrizante Brasil/Holanda, um jogo que tem que ser um grande espectáculo.
Os brasileiros já não jogam aquele futebol rendilhado, já não dão os espectáculos que davam até aos anos 80 do século passado, já não têm uma grande estrela (o mais destacado dos jogadores brasileiros é Kaká, ele próprio numa fase algo cinzenta da sua carreira).
A postura "europeizada" da selecção brasileira tem valido grandes críticas ao seleccionador, mas Dunga não se desvia um milímetro nas suas ideias.
A equipa brasileira é menos espectacular do que era hábito.
Mas é mais sólida e eficaz.
E tem um bom lote de jogadores, boas alternativas, todas de qualidade semelhante.
Do outro lado, os holandeses, cheios de talento, cheios de ilusão, uma selecção com muito bons jogadores, um futebol positivo.
E a sede de vingarem a o 3-2 de 1994 e a derrota nos pontapés da marca de grande penalidade em 1998.
Será desta que os holandeses conseguem deixar os brasileiros pelo caminho?
Num jogo com duas equipas que ainda não perderam (os holandeses só têm vitórias, os brasileiros empataram com Portugal), com grandes jogadores, e com vontade de ganhar, o resultado é imprevisível.

Se brasileiros e holandeses são "clientes" habituais nesta fase da competição, os urugaios já não chegavam tão longe desde os anos 70 do século passado e os ganeses apresentam-se em estreia absoluta.
Chegar até aqui já é um feito para qualquer uma das selecções.
Para os uruguaios, o apuramento significa reviver a história, algo que o próprio seleccionador uruguaio já reconheceu.
Para os ganeses significa fazer o que nenhuma selecção africana conseguiu.
A selecção ganesa já igualou os Camarões e o Senegal ao chegar aos quartos-de-final de um Mundial.
Agora quer ir ainda mais longe.
Julgo que a maior experiência, e a maior estaleca, dos uruguaios, poderão ser factores decisivos na hora do apuramento.
Com Olegário Benquerença a arbitrar, é um jogo que ninguém estaria a prever que se realizasse nesta fase da prova e que vai ditar um semi-finalista surpreendente. 

4 comentários:

  1. Agora já só me interessa a Argentina,Pedro.
    Por ser a minha segunda pátria e por causa de uma adepta especial que amanhã vai aparecer lá pelo Rochedo...

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  2. Uma das favoritas, Carlos.
    Pensava que Maradona ia ser um obstáculo.
    Enganei-me e dou a mão à palmatória.
    E pensar que é possível ter aquela selecção, e jogar aquele futebol, deixando jogadores com a categoria de Lucho e Lisandro em casa.
    Até sinto inveja.
    Abraço

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  3. A Laranja mecânica esmagou a Canarinha, selecção esta que levou uma lição de samba expectacular.
    O Duga coitado, ensinou mal a lição e seus pupilos nada aprenderam, não se viu a selecção canarinha a pensar, jogaram mal, e assim sendo só teremos que reconhecer a garra e a força dos holandeses que ganharam com muito mérito.

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  4. A segunda parte dos brasileiros é inexplicável, caro Cambeta.
    De cabeça perdida, violentos, desarrumados.
    E o selecionador a olhar para aquilo sem saber o que fazer.
    Dunga será crucificado no Brasil (os brasileiros nunca gostaram dele), assim como Felipe Melo.
    Aquela pisadela a Robben é uma sujeira, para utilizar um termo tipicamente brasileiro.
    Estou a começar a prever uma reedição da final de 1978, um Argentina/Holanda.
    Abraço

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