31 de maio de 2011

Direito à abstenção


Nos últimos dias, tenho recebido várias mensagens, por correio electrónico e no Facebook, todas com o mesmo conteúdo - tenho que votar nas eleições legislativas que se realizam no próximo dia 5 de Junho.
Se não o fizer, sou um péssimo cidadão, estou a deixar a decisão relativa ao futuro do meu país nas mãos de terceiros, sou um irresponsável.
Muito semelhante aos mails que prometem fortuna, saúde, prosperidade,..... se nós os enviarmos imediatamente a "x" pessoas.
E desgraças sem fim se não o fizermos.
Curioso......eu estava absolutamente convencido que o voto, ao contrário de outros países, ainda não é obrigatório em Portugal.
Estou enganado?
Se estiver, por favor informem-me.
Envolvido nestes pensamentos, como sou um tipo algo curioso, fui ver se encontrava uma definição simples de abstenção.
Aqui está ela:
"Em política, abstenção é o ato de se negar ou se eximir de fazer opções políticas. Abster-se do processo político é visto como uma forma de participação passiva, não como exclusão social (...)."
Se bem entendo, quando alguém se está nas tintas para o desfecho de um processo eleitoral, abstém-se.
Não perde o seu direito de cidadania, não se torna num irresponsável.
Apenas exerce a opção, consciente, de não optar por nenhuma das soluções que lhe são propostas.
Como as soluções que me são propostas não me agradam, mas mesmo nada!!, nem sequer são suficientes para me motivarem uma deslocação à assembleia de voto para depositar na urna um voto em branco, ou nulo, posso exercer o meu direito à abstenção em paz e sossego?!

9 comentários:

  1. Com todo o respeito, discordo da abstenção, do voto nulo e até do voto em branco.

    Votem. Em consciência e de acordo com o vosso pensamento, a vossa crença política, mas votem.

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  2. No meu caso pessoal, nunca votei na minha vida, e não será desta vez que o irei fazer, isto por variadissimas razões, que não vale a pena estar aqui a citar.
    A minha consciência o diz.
    Tirem o Cavalinho da chuva, como diz o tal do BE.

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  3. Se é para abster, vota em branco. Defendo que o voto devia ser obrigatório como no Brasil ou nos EUA porque foi um direito conquistado e existem países no mundo, como a China, onde os seus povos ainda sonham com esse direito. As pessoas hoje em dia dão tudo por garantido e, no caso das eleições, se não votam então não têm o mínimo direito de criticar o que quer que seja depois - votassem! Infelizmente Portugal é um país democrático sem cultura democrática.

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  4. Observador,
    E eu respeito a su opinião.
    Mas, como é óbvio, não concordo com ela.
    A abstenção é uma forma de deixar claro que não me interessa minimamente quem vai ganhar as eleições.
    É esse o meu sentimento.

    Caro amigo Cambeta,
    Já votei muitas vezes, já cheguei a integrar as listas de um partido (PSD) a nível local.
    Foi há vinte anos.
    O que então vi, afastou-me totalmente da política.

    FiraHead,
    Não é a mesma coisa o voto em branco e a abstenção.
    O voto em branco é uma afirmação de protesto (e o voto nulo também).
    A abstenção é um claro estou-me nas tintas.
    Se o voto for obrigatório (Suíça e Bélgica, se não estou em erro, são exemplos) então terei que votar.
    Mas não perecebo que raio de democracia é essa que obriga as pessoas a votarem.
    E, no meu caso, posso-lhe garantir que não vou protestar com o Estado português.
    Não tenho, nunca tive, o hábito de protestar com "eles".
    Mesmo quando passei por tempos mais complicados.
    "Eles" não me devem nada e eu não lhes devo nada a "eles".
    Não confunda o sufrágio directo e universal, que defendo totalmente, com uma obrigatoriedade de voto.
    Esta última é uma democracia musculada que não aprovo.
    O meu País permite-me gozar a liberdade de dizer não quero votar.
    E é assim que eu quero que continue.

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  5. Exactamente. Partindo desse ponto de vista, não faz mal uma pessoa não votar por estar-se nas tintas para a política: alguém votará por ela. É isso que acontece sempre, até: quanto maior é a abstenção, mais são os "eleitores não praticantes" a levarem por tabela. A democracia é bonita, mas está longe de ser perfeita.

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  6. Pedro Coimbra,

    Uff que matéria difícil! Pois, eu sou a favor que se vote em branco ou nulo, ou num partido em vez da abstenção porque o resultado é mais objectivável. :)
    Mas em democracia deve respeitar-se os outros, por isso respeito a sua opção!

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  7. Pedro
    Não sou a favor dela, nem do voto nulo nem em branco, mas caramba hoje a 5 dias de eleições e estou num dilema muito complicado, Coelho vai ser com ervilhas na próxima 5ª feira que é feriado aqui para estes lados, Sócrates só o nome provoca-me naúseas, bom vou ficar por aqui, tal como as alternativas que nos apresentão.
    Abraço

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  8. FireHead,
    Já ouviu, de certeza, a afirmação "a democracia é o pior de todos os sistemas políticos. Exceptuando todos os outros."
    É isso mesmo que também penso.
    Ao contrário do que você diz, não estou a entregar a decisão nas mãos de terceiros (se estivesse também não haveria grande problema).
    Quer saber o programa do próximo governo?
    Leia o acordo com a troika.
    Quem é que o vei executar?
    O PSD, provavelmente coligado com o CDS?
    O PS (mais do mesmo)?
    É-me totalmente indiferente.
    Por isso mesmo, abstenho-me.

    ana,
    Democracia é liberdade de escolha, respeito pelas opiniões alheias.
    Ainda que completamente opostas às nossas.
    Algo que, com todos os defeitos, Portugal nos permite.
    E não é por não votar que sou menos patriota.
    Se há coisa que a distância me provocou foi uma maior paixão pelo meu País.
    Que anda a ser muito maltratado por gente medíocre.

    Adélia,
    Na sequência do comentário anterior, é essa a minha desilusão.
    Vamos começar da esquerda para a direita.
    O Bloco de Esquerda não é um partido de poder.
    Nem quer ser poder.
    Sobrevivem enquanto oposição.
    É essa a sua vocação.
    O PCP é, cada vez mais, uma agremiação de alienados.
    Como é que se pode pensar que é possível a sobrevivência de Portugal fora do euro e da União Europeia?
    Como é que se pode defender que não se pague o que se pediu emprestado (é um empréstimo, não é uma ajuda como o Passos Coelho, e outros, estão sempre, erradamente, a dizer)?
    O PS, especialmente este PS de Sócrates, uma criatura sem escrúpulos e sem vergonha, não obrigado.
    O PSD, um saco de gatos há mais de vinte anos, tem agora um líder que é como aqueles futebolistas aos quais faltam os últimos vinte metros.
    Que até são os mais importantes.
    O CDS/PP, criação de Paulo Portas, é o partido do líder, a glorificação do líder.
    Que é um ditador e um sacana terrível!!
    Desde os tempos do liceu (Colégio São João de Brito).
    Naturalmente, abstenho-me!
    Abraço

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  9. Permitam-me um comentário pessoal.
    Até à data temos votado, de facto cada vez menos mas temos votados.
    A questão que ponho é a seguinte:
    - Se vivemos numa democracia porque razão não vem expressa a minha vontade no boletim de voto?
    Sou um cidadão como qualquer outro mas a minha opinião não é respeitada. Eu NÃO quero votar em nenhum dos candidatos. Onde coloco a minha vontade de voto?
    Enquanto o boletim de voto não expressar a minha vontade de votar não vou respeitar o voto pela mesma razão!!
    Afinal que raio de democracia e de liberdade temos nós?!

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