31 de outubro de 2012

Mais uma oportunidade perdida em Alvalade?


François ("Franky") Vercauteren foi oficialmente apresentado como treinador do Sporting.
Lembo-me bem de Vercauteren enquanto jogador.
Esquerdino, fez parte das melhores selecções belgas de que tenho memória juntamente com nomes como Ceulemans e Enzo Scifo.
Como treinador, o seu currículo resume-se ao (bom) trabalho no seu país (Anderlecht e Genk).
Não sei se será o treinador ideal para o Sporting neste momento.
Na realidade, não sei qual será o treinador ideal para o Sporting neste momento, ou até se esse treinador existirá.
O que penso é que este podia ser, finalmente, o ano zero de que o Sporting anda há muito a precisar.
Mas, para que assim fosse, antes de mudar de treinador, tinha que haver mudanças na estrutura directiva.
Godinho Lopes apresentou um projecto ao Sporting que assentava essencialmente na contratação de Domingos para tomar conta da equipa principal.
O saneamento financeiro e a aposta na formação, como se foi vendo pelo caminho, eram apenas mensagens que Godinho Lopes sabia que passavam bem.
A aposta Domingos, a aposta essencial, foi o primeiro de uma longa série de erros do actual presidente do Sporting.
Uma boa parte dos adeptos do Sporting nunca aceitou bem Domingos, antes o olhou com desconfiança, como um portista infiltrado em Alvalade.
Quando finalmente percebeu isso, depois de já ter gasto uma fortuna a alterar por completo a equipa, sem qualquer aposta na formação como tinha prometido, Godinho Lopes despediu Domingos e foi buscar Sá Pinto.
Controverso, mas com inegável coração de leão.
Podia começar aí a inversão de um caminho que já se percebia perfeitamente não ser o correcto para o clube.
E assim parecia ser.
A entropia de Sá Pinto com as bancadas e o balneário era uma realidade.
Que se altera por completo no Jamor.
A derrota na final da Taça de Portugal representou o princípio do divórcio entre a massa associativa, a própria direcção, e Sá Pinto.
Depois da saída de Domingos, a saída (previsível) de Sá Pinto.
Acompanhada, quase em simultâneo, pelas saídas de Carlos Freitas e Luís Duque e pela nega  pública de José Couceiro.
Neste cenário, agravado pelo facto de a equipa se encontrar virtualmente afastada da luta pelo título, afastada da Taça de Portugal, a caminho do afastamento da Liga Europa, o natural seria Godinho Lopes demitir-se e solicitar a convocação de eleições antecipadas.
Eleições às quais até poderia apresentar-se como candidato.
Mas com outro projecto.
Porque o que lhe deu a vitória nas últimas eleições claramente já não existe.
Em boa verdade, terá deixado de existir no dia em que Domingos foi despedido.
Seria então o momento ideal para o Sporting declarar o tal ano zero, partir para um resto de época em que, essencialmente, se procuraria arrumar a casa e conseguir o apuramento para a Liga dos Campeões, através do terceiro lugar na Liga, cenário que se apresenta muito complicado neste momento.
Confesso que não percebo exactamente o que se pretende com a contratação de Vercauteren.
Parece-me mais um, entre os muitos, sinal de desnorte.
O belga, nas suas primeiras declarações como treinador do Sporting, ainda acentuou esta minha sensação de total desnorte.
Vai trazer um adjunto, mas conta com Oceano; quer apostar na formação, na Academia de Alcochete, mas confessa que desconhece quem lá trabalha neste momento; afirma, em completa negação da realidade, que ainda aposta no título.
Com Godinho Lopes ao lado, Vercauteren deixou-me a forte sensação que a oportunidade excelente, até pela fácil gestão de expectativas, de se poder refundar (um verbo que está na moda) o Sporting, vai ser novamente desperdiçada.
Se estiver a ler bem o que está a acontecer em Alvalade, dentro de pouco tempo poderemos verificar se é mesmo assim.

17 comentários:

  1. Pedro,

    como sempre - já é um hábito - uma analise séria, desapaixonada e correcta do que é o Sporting de há uns anos a esta parte.

    Querido amigo, sendo eu um benfiquista e, como tal, afastado da realidade diária leonina, não posso deixar de constatar que a força do Sporting é agora a mesma dos Vitórias (Setúbal e Guimarães)ou até da "sua" Briosa e passo a explicar:

    1 - O Sporting tem muito mofo entre portas, isto é, a muita gente dentro do clube com interesse em que ele funcione mal, tal qual acontecia no tempo do aldrabão Vale e Azevedo no meu clube.

    2 - Domingos é um treinador competente, de longe muito melhor que Sá Pinto ou Oceano Cruz, porém, foi trucidado por essa máquina (interna)- Sá Pinto incluído - horrorosa que, de forma mesquinha, sempre o viu como um portista infiltrado e, portanto, torcia pelo seu insucesso.

    3 - Você sabe quem manda no departamento de futebol? Será Rui Paulo Figueiredo (meu amigo pessoal)? Será Godinho Lopes? Será o Conselho Leonino? Será Eduardo Barroso? Será aquele senhor (nosso colega de profissão) de óculos, que ontem foi o tradutor de Vercauteren? Enfim, eu é que não sou de certeza.

    Por fim, dizer que nem Pep Guardiola ou, se preferir, José Mourinho conseguiriam endireitar o Sporting neste momento e Franky não o irá fazer, tenho a certeza.

    Lembro da selecção belga onde jogava Frank Vercauteren com Michel Preud'homme, Jean-Marie Pfaff,Marc Degryse,Jan Ceulemans, Eric Gerets, Franky Van Der Elst, Enzo Scifo, René Vandereycken, Erwin Vandenbergh, Leo Clijsters, entre muitos outros que brilharam em Mundiais e Europeus até ao final dos anos 80 do século passado.

    Ah, e lembro-me, também, que venceram, em 1982, uma final da Taça UEFA contra o Benfica (num jogo a duas mãos) por 2-1.

    Caro Pedro, a prosa já vai longa, mas o Sporting dá-me para isto, isto é, divagar. :DDDD

    Aquele abraço!

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  2. Na mouche, Ricardo.
    Mas é uma pena que assim seja.
    Ainda hoje comentava com um bom amigo, sobrinho-neto do Peyroteo, que esperava enganar-me na minha análise.
    Porque queria ver um Sporting forte, um Sporting a lutar por títulos, por todos os títulos.
    Infelizmente, os sinais que recebo indicam o oposto.
    Desorganização total, um saco de gatos dentro do clube, ausência de uma liderança forte, um camião de jogadores que foram chegando e que não têm a mais pequena ponta de qualidade.
    E, se não fosse "são Rui Patrício"......
    Tinham agora uma oportunidade tão boa de virar a página de uma vez por todas!

    O Ricardo lembra-se bem dessa excelente selecção belga.
    O contra-ataque deles era terrível!
    Dá-me a sensação que o futebol belga está agora a querer renascer.
    Será essa a aposta de Godinho Lopes?

    E também me lembro bem dessa final entre o Anderlecht, base da selecção belga, e o Benfica de Erikson.
    Dois grandes jogos, muito equilibrados, que podiam ter dado para qualquer lado.
    O Anderlecht tinha uma equipaça.
    O Benfica, idem.

    Para relembrar:
    - Bento

    - Pietra

    - Humberto Coelho

    - António Bastos Lopes

    - António Veloso 62

    - Shéu 50 36'

    - Diamantino

    - Glenn Strömberg

    - Carlos Manuel

    - Nené

    - Chalana

    Depois entraram o Alves e o Filipovic.

    Só craques.
    E só dois estrangeiros.

    Aquele abraço!!

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    1. A Bélgica, tal como o Anderlecht, jogava com a defesa em linha, sempre a subir para "entalar" os adversários na malha do fora-de-jogo, lembra-se, Pedro?

      Ai esse Benfica, que saudades!

      Grande abraço!

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    2. Lembro-me bem, Ricardo.
      E eram terríveis nesse tipo de jogo.
      Também me lembro bem dessa equipa do Benfica.
      Adversários do Porto, ao qual ganharm muita vez, era impossível não admirar esses craques.
      Havia nessa equipa jogadores de uma elegância incrível.
      Destaco três - Humberto Coelho; Sheu; Nené.
      Grande abraco

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  3. O que hei-de dizer depois de ter sido dito tudo pelos dois 'especialistas' de serviço, Pedro e Ricardo?
    Estou plenamente de acordo com ambos.
    E ainda bem pois assim poupo uma data de batidelas no teclado. :)

    Deixo, apenas, uma pergunta: o que estará mal em Alvalade?

    Um abraço

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  4. António,
    O principal problema em Alvalade e ausência de liderança.
    Podemos gostar, ou detestar, Pinto da Costa e Filipe Vieira; podemos achar que tem todos os defeitos; mas e indiscutível que são lideres fortes.
    Aquele abraço!

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  5. Esquecia algo muito importante, Ricardo e António.
    Amanha vou meter-me com os benfiquistas.
    Lembram-se de um post sobre o típico sócio dos Super Dragões?
    Amanha e sobre o típico benfiquista.
    E mais não digo :))))

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  6. Não se lhe avizinha vida fácil, mas é como você diz muito bem, que treinador é que pegaria naquilo? O Mourinho? ;)

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  7. O problema não está no treinador, FireHead.
    O problema está na estrutura na (ausência de) liderança.
    Qualquer treinador que vá agora para Alavalade arrisca seriamente sair de lá bem chamuscado.

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  8. Não tenho dúvidas que só há um treinador para o Sporting ! É o Pinto da Costa ! ... e seriam campeões no 2º ano ! eheheh
    .

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  9. Pois e Rui - um líder a serio, acabava-se o saco de gatos e o clube voltava a ser grande.
    Entre Godinho Lopes e Dias Ferreira, ou outro jovem que trazia dinheiro russo, venha o diabo e escolha!!!

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  10. Txi... só homens a falar de futebol...
    Hoje não me apetece comentar. Fica para a próxima!

    (^^)

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  11. Bola também e necessário, Afrodite.
    De vez em quando.....

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    1. Claro que sim... eu de vez em quando também mando os meus "bitaites"!!
      (mas normalmente só entro na liça se falam do "meu" Braguinha!)

      (^^)

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  12. Eu que de pouco percebo de politiquices do futebol (e a mim sinceramente parece-me que o problema do Sporting são politiquices futebolisticas) acho que o Sporting devia ter aguentado o PaciÊncia e tÊ-lo apoiado, coisa que claramente não aconteceu, da maneira que estão as coisas não era de um mês para o outro que as coisas iriam mudar, quanto ao resto olhe eles que se amanhem, tenho de facto muita pena pelo Sporting e não a desgraça do Sporting que me dá regozijo algum, mesmo sabendo que quando o Benfica andou na mó de baixo tenho a certeza que muitos Sportinguistas se divertiram com o assunto, mas eu não sou assim e lamento mesmo.

    Beijinhos verdes :p ehehehehe

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  13. O Sporting precisa de liderança e de tranquilidade.
    Uma vitoria e tudo se altera.

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