21 de agosto de 2018

Macau e a divulgação da Língua Portuguesa em Macau vão ficar mais pobres

Se é verdade que de insubstituíveis está o cemitério cheio e que somos todos iguais, também não deixa de ser verdade que há pessoas que dificilmente se pode substituir e que há mesmo alguns mais iguais que os outros.
Macau e a divulgação da Língua Portuguesa vão sentir isso com a saída da Região Administrativa Especial de quatro pessoas que sinto ter que destacar neste espaço.
Simplesmente porque pelo seu trabalho e personalidade o merecem inteiramente.
Sem qualquer ordem de precedência, começo pelo ainda Presidente do Instituto Politécnico de Macau, o Professor Lei Heong Iok.
Resido em Macau há quase vinte e três anos.
E, neste tempo todo, nunca ninguém trabalhou tanto, tão afincadamente e com tanto gosto, com tanta paixão, na divulgação da Língua Portuguesa em Macau e no interior da China como o Professor Lei Heong Iok.
Um trabalho há muito a merecer devido reconhecimento por parte do Estado Português.
Neste trabalho, e nos anos mais recentes, o Professor Lei Heong Iok, que sempre se soube rodear de excelentes colaboradores, teve no Professor Carlos André um cúmplice precioso.
O crescimento brutal do número de instituições de ensino superior que ensinam a Língua Portuguesa na China, e a Língua Chinesa em Portugal, está intimamente relacionado com o trabalho desenvolvido pelo Professor Carlos André e a sua equipa de colaboradores.
Professor Carlos André que ainda teve tempo para a intervenção cívica quando o julgou pertinente e para nos deliciar com as suas conversas com o jornalista Carlos Picassinos na Rádio Macau.
Neste trabalho de divulgação da Língua Portuguesa em Macau não podia faltar uma referência também ao Director do IPOR, Dr. João Laurentino Neves.
Com a sua dinâmica, a sua capacidade, o seu profissionalismo, o IPOR deu um salto qualitativo unanimemente reconhecido.
Mesmo em tempo de “vacas magras”.
E, por falar em vencer os tempos de “vacas magras”, a inevitável referência a quem revitalizou o Consulado de Portugal em Macau conforme prometeu à sua chegada.
O agora Embaixador Vítor Sereno, meu conterrâneo, amigo de amigos comuns, fez um trabalho notável no Consulado.
Um trabalho que permitiu reconciliar os portugueses de diferentes origens com a representação consular em Macau e que é por todos reconhecido e louvado.
Um trabalho de grande dedicação e profissionalismo que ainda permitiu ao agora Embaixador Vítor Sereno deixar em Macau uma imagem de simpatia, de facilidade de aproximar as pessoas e de se aproximar das pessoas.

Não, não há insubstituíveis.
Mas há gente que faz muita falta quando a vida lhes coloca outros desafios e têm que deixar as funções que tão brilhantemente exerceram.
À semelhança do Embaixador Vítor Sereno, eu também detesto despedidas.
Apenas deixo o meu bem haja a todos os que agora seguem outro rumo nas suas vidas pessoais e profissionais e cito o Embaixador Vítor Sereno para lhes dizer simplesmente “até já”.

24 comentários:

  1. Vale a pena referenciar quem o merece, e pelo que diz esse quarteto fez jus aos elogios.
    Abraço e saúde

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Merecem inteiramente, Elvira Carvalho.
      E o Prof. Lei Heong Iok há muito merece uma honraria do Estado Português.
      Abraço

      Eliminar
  2. Bom dia, Gostei de o ler. Obrigada pelo texto. :))

    Hoje; Contrabalanço de nuvens densas

    Bjos
    Votos de uma óptima Terça - Feira

    ResponderEliminar
  3. Ainda há gente que merece o lugar que ocupa...

    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

    ResponderEliminar
  4. Gostei de saber que há sempre alguém longe de Portugal que se vai interessando pela nossa história em Macau e pela língua de Camões e estou certo que alguém irá dar continuidade à nossa história difícil de apagar.

    O MEU ABRAÇO

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acredito que haja gente preparada para dar continuidade ao trabalho, António querido.
      Mas vai ser muito complicado substituir estas pessoas.
      Aquele abraço

      Eliminar
  5. Realmente, pessoas existem que são absolutamente marcantes.

    Parabéns aos homenageados e a quem os homenageou

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Merecem, São, merecem.
      Não sou de bajular ninguém.
      Por isso esperei até agora para escrever o que já há muito tempo sentia e pensava.
      Gente especial que vai fazer falta a Macau.

      Eliminar
  6. A lígua mater cada vez mais pobre.
    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O Professor Lei então é um caso de paixão pela Língua Portuguesa e pela sua divulgação, António.
      Chega à idade (tal como o Professor Carlos André) em que supostamente se é velho.
      Quer se queira ou não.
      Conheço jovens com muito menos garra e energia que eles.
      Aquele abraço

      Eliminar
  7. Muito bem, ás que enaltecer quem merece! Pena saírem!

    Olho a candura das ondas bravias

    Beijo e um excelente dia.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Motivos diferentes, Cidália Ferreira.
      lei Heong Iok e Carlos André porque chegaram ao limite de idade para o exercício de funções públicas.
      João Laurentino Neves e Vitor Sereno porque têm novos desafios profissionais.
      Que vão de certeza vencer.
      Beijo

      Eliminar
  8. Peço antes de tudo pela minha ignorância. Ainda há alguém que fale português em Macau. Com excepção dos portugueses como é óbvio.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Há muita gente, Pedro Dinis.
      Quando se refere a portugueses refere-se aos originários de Portugal.
      Mas há aqui muita gente originária de Macau (chineses e macaenses) que falam português.

      Eliminar
  9. Não sabia que o professor Carlos André estava em Macau.
    Filho de uma localidade vizinha, foi governador civil de Leiria.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esse mesmo, Magui.
      Está de partida.
      Esteve aqui cinco anos e fez um excelente trabalho.
      Vai deixar saudades.

      Eliminar
  10. Pedro, e o Sr Lei diz que volta
    a casa para cuidar dos netos.
    Eu acho, pelo que li, que o velho
    português está deixando o cargo
    por não encontrou suporte longe
    desses outros três que, como ele,
    tentam mudar a coisa.

    Abraços, muitos.



    .

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O problema não é esse, silvio afonso.
      Lei e Carlos André atingiram o limite de idade para o exercício de funções públicas.
      os outros dois têm novos desafios pessoais e profissionais à espera.
      Aquele abraço

      Eliminar
    2. Tá respondido, mas foi o velho
      que falou dos netos...

      Um abração e boa noite.


      .

      Eliminar
    3. O que é que ele podia dizer, silvioafonso?
      Tenho 65 anos e sou considerado demasiado velho para trabalhar?
      Curiosamente, acabo de ler uma notícia de primeira página de um jornal e 1904 que falava na morte de um velhinha de 44 anos :))
      Será que hoje em dia faz sentido encostar uma pessoa de 65 anos contra sua vontade???
      Aquele abraço

      Eliminar
  11. Ninguem e insubstituivel com diz Pedro, mas realmente por vezes e quase impossivel substituir alguem ou arranjar quem faca o mesmo trabalho tao bem ou melhor que o que saiu.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Precisamente a sensação que tenho relativamente a estas pessoas, Sami.

      Eliminar