19 de novembro de 2014

Se for levemente e em família...


Em Macau o debate em torno da tipificação do crime de violência doméstica como crime público está aí para durar.
Numa primeira abordagem Macau seguia o caminho do mundo civilizado e tipificava o crime como crime público.
Em nome de uma pseudo harmonia familiar (como é que pode haver harmonia ao murro e ao pontapé é algo que só algumas mentes distorcidas poderão explicar) recuou-se nesta intenção e pensou-se em inovar no mau sentido - Macau seria excepção e a vítima teria que apresentar queixa dos maus tratos que sofria e arriscar sofrer ainda mais e mais profundas agressões na sequência desta queixa para ser assistida.
A reacção social foi mais forte do que se previa, o Executivo recuou nas suas intenções, e lançou novamente a proposta de tipificar o crime como crime público.
A última versão parece ficar a meio caminho - não haverá crime público se se tratar de "agressões leves e em família" (sic).
Sem pensar na agressão psicológica, tantas vezes mais violenta que a pura agressão física, lembro-me de há já muitos anos ter aprendido que se podia bater sem deixar marcas.
Bastava utilizar uma barra de sabão envolvida numa toalha para deixar a vítima sem uma única marca externa, visível, das agressões sofridas.
Hoje aprendi uma outra versão - um livro, uma lista telefónica, encostada ao corpo da vítima, repetidamente martelada pelo agressor.
Não deixa marcas externas, provoca lesões internas terríveis.
A pergunta é inevitável - o sabão, a lista telefónica, e outros meios semelhantes, se utilizadas com expertise e em família, darão lugar às tais "agressões leves e em família"?

12 comentários:

  1. Pedro,

    em primeiro lugar, julgo que este tipo de ilícito é crime público (ponto final parágrafo).

    Depois, explique-me como se eu tivesse 5 anos o que são agressões leves e em família? Será um bofetão na cara? Um empurrão contra uma parede? Uma tortura psicológica, de forma permanente, sobre a vítima?

    Enfim, não me venham com cantigas, meu amigo, a violência doméstica é crime público ponto final parágrafo.

    Aquele abraço, meu amigo.

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    1. Ricardo,
      Quem deve ter mentalidade de cinco anos são os cérebros que pensam nestas soluções
      O que será uma agressão leve e em família?
      Provavelmente uns tabefes em casa.
      Já dois murros, na rua!!!, nem pensar!!!
      Adivinhe quem é que merecia levar dois murros, meu caro?!
      Esses mesmo que está a pensar.
      Isto até entristece.
      Aquele abraço!

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    1. Mas é a mais pura das verdades, Rosa dos Ventos :(

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  3. Essa aberração vem na linha de um sacerdote responsável pelo santuário de Fátima que proclamou do altar não haver problema nenhum se o marido der dois tabefes à mulher de quando em vez !!!!!!

    E assim vamos nós....

    Ainda me perguntam porque motivo sou eu feminista ?!

    Tudo de bom, Pedro

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    1. Ainda há gente que vive nas grutas, São.
      E esquecem a violência psicológica, verbal.
      Para além de esquecerem que são capazes de levar dois tabefes também.
      Ontem, em reacção a estas notícias, uma campeã de karaté comentava que lhes podia ensinar uma coisa ou duas.
      O que eu gostava que ela o fizesse!!
      Tudo de bom

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  4. Que triste, aqui ainda tem muito dessa violência, temos uma lei Maria da Penha.Essa tem dois lados, para quem realmente precisa ela é falha, mas agora ela virou um golpe perfeito para as esposa mal intencionadas.
    Tenha um ótimo dia.

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    1. Anajá,
      As pessoas podem sempre abusar da bondade das leis.
      E de tudo o resto.
      Mas essa possibilidade também não é argumento para que estas coisas aconteçam
      Tenha um óptimo dia também

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  5. Nunca se esqueça das doutas sentenças dos nossos juízes, Pedro. Como aquele de Évora que sentenciou "bater na mulher na medida certa não é crime" ou aqueloutro que, ilibando uns artistas que tinham tentado violar uma turista no Algarve, reconheceu ( mais ou menos por estas palavras): "pela maneira como ela estava vestida, estava mesmo a pedi-las".

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    1. Será que esses senhores juízes não levam uns tabefes em casa, Carlos??
      Era muito bem feito.
      E o segundo devia levar outra coisa.....sem vaselina!!

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  6. Em casa, desde que não haja alarme público, perturbação dos vizinhos, será "agressão leve"? Depois vem a psicológica - ai de ti se deres um ai.
    Assim, muita gente anda anos a sofrer e quantas vezes a história acaba mal?

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