18 de novembro de 2014

Responsabilidade política


O pedido de demissão de um ministro em Portugal tem sido pretexto para enaltecer as qualidades políticas e pessoais da pessoa em causa.
Não vou enveredar por esse caminho pura e simplesmente porque julgo não ser essa a questão principal.
Max Weber teorizou acerca da política como vocação, da dicotomia do viver "da" e "para a" política, da diferença entre a ética das finalidades e a ética da responsabilidade.
A responsabilização política, consequência da ética da responsabilidade, implica perceber que, independentemente do grau de intervenção que um qualquer titular de um órgão político, ou cujo desempenho é baseado na confiança política, tenha na tomada de determinada decisão e suas consequências, existe sempre um grau de imputabilidade mais que não seja decorrente da ética das finalidades.
O titular do órgão político, ou dependente de confiança política, é solidariamente responsável pela implementação de um programa político ao qual fica vinculado a partir do momento em que aceite a nomeação para o cargo.
E essa vinculação é tanto maior quanto mais elevado dentro da pirâmide hierárquica seja o cargo exercido.
Um ministro que se demite porque vê entidades sob sua tutela envolvidas num escândalo de corrupção, tráfico de influências, branqueamento de capitais, não faz mais que seguir a ética da responsabilidade que o viver "para a" política implica.
As loas tecidas ao ministro advêm do facto de o comportamento que devia ser regra ser afinal excepção.
Sem ser um exemplo, esta atitude, como outras semelhantes que ocorreram anteriormente, devem servir de exemplo.
Um exemplo que infelizmente não tem sido seguido em Macau onde à culpa é frequentemente reservado o papel típico de uma qualquer tia solteirona.

18 comentários:

  1. Bom dia Pedro
    Gostei de ler a tua opinião. Uma visão mais alargada dos acontecimentos.
    Penso que foi um acto corajoso. Muitos outros se acomodaram nos vícios e erros que os distinguem naquelas carreiras politicas...

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    1. Esta devia ser a regra e não a excepção, luis.
      Estas pessoas têm que perceber de uma vez por todas que são titulares de cargos públicos e políticos para servir, não é para se servirem.

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  2. O poder, a ambição, o dinheiro são os motores reais da vida, parece-me.


    Beijinhos do ocidente.

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    1. Pérola,
      Sou funcionário público em Macau há quase 20 anos.
      Quando aceitei exercer estas funções conhecia as regras.
      Nomeadamente em matéria de responsabilização e incompatibilidades.
      No dia em que não estiver disposto a cumprir essas regras só terei que sair porta fora.
      E tenho a certeza que ninguém vai atrás de mim que isso de indispensáveis foi chão que já deu uvas.

      Beijinhos do Oriente

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  3. Pedro,

    apenas um pequeno comentário sobre a demissão do Ministro Macedo detesto elogios fúnebres.

    Meu caro, à mulher de César não basta ser tem também que parecer.

    Aquele abraço.

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    1. Ricardo,
      Porque é que um gesto que devia ser absolutamente normal é elevado aos píncaros
      Porque, infelizmente, não é normal.
      Aquele abraço

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  4. ~ Querido amigo, a ética em S. Bento parece ter ido pelo esgoto!
    ~ Responsabilidades só existem para cumprir as normas ditadas pela "Troika" e receber pipas de euros-- sabem que não os vão pagar-- a juros que triplicam o valor emprestado pelos agiotas.

    ~ Com os portugueses, as responsabilidades exigem que os coloquem no desemprego, que se destruam os lares e que se venda, ao desbarato, o património do país.
    ~ Uma crise de valores que leva um gesto, de dignidade normal, ser sobrevalorizado pela diferença!

    ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~

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    1. Majo,
      Não consigo tecer grandes elogios a alguém que faz o que todos deviam fazer.
      Infelizmente, por não ser vulgar, é notícia, agita o mundo.
      Beijinhos

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  5. Penso que o ministro agiu como se impunha a qualquer pessoa decente e de bom senso. Penso também que os elogios são porque os portugueses estão pouco habituados à decência e bom senso entre os políticos.
    Um abraço

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    1. O problema é que o que devia ser regra é excepção, Elvira Carvalho.
      Abraço

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  6. Para começar , M;iguel Macedo só fez o que devia.

    E depois não entendo como quem o elogia a ele por se ter demitido elogia igualmente Nuno Crato e Paula Teixeira da Cruz por não se terem demitido após a catástrofe que ele causou na Educação e ela na Justiça!!!

    Mas o defeito deverá ser meu...

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    1. Não, não é defeito seu, São.
      A responsabilização dos titulares de cargos públicos tem que passar a ser vista como norma e não como excepção.
      Tão simples como isto.

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  7. Miguel Macedo não tinha outra opção. O que salta à vista é a facilidade com que alguns indivíduos aceitam as tais luvas e arruinam carreiras que levaram décadas a construir!

    Abraço

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    1. Carpe diem,
      Vendem-se por um prato de lentilhas.
      Ou menos que isso.
      Abraço

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  8. Se todos fossem como este, às tantas deixávamos de ter políticos no activo, Pedro... E que bom seria, não? :)

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    1. Miguel Macedo só seguiu o que já tinham feito Jorge Coelho e António Vitorino, por exemplo, Miú Segunda.
      E fez o que deveria ser regra,
      Por o não ser é que assistimos a todo este bafafá.

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  9. Só é noticia porque normalmente não se demitem outros que o deviam fazer!
    Não o elogio porque só fez o que devia fazer, após escândalo, seja ou não verdade.

    Beijinho

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    1. A questão legal é diferente, é autónoma, Adélia.
      Aqui está em causa a questão política.
      E a responsabilidade daí decorrente.
      Beijinho

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