10 de outubro de 2011

Madeira com grande buraco......à esquerda; Alberto João Jardim é o "Pinto da Costa da política"


Depois de muitos dias animados por conversas acerca do buraco nas contas da Madeira, o tema por excelência da campanha eleitoral para as eleições ontem realizadas, a conclusão imediata que se retira dos resultados do sufrágio na Região é de um grande buraco.....nos resultados dos partidos de esquerda.
Com efeito, os resultados eleitorais do PS, PCP e Bloco de Esquerda são desastrosos.
O PS consegue o pior resultado eleitoral de sempre na Região, perde um deputado, vê-se ultrapassado pelo CDS e penalizado pelo fenómeno José Manuel Coelho.
A essa penalização, acresce uma outra.
O PS apostou todas as fichas num ataque cerrado a Alberto João Jardim e ao buraco das contas públicas na Madeira.
E fê-lo com uma atitude de arrogância tonta, de quem era totalmente alheio ao descontrolo financeiro regional.
Foi fácil para João Jardim demonstrar que não era assim, que o PS que agora fingia estar surpreendido com o buracão financeiro, era o mesmo que tinha sido governo no país até há bem pouco tempo.
E que já o tinha sido tantas vezes antes.
Junte-se um cabeça de lista nada carismático e está encontrada a receita ideal para o insucesso eleitoral.
António José Seguro, enquanto líder do PS, que se envolveu pessoalmente na campanha, sofre a sua primeira grande derrota.
Agravada com o facto de não ter conseguido evitar a maioria de do PSD e de Alberto João Jardim.
Grandes derrotados também, o PCP e o Bloco, partidos que parecem caminhar para a pura insignificância na Madeira.
Especialmente o Bloco, que ficou reduzido a uma expressão eleitoral mínima (um prenúncio do que estará para acontecer a nível nacional?)
Grandes vencedores da noite eleitoral - o PSD/Madeira e Alberto João Jardim ("malgré tout"), o CDS, o PTP e José Manuel Coelho.
Alberto João Jardim, e o PSD/Madeira (já lá vamos...), apesar de terem obtido o pior resultado de sempre, de terem caído 15%, pela primeira vez para uma percentagem abaixo dos 50%, de terem perdido oito deputados (33 para 25), são claros vencedores.
Porque mantêm a maioria absoluta no Parlamento Regional e porque conseguem esse resultado à margem do PSD nacional e num cenário de ataque cerrado decorrente dos desvarios orçamentais (irregularidades?) de Alberto João Jardim.
Esta é claramente, mais do que nunca, uma vitória de Alberto João Jardim e do PSD/Madeira.
Porque os órgãos nacionais do partido não só não o apoiaram como se demarcaram totalmente do líder madeirense.
Pedro Passos Coelho terá festejado esta vitória na intimidade do partido, com toda a parcimónia.
Mas, em público, mostrou-se completamente alheio ao que se passava com o partido na Ilha.
A vitória do PSD/Madeira faz de Alberto João Jardim, cada vez mais,  um "Pinto da Costa da política".
Porque o discurso regionalista passa, vence, porque a teoria do "inimigo" lisboeta é acolhida, porque não existem realmente alternativas às respectivas lideranças.
Não terá a vida tão facilitada como até agora, mas a realidade é que já lá vão quarenta e tal vitórias eleitorais consecutivas.
Vencedor dos vencedores da noite, o CDS.
Triplica o número de deputados e consegue tornar-se líder da oposição.
O CDS apresentou-se como real alternartiva e oposição ao PSD/Madeira.
Com o apoio do partido a nível nacional, o CDS madeirense fez uma campanha oposta à da que foi feita pelos partidos de esquerda.
Ao barulho, ao discurso trauliteiro, ao berreiro, ao ataque desenfreado, o CDS opôs uma postura sóbria, de crítica clara mas civilizada ao "jardinismo".
E conseguiu um resultado histórico com essa atitude.
Porque o eleitorado não espera folclore e circo do PS, do PCP e Bloco.
Essa margem do eleitorado vota em José Manuel Coelho.
Já o tinha feito nas presidenciais, repetiu-o agora nas regionais.
José Manuel Coelho que se torna um case study.
O alarido, o espectáculo, o espalhafato, vendem.
Capitalizam na revolta das pessoas.
Panfletário, demagogo, José Manuel Coelho é claramente outro dos vencedores da noite.
Num balanço final, fica a sensação que Alberto João Jardim só abandonará o poder na Madeira quando ele, ou a Natureza, quiserem.
Porque as alternativas não aparecem, porque os madeirenses preferem o "jardinismo" a qualquer outra aventura (para pior, já basta assim, como cantava Sérgio Godinho).
Fica uma dúvida - com as dificuldades que vai enfrentar, no Parlamento e a nível orçamental, Alberto João Jardim quererá arriscar os quatro anos de governação e novo sufrágio?
Ou aproveitará essas dificuldades, que dirá terem origem em Lisboa, para sair de cena em grande e como vítima do centralismo do "Continente"?

Os resultados provisórios:

Inscritos - 255.406

Votantes - 147.344

Brancos - 0,74% (1.087 votos)

Nulos - 1,91% (2.813 votos)

Abstenção - 42,55%

PSD - 48,56% (71.556 votos, 25 deputados eleitos)

CDS-PP - 17,63% (25.974 votos, 9 deputados eleitos)

PS - 11,50% (16.945 votos, 6 deputados eleitos)

PTP - 6,86% (10.112 votos, 3 deputados eleitos)

PCP-PEV - 3,76% (5.546 votos, 1 deputado eleito)

PND - 3,27% (4.825 votos, 1 deputado eleito)

PAN - 2,13% (3.135 votos, 1 deputado eleito)

MPT - 1,93% (2.839 votos, 1 deputado eleito)

BE - 1,70% (2.512 votos)

11 comentários:

  1. Caro Pedro
    Acabei de subscrever a análise do Carlos Barbosa de oliveira. De facto com lá disse estão muito próximos na análise feita.
    Também lhe deixo a minha concordância.
    Abraço

    ResponderEliminar
  2. Estimado Amigo Pedro Coimbra,
    Pelos vistos mesmo com um grande buraco por tapar, o Jardim consegue sobreviver e os malmequeres continaum por lá a permanecer por mais 4 anos, depois veremos se murcham ou não ?
    Abraço amigo

    ResponderEliminar
  3. Pedro, Pedro, Pedro...

    A oposição, nomeadamente o PS, perdeu uma oportunidade de "ouro" para ser "alternativa de poder" e porquê?

    Porque não apresentou uma mensagem clara de mudança e esperança, a mensagem era "A Madeira faliu" quando, em meu entender, devia ser "Este sistema de governação faliu". Ora, ao deixar a mensagem de que "A Madeira faliu" Maximiano Martins fez ressurgir sobre os madeirenses muitos "fantasmas regionalistas" e, logo ai, perdeu algum do "seu" eleitorado. Para o ajudar, ainda mais, a afundar-se veio António José Seguro à Madeira fazer um discurso patético a fazer lembrar, imagine-se, o Prof. Oliveira Salazar com "nós cá (Continente) e eles lá (Madeira)", foi a estocada final e mortal no PS (Madeira)e, meu amigo, com ajudas destas ...estamos conversados!

    Quanto ao CDS-PP foi buscar muito eleitorado ao PSD, mas também, ao PS e elevou-se a uma "verdadeira alternativa de poder", com consistência na mensagem e com pessoas de valor.

    Para PTP e PND, foi a vitória da demagogia e do populismo e, também, do fraco espírito politico que compõem uma franja do eleitorado madeirense, e por aqui me fico quanto a estes dois partidos.

    Lamento a perda dos deputados da CDU e do BE (um cada qual) em detrimento do PAN e do MPT e, pior ainda, do PTP e do PND. Na verdade, deputados de partidos com a CDU e BE fazem falta ao parlamento regional porque levantam questões importantes e, acima de tudo, tem limites à demagogia a utilizar.

    Por fim, o PSD foi o vencedor da noite e porquê?

    Primeiro, porque venceu com maioria absoluta e não terá de se coligar com ninguém (o CDS já havia avançado que não formaria governo com o PSD desde que esse mesmo governo fosse liderado por AJJ) e por terá sido esta a última vitória de AJJ e, estou seguro, a meio do mandato irá "passar o testemunho" ao sucessor, quem será? - a pergunta fica no ar.

    Caro amigo, desculpe-me se me alonguei, mas há dias assim.

    Boa semana para si e suas e aquele abraço!

    ResponderEliminar
  4. Rodrigo,
    Eu e o Carlos, realmente, andamos muito próximos na análise aos resultados.
    Não era complicado.
    O Ricardo explica tudo muito melhor que nós.
    Abraço

    Amigo Cambeta,
    Julgo que AJJ não irá permanecer no poder estes quatro anos.
    E o Ricardo reforça a minha opinião.
    Um abraço

    Ricardo,
    A sua contribuição é preciosa.
    Você, melhor que qualquer um de nós, pode analisar os resultados e explicá-los.

    De longe, tudo o que escreve faz todo o sentido.

    Não estou a ver o PS a ter outra oportunidade como esta de derrubar AJJ, ou, pelo menos, retirar-lhe a maioria absoluta.
    Sabe qual é o cúmulo da lentidão?
    Correr sozinho e ficar em segundo:))
    É isso que me faz lembrar o PS/Madeira.

    O CDS/PP apresentou-se com sobriedade e com responsabilidade.
    E obteve um excelente resultado com essa postura.

    O Bloco e o PCP, tal como o PS, foram vítimas de uma campnha muito mal estruturada, muito feita pela negativa, com gente muito pouco qualificada.
    E deixaram o parlamento regional mais pobre.
    Esses pequenos partidos vão acrescentar o quê?
    Ruído.

    Que é coisa que já há de sobra com José Manuel Coelho.

    Por fim, estamos de acordo - AJJ deve "deixar a viagem a meio".
    Quem é que lhe vai suceder.
    Não faço a mínima ideia.

    Uma óptima semana para si e família.
    Aquele abraço

    ResponderEliminar
  5. Verdade indiscutível. Aliás, duas verdades.
    Descida do PSD e grande subida do CDS.
    Por pouco, o PSD perdia a maioria absoluta.
    Mas esta é uma vitória amarga quase com sabor a derrota.
    O resto (outros partidos) foram lanchar, distrairam-se e cairam estrondosamente num dos buracos.

    Vai ser, presumo, um mandato complicado.

    ResponderEliminar
  6. Coimbramigo

    Já foste ao http://politicaoupulhitica.blogspot.com - o que agradeço. E há, naturalmente, uma consonância nos nossos escritos, sendo que o teu é mais completo, como não podia deixar de ser.

    Há, porém, um ponto nas análises aqui expressas que me levam a discordar delas. o caruncho da Madeira não sairá a meio do mandato. Só se verificaria isso se a saúde de novo o deitasse (quase) abaixo ou se entregasse qualquer coisa ao Criador, longe vá o agouro.

    Porém, como já fui católico, mas curei-me, não sei onde está essa qualquer coisa (a que é comum chamar-se alma) e não acredito num qualquer Criador por mais que digam que existe, os quatro anos irão decorrer com muitas dificuldades é certo, mas com o homem ao leme - a caminho do naufrágio.

    Pelos vistos, e para além do masoquismo, os votantes jardinescos estão também seguros da impunidade. Já o meu «camarada» Seguro não o está e terá perdido uma boa ocasião para aber acertar na mouche.

    Quanto ao resto, o CDS, o PND, o Coelho (se não disseres nada a ninguém, votei nele nas presidenciais, schiuuu) na realidade cumpriram os papéis que lhes estavam distribuídos. Os outro foram (são) só folclore.

    Cada vez mais recordo que o saudoso Max cantava que «a Madeira é um jardim, como outro não há igual, seu encanto não tem fim, é filha de Portugal. Deixem passar esta linda brincadeira, ca gente vamos balhar ca gentinha da Madeira...»

    Hoje, a cantiga é outra: «a Madeira é o Jardim, como outro não há igual, o seu poder não tem fim, mesmo contra Portugal. Deixam (aram) passar esta linda brincadeira, que nos vão tramar cas dívidas da Madeira...»

    Se não fosse trágico, dava para rir. E o Paulo Portas nunca será um bom moço de recados (AJJ dixit): Pergunto: de quem? Do Passos? Do Gaspar? Do Cavaco?...

    Desculpa-me a porrada de prosa, que é como a espada do Afonso Henriques: mas, também ele bateu na mãe...

    Abç

    ResponderEliminar
  7. Como o Pedro salientou no seu comentário lá no CR, estamos muito próximos na análise ao epifenómeno madeirense. Logo, está tudo dito
    Abraço e boa semana

    ResponderEliminar
  8. Observador,
    Porque vai ser um mandato muito complicado é que julgo que AJJ aproveitará a oportunidade para sair a meio.
    Armado em vítima e com a certeza de nunca ter sido derrotado em eleições.

    FerreirAmigo,
    Prosas destas a gente lê com o maior prazer.

    Mas, lá vem o mas...., como seu teimoso, continuo a achar que o João Jardim se vai pirar.
    Não é como o Barroso, mas assim para uma reforma dourada, para a retaguarda de um tipo qualquer, salvo seja, que ele possa manobrar.
    Porque lhe vão cortar a massa, porque o parlamento regional não vai ser aquela doçura a que ele estava habituado, porque a maçonia e os gays de Lisboa conspiram contra ele.
    Se calhar, até a Merkel, a troika e o Trio Odemira.

    O PS cometeu demasiados erros.
    O cabeça de lista que escolheu não tinha ponta de carisma; fizeram uma campanha totalmente pela negativa, convencidos que, ao desacreditarem AJJ estavam safos.
    E o tiro foi direitinho ao pé.
    Em vez de o crucificarem, deram-lhe desculpas para ele aparecer com uma aura de salvador e para apontar erros de governação ao PS.

    Estamos de acordo numa coisa - o Coelho (fica aqui mesmo só entre nós os 50!!) e os outros, cumpriram o papel deles.
    Que não era o papel que deviam cumprir o PS, o PCP e o BE.

    Aquele abraço!!!

    É mesmo, Carlos.
    Andámos no mesmo quadrante.
    Aquele abraço e uma boa semana também

    ResponderEliminar
  9. É tudo muito florido por agora. Quando começar a faltar"água" é vê-las murchar!!!

    Beijo

    ResponderEliminar
  10. Pedro
    Sinto-me ofendida.
    Como é possivel o nosso País ser governado por pessoas sem escrúpulos, sem dignidade, sem respeito pelos portugueses. Não, não foi com este mundo que sonhei e lutei. Isto é um pesadelo.
    Beijo

    ResponderEliminar
  11. Carlota,
    Quando começar a "faltar água" o Alberto João dá à sola.
    E vai falar de conspirações em toda a parte.
    Beijo

    Adélia,
    Ele é sucessivamente eleito em parte pelo jogo de cintura que tem, mas também em virtude de estar perante uma gritante ausência de alternativas.
    A oposição, na Madeira, é anedótica.
    Beijo

    ResponderEliminar