9 de janeiro de 2018

Macau sã assi?


Entro no meu vigésimo terceiro ano de permanência em Macau tão surpreendido como no primeiro dia em que aqui cheguei com algumas particularidades (não se fala em especificidades que pode ferir susceptibilidades aprendi logo em 1995) da Cidade do Santo Nome de Deus que tão calorosamente me acolheu e que mudou a minha vida para sempre.
Ouvir um responsável governamental admitir publicamente que as autoridades administrativas e policiais não conseguem ter mão num bando de crápulas que por acaso têm a carteira profissional de taxista é no mínimo surreal.
Quem vive em Macau, e quem a visita, sabe que há um grande número de taxistas (não são todos mas são muitos) que vive literalmente à margem da lei.
Um cenário que tem tanto de revoltante quanto de real.
Partir daí para uma confissão pública de impotência para fazer face ao problema é, do ponto de vista do cidadão ou do visitante, simplesmente frustrante e assustador.
Já não é só falta de vontade política para fazer implementar a lei, eventualmente até revê-la no sentido do agravamento de penas para os prevaricadores como acontece em tantos outros domínios da vida pública.
É falta de capacidade para sequer fiscalizar o cumprimento da lei em vigor.
Uma lei que, em boa verdade, afinal não é mais que letra morta.
Macau sã assi?
Talvez…mas a estas particularidades não me consigo habituar, nem quero, por mais tempo que aqui permaneça.

40 comentários:

  1. Não sei bem que tipo de ilegalidades cometem os taxistas por aí!?
    Mas isso das autoridades oficiais não terem mão em determinadas individualidades ou corporações mais à margem da lei é algo mais comum do que parece, ainda que nem todos nem respectivamente em toda a parte admitam essa efectiva ou por vezes mesmo conveniente "impotência", incluindo ou excluindo que há ilegalidades mais benévolas que outras!!!
    Abraço

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    1. Que ilegalidades, Victor Barão?
      Seleccionam passageiros, seleccionam percursos, vão até Braga para levar um passageiro da Gare do Oriente para a Avenida da Liberdade, fazem cobranças excessivas, agridem passageiros e fiscais...
      Ontem de manhã, vi um desses crápulas sair do táxi, que ficou atravessado na rua em hora de ponta, para dar umas palmadas noutro carro e discutir com quem o conduzia, porque insistia que o outro carro lhe desimpedisse o caminho quando não havia possibilidade de avançar ou recuar.
      O mais incrível?
      Estavam dois polícias a meia dúzia de metros, a confusão instalada, e ninguém fez nada.
      Aquele abraço

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    2. Tomei nota! Sendo que por aqui (Portugal), ainda que em menos proporção, mas segundo consta parece que também há disso _ ainda que as autoridades não sejam ou pelo menos não se confessem tão impotentes!
      Abraço

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    3. O mais impressionante é essa confissão pública de impotência, Victor Barão.
      Inenarrável!
      Aquele abraço

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  2. As autoridades dizerem que nao tem mao nos taxistas nao me parece muito bem, entao para que servem as leis e claro os fiscais ou policias para as implementarem?

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    1. Isto foi dito na Assembleia Legislativa, Sami.
      E envolve vários departamentos governamentais.
      Fiquei de queixo caído.

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    1. As leis existem, Catarina.
      O problema é que, muitas vezes, e este é um desses casos, são letra morta.
      Se não são implementadas para que é que servem??

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  4. such disobedience of law is possible only when the system which is responsible to apply law is weak or corrupted

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  5. Não é só em Macau que estes senhores tentam viver à margem da lei.
    Um abraço e boa semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    O prazer dos livros

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    1. Não é só tentarem, Francisco.
      Muitos vivem mesmo à margem da lei.
      E ninguém lhes põe travão.
      Aquele abraço, boa semana

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  6. Há certas profissões que julgam que as leis são só para os outros, incluo os taxistas nesta categoria.
    Um abraço.
    Autografos Futebol

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    1. Alguns, Francisco Emanuel.
      Também os há honestos.
      Aqui e em toda a parte.
      Agora a verdade é que há entre eles escória que só tratada à porrada.
      Aquele abraço

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  7. Os taxistas foi foi uma classe que acolheu e acolhe gente da escória da sociedade, em qualquer parte do mundo. Pelo menos eu encontrei disso desde Lisboa até Moçambique. Graças a Deus que também existe entre eles muita gente boa.
    Agora as autoridades admitirem-se em público, incapazes de ter mão neles, é original.
    Abraço

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    1. Conheço taxistas que são gente séria, trabalhadora, honesta.
      Vejo outros que são uns bandidos da pior espécie.
      Há de tudo.
      Mas ver responsáveis governamentais com um discurso destes confesso que me deixa de queixo caído.
      Abraço

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  8. Há trambiqueiros em todo o lado, é incrível.

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    1. Uma espécie que se expande a uma velocidade estonteante, Diana Fonseca.

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  9. Pedro, não há UBER por esses lados?

    Votos de excelente semana para si e suas princesas.

    Aquele abraço, meu amigo.

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    1. Pergunta muito pertinente, Ricardo.
      A UBER foi liquidada em três tempos.
      Para isso já houve capacidade governativa.
      Estranho, não é??
      Aquele abraço, boa semana para si e as mais que tudo

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  10. As autoridades admitirem que não têm mão nessa gente é um incentivo para a sua multiplicação desmedida.

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    1. Imagine a alegria destes crápulas quando ouviram um governante admitir uma barbaridade destas, João Menéres...

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  11. Gente chata essa que se acham donos do mundo, Pedro !
    é mesmo super desagradável !!!

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    1. Nem são donos do mundo, Angela, pelos vistos são impunes.

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  12. Isso até mete medo, andar de táxi por aí é "actividade radical"!
    Bjs. Pedro.

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    1. Não são TODOS os taxistas, papoila.
      Mas são muitos.
      Um seria demasiado para ser sincero.
      Bjs

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  13. Gente sem escrúpulos existe em todo o lado, mas é triste um governo dizer que não consegue fazer nada sobre esse assunto.
    Beijinhos
    Maria de
    Divagar Sobre Tudo um Pouco

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    1. Absolutamente frustrante, Maria Rodrigues.
      Movem-se interesses muito poderosos à volta dessa mafia.
      Sei bem o que isso é porque fiz parte de grupos de trabalho que tentavam alterar alguma coisa.
      E era virtualmente impossível.
      Beijinhos

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  14. Mas quem precisa deles, infelizmente, sujeita-se.

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  15. Ai como aqui esses senhores fazem o que querem cobram o que querem e o ZÉ povinho quee pague.
    Abraço
    Kique
    https://caminhos-percorridos2017.blogspot.pt

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    1. Agora ainda mais, Kique.
      Quando publicamente as autoridades admitem que não conseguem fazer nada para combater os abusos, esses abusos naturalmente terão tendência para aumentar.
      Aquele abraço

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  16. Ouço queixas semelhantes do Oriente e do Ocidente sul,
    que chego a pensar, que estou no ponto de equilíbrio...
    Rsssrsss...
    Beijinhos
    ~~~~

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    1. Aí em Portugal também há uns bons passarões, Majo.
      Mas estes aqui conseguem chegar a patamares quase impensáveis.
      Beijinhos

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  17. Chamam-lhe "Licença de Taxista" porque não fica bem chamarem-lhe "Carta de Corço"

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    1. Demasiado evidente, não era, Carlos?
      Na mouche!!! :)))

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  18. Vinte e três anos é uma vida, Pedro !!! ...
    Claro que deve ter uma enorme e fundamentada noção de quanto hoje as coisas serão diferentes na generalidade e especificamente esse caso especial dos taxistas, claro !!! ...

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    1. Nos meus primeiros meses aqui utilizei muito os táxis.
      E não tive razões de queixa, Rui.
      Hoje em dia é muito raro utilizar os táxis.
      Até porque detesto vigaristas.

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  19. Não sabia que em macau era assim! Vivendo e aprendendo.
    Aqui, taxistas estão bem cotados, o problema é com os UBER, se inscreve quem quer através do site e pronto, saem rodando...Não está bem, existem movimentos contra eles. Os taxistas pagam impostos, passam por 'triagem' etc. Isso tem de arrumar...
    Beijo, Pedro!

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    1. Quem me dera ter a UBER aqui, Tais Luso.
      Prestavam um óptimo serviço, foram corridos por esta máfia.
      Beijo

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