22 de janeiro de 2013

O DESASTRE ORTOGRÁFICO (Miguel Sousa Tavares - EXPRESSO, 19 de Janeiro de 2013)




Em 1990, quando oito países da CPLP assinaram o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, eu era director da revista “Grande Reportagem” e assinei, conjuntamente com Vicente Jorge Silva, então director do “Público“, e Miguel Esteves Cardoso, então director de “O Independente”, uma declaração, publicada nos respectivos meios, comprometendo-nos a não aplicar o dito acordo nas nossas páginas. Passados vinte e três anos, não mudei de opinião relativamente ao AO: fundamentalmente, continuo a não aceitar o facto consumado de um acordo saído do nada, a pedido de ninguém, não negociado nem explicado aos principais utilizadores da língua — autores, professores, editores, jornalistas — e imposto a dez milhões de portugueses por uma comissão de sábios da Academia das Letras do Brasil e da Academia das Ciências de Portugal.
Sempre temi a ociosidade dos sábios e a tendência leviana dos governantes para legislarem a pedido das modas intelectuais. Mas nunca pensei que uma nação que tinha levado a sua língua às cinco partidas do mundo, chegando a ser a língua franca nos mares do sudoeste asiático até ao dealbar do século XIX, fosse capaz de voluntariamente, e invocando vagos interesses geocomerciais, propor a sua submissão às regras em uso num país onde levámos a língua que o unificou. Por outro lado, não fui sensível ao argumento de que as grafias mudam (sem ser naturalmente) e ao exemplo, tantas vezes esgrimido, do ‘ph’ reduzido a ‘f’ pelo AO de 1945 (que o Brasil nunca aplicou, como também não aplicou o anterior, de 1931…). Não alcanço que extraordinário progresso se consumou ao deixar de se escrever “pharmácia”, a troco da “farmácia”, e acho seguramente intrigante que idêntico progresso não tenha contagiado, por exemplo, franceses e ingleses. que continuam a escrever a mesma palavra com ph. Também nunca me convenceu o argumento de que o AO facilitaria a penetração da literatura portuguesa nos PALOP e no Brasil, impossível de alcançar sem ele.
Quanto aos PALOP, basta o facto da recusa de Angola e Moçambique de, até hoje, ratificarem o AO, preferindo escrever no português que lhes levámos, para desmentir essa pretensa vantagem; e, quanto ao Brasil, perdoem-me a imodéstia de invocar o meu testemunho pessoal de quatro livros lá editados, todos com a referência de que “por vontade do autor, manteve-se a grafia usada em Portugal” — e sem que isso tenha prejudicado de alguma forma a sua edição, divulgação e venda.

Oito países falantes de português assinaram o AO de 1990, mas como, após anos de espera em vão, apenas quatro o tinham ratificado, esses quatro decidiram, em 2008, que eram suficientes para o fazer entrar em vigor. O AO, que entre nós começou a vigorar aos bochechos em 2009, é, assim, e antes de mais, inválido, resultante de uma golpada jurídica não prevista no tratado inicial, que apenas confirmou o voluntarismo idiota e o abuso político com que todo o processo foi conduzido. Porque nunca conseguiu convencer quem devia, o AO foi imposto manu militari, por governantes saloios, desprovidos de coragem para enfrentar os lóbis da “cultura” e convencidos de que a força da lei há-de sempre acabar por triunfar sobre a fraqueza da sem-razão. Surdos a todos os argumentos dos oponentes (entre os quais o país deve uma homenagem de gratidão a Vasco Graça Moura), desdenhosos perante o abaixo-assinado com 130.000 subscritores contra o AO, sem um estremecimento de vergonha perante o editorial do “Jornal de Angola” do Verão passado (que aqui citei na altura), onde se escrevia que, se Portugal não defendia a sua língua, defendê-la-iam eles, os governantes acharam que o mais importante de tudo era não desagradar ao Brasil, a cuja presumida vontade fora dedicado o AO.
Mas eis que na iminência de entrar em vigor plenamente no Brasil, em 1 de Janeiro passado, uma petição com 30.000 assinaturas levou o Congresso a pedir e Dilma Rousseff a aceitar a suspensão da sua entrada em vigor por três anos, para que melhor se medite no diktat dos sábios. E chegámos assim à situação actual, verdadeira parábola sobre o destino da sobranceria: neste momento, há três grafias oficiais da língua portuguesa — a que vigora em Angola, Moçambique, Timor, e que é a anterior ao AO; a grafia brasileira que é a mesma de sempre, resultante do não acatamento de nenhum dos três acordos ortográficos assinados connosco, ao longo de 60 anos; e a de Portugal, que, com excepções ainda autorizadas, é resultante do AO de 1990 — feito, segundo diziam, para “unificar a língua”, agradar aos brasileiros e não perder influência em África! É notável, é brilhante, é mais do que prometia a estupidez humana! Perante este facccccccccto, seria de esperar que os nossos sábios e os arautos dos amanhãs que cantariam no português por eles unificado pintassem a cara de preto e viessem pedir desculpas públicas. Eu dar-lhes-ia como castigo a conversão ao AO do “Grande Sertão, Veredas”, de Guimarães Rosa.
Porque agora, digam-me lá, o que faremos nós, depois de termos obrigado, e quase arruinado, os nossos editores a converterem em português do AO todos os livros editados? Depois de termos tornado obrigatórias no ensino as regras do AO, desde a época passada? Depois de termos convencido prestigiadas instituições, como este jornal, a submeterem-se ao Conselho de Ministros? Vamos, como legalmente previsto, tornar o AO universalmente obrigatório para todos a partir de 2015, vergando de vez os lusitanos que ainda resistem, sem saber se os brasileiros farão o mesmo no ano seguinte? Vamos correr o risco de ficar a escrever numa grafia em que mais nenhum país falante da nossa língua escreverá? Vamos oferecer um banco aos angolanos e a TAP aos brasileiros, em troca de eles se renderem e terem pena da nossa solidão? Vamos acolher a Guiné Equatorial na CPLP contra a jura de ratificarem o AO? Vamos exigir aos ilustres embaixadores aposentados da CPLP o mesmo destemor a defender o AO de que deram mostras a enfrentar o governo de narcotraficantes da Guiné-Bissau? Ou vamos conformarmo-nos a ter uma geração de pais que escreve de uma maneira e uma de filhos que escreve de outra maneira?
Porque uma coisa é garantida: a arrogância dos poderosos não conhece arrependimento. Eles jamais voltarão atrás, reconhecendo que se enganaram, que se precipitaram, que foram atrás de vozes de sereias, que se esqueceram de que há coisas que nenhum país independente cede sem estremecer: o território, o património, a paisagem, a língua. Trataram isto como coisa menor, como facto herdado e consumado, de ministro em ministro, de governo em governo, de parlamento em parlamento, de Presidente em Presidente. Partiram do princípio de que os portugueses comem tudo, desde que bem embrulhado em frases grandiloquentes, com a assinatura dos influentes e a cumplicidade dos prudentes. Mas, dêem agora as voltas que quiserem dar aos acordos que assinaram e à língua que lhes cabia defender e não trair, cobriram-se de ridículo. Está escrito nos livros de História: um pais que se humilha para agradar a terceiros, arrisca-se a nada recolher em troca, nem a gratidão dos outros nem o respeito dos seus. Apenas lhe resta o ridículo. Oxalá ele chegasse para matar de vez o triste Acordo Ortográfico!

29 comentários:



  1. Não o implementar, Catarina.
    Angola já disse não
    O Brasil já adiou
    Não faltam precedentes, portanto.

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  2. A Academia das Ciências é que foi responsável por isto? No mínimo curioso...

    Não sou nem nunca fui a favor do AO, e devia ser "desimplementado", ler o nosso português sob o AO é como levar murros nos olhos.

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  3. Vai aqui um bom exemplo - espectadores e espetadores (espetam bandarilhas nos touros)
    Um bocado diferente nao e?
    Uns assistem, outros participam muito activamente.

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  4. Já o disse : isso do atraso para 2016 é uma boa notícia ! eheh ... Assim, posso estar à vontade a escrever ! ... em caso de dúvida, de uma maneira ou de outra, está sempre bem escrito ! ... ou pelo acordo passado, ou pelo acordo futuro ! resrsrs
    Faz-me lembrar da publicidade da BIC - 2 escritas à sua escolha, ...
    rsrsrs
    .

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    1. Uma perspectiva curiosa essa da Bic, Rui.
      Confesso que nem me tinha passado pela cabeça :))))

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  5. Bravo MST, mais uma vez.
    O que fazer?
    para ja desobediencia. Depois havera que organizar o contrataque de diversas formas como abaixo assinados, exigir um referendo, etc.

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  6. Tanta discussão sobre o acordo ortográfico ( confesso que não me aquenta nem arrefenta, porque não o vou cumprir) , mas poucos se insurgirajm contra o facto de o governo ter publicado NO PORTAL DO GOVERNO, o documento do FMI em...inglês!
    Isso é que me parece de uma gravidade extrema.

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    1. Não tinha conhecimento dessa bizarria, Carlos.
      Aprenderam com Macau???
      Que perfeita estupidez!

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  7. Das poucas coisas em que MST merece o meu acordo.

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    1. António,
      Lá vou eu repetir - não é bola, cigarros ou caça, o MST aparece no brilhantismo que sabe ter.

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  8. Esse homem, quando não fala de futebol ou de política, até que sabe dizer coisas acertadas...

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    1. Bola, caça e cigarros, FireHead.
      Esses são temas proibidos para o MST.

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  9. Já nos habituámos a ver que alguns políticos não têm vergonha na cara. Não sei se o mesmo se passa com os auto proclamados "inteletuais" (tomem lá esta!).
    Caro MST, não escreva apenas que foi a Academia de Ciências de Portugal quem produziu esta aberração, por favor, faça uma listagem dos nomes de tão brilhantes académicos
    (dos políticos não vale a pena, são um caso perdido)
    Alberto de Carvalho

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    1. Alberto Carvalho,
      Impor a alteração de uma língua eu só consigo pensar, na nossa História num episódio que teve um desfecho feliz - D. Dinis impor a utilização do português em substituição do latim.
      O normal e as línguas evoluírem.
      De modo natural, adaptando-se a novas circusntacias do dia a dia.
      Querer impor uma alteração, ainda mais com propósitos mercatilistas, terá forçosamente que suscitar resistência dos que

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    2. Ficou a meio :))) dos que falam essa língua queria eu escrever.
      Os meus melhores cumprimentos

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  10. De facto, a evolução linguística, nunca deveria ser imposta por Lei.
    Nem ninguém será dona dela, simplesmente por a falar à mais tempo, nem mesmo os seus originários falantes, outro facto.
    Os brasileiros, sentem tanto o português como sua língua, como os Angolanos ou Moçambicanos, assim como os outros lusófonos.
    Não se vê nada parecido em relação às línguas inglesa, francesa ou castelhana. Só mesmo na língua portuguesa, os seus falantes europeus, a tentam por razões geopolíticas, vender a sua língua, com o pressuposto de ganhos económicos num mercado mais abrangente da lusofonia, em especial, o do brasileiro.
    Algo que devia ser no mínimo referendado, para que a população toda, pudesse ser auscultada, e não só os "especialistas" na matéria, visto a língua, ter um grau intrinsecamente cultural e identitário com o seu povo, e por isso obrigatória, a sua legitimidade directa por essa via.
    A legitimidade legal, foi sumariamente posta em causa, pela "facada mortal" do adiamento do Brasil, espelhando a fraqueza do projecto, e a perseverança daquele país, que talvez por ter maior número de falantes e ambicionar hegemonia linguística, poder ser detentor de "abrasileirar" nos ajustes que achar conveniente do seu ponto de vista ao tal AO, que pelos vistos também duvidam do seu carácter anunciado de unicidade.

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    1. TITO COLAÇO,
      Remeto-o para a resposta que deixei ao Alberto de Carvalho.
      Uma pura imbecilidade essa intenção de forcar uma alteração por lei.
      Mais ainda, neste caso, quer uniformizar-se o que e diverso e e bonito exactamente por ser diverso.
      Os autores que escrevem no português utilizado no Brasil nao vendem em Portugal?
      E vice/versa?
      Até este pseudónimo argumento e tonto.
      Os maus melhores cumprimentos

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  11. http://escritacomnorte.blogspot.pt/2013/01/desacordo.html

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  12. José Calheiros,
    O teutónica subloque e excelente.
    Convido todos os que aqui passam a lê-lo.
    Estou a responder-lhe num iPad que nao me permite tornar-me seguidor do seu blogue.
    Algo que passarei a ser amanha.
    Os meus melhores cumprimentos

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    1. Boa noite, Pedro!
      Quase um ano depois vi o seu comentário! Muito obrigado pelas palavras e será um prazer tê-lo como leitor! Com os melhores cumprimento, até breve!

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    2. Boa noite, Pedro!
      Só quase um ano depois vi as suas palavras! Muito obrigado e será um prazer tê-lo como leitor! Com os melhores cumprimentos, até breve!

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    3. Um abraço desde Macau, José Calheiros

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  13. Mas como fazer, a nível institucional? Eu, enquanto cidadã e em total desacordo com o AO, não o aplico; enquanto professora, estou obrigada desde Janeiro de 2012 a aplicá-lo na escola, em qualquer texto que escreva! esta espécie de esquizofrenia da escrita ainda me dá mais nervos contra aquela aberração, pois vejo a toda a hora as diferenças e o absurdo do Acordo.É terrível depararmo-nos com as mexidas que ele impõe no étimo ou a diferença de tratamento em palavras da mesma família (Egito/egípcio). E o que dizer da palavra "perentório"? Enfim, já se sabe que isto daria "pano para mangas", mas o que interessa agora é o que Portugal, tão apressado que foi nesta questão, vai fazer. E convinha que mostrasse rapidamente uma posição, pois os pequenitos já estão a aprender nas escolas esta cartilha. É de uma grande tristeza este nevoeiro que se abateu sobre a língua.

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  14. Mas como fazer, a nível institucional? Eu, enquanto cidadã e em total desacordo com o AO, não o aplico; enquanto professora, estou obrigada desde Janeiro de 2012 a aplicá-lo na escola, em qualquer texto que escreva! esta espécie de esquizofrenia da escrita ainda me dá mais nervos contra aquela aberração, pois vejo a toda a hora as diferenças e o absurdo do Acordo.É terrível depararmo-nos com as mexidas que ele impõe no étimo ou a diferença de tratamento em palavras da mesma família (Egito/egípcio). E o que dizer da palavra "perentório"? Enfim, já se sabe que isto daria "pano para mangas", mas o que interessa agora é o que Portugal, tão apressado que foi nesta questão, vai fazer. E convinha que mostrasse rapidamente uma posição, pois os pequenitos já estão a aprender nas escolas esta cartilha. É de uma grande tristeza este nevoeiro que se abateu sobre a língua.
    Maria Eugénia Alves

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    1. O maior drama e haver uma geração que já esta a ser educada nesta aberração ortográfica, Maria Eugenia Alves.
      Nos, os mais velhinhos, podemos recusar a aplicação do mesmo.
      Quem esta a ser educado nesta norma como e que vai diferenciar espectador de espetador, por exemplo?
      Os meus melhores cumprimentos

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    2. Agora e que percebo que, ao escrever no iPad, e com o corrector automático a pregar-me rasteiras, eu e que estou a assassinar a língua.
      Como, ou sem, AO.
      Peco imensa desculpa pelo facto.

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  15. Mará Eugénia Alves,
    Tive que copira e publicar o seu comentário.
    Não sei como, apareceu-me eliminado.
    Não está eliminado, está aqui publicado.
    Peço desculpa por este lapso.

    No que diz respeito à sua atitude, estamos no mesmo barco - não é batota, é desobediência activa.
    É isso que também faço aqui à distância (Macau)

    "Não se preocupe com isso, nós, os mais velhinhos, percebemos as diferenças... e as culpas das tecnologias.
    Mas não respondeu à minha angústia existencial: é que estou amarrada a um protocolo que não me deixa margem de escolha na minha profissão. Ou pouca, pelo menos. Como os alunos de 12º ano só serão obrigados a usar o AO nos exames de 2014, nas aulas, vou fazendo batota, lol!"

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