23 de agosto de 2012

"Leaks" a mais!


Todos já ouvimos falar de Julian Assange, o cidadão australiano, fundador do célebre WikiLeaks, o website que divulgou milhares de documentos secretos que embaraçaram muita  governança por esse mundo fora.
Em especial os Estados Unidos.
Até aqui, tudo bem.
Transparência, cada vez mais, é algo que se sente necessário e que se recomenda.
O problema vem depois.
Julian Assange é acusado pela polícia sueca de um crime hediondo - violação.
Supostamente terá violado duas cidadãs suecas e, em virtude desse alegado crime, é alvo de um mandato de detenção europeu, emitido em Dezembro de 2010.
Não sei se Julian Assange é, ou não, culpado do crime de que é acusado.
Não sei eu, não sabe ninguém.
Porque Julian Assange, desde então, vive em fuga e se recusa a comparecer perante a justiça sueca.
Supostamente, porque esse seria apenas um subterfúgio para o extraditar para os Estados Unidos onde correria, ainda supostamente, perigo de vida por ter divulgado todos os documentos que o tornaram famoso.
A ele e ao WikiLeaks.
Perante a clara possibilidade de as autoridades britânicas o extraditarem para a Suécia, em cumprimento do tal mandato de detenção europeu, Julian Assange refugia-se na embaixada equatoriana em Londres e pede asilo político ao Equador.
O governo equatoriano concede-lhe asilo político mas Assange vê-se confrontado com a ameaça das autoridades britânicas - se põe um pé fora da embaixada equatoriana (alguém , em seu perfeito juízo, acredita que as autoridades britânicas vão invadir a embaixada equatoriana para deter Assange??) é detido e extraditado para a Suécia para aí responder pelas acusações de que é alvo.
E Assange mantém-se refugiado, mantém a sua tese da perseguição, da mais que certa extradição para os Estados Unidos.
Isto apesar de se saber que a Suécia não extradita ninguém para países onde a pena de morte seja aplicável.
E, convenhamos, o sistema judicial sueco não é propriamente conhecido pela sua falibilidade.
Francamente, é tudo muito estranho.
Sucedem-se as manifestações de apoio ao perseguido Assange (ontem, em Portugal, o movimento tugaleaks juntou a sua voz ao barulho).
Mas eu confesso que já começo a ficar farto e desconfiado de tantos "leaks".
Se estivéssemos perante um outro sistema judicial até poderia compreender os receios de Assange.
Perante o sistema judicial sueco e as garantias que oferece?
Muito estranho.
A vitimização de Assange já há muito tempo que não me convence.
Pelo contrário, cheira, cada vez mais, a esturro.
Deve ser efeito da  cortina de fumo que se adensa à volta deste caso.

22 comentários:

  1. Ouvi o seu comunicado a imprensa. Nao se referiu de que e acusado na Suecia. Estranho.

    ResponderEliminar
  2. Muito estranho, Catarina.
    O sistema judicial sueco é excelente.
    Acho que há unanimidade nesse ponto.
    E interdita expressamente a extradição para países onde haja pena de morte.
    O que teme Assange afinal??

    ResponderEliminar
  3. Não concordo que o sistema judicial sueco é inteligente (já por várias vezes falei da situação da justiça na Suécia no meu blogue no que diz respeito aos crimes cometidos pelos imigrantes, na sua maioria muçulmanos), mas concordo que o caso Assange já começa mesmo a cheirar mal. Se ele está com medo então é porque as acusações contra ele têm fundamento. É claro que as autoridades britânicas não cometerão o erro de entrar pela embaixada equatoriana adentro. O problema será ele conseguir sair de lá para fora... ou então fica mesmo por lá, a viver lá e em segurança. Terá de achar um meio de ludibriar as autoridades e zarpar do país rumo ao Equador. Se tal coisa acontecer creio que não será certamente algo inédito.

    ResponderEliminar
  4. Oh firehed tu querias é que o assange te rebentasse a peida.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tu é que querias, mas tens vergonha de o dizer e queres que eu te realize o desejo.

      Eliminar
    2. Pedro
      Este blogue dispensa por completo este tipo de devaneios. Que tal remover o comentário do anónimo? ;)
      Abraço

      Eliminar
  5. FireHead,
    Se há sistema judicial, a nível europeu, que é inteiramente fiável (a nível de protecção dos direitos dos arguidos, de garantias de celeridade e Justiça) é o sueco.
    Eu não sei se as acusações que lhe são dirigidas têm fundamento.
    E não sei, nem eu, nem ninguém, porque ele não deixa que se averigue.
    E isso é que realmente é muito estranho.A desculpa que ele tema presentado, essa definitivamente não cola.


    Anónimo,
    ????????????

    ResponderEliminar
  6. Faço minha a observação da Catarina.
    Por que motivo Assange não fala do que terá feito na Suécia?
    Por conveniência, só pode.

    E que isto já cheira mal, ninguém tem dúvida.
    Assange que assuma e as autoridades que actuem em conformidade. À Justiça compete fazer o resto.

    Caro Pedro, entrou um vírus aqui, foi?
    :)

    ResponderEliminar
  7. António,
    Assange insiste em desviar a atenção do que é essencial.
    E o que é essencial é ele responder por uma acusação terrível.
    O resto é fogo de vista e paleio para encher chouriços.

    Os vírus são uma coisa terrível, António.
    Eu não queria barrar o caminho a ninguém.
    Nem aos vírus.
    Nunca o fiz.
    Mas parece-me que vou ter que o começar a fazer.

    Aquele abraço

    ResponderEliminar
  8. Pedro,

    querido amigo, aqui vão uma serie de "coincidências" e discordâncias da minha parte:

    1 - O sistema judicial sueco não é tão perfeito como o pintam recorde-mo-nos de vários casos nos anos noventa e até mesmo nos anos oitenta que não abonam em favor da Justiça Sueca.

    2 - O curioso é o mandato que surge em Dezembro de 2010 data em que são conhecidos os primeiros "leaks".

    3 - Mais abominável seria a sua extradição para os EUA, país que, Pedro, ao contrário do que V.Exª diz tem, efectivamente, pena de morte.

    4 - Mas, o que eu acho incrível é a tentativa de entrada - por parte da Polícia Britânica - na Embaixada do Equador em Londres, que como sabe é solo equatoriano à luz do Direito Internacional Público.

    5 - Por fim, nunca vi, ao contrário do caso DSK, nenhuma das "ofendidas" virem protestar sobre a "fuga" de Assange das autoridades suecas (que só em 2010 perceberam que o Sr. Assange havia cometido um "crime" em, pasme-se, 2005).

    Por fim, Pedro, não sei como é que permite que certos cretinos, sob a capa do anonimato, publiquem no seu respeitável blogue mensagens de cariz baixo, ordinário e rasteiro.

    Aquele abraço, querido amigo!

    ResponderEliminar
  9. Ricardo,

    1- Sistemas judicias perfeitos, como ambos sabemos, não há. Como tal, o sueco também o não é. Mas é, a nível europeu, dos que mais garantias dão. Sob todos os aspectos. Não é opinião minha, é opinião generalizada.

    2 - Eu não disse que não havia nenhuma ligação entre o WikiLeaks e este caso, pois não?

    3 - Muito menos afirmei que não existe pena de morte nos EUA. O que eu afirmei, e sublinho, é que a Suécia não extradita ninguém para países onde é aplicada a pena de morte. Uma vez que, nos EUA, é aplicada a pena de morte, Assange não tem que se preocupar em ser extraditado da Suécia para os EUA. E esse tem sido o argumento para não se apresentar perante a justiça sueca.

    4 - Repito a pergunta que formulei no texto - acredita que os britânicos vão invadir uma embaixada por causa de Assange? Criar um incidente diplomático desse calibre por causa de Assange? Por favor!!

    5 - Volto ao que escrevi em resposta a 2 - quem é que afirmou que estas acusações não estão ligadas ao WikiLeaks? Mais uma razão para Assange se apresentar perante a Justiça sueca, acompanhado do seu advogado, Baltazar Garzon, e se defender dessas acusações.


    Ricardo,
    Eu NUNCA censurei um comentário, nem tenho activada a moderação de comentários.
    Mas, se tal for necessário, se continuarem a acontecer algumas situações semelhantes, se calhar lá terei que activar a moderação de comentários.
    Não o queria fazer.
    Se for obrigado....

    Aquele abraço!!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro,

      dúvidas restam que a Suécia extradite Assange para os EUA?
      Não tenho muitas!

      tem dúvidas sobre a possibilidade dos britânicos invadirem a representação diplomática equatoriana?
      Eu já as tive, agora...nem tanto!!

      Quanto à "censura" dos comentários, não lhe chame censura, amigo, trate-a antes por...moderação!

      Abraço

      Eliminar
  10. Não permito desses vírus no meu blogue e o meu amigo deveria começar a pensar em fazer o mesmo.

    Painel ---> Definições ---> Comentários ---> Quem pode comentar? ---> Utilizadores registados - inclui OpenID ---> GUARDAR DEFINIÇÕES

    Aquele abraço

    ResponderEliminar
  11. ...e não é preciso moderar. Basta vedar os comentários aos anónimos como eu tenho no meu. ;)))

    ResponderEliminar
  12. O Assange, novo ídolo de muita gente, tem como advogado alguém que gravou ilegalmente conversas entre advogados e seus clientes

    ResponderEliminar
  13. MUITÍSSIMO OBRIGADA POR ESTE TEXTO, PEDRO, COM O QUAL ESTOU ABSOLUTAMENTE DE ACORDO!!!

    E é como o Pedro diz, o tipo insiste em desviar a atenção do que é essencial: a violação!!!

    E o que ele desvendou, pelo menos, no que respeita a Alemanha foi só neve do passado, que todo mundo já sabia de cor e salteado.

    Abraço da amiga de longe.

    ResponderEliminar
  14. Compreendo as suas dúvidas, Pedro, mas eu também estranho que o caso das suecas só tenha aparecido depois de vir à tona o caso Wikileaks.
    Não lhe parece coincidência estranha, principalmente quando é sabido a maneira como os encontros com as piquenas ocorreram e as coincidências posteriores na conversa entre as duas?
    Não tenho dúvidas que Assange está a tentar desviar as atenções, mas falar de violação,à luz da legislação sueca, nada tem a ver com o nosso conceito de violação. Lá, fazer sexo sem preservativo é considerado violação, o que não deixa de ser bizarro, uma vez que as relações foram consentidas!
    Vivi na Suécia e admiro o país, mas no caso de Assange também teria medo do que me pudesse acontecer. A Suécia só não extraditará Assange, em caso de risco de pena de morte, mas nós sabemos bem que os EUA não são de fiar. Poderão garantir que não lhe aplicam a pena de morte, mas depois têm engenhosos processos para "o suicidar".
    Guantanamo não pertence ao mundo da ficção. Também vivi nos EUA e sei do que estou a falar . Aqueles tipos são perigosos!
    Desculpe o espaço que lhe tomei, Pedro.
    Abraço

    ResponderEliminar
  15. Ricardo,
    Eu, até prova em contrário, não tenho nenhuma razão para desconfiar do sistema judicial sueco.
    E não tenho razão nenhuma para acreditar que os britânicos se deixam levar pela loucura e invadem a embaixada de um país soberano.
    Por causa de Assange??
    Não se estará a dar demasiada importância ao sujeito??


    No que diz respeito à moderação de comentários, e depois desta peixarada, segunda-feira haverá novidades.


    L.O.L.
    Como referi antes, segunda-feira haverá novidades.
    Assim, definitivamente, não!!!


    Hugo,
    Nos tempos que correm, criam-se ídolos com a mesma facilidade com que se troca de camisa.
    E está aí uma dupla muito curiosa, sem dúvida.


    ematejoca,
    Escrevi exactamente aquilo que penso e sinto.
    Assange revelou informação que surpreendeu, chocou até, muita gente.
    Mas, depois disso, viu-se envolvido nestas trapalhadas.
    E não fez nada para as deslindar.
    Pelo contrário, tem feito tudo para se esquivar.
    Não seria esse o meu comportamento.
    Não estamos a falar de um país qualquer.
    Trata-se da Suécia.
    As explicações, os receios dele, não me convencem.
    Um abraço do Oriente :)

    Carlos,
    Repito o que já disse antes - eu não afirmei que este caso não tem nada a ver com o WikiLeaks.
    Obviamente que tem.
    Até porque, do ponto de vista das fulanas, seria uma óptima oportunidade para apanhar o tipo, ou para conseguirem os seus 15 minutos de fama.

    O que Assange devia fazer, na minha opinião, era apresentar-se perante a justiça sueca e deslindar este situação.
    Seja lá qual for o conceito de violação à face da lei sueca.
    Com a atenção que o caso gerou, até seria a Suécia a ficar mal na fotografia.
    Ou não será assim?

    E, repetindo o que respondi ao Ricardo, com esta cobertura mediática, os suecos iam extraditar Assange?
    Nem pensar nisso, Carlos!

    Com esta aura de vedeta, acompanhado da vedeta Baltazar Garzon, Assange está muito bem protegido desses perigos que invoca.

    Por isso me pergunto - de que foge realmente???

    Carlos,
    Tome aqui todo o espaço que quiser.
    Porque é sempre um prazer debater ideias consigo.

    Aquele abraço

    ResponderEliminar
  16. Pois é, Catarina.
    Esta foi a gota de água :(

    ResponderEliminar
  17. Confesso Pedro que já tinha assistido aqui a coisas que no meu caso me fariam logo tomar a decisão de tornar privados os comentários. Estes anónimos são muito engraçados, são tão corajosos que nem o perfil revelam, têm medo ou vergonha? Bem eu hoje ao ler o comentário deste anónimo até eu senti vergonha, tipo... Vergonha alheia.

    Enfim, é triste, e muitas vezes quem faz isto são pessoinhas que não dizem nada fora do politicamente correcto quando utilizam o seu perfil (porque geralmente têm blogues) e então utilizam depois sítios onde podem comentar sem moderação para dar aso aquilo que realmente são :(

    ResponderEliminar
  18. Eu já o devia ter feito,Catarina.
    Mas não queria.
    Vi-me obrigado a isso.
    Tem que ser, tem muita força!!

    ResponderEliminar