22 de março de 2012

Vá bardamerda senhor Governador do Banco de Portugal!



- De um professor universitário e investigador da UC -

O excesso de autonomia em democracia dá nisto. A autopromoção política e económica leva à decapitação da democracia.

Daqui, já muitos terem saudade de um regime autoritário. Será que vamos acordar tarde? !!!! E mais.......

Sabiam que o Banco de Portugal comparticipa aos seus funcionários 100% das despesas de saúde?

Quem paga isso? Somos nós os contribuintes, enquanto que a ADSE paga só aquilo que nós sabemos.

É por isso que funcionários do Banco de Portugal fazem implantes dentários e os 'outros implantes' que estão agora na moda às funcionárias e às mulheres dos funcionários.

Como é isto possível? E nós que somos os pagantes, ficamos calados???
 Vá bardamerda senhor Governador!

Neste país há investigadores universitários que estudam todos os dias até altas horas da noite, que trabalham continuamente sem limites de horários, sem fins-de-semana e sem feriados.

Há professores universitários que dão o seu melhor, que prepararam cuidadosamente as suas aulas pensando no futuro dos seus alunos, que dão o melhor e sem limites pelas suas universidades.

Há policias que ganham miseravelmente, que não recebem horas extraordinárias, que pagam as fardas do seu bolso e para sobreviverem têm de prestar os serviços remunerados.

Toda esta gente e muita mais que poderia ser referida foi eleita como a culpada da crise, denunciada como gorduras do Estado, tratada como inutilidade social, acusada de ganhar mais do que a média, desprezada por supostamente não ser necessária para certos políticos se manterem no poder.

Mas há uns senhores neste país que ganham muito mais do que a média dos funcionários públicos, que têm subsídios extras para tudo e mais alguma coisa, que cumprem com incompetência as suas funções, que recebem pensões
chorudas, que vivem do dinheiro dos contribuintes como todo o Estado, mas que não foram alvo de nenhuma das medidas de austeridade que até hoje foram aplicadas aos funcionários públicos.

São os meninos e meninas do BdP. Ainda as pessoas mal estavam refeitas do anúncio da pilhagem aos seus rendimentos e há um tal Costa, governador do Banco de Portugal, vinha defender que as medidas deste OE deveriam prolongar-se para além de 2014.

Isto é, o senhor defende que os cortes se tornem definitivos. No mesmo dia a comunicação social informava que as medidas de austeridade aplicadas aos funcionários públicos não seriam aplicadas aos funcionários do Banco de Portugal, o argumento para tal situação era o da independência do banco.

Mas se o Governo não pode nem deve interferir na gestão do BdP e o senhor Costa se comporta como um cruzamento entre a ave agoirenta e o Medina Carreira. o mínimo que se espera é que ele dê o exemplo pois nada o impede de aplicar aos seus (incluindo os pensionistas do BdP) a austeridade que exige
aos outros.

No caso do BdP o senhor Costa não só estaria a adaptar as mordomias dos funcionários públicos e pensionistas do BdP à realidade do país como estaria a dar um duplo exemplo, um exemplo porque aplica aos seus a austeridade que exige aos outros e um exemplo porque chama os seus a responder pela
incompetência demonstrada enquanto entidade reguladora de bancos como o BPN ou o BPP.

Porque razão um professor catedrático de finanças ganha menos do que um quadro do BdP, não recebe subsídio para livros como este e na hora da austeridade perde parte do vencimento e os subsídios enquanto o funcionário
público do BdP não corta nada e muito provavelmente ainda recebe um aumento?

E já que falamos no BdP que tanto se bate pela transparência das contas públicas e do Estado enquanto o seu governador anda por aí armado em santinha das finanças, porque razão os vencimentos e mordomias do BdP não aparecem no seu site de forma a que sejam conhecidas pelos contribuintes que
as pagam?

Todas as colocações, subidas de categoria e remunerações dos funcionários públicos são divulgadas no Diário da República mas o que se passa no BDP é segredo, muito provavelmente para que o povo não saiba e assim manterem o
esquema.

Ainda a propósito de transparência seria interessante saber porque razão os fundos de pensões da banca vão ser transferidos para o Estado e o do Banco de Portugal fica de fora.

O argumento da independência não pega, o que nos faz recear que o fundo de pensões seja abastecido de formas pouco aceitáveis para os portugueses.
Seria interessante, por exemplo, saber a que preço e em que condições uma boa parte do imobiliário que o banco detinha por todo o país foi transferido para o fundo de pensões dos seus dirigentes e funcionários.

É por estas e por outras que o senhor Costa não tem autoridade moral para propor o mais pequeno sacrifício seja a quem for e deveria abster-se de aparecer em público, este senhor só merece a resposta que lhe daria o saudoso Almirante Pinheiro de Azevedo:

«vá bardamerda, snr. governador»!..."

4 comentários:

  1. Caro Pedro
    Acho que a celebre expressão do Almirante está bem metida. Parece-me que devia-mos usá-la mais vezes dirigindo-a a uns senhores que andam por aí a olhar só para o seu umbigo.
    Vão bardamerda! Sim senhor.
    Abraço
    Rodrigo

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  2. Está bem apanhada, não está, Rodrigo?
    Lembro-me tão bem dessa ocasião com o Pinheiro de Azevedo.
    Aquele abraço

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  3. Vão bardamerda!!!

    Caramba, soube bem, vou repetir vão bardamerda senhores do Banco de Portugal, da TAP, da REFER, da Carris, da RTP, da Caixa Geral dos Depósitos, e muitos, muitos outros que aqui cabiam, mas...não temos tempo!!!

    Abraço, Pedro!

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  4. Com as letras todas, Ricardo!!
    E são mesmo muitos.
    Custa assim tanto ser honesto, caramba?

    Aquele abraço

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