16 de novembro de 2016

O resultado previsível


Como se esperava os Tribunais de Hong Kong decidiram que os dois deputados localistas, Yau Wia-ching e Baggio Leung, do Partido Youngspiration, não vão poder repetir o seu juramento e consequentemente não vão poder ocupar os lugares para os quais tinham sido eleitos no Legco de Hong Kong.
Uma decisão que afina pelo diapasão da interpretação autêntica precipitadamente feita pelo Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular.
Provavelmente nunca saberemos se de facto houve interferência de Pequim nesta decisão.
E, se houve, até que ponto.
Mas ficará para sempre a suspeita de Pequim ter pretendido deliberadamente condicionar a decisão dos juízes de Hong Kong com uma interpretação autêntica da Lei Básica feita por iniciativa própria e a destempo.
Ao contrário do que se tem repetido incessantemente em alguns meios mais fiéis a Pequim não está em causa a competência nem o poder do Comité Permanente de interpretar a Lei Básica de Hong Kong.
O que está em causa é o quando e o como.
A intervenção de Pequim só deveria (e deverá no futuro...) acontecer após solicitação dos órgãos próprios do Segundo Sistema e quando estes não se julguem capazes de decidir o caso que lhes é submetido.
Ao antecipar-se à decisão judicial, pedida e tomada com carácter de urgência, Pequim deixa para sempre pairar a suspeita de ter pretendido condicionar e direccionar a decisão que os órgãos judiciais de Hong Kong viessem a tomar.
E de, com esse comportamento, ter ignorado a independência destes e a autonomia que o princípio "um país, dois sistemas" consagra.

24 comentários:

  1. Costuma-se dizer que não vem fumo de onde não há fogo.
    Um abraço

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    1. Este filme tinha um fim muito fácil de adivinhar, Elvira Carvalho.
      Um abraço

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  2. Uma realidade bem confusa mas não muito diferente de outros países onde se vai delapidando a "independência e autonomia",

    Beijocas e um bom dia

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    1. A linha dura de Pequim mostrou as garras a Hong Kong, Fatyly.
      E não foi bonito de ver.
      Dito isto, o comportamento dos cachopos não merecia menos que isto.
      Devia era ser uma decisão dos tribunais de Hong Kong sem interferências de ninguém.
      Beijocas, um bom dia para Portugal

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  3. A mão de Pequim é previdente e longa, está visto.


    Abraço.

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    1. E, neste caso, ficou bem à vista, Agostinho.
      Aquele abraço

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  4. Nem fazemos ideia do que se passa nos bastidores de uma embrulhada desse género. Tanta coisa que deve andar escondida...

    Bjnhs

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    1. O dedo de Pequim é demasiado visível nesta caso, Lina.
      Assumidamente e sem qualquer problema.
      Beijinhos

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  5. Um país, dois sistemas, só quando convém, nisso Pequim é muito rigorosa.
    Um abraço e boa semana.
    Andarilhar

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    1. Continuo a pensar que neste caso Pequim deu um grande tiro no pé, Francisco.
      Aquele abraço

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  6. Pedro, e a separação de poderes onde fica?

    Aquele abraço, meu caro amigo.

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    1. A separação de poderes, a autonomia das Regiões Administrativas Especiais, foi tudo levado à frente, Ricardo.
      Aquele abraço

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  7. O que se está a passar por esses lados, Pedro?
    Too much confusion ...

    Um abraço

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    1. Uma intervenção atabalhoada de Pequim, António.
      Que quis mostrar as garras e o fez precipitadamente.
      Aquele abraço

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  8. Pequim a estender os seus tentáculos...
    Beijinhos

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    1. E a meter os pés pelas mãos porque está farta de Hong Kong e das confusões que ali acontecem constantemente, Chic'Ana
      Beijinhos

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  9. Pequim intrometeu-se e abre um péssimo precedente.

    Lamentável efectivamente.

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    1. De consequências imprevisíveis, São.
      A história ainda não acabou.
      Nem de perto nem de longe.

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  10. Oi Pedro, gostei imensamente do seu blog e impressionou-me ter contato com troca de informações, com um cidadão do oriente, onde nossos ancestrais tiveram a ousadia de atracar sua embarcação e lá ditarem normas, impor sua língua e tudo o mais. Isso é motivo de orgulho a nos descendentes. E eu cá, em uma ilha, no sul do mundo, poder saber de literatura, cinema, arte daí. Pedro tenho curiosidade de algum "blogueiro" de língua portuguesa daí que poste poesia deste extremo oposto. Pedir-te-ei, se souberes de algum endereço que me passe por favor. Abraço fraterno. Laerte (Sil).

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    1. Laerte (Sil),
      Que eu conheça, não há blogues aqui de Macau que façam postagens de poesia.
      Julgo mesmo que não existe esse tipo de blogue em Macau.
      Se encontrar algum prometo que lhe dou o endereço.
      Um abraço

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    2. Minha gratidão, amigo! Minha curiosidade advém da veia poética do povo português e da suposição que o papa Bocage de meteórica passagem por essa paragem, tivesse plantado uma sementinha de mostarda em poesia. Fico-lhe imensamente agradecido e dizer de minha alegria em ver sua visita ao meu humilde espaço. Muito obrigado. Voltarei aqui outras vezes. Abraço cordial. Laerte.

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    3. Há poetas em Macau, Laerte.
      Que publicam em língua portuguesa e até no dialecto macaense (patuá).
      Mas não publicam na blogosfera.
      Tem aqui (http://www.revistamacau.com/2011/06/05/cidade-dos-poetas/) alguma informação a esse respeito.
      Um abraço

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  11. É uma luta de poderes, vence o mais forte, infelizmente nem sempre tem a ver com a razão.

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    1. Pequim neste caso foi totalmente irrazoável, Isabel.
      Até no timing.

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