9 de novembro de 2016

O que falta no texto?


Tem  que saber ler com paciência. Óptimo exercício!
 
O que falta no texto?
 
Tente achar, antes de ver a resposta (no final)
 
****************************** ******
 
Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se dizer tudo com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de Colombo.
 
Desde que se tente sem se pôr inibido, pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.
 
Trechos difíceis se resolvem com sinónimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo.
 
Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o "P", "R" ou "F", ou o que quiser escolher. Podemos, em estilo corrente repetir sempre um som ou mesmo escrever sem verbos.
 
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?
 
Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
 
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores.
 
Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.
 

 
 
Descobriu?
 

 
 
Não?
 

 
 

 
 


 
 
O texto não tem a letra  "a"   

16 comentários:

  1. Só descobri porque... já conhecia!
    Aquele abraço, Pedrio

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A língua portuguesa permite estas diatribes, Carlos.
      E ainda querem "acordá-la" :(
      Aquele abraço

      Eliminar
  2. Eu não descobri, aqui me confesso :)
    Não sei se conseguiria escrever um texto tão longo, omitindo uma vogal. Terá sido certamente uma tarefa árdua e morosa!

    Um beijinho, Pedro :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É preciso talento, Miss Smile.
      Mas está excelente.
      Beijinhos

      Eliminar
  3. Sinceramente que tentei, mas não consegui encontrar o que faltava ! :))) ... Incrível ! ... Como é possível ? ... :)))

    Abraço

    ResponderEliminar
  4. Também já conhecia mas não me apercebi quando recebi o texto.
    Incrível.
    bjs

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Recebi hoje e partilho aqui, papoila:

      "OuLiPo (Ouvroir de Littérature Potentielle, algo como oficina de literatura potencial) é uma corrente literária formada por escritores e matemáticos que propõe a libertação da literatura, aparentemente de maneira paradoxal, através de constrangimentos literários.
      Surgida na França no ano de 1960, seus principais autores são Raymond Queneau, François Le Lionnais, Italo Calvino e Georges Perec, entre outros.

      Seus autores procuram propor regras para suas produções literárias tais como escrever um romance inteiro utilizando uma só vogal (Les revenentes, de Georges Perec), utilizando ao máximo a linguagem oral (Zazie no Metrô, de Raymond Queneau), entre outras restrições.

      Dois membros do OuLiPo, Marcel Bénabou e Jacques Roubaud, no artigo intitulado Qu´est-ce que l´OuLiPo? (O que é o OuLiPo?), dizem que "é a literatura em quantidade ilimitada, potencialmente produzível até o fim dos tempos, em grande quantidade, infinitas para todos os usos". Sobre o autor que se dedica a essa prática dizem que é "um rato que constrói seu próprio labirinto de onde se propõe a sair".

      Movimento semelhante pode ser encontrado na pintura (OuPeinPo).


      Abecedário – texto onde cada palavra deve ser iniciado por um letra diferente na seqüência do alfabeto; exemplo: A brader: cinq danseuses en froufrou (grassouillettes), huit ingénues (joueuses) kleptomanes le matin, neuf (onze peut-être) quadragénaires rabougries, six travailleuses, une valeureuse walkyrie, x yuppies (zélées).
      Lipograma – texto onde alguma letra deve ser surpimida; é o caso do livro La disparition, de G. Pérec, onde a letra "e", vogal mais frequente no francês, não aparece.
      N+7 – cada substantivo do texto deve ser substituído pelo sétimo que aparece após ele no dicionário.
      Bola de Neve – Poema em que cada verso contem uma só palavra, sendo que, cada verso que segue, deve ter uma letra a mais que o verso anterior."

      Bjs

      Eliminar
  5. Olá Pedro ! incrível, claro que não encontrei que faltava o a! até pensaria que tantas palavras utilizam o a em português, que não se poderia "viver" sem ele!
    gostei da descoberta :)))

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Repare na resposta que dei à papoila, Angela.
      Está ali a explicação para este fenómeno.

      Eliminar
  6. Tinha lido outro dia este texto e achei espectacular. Por isso, amo a minha Língua, o Português !!!

    ResponderEliminar
  7. Incrível. Terá dado muito trabalho ao autor, provavelmente com um dicionário ao lado.
    Bom passatempo, Pedro, mais difícil que as palavras cruzadas.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito mais difícil, muito mais criativo, Agostinho.

      Eliminar
  8. Descobri! Pensei que se dirigia a um leitor mas não a uma leitora e depois foi fácil :)

    ResponderEliminar