16 de fevereiro de 2016

Um tempo ideal para regulamentar o artigo 23º da Lei Básica em Hong Kong?


Todos recordamos as gigantescas manifestações que tiveram lugar em Hong Kong quando na vizinha Região Administrativa Especial se pretendeu regulamentar o artigo 23º da Lei Básica.
Todos, pelo que ouvi noticiado ontem, não.
Porque o que ontem ouvi foi uma opinião de um daqueles especialistas/académicos, que tão rapidamente aparecem quanto desaparecem, a defender que este é um tempo ideal para avançar com a regulamentação do artigo 23º da Lei Básica em Hong Kong.
Num momento de grande tensão política e social, na sequência de violentíssimos tumultos que agitaram Hong Kong ainda há poucos dias, uma iniciativa destas é digna de um pirómano a comandar o ataque a um incêndio.
Se a relação de confiança entre uma larga fatia dos residentes de Hong Kong e o poder chinês nunca foi famosa, nos últimos anos tem vindo a degradar-se consecutivamente.
Nem vale a pena relembrar os episódios de todos sobejamente conhecidos que atestam este facto.
E é num cenário destes, com este ambiente político e social, que se vem agora lançar a ideia de regulamentação do artigo 23º da Lei Básica?
Por mais extraordinários que sejam estes especialistas/académicos, há uma qualidade essencial que lhes falta e sem a qual arriscam agravar uma situação já de si muitíssimo complexa.
Uma qualidade que Jane Austen tão bem caracterizou e descreveu - sense and sensibility (sensibilidade e bom senso).

10 comentários:

  1. Começa logo por ser errada essa designação de especialista ( que geralmente é mais um rótulo que qualquer outra coisas) usada pelos jornalistas.

    É-se perito em qualquer tema, nada mais nem menos.

    DEpois debitam opiniões com uma solenidade que leva a crer serem realmente os donos da verdade, que daí a três ou quatro dias já é outra , mas que defendem com a mesma convicção.

    Para cúmulo, sanidade mental é coisa que não abunda nesses cérebros iluminados e , assim, acabam por fazer ou validar propostas tão parvas como essa.

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    1. Esta malta ensandeceu, São.
      A última vez que tentaram fazer passar esta legislação (leis anti-sedição) tiveram mais de meio milhão (há quem fale em mais de um milhão...) nas ruas.
      Agora, em plena convulsão, vêm com esta ideia peregrina.
      Havia de ser bonito!!!

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  2. Caro Amigo Pedro Coimbra.
    Fui consultar no "Santo" Google e li o teor do Artigo 23, que aqui transcrevo:
    "O Artigo 23 da Lei Básica requer que Hong Kong decrete leis próprias para proibir certos atos como traição, secessão, sedição e subversão contra o governo central da China, além da subtração de segredos do Estado. Uma controvérsia considerável foi gerada quando o Governo de Hong Kong tentou introduzir uma legislação para implementar o Artigo. A legislação proposta daria muito poder a polícia, que passava a não precisar de um mandato de busca para invadir a casa de um “possível terrorista”, o que causou protesto público e resultou em demonstrações em massa. Depois das demonstrações, o governo engavetou indefinidamente a lei."
    Considero um artigo inquietante porque, se regulamento, poderá ser utilizado de maneira arbitrária.
    Caloroso abraço. Saudações atentas.
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Um ser vivente em busca do conhecimento e do bem viver sem véus, sem ranços, com muita imaginação, autenticidade e gozo.

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    1. É isso exactamente que está em causa, Amigo João Paulo de Oliveira.
      Com a desconfiança congénita dos cidadãos de Hong Kong face ao poder chinês, num momento de particular tensão e violência, é preciso ser muito obtuso ou muito louco para propor uma coisa destas.
      Aquele abraço

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  3. Assunto tratado fora de tempo, creio.
    Abraço

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    1. Mas há mais vozes a insistir nesta necessidade.
      E imediatamente, António.
      Não há cu que aguente!!
      Aquele abraço

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  4. Pois ... só mesmo sendo especialista em pirotecnia.

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    1. Olha quem voltou!!
      Andou desaparecida durante muito tempo, Diana Fonseca.
      Bom Ano de 2016, Bom Ano Novo Lunar que ainda agora começou.

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